“Somos uma extensão do cliente”

Por a 21 de Junho de 2019 as 11:03

Em 2006, Angelina Castel-Branco, Patrícia Gueifão e Rodrigo Cordeiro fundaram a iMotion, agência especializada em eventos empresariais. Em comum tinham a vontade de fazer “algo diferente”, nesta área. Angelina e Patrícia já trabalhavam juntas numa empresa de eventos e a criação do próprio negócio foi um passo natural. Com elas trouxeram uma carteira de clientes, que ainda hoje permanece.
Se no início a iMotion desenvolvia muitos eventos ligados à indústria farmacêutica, pelo background e histórico das sócias fundadoras, hoje em dia o portefólio é diversificado. “Começou a haver um desinvestimento muito grande por parte desta indústria. Isso levou a que procurássemos outros mercados e começámos a crescer e diversificar o nosso leque de clientes. Na altura da crise, já tínhamos um leque muito abrangente de clientes, mas esta indústria continua a ter um peso significativo para nós”, refere Patrícia Gueifão.
Bial, ABBOTT, Novartis, Bayer, Roche são algumas das empresas para as quias já desenvolveram eventos empresariais. Fora da área farmacêutica trabalham com a BP, Ageas, BMW, Fnac, NOS, Fujitsu, Bimby, entre outras.
O ano de 2019 foi o melhor ano da empresa. “Em termos de faturação foi o melhor ano, mas temos vindo a crescer todos os anos, progressivamente”, afirma Rodrigo Cordeiro.
Este crescimento tem-se refletido no aumento da equipa. “Começámos com quatro pessoas e neste momento somos 19”, refere Angelina Castel-Branco, acrescentando ainda que “a percentagem de propostas versus eventos realizados tem sido boa. Temos muito trabalho, mas também temos muitas mais propostas adjudicadas”.

Os eventos

De 2006 para agora, a empresa manteve o seu core business na realização de eventos empresariais. O que mudou foi “a forma e a complexidade dos eventos, que têm vindo a evoluir drasticamente”, explicam. “Hoje em dia, não vendemos só serviços. Há dez anos, o evento consistia na escolha do venue, a decoração, animação, mas não havia a ideia de vender um conceito ou uma história. Aí evoluímos bastante, até para dar resposta ao mercado. Os clientes estão mais exigentes e nós também somos mais exigentes connosco e com as nossas equipas”.
Há mudanças significativas naquilo que os clientes procuram para os seus eventos e o maior dos desafios é “fazer tudo muito diferente” e não repetir conceitos. Quanto aos budgets, pretende-se fazer “muito mais, com muito menos”. “Isso foi a diferença que se notou na pós-crise”, conclui Patrícia Gueifão. Apesar disso, a iMotion nunca deixou de crescer. “A nossa política interna não é dar um passo maior que a perna”, refere a responsável.
“Tivemos muitos curiosos no mercado, toda a gente fazia eventos. Empresas que aparecem e desaparecem, mas que entretanto estragam o mercado, porque fazem preços muito abaixo da média. Não reduzimos demasiado as margens e mantivemos um determinado nível de parâmetros, ou seja, os nossos valores tinham de se manter. Houve clientes que saíram, mas a seguir voltaram”, complementa Angelina Castel-Branco.
“Qualidade e proximidade com o cliente” são dois valores que os sócios apontam ao DNA da iMotion e que é referido pelos clientes. A estes acresce “o rigor, a fiabilidade e a vontade com que trabalhamos. Somos uma extensão do cliente. Se precisar de alguma coisa, estamos lá”, afirma Angelina Castel-Branco.
Um dos desafios da empresa é dar resposta aos pedidos de propostas que chegam com muito pouco tempo para a execução do projeto. “O crescimento da nossa equipa passou também por dar resposta a isso: o timing de resposta cada vez mais é menor e isso exige das equipas uma capacidade muito maior”, afirma Patrícia Gueifão.
Angelina Castel-Branco acrescenta: “A exigência é a mesma: a qualidade, a diferenciação, a tecnologia, isso tudo tem de estar no evento. Hoje as equipas têm pouco tempo para serem diferentes”.
Além da parte tecnológica, que é uma tendência atualmente, são sobretudo os conceitos que diferenciam os eventos. “Hoje em dia, os eventos são muito mais do que aquilo que se passa no espaço, é a história que se conta e as experiências, que passam pela parte tecnológica mas também por aquilo que o participante vive, desde o momento do pré-evento, quando recebe um convite, até ao momento em que sai dos eventos”, refere Patrícia Gueifão. A responsável acrescenta ainda a capacidade de reinvenção que é necessária neste setor: “Hoje em dia o cliente quer fazer diferente do que os outros fazem”.
As redes sociais também vieram acrescentar novos desafios: “Hoje em dia não podemos pensar no evento só para o público que está naquele espaço, mesmo que seja um evento privado, porque não conseguimos limitar a exposição e a divulgação do que se está a passar no momento. As pessoas partilham muita coisa nas redes”, explica Angelina Castel-Branco
Recentemente, a iMotion mudou a sua imagem, algo que começou a ser planeado no 10º aniversário da empresa. “Gostávamos muito da nossa imagem anterior, mas ao fim de dez anos surge essa necessidade de modernizar. Apresentaram-nos uma série de soluções, mas não nos identificámos com nenhuma. Começámos internamente a pensar o que queríamos. Hoje temos uma imagem mais bonita, mais moderna, madura e clean e que, no fundo, foi uma boa evolução e estamos felizes com o que conseguimos”, conclui Angelina Castel-Branco.
No futuro, a empresa pretende manter o crescimento consolidado. “Há muitos anos que falamos em querer ir para fora, ou trazer mais incoming, mas estamos muito bem no mercado em que estamos”, refere Patrícia Gueifão. Angelina Castel-Branco complementa: “Penso que temos o nosso lugar no mercado, a iMotion já é conhecida e temos de continuar a consolidar o nosso trabalho. Estamos bem e vamos querer continuar a estar próximos do cliente, manter os nossos valores e naturalmente acompanhar o mercado, trazer mais tecnologia e diferenciação aos nossos eventos e sermos reconhecidos por isso”.

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