“Com mais Turismo, estamos a ter menos procura”

Por a 27 de Dezembro de 2018 as 12:00

Apesar do momento positivo nos Açores, o rent-a-car ressente-se com aumento de oferta, como disse ao Publituris Luís Rego, administrador do Grupo Ilha Verde.


Acabámos de fechar o Verão 2018. Para a Ilha Verde, como correu este período, houve aumento de procura relativamente a 2017?
Tivemos um Verão muito diferente, deparámos-nos com oferta acima da média e houve um aumento desajustado da oferta. No ano passado, o mercado verificou um aumento na ordem dos 20% e, este ano, não se vai verificar, especialmente em São Miguel, onde o aluguer de viaturas chegou aos 50%. Portanto, um aumento de mercado de 20%, com um aumento de oferta de 50%, mostra bem as dificuldades que estão instaladas nos Açores.
Esse aumento notou-se essencialmente em São Miguel. Os Açores são nove ilhas e é complexo trabalhar o destino, porque esta actividade obriga a uma grande logística, com realidades diferentes nos Açores, nomeadamente em termos de custo acrescido, porque além do custo dos transportes, há também a questão da sazonalidade, que nos leva a ter muita atenção à rentabilidade. O resultado é precisamente um ano turístico positivo para a região, mas que, para a nossa actividade, está a ser precisamente o contrário. Com mais Turismo, estamos a ter menos procura e a pressão no preço é grande, o que leva a menor rentabilidade.

Esse aumento de concorrência em São Miguel terá sido também consequência da abertura do voo da Delta Air Lines para Ponta Delgada?
Cada um saberá qual foi a motivação que os trouxe para os Açores, mas penso que esse aumento se deveu a vários factores, nomeadamente ao crescimento que os Açores já vinham tendo. Houve um marco importante, que foi a abertura do espaço aéreo, que trouxe também as ‘low cost’. A partir de 2015, com a abertura do espaço aéreo, sentimos outro movimento e outra procura pelo destino, os Açores deram um salto e, naturalmente,
verificou-se um aumento de investimento,  não apenas no rent-a-car, mas também na hotelaria.
Mas o voo da Delta é importante, desde logo porque uma operação destas arrasta consigo clientes directos e os próprios operadores, porque há uma preocupação de rentabilizar a linha.

O voo da Delta tem trazido um maior número de turistas americanos aos Açores. Na Ilha Verde, este mercado também tem ganho importância?
Não somos indiferentes aos mercados estratégicos para a região, somos um espelho do que se passa nos Açores e, por isso, os mercados mais relevantes são o nacional, que representa mais de 50%. Depois, vêm os principais mercados europeus, com destaque para a Alemanha, que é um mercado apreciador de natureza e consegue operar na região o ano todo. Na Europa, são também importantes os mercados inglês, holandês, belga, escandinavo e o espanhol.
A seguir, temos o mercado americano, que sempre foi, para a Ilha Verde, um mercado muito importante, porque não se restringe ao Turismo, tendo em conta a comunidade de açorianos que existe nos EUA. Durante muitos anos, este mercado esteve logo a seguir ao mercado nacional, não devido aos turistas, mas por via do tráfego étnico, que vinha passar férias e visitar familiares nos Açores. Hoje, com a maior visibilidade que passámos a ter nos EUA, devido à promoção, e aproveitando também a presença da Delta Air Lines, houve uma transição e começámos a ter também turistas americanos. A par dos EUA, está o Canadá, não com tanta expressão devido ao voo da Delta, mas se este voo não existisse seriam mercados muito próximos.

Futuro
Os Açores são um destino de natureza, que aposta muito na sustentabilidade ambiental. Na Ilha Verde também existe essa preocupação, ou seja, é possível que, no futuro, a vossa frota venha a incluir veículos menos poluentes, como os eléctricos?
É difícil, mas essa é também uma aposta que o Governo Regional está a fazer e para a qual nos está a desafiar. Assinámos a Cartilha da Sustentabilidade e comprometemos-nos com o Governo Regional a dar o primeiro passo com a introdução de algumas viaturas eléctricas. Ainda não aconteceu porque ainda não temos uma rede de carregamento. Isso já está decidido, o governo já adjudicou e penso que, mais ano ou menos ano, estaremos em condições para poder cumprir com aquilo a que nos propusemos.

Visto que já estamos em Novembro, bem próximos do final do ano, qual é a expectativa da Ilha Verde para 2019?
Com esta antecedência, não temos ainda bem a noção do que nos espera. Estou mais realista que optimista, penso que não se prevêem oscilações, quer no transporte aéreo, quer na oferta hoteleira, e deveremos ter, em 2019, valores dentro daquilo que foi 2018. Mas temos que considerar vários factores, ver se o destino continua a crescer, em função das várias operações montadas e temos que avaliar a oferta concorrente para reajustar a nossa frota. Se não houver indicadores em contrário, espero que os Açores continuem a crescer e que, no mínimo, os valores se mantenham. P

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