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“Turismo: Os desafios do crescimento” é tema do 44º congresso da APAVT

Os Açores, mais concretamente Ponta Delgada, vão receber o congresso dos agentes de viagens portugueses de 21 a 25 de Novembro.

Raquel Relvas Neto
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Os Açores, mais concretamente Ponta Delgada, vão receber o congresso dos agentes de viagens portugueses de 21 a 25 de Novembro.

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Raquel Relvas Neto
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“Turismo: Os desafios do Crescimento” é o mote do 44º Congresso Nacio al da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que acontece de 21 a 25 de Novembro, em Ponta Delgada, nos Açores.
Questões como  “a interrupção de algumas operações aéreas relevantes, como é o caso da falência da Monarch, com as dificuldades de operação no aeroporto de Lisboa, com as dificuldade de operação da TAP, com o brexit, ou mesmo com os problemas de operação turística que enfrentamos na cidade de Lisboa” vão ser debatidas no congresso, segundo adiantou o presidente da associação, Pedro Costa Ferreira, na apresentação do tema do congresso, que decorreu em Lisboa, no Hotel Mundial.
O 44º Congresso Nacional da APAVT marca também a quarta vez que a Associação realiza o evento no arquipélago, depois dos congressos de 1995, 2006 e 2013, este último na ilha Terceira. Este facto é revelador da “importância que os Açores têm, no âmbito do mercado emissor nacional, mas também pela relevância do trabalho conjunto que tem vindo a ser realizado pela tutela do turismo açoriano, e pelos agentes de viagens e operadores nacionais”. Acresce ainda o “crescimento notável” que o destino tem registado nos últimos tempos, considerando Costa Ferreira que existe “um debate a fazer acerca dos próximos passos, acerca da sustentabilidade do crescimento e da sustentabilidade do próprio destino”. O presidente da associação  concluiu: “Como é tradição dos congressos da APAVT,  certamente que encontraremos, enquanto comunidade, as melhores respostas, que permitam potenciar o crescimento do turismo, português em geral, e açoriano em particular, bem como os negócios das nossas empresas”.
Por sua vez, Marta Guerreiro, secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, referiu que “a realização do 44º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo assume especial importância, levando à Região cerca de 500 agentes de viagens e operadores turísticos – o que representa mais um momento de partilha ‘in loco’ de todas as potencialidades que temos disponíveis para quem nos visita com os nossos principais promotores”. A responsável sublinhou ainda a importância que este congresso tem para o destino demonstrar a sua capacidade na organização de eventos de Meeting Industry e que se trata de “um destino capaz de satisfazer as expectativas dos visitantes em qualquer altura do ano, com propostas adequadas e assertivas”. Para a governante, o congresso assume-se ainda como um “muito importante momento” de promoção do destino junto do mercado nacional, o seu principal mercado emissor.

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Congresso APAVT: TAP espera “prenda de Natal” de Bruxelas

A TAP está, segundo Silvia Mosquera, Chief Commercial & Revenue Officer (CCRO) da companhia, a trabalhar como se o plano de reestruturação já tivesse recebido “luz verde” de Bruxelas. Para já, existe um novo novo programa de flexibilidade para alterar reservas sem custos.

Victor Jorge

Silvia Mosquera, Chief Commercial & Revenue Officer (CCRO) da TAP, admitiu estar “otimista” quanto à aprovação do plano de reestruturação da companhia por parte da Comissão Europeia até ao final do presente ano.

Durante o 46.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), a decorrer em Aveiro até 3 de dezembro, a responsável da TAP disse que tal decisão poderá ser mesmo encarada como uma “prenda de Natal” por parte de Bruxelas, salientando que o trabalho está a ser feito como se o plano já tivesse aprovado.

No que diz respeito à estratégia comercial da companhia nacional Mosquera revelou que a TAP lançou, a 1 de dezembro, um novo programa de flexibilidade que permite ao cliente alterar o voo sem custos, destacando a importância da “flexibilidade” nos tempos atuais.

Este novo programa estará em vigor até 28 de fevereiro do próximo ano e dá ao cliente a possibilidade de “alterar a data e destino gratuitamente”, esclarecendo, contudo, que, caso existam, “as diferenças tarifárias serão aplicadas”.

Quanto à procura, a CCRO da TAP revelou que, desde setembro, que se registou uma “maior procura”, destacando os mercados do Brasil e dos EUA, apontando para uma recuperação na ordem dos 60% para o ano de 2022.

Admitindo que a companhia “tem de melhorar as vendas, a experiência do cliente e ao mesmo tempo reduzir custos”, Mosquera reconheceu que o serviço de cal center “não está a prestar um bom serviço”, uma vez que o volume de chamadas foi “inesperado”, assinalando que o digital cresceu por causa da pandemia.

No que diz respeito à nova variante da COVID-19 – Ómicron – a CCRO da TAP reconheceu que teve impacto na companhia, com a suspensão dos voos com Marrocos e Moçambique, referindo que a segurança dos passageiros é sempre a prioridade”.

Quanto ao trabalho com as agências de viagens, Silvia Mosquera admitiu que são o canal “mais importante e chave para a TAP”, reconhecendo, contudo, que “não vamos estar sempre de acordo, mas vamos trabalhar juntos”.

“Foram, são e continuarão a ser [as agências de viagens] importantes para a TAP”, concluiu a executiva da TAP.

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IATA alerta que medidas contra Omicron põem em causa recuperação de outubro

A IATA está preocupada que as medidas adotadas contra a nova variante Omicron venham colocar em causa a recuperação da procura por viagens aéreas, que voltou a melhorar em outubro.

Inês de Matos

A proibição ou limitação de viagens decretada em vários países na sequência da identificação da variante Omicron pode colocar em causa a recuperação que o tráfego aéreo apresentou em outubro, alerta a IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, que divulgou esta quinta-feira, 2 de dezembro, os dados referentes ao tráfego aéreo global de outubro.

“O desempenho do tráfego de outubro reforça que a ideia de que as pessoas vão viajar quando puderem. Infelizmente, a resposta dos governos ao surgimento da variante Omicron estão a colocar em risco a conectividade global que levou tanto tempo a reconstruir ”, avisa Willie Walsh, diretor geral da IATA, citado num comunicado enviado à imprensa.

De acordo com os dados da IATA, em outubro, o tráfego aéreo manteve a tendência de recuperação que já se vinha a verificar desde o verão e que permitiu que a procura global por viagens aéreas tenha apresentado uma descida de 49,4% face a igual mês de 2019, ainda antes da pandemia.

Apesar do resultado continuar a ser negativo em comparação com os dados de 2019, o certo é que este indicador tem vindo a subir e o resultado de outubro mostra mesmo uma recuperação face a setembro, quando a procura global por viagens aéreas tinha ficado 53,3% abaixo de igual mês de 2019.

Tal como também já vinha a acontecer, o tráfego doméstico voltou a registar um melhor desempenho, com a procura do mercado interno a apresentar uma descida de 21,6% face a outubro de 2019, igualmente com uma melhoria face à descida de 24,2% identificada em setembro.

Já a quebra na procura internacional voltou a ser mais preocupante, chegando aos 65,5% em comparação com outubro de 2019, ainda assim também com um melhor desempenho face a setembro, quando a descida de procura internacional por viagens aéreas tinha sido de 69,0% e com as melhorias a chegarem a todas as regiões do mundo.

Por regiões, foi na Ásia-Pacífico que o tráfego aéreo internacional mais desceu em outubro, com uma quebra de 92,8% face a igual mês de 2019, praticamente inalterada face ao resultado de setembro, quando o decréscimo chegava aos 93,1%. Nesta região, a capacidade desceu 83,8%, enquanto o load factor caiu 44 pontos percentuais, para 35,7%, o mais baixo entre todas as regiões do mundo.

No Médio Oriente, a descida do tráfego aéreo internacional chegou aos 60,3%, o que, segundo a IATA, é um resultado animador pois representa “um enorme salto” face à quebra de 67,1% registada no mês de setembro, enquanto a capacidade teve um quebra de 49,1% e o load factor caiu 16,1 pontos percentuais, para 57,5%.

Em África, a descida do tráfego aéreo internacional foi 60,2% em outubro, o que também indica uma melhoria face ao decréscimo de 62,1% observado em setembro, enquanto a capacidade caiu 49,0% e o load factor encolheu 15,2 pontos percentuais, para 54,1%.

Na América do Norte, a quebra do tráfego internacional foi de 57,0%, igualmente com uma melhoria em comparação com o mês anterior, quando a descida tinha sido de 61,4%, enquanto a capacidade desceu 43,2% e o load factor caiu 20 pontos percentuais, para 62,4%.

Na América Latina, a descida do tráfego internacional em outubro foi de 55,1%, o que representa uma forte melhoria face à descida de 61,4% identificada em setembro, com a capacidade a apresentar uma quebra de 52,5% e o load factor a descer 4,3 pontos percentuais, para 76,9%, naquele que volta a ser o load factor mais elevado entre todas as regiões pelo 13.º mês consecutivo.

Já a Europa foi a região onde o tráfego aéreo internacional menos desceu, apresentando uma quebra de 50,6% face a igual mês de 2019, o que também traduz uma melhoria substancial face ao desempenho de setembro, quando a quebra foi de 56,5%. Já a capacidade desceu 41,3% na Europa, enquanto o load factor encolheu 13,7 pontos percentuais, para 72,5%.

 

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Congresso da APAVT: Marcelo pede “clarificação” a quem concorre às eleições sobre aeroporto, TAP e ferrovia

A abrir os trabalhos do 46.º Congresso da APAVT, o Presidente da República deixou vários recados a quem concorre às próximas legislativas e pretende ser Governo.

Victor Jorge

No dia em que Portugal ultrapassou os 4.500 casos de infeção por COVID-19, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, abriu o 46.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) salientando que “o turismo é abertura”, destacando o “heroísmo das agências de viagem em 2020 e 2021”.

Admitindo que a decisão mais difícil dos últimos tempos foi a declaração do estado de emergência e a sua posterior renovação, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “essa decisão foi mil vezes mais difícil que a dissolução da Assembleia da República”.

Respondendo a várias perguntas que foram deixadas no início dos trabalhos por Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, e Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), a primeira foi: “Como vai a pandemia em Portugal?”. A diferença, segundo o Presidente da República, “não está nos números relativamente há um ano. A diferença está no número de internados, cuidados intensivos e mortos”.

Além deste facto, Marcelo Rebelo de Sousa salientou a vacinação, assinalando a posição (número 1) de Portugal na Europa e no mundo, referindo que, “enquanto alguns estão a tentar chegar à nossa posição, nós estamos a avançar já com a terceira dose”.

No que diz respeito à nova variante, o Presidente da República (PR) apelou à “serenidade”, pedindo que se “afaste qualquer alarmismo”, destacando que, “o que precisamos é de prevenção”.

À pergunta sobre o estado da economia, presente e futura, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou os números avançados pela OCDE e outras entidades nacionais e internacionais, ou seja, “crescimento de 4,2% para o 3.º trimestre, 4,8% para o ano” e para 2022, um “crescimento de 5,8%”. Ou seja, “iremos crescer 10% nestes três anos”.

Neste capítulo, destacou ainda a “capacidade inventiva e de recriação das nossas empresas e empresários que é excecional”, frisando que se trata de “saber reconstruir e começar a reconstrução”. “No fundo, o turismo é isso”, assinalou Marcelo Rebelo de Sousa.

No que diz respeito ao papel das agências de viagem em todo este cenário, o PR classificou-a de “essencial no ressurgimento do turismo”, abordando ainda a problemática da falta de quadros, com destaque para a falta de pessoas, particularmente, no turismo”, embora reconheça que a mão-de-obra reajustou-se e partiu para outros setores”.

Confiante quanto aos números da inflação, nomeadamente, que se mantenham baixos, Marcelo assinalou que “o investimento externo está a subir, no ‘antigo’ e no ‘novo’ turismo”.

No âmbito político e, mais concretamente, no Orçamento de Estado (OE) para 2022, a convicção do PR é a de que “nunca Portugal possui tanto dinheiro para investir” com o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) bem como os fundos provenientes programa 20-30 que não dependem do OE.

Marcelo deixou ainda a esperança de que o novo Governo “será rápido” na aprovação de um novo orçamento, convencido de que a “governabilidade e sustentabilidade estarão presentes na viabilização” do futuro documento.

Já quanto ao novo aeroporto, voltou a frisar o que já tinha dito afirmado em eventos anteriores, deixando, contudo, uma esperança: a de que, quem concorre às próximas eleições “clarifique a sua posição sobre o novo aeroporto para não haver mais surpresas”.

Indicando que “o país não suporta mais taticismos”; Marcelo deixou um “pedido”: “que se tome uma decisão e que seja ainda em 2022”.

Quanto à Ferrovia, esta “terá de ser uma aposta, seja no geral, seja na que tem potencial económico”, ou seja, alta velocidade, assinalando que, também aqui, “os concorrentes às eleições têm de tomar uma decisão”.

Outro tema a “precisar de clarificação”, é a TAP. “Sonhar com um ‘hub’ forte em Portugal, implica apostar na reforma da TAP e na viabilização da mesma. Não há alternativa”, frisou.

Deixando claro que “não há ninguém a vir de outra galáxia para salvar a TAP”, o Presidente da República assinalou, contudo, que “há parcerias que se podem fazer e a nível nacional”, mas, mais uma vez, “aqueles que querem governar o país têm de se pronunciar, concluindo que “estas são as virtualidades dos atos eleitorais e a grande ocasião de explicitar as posições”.

Presidente da CTP pede continuação da atual SET
Antes do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Calheiros, presidente da CTP, agradeceu ao Presidente da República por ser “o grande aliado do setor do turismo”, pedindo até que a atual secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, continue no cargo, já que “estamos habituados a vê-la anunciar uma medida e a concluir dez, enquanto os políticos anunciam 10 e concluem uma”.

“Vai para dois anos que estamos em pandemia e temos de estar unidos e caminhar juntos”, desejando que “seja debelada o mais rapidamente possível para voltarmos à normalidade”.

Deixando claro que o país “não cresce há 20 anos”, Calheiros espera que, a seguir à saúde, o próximo Governo seja o Governo da “economia e das empresas, que reduza os impostos, que arrisque”, já que “estamos a falar de mais de 50 mil milhões de euros”.

Quanto ao aeroporto, também aqui, o presidente da CTP voltou a repetir o que vem dizendo: “não é aceitável que a principal infraestrutura aeroportuária esteja para decidir há 50 anos”. Até porque, concluiu, “o futuro do nosso país e da nossa economia passa pelo turismo”.

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Número de hóspedes e dormidas crescem a três dígitos em outubro no alojamento turístico

O mês de outubro foi bastante positivo para o alojamento local, com os dados a mostram crescimentos de 115,5% nos hóspedes e 139% nas dormidas. Comparado com o mesmo mês de 2019, as quebras mantêm-se.

Victor Jorge

O setor do alojamento turístico registou 2,1 milhões de hóspedes e 5,5 milhões de dormidas em outubro de 2021, correspondendo a aumentos de 115,5% e 139%, respetivamente, depois de, em setembro, ter registado evoluções de 52,3% e 58,5%, pela mesma ordem), revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta terça-feira, 30 de novembro.

Quando comparados os números de outubro de 2021 com os do mesmo mês de 2019, a análise mostra que os níveis atingidos foram inferiores aos observados em igual período pré-pandémico, indicando o INE quebras no número de hóspedes e de dormida de 14,6% e 13,5%, respetivamente.

Em outubro, o mercado interno contribuiu com 2 milhões de dormidas e aumentou 65,4%, continuando a superar os níveis do período homólogo de 2019 (+28,2%). As dormidas de não residentes, por sua vez, totalizaram 3,5 milhões, o valor mais elevado desde outubro de 2019, tendo triplicado face a outubro de 2020 (+216,6%), mas decresceram 26,7% face a outubro de 2019.

Os dados do INE destacam um aumento das dormidas em todas as regiões, comparando outubro de 2021 com o mesmo mês de 2020. Já numa comparação com o mês de outubro, mas de 2019, os dados evidenciam crescimentos no Alentejo (+14,9%) e Madeira (+3,9%), enquanto as restantes regiões registaram decréscimos.

No acumulado do ano, ou seja, nos primeiros dez meses de 2021 face a igual período de 2020, as dormidas aumentaram 31% (+31,9% nos residentes e +30% nos não residentes), mas decresceram 49,9% (-11% nos residentes e -66,3% nos não residentes) quando comparado com o mesmo período de 2019.

Finalmente, o INE revela, também, que neste mês de outubro, 24,2% dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes, contra os 20,5% de setembro.

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“Temos de ter a noção de que teremos de ser muito eficazes”

Analista, consultor, ex-governante, Paulo Portas estará no Congresso da APAVT para indicar alguns caminhos passados e futuros. As incertezas são grandes e conhecem atualizações constantes e nesta entrevista, feita antes de conhecidas as “novidades” da variante Omicron, Paulo Portas admite que “o mundo que gira à volta do turismo é enorme”, não percebendo “por que razão devemos dar um pontapé naquilo que nos ajuda a criar riqueza”.

Victor Jorge

Muito se tem falado na recuperação ou retoma do setor do turismo, da importância do mesmo para a economia do nosso país e o que se pode, deve e tem de fazer. Em entrevista, Paulo Portas, ex-vice-Primeiro-Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, jurista e empresário, dá a sua visão (crítica) relativamente a diversos temas. A começar pelo aeroporto e pelas “injustiças” cometidas contra o setor privado. Tudo isto em entrevista no âmbito do 46. Congresso da APAVT e antes de conhecidas as mais recentes novidades relacionadas à nova variante da COVID-19.

O título da sua intervenção no 46.º Congresso da APAVT é “Recuperação pós-Covid: tendências globais, europeias e nacionais – As questões do crescimento, as incertezas da retoma e o futuro da economia”. Já estamos em recuperação? E que incertezas existem ou poderão existir relativamente a essa mesma retoma no turismo?
Se compararmos 2021, como provavelmente vai terminar, com 2020, obviamente que estamos a recuperar e, felizmente, com bastante força e sustentação. É preciso termos a noção de que em 2020, o ano mais trágico de todos os pontos de vista, as dormidas, em Portugal, caíram, em hotéis, 65% face a um ano normal. Em Alojamento Local, a quebra foi de cerca 59% e mesmo em espaço rural, mais protegido, o decréscimo rondou os 35%. Por isso, comparando com 2020 estamos substancialmente melhores.

Se compararmos com o último ano normal das nossas vidas – 2019 – ainda não chegámos ao nível em que podemos dizer que recuperámos o ponto de partida.

Mas 2019 foi um ano recorde. Será que podemos bater recorde atrás de recorde?
Foi. Aliás, Portugal foi, sucessivamente, batendo recordes. 2019 é o último ano com o qual nos podemos e devemos comparar e não sou favorável a comparações deliberadamente pessimistas, porque acho que nós, como país, como setor privado, devemos ter ambição e essa é, sem dúvida, superar os anos melhores.

A verdade é que se olharmos para um bom indicador, que não é completo, mas que é bastante interessante, o tráfego dos aeroportos portugueses, fechará, tudo indica, o ano 2021 com um contributo bastante assinalável do último trimestre, portanto de outubro a dezembro, a correr manifestamente bem, fecharemos o ano entre 70 a 80% do nível de 2019.

É preciso ter a noção de que as projeções para o próximo ano, que poderíamos pensar como o ano da aterragem normal e definitiva, não são tanto assim porque apontam, se formos pessimistas, para cerca de pouco mais de 70% do nível de 2019 ou num cenário mais otimista um pouco mais de 80%. Isto porque há incertezas associadas a esta fase a que chamo transformação da pandemia em endemia. Ou seja, nós temos incertezas ainda do lado da saúde publica, porque temos incertezas relativamente à possibilidade de existência de variantes e ao peso que têm no bloqueio da sociedade no nível da não vacinação deliberada que, felizmente em Portugal, é relativamente baixo, mas que em vários países europeus, para não falar dos EUA, é altíssimo.

Quando uma parte da sociedade recusa a solução que a ciência lhe oferece para voltarmos a ter uma vida normal, isso impede os mercados e as administrações de funcionarem completamente abertos.

Temos visto países a aumentarem o número de casos, regresso de confinamentos e taxas de vacinação abaixo dos 30%.
Essa realidade é desastrosa. Todos os países europeus com menos incidência de vacinação estão a Leste. Não são todos, mas alguns são especialmente críticos. A permeabilidade dos sistemas ao negacionismo e às teorias de conspiração, esta gente que se dedica a inventar e não a trabalhar que é como estão as democracias na Europa, isso tem consequências económicas.

Em geral, devo dizer, uso sempre o conceito de assimetria para explicar as consequências económicas da pandemia. Esta pandemia é mundial, global, mas não é assimétrica. É preciso fazer esta distinção subtil, porque é muito importante. O mundo nunca esteve aberto ao mesmo tempo em todo o lado e o mundo nunca esteve fechado ao mesmo tempo em todo o lado. Isto tem consequências económicas enormes.

E mesmo atualmente ainda estamos longe dessa assimetria, 20 meses depois do início desta pandemia.
Sim, veja-se o Reino Unido e outros países europeus, a Ásia. A diferença entre a pandemia e a endemia é que na pandemia o vírus controla-nos a nós, na endemia somos nós que controlamos o vírus.

Numa, estamos sempre a fazer face ao desconhecido, na outra, habituamo-nos a gerir esta dificuldade.

O peso do turismo
Encontrei um comentário que fez a 11 de abril de 2020 [no espaço semanal na televisão] relativamente ao setor do turismo e à chamada de atenção que fez ao peso que o mesmo tinha na economia nacional. 1 em cada 5 euros que Portugal encaixava vindo do estrangeiro vinha do turismo. 20 meses depois, que turismo temos e, fundamentalmente, que turismo teremos no futuro em Portugal em termos de importância económica?
Sim, o turismo representa cerca de 20% das exportações portuguesas. É um quinto de uma economia que acelerou bastante a sua componente exportadora, felizmente, em tempos muito difíceis. Nem sempre as pessoas têm a noção de que economicamente, o turismo aparece na coluna das exportações. Parece importação de pessoas, mas é exportação de serviços.

Lembro-me do presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, referir, em março de 2020, que se tratava de salvar a Páscoa, em maio era salvar o verão, em outubro o Natal e o Ano-Novo, e por aí adiante. E estamos em finais de novembro de 2021 a pensar salvar 2022. Conseguiremos salvar o turismo em Portugal em 2022, apesar do que está a acontecer por esse mundo fora (novo aumento de casos, aumento dos combustíveis, instabilidades económicas, etc.)?
O turismo tem um peso especialmente relevante em países como Portugal, Espanha, Grécia, Itália, entre outros, na formação do PIB e no valor acrescentado da economia.

Tudo o que está à volta do turismo representa cerca de 20% das nossas exportações, a procura turística representa cerca de 15% do PIB e o turismo, em si mesmo, no último ano com estatísticas normais, representou quase 9% do valor acrescentado da nossa economia.

Outro “pequeno pormaior”, o turismo, entre 2018 e 2019, representava quase 450 mil empregos. É muita gente, muitas famílias, muitos jovens dependentes da atividade turística.

E quando digo atividade turística, volto à sua pergunta, sempre me pareceu óbvio que numa pandemia com esta intensidade, os setores que seriam mais afetados no tempo, ou seja, mais impactados direta e persistentemente, seriam todos aqueles que tivessem uma relação com a ideia de multidão.

Até as pessoas ganharem confiança para entrar num avião ou estarem junto com dezenas, senão milhares, num aeroporto, num hotel onde existem centenas de quartos, estarem em congressos e conferências com muitos participantes, isso depende de uma palavra que atualmente vale ouro: confiança.

Sempre me pareceu que pelo facto de em Portugal o turismo ter um peso especificamente mais forte …

Demasiado forte?
Não, acho que Portugal não tem de limitar as suas capacidades naturais nem as suas capacidades se recursos humanos.

Mas houve quem afirmasse que o turismo teria peso a mais na nossa economia.
Sim, houve. E não foi há demasiado tempo que ouvíamos meios bem-pensantes dizerem, às vezes com desdém, que havia turistas a mais. Recordo que em 2020 tivemos o custo de ter turistas a menos. De maneira que as pessoas, eventualmente, possam fazer agora uma avaliação mais justa.

Portugal tem enormes qualidades naturais, tem muito boas qualidades de recursos humanos, é um país comparativamente seguro, um país hospitaleiro, um país com um acesso e facilidade no uso das línguas estrangeiras mais natural do que outros, é um país que foi sabendo, sobretudo ao longo dos últimos 10 anos, construir uma marca do ponto de vista internacional, um país muito premiado do ponto de vista turístico. Por isso, por que razão devemos dar um pontapé naquilo que nos ajuda a criar riqueza e a superar níveis de desenvolvimento que são inferiores aos desejados?

Outros iriam agradecer?
Claro, tudo o que rejeitarmos, outros aproveitarão. Mas é preciso ter atenção que relativamente a 2022 há ainda alguns pontos de interrogação.

Para ser justo, mais uma vez, sabemos mais hoje sobre a pandemia do que sabíamos há um ano. Mas ainda não sabemos tudo. Um dos fatores que é ainda incerto tem a ver com a existência de variantes, embora a história das pandemias aponte para um número de vagas, cujos critérios de classificação vão variando, mas que durou mais ou menos o tempo que esta durou …

Influências externas
Já está a falar no passado?
Falo no sentido que estamos a fazer uma transição para a endemia. O facto de a pandemia passar a ser endemia não quer dizer que o vírus tenha desaparecido, quer apenas dizer que o sabemos controlar.

Por outro, existe uma assimetria económica por causa daquele princípio de que o mundo não está todo aberto ao mesmo tempo e não está fechado todo ao mesmo tempo.

Estamos a viver um conjunto de fatores que refletem alguma incerteza sobre o ano de 2022.

Os preços estão a subir e não é só o preço no supermercado. Tudo o que dependa dos preços da energia ou dos combustíveis, obviamente, vai refletir-se no desajustamento entre a oferta e a procura a que o mundo está a assistir.

Até as próprias cadeias de fornecimento e/ou de logística contribuem para isso?
Exato, as cadeias de fornecimento estão interrompidas em muitos casos e os prazos de entrega estão, às vezes, duplicados e os custos anormalmente altos.

Sabemos que não é um fenómeno definitivo, mas, em 2022, ainda teremos que conviver com o impacto destes fatores nas condições da oferta turística.

Na altura, defendia, igualmente, uma cooperação ou aliança entre Estado e setor privado, admitindo ser “determinante” no turismo, bem como “uma estratégia agressiva em termos internacionais”.
Não pode ser de outra maneira. Nós somos uma economia relativamente pequena, muito dependente, como é evidente, das conjunturas externas. É a única maneira de nos desenvolvermos. Não nos podemos fechar. Se nos fecharmos empobrecemos.

Em circunstâncias excecionais valem de muito pouco as receitas de manual, porque elas não são feitas para circunstâncias excecionais.

Para mim o turismo pode começar na fronteira terrestre ou na marítima, mas quando vemos a quantidade de turistas a chegar ao aeroporto, as agências de viagens, as reservas para os hotéis, os rent-a-car, os guias, a restauração que é beneficiária líquida da atividade turística. Ou seja, o mundo que gira à volta do turismo é enorme. Todo ele depende da restauração da confiança quanto à ideia de que se pode estar com mais gente num determinado local. Isso vai avançando.

Há sinais da recuperação do chamado turismo de convenções ou conferências onde sempre achei que Portugal poderia ser competitivo se fizesse o seu trabalho de casa.

Mas há um ponto de interrogação sobre um segmento muito importante: o turismo de negócios.

A pandemia gerou ou não gerou uma alteração estrutural no comportamento das empresas e quadros relativamente a viagens curtas? Portugal tem uma dependência do turismo corporativo mais elevada do que a média europeia. Aí, acho que os sinais de recuperação são mais tímidos. Alguma alteração veio para ficar.

A chamada digitalização ou transformação digital do trabalho?
É um problema de economia de meios, de poupança por parte das empresas. Os quadros poupam tempo e algumas coisas que antes eram feitas presencialmente e com uma viagem, hoje em dia serão menos feitas dessa maneira. Parece-me que alguma alteração estrutural veio para ficar. Há quem diga 20%, há quem diga que é 40%, ninguém sabe.

Mas volto a frisar que o turismo de convenções e conferências é uma das oportunidades absolutamente extraordinárias para um país que tem sol até ao fim de outubro.

O presidente do Turismo de Portugal Luís Araújo, sempre disse que era preciso manter os motores a trabalhar para que, quando fosse dado o tiro de partida, Portugal pudesse estar na linha da frente. Pergunto-lhe se Portugal está, de facto, na linha da frente comparando com os seus mais diretos concorrentes (Espanha, Itália, Grécia, Croácia, França)?
Portugal, sendo um caso genericamente semelhante a todos esses países que citou, tem circunstâncias absolutamente singulares. Os países são o que são e devem desenvolver o seu melhor. Ninguém é competitivo em todos os critérios, mas onde queremos ser competitivos, temos de ter a ambição de estar nos três primeiros da Europa.

Há muitos critérios de competitividade, mas nenhum país vai ser competitivo em todos. Mas se nós, naqueles em que queremos ser competitivos, tivermos a ambição de ser o 1.º, 2.º ou 3.º, tenho a certeza de que o modo de progresso é maior.

É mais fácil dizer no setor público que se liga a chave, do que no setor privado. Uma parte desse setor privado colapsou.

Se conseguirmos vencer as incertezas, se não tivermos hesitações quanto à 3.ª dose da vacinação, conseguiremos. Estamos a achegar ao inverno, período que já nos pregou partidas no passado, e estamos a atrasar-nos na 3.ª dose. Esta está a ser dada somente a pessoas com mais de 65 anos. Ora, a força de trabalho essencial do país está abaixo dessa idade. Temos de nos despachar nessa matéria, ser muito profissionais e, com toda a franqueza, não podemos dar um centímetro de espaço aos negacionismos e teorias da conspiração. Essa gente dá cabo das economias.

Mas disse que parte do setor privado colapsou. Pergunto, voltará a erguer-se?
Uma das grandes vantagens da economia de mercado é que nada se perde, tudo se transforma. De facto, há quem fique para trás, mas nascem outros projetos. Muitas empresas aproveitaram para fazer reestruturações, olharam para o seu modo de funcionar e tentaram melhorá-lo. O setor privado é, neste aspeto, muito mais ágil do que as administrações do Estado.

Gostaria, por exemplo, que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) fosse muito mais orientado para o setor privado, pela simples razão, e não por um critério ideológico, que 80% do emprego e da riqueza criada em Portugal é pelo setor privado.

As (várias) incertezas
Acresce-se a incerteza política que em nada vem ajudar?
Temos um Governo que está em plenitude de funções. Não ponham na cabeça que o Governo caiu ou que está em gestão. Nem caiu, nem está em gestão.

Não é boa ideia para o país defender que o Governo não pode fazer nada, porque senão perdemos um trimestre, pelo menos. E um trimestre tem valor económico.

Como não temos riqueza para perder, não nos podemos dar ao luxo de perder um trimestre ou dois.

Acho que é preciso encontrar um equilíbrio entre o que o Governo deve poder fazer, porque está em funções, e aquilo que não é aconselhável que faça por, não sendo um Governo de gestão, ser em todo o caso um Governo que transita para um futuro Executivo seja ele qual for.

Mas não se deve nem pode defender que a Administração fique parada.

Não nos podemos esquecer que o PRR tem um prazo de execução curto e não podemos andar a deitar trimestres ou semestres pela janela ou que não o executamos em tempo. Não há tempo para prolongamento.

E é preciso não esquecer que isto acontece uma vez, não há segundas nem terceiras hipóteses, não há nenhum tesouro europeu. Apesar das dificuldades próprias do sistema político democrático, temos de ter a noção de que teremos de ser muito eficazes.

Quando falamos de turismo, 2020 e 2021 teve no turismo interno um eixo essencial.
Sim, de facto, ganhámos alguma intensidade no mercado ou turismo interno e eventualmente, alguma dela, não toda, perdure. Não toda, mas alguma.

E temos os mercados de proximidade que, ao contrário, dos transatlânticos assumem uma importância nos tempos mais próximos?
Sabemos, atualmente, do que dependemos. Isso não tem ciência. Se porventura, houvesse uma circunstância em que Reino Unido, Espanha, Alemanha, França estivessem fechados ao mesmo tempo, seria dramático.

Sabemos todos que dependemos desses mercados e que é preciso um esforço enorme para diversificar. Sabemos onde podemos crescer. Onde é? Em mercados que estão a crescer sustentadamente acima do crescimento global e que está a criar novas classes médias.

Incertezas TAP e aeroporto
É impossível falar em turismo, ou melhor, crescimento do turismo em Portugal sem abordar certas e determinadas infraestruturas como, por exemplo, o novo aeroporto para a área de Lisboa?
Não consigo entender a hesitação sobre o novo aeroporto. Sou favorável, como sempre fui, por economia de meios e porque a nossa divida é o que é, à solução Portela +1 e não consigo entender a exaustão de tempo que tudo isto tem demorado.

Naturalmente que agora haverá argumentos para o conforto, com a justificação de que só iremos recuperar em 2023 ou 2024.

Mas o aeroporto não se constrói em um ou dois anos?
Mesmo por isso, não podemos esperar. Sendo evidente que a Portela já estava a atingir um ponto de limite. Pode fazer obras, aumenta-se esse limite …

Há quem diga que esse limite já foi atingido em 2019?
Com as obras aumentaria, porque é sobretudo um problema de espaço para os aviões.

Não temos recursos para fazer um completamente novo, porque isso é muitíssimo mais caro.

Quando fala de novo, refere-se a Alcochete?
Seja o que for, um completamente novo, de raiz. A nossa dívida é quase 135% do PIB e é preciso que tenhamos a noção de que este problema virá ter connosco.

Basta que se verifique uma alteração na economia internacional, tendencial, que já se começa a notar, com os juros a não ficarem a zero nem neutrais.

Sou muito pragmático: preciso de mais infraestrutura aeroportuária? Sim! Tenho capacidade para fazer um aeroporto de raiz, novo? Gostaria de ter, mas não tenho! Há uma hipótese de o fazer? Sim! Então porque não começa?

Acho que o raciocínio é tão lógico que faz confusão.

Acredita nas datas avançadas pelo ‘chairman’ da ANA no Dia Mundial do Turismo ao dizer que teremos aeroporto em 2035 ou 2040?
Isso é estrita responsabilidade do decisor político. Ora decide-se, ora não se decide, ora são os ambientalistas, ora são os municípios, ora são os lobbies, ora são as pressões para que se construa noutro lado e com outros meios.

Sabe que há coisas que são difíceis de decidir, agora a equação é tão evidente: preciso, não tenho meios para fazer um completamente novo, tenho uma hipótese de fazer um que é complementar, era por aí que ia.

Fico baralhado com tudo isto, porque já sou pela solução Portela +1 há muitos anos. Este debate não começou ontem e é evidente que os atrasos têm como consequência aumentar a pressão para um aeroporto completamente novo.

Que vai adiar ainda mais a sua conclusão?
E, sobretudo, olhem para os custos. Somos a 3.ª maior dívida da UE.

Falar de turismo também é falar da TAP. Como vê a solução para a companhia nacional?
Há muitas coisas para além da TAP. O que me preocupa mais no caso do ano turístico que aí vem são os preços.

A aproximação que tenho da realidade é que, por exemplo, em viagens de curta duração de negócios, o preço está a duplicar.

Pessoas vs digital
E saída do capital humano do setor do turismo. Em sua opinião, quem saiu, irá regressar ao setor?
Ainda não voltou toda a gente. O turismo é um setor que em condições normais é crescente. Isto depende muito da resiliência das empresas e também da estabilidade e do prolongamento dos programas de apoio.

Sempre achei que os programas de apoio para o setor do turismo deveriam ser muito mais prolongados que para os outros setores.

A radicalidade do impacto é completamente diferente. Imagine-se o ano económico de um hotel que perde 2/3 dos clientes? O que é que isso significa em termos de recursos humanos, custos de manutenção, etc..

Há dois temas reforçados com a pandemia: sustentabilidade e digitalização. Portugal tem capacidade para se tornar num destino turístico interessante do ponto de vista sustentável aos olhos do turista internacional?
Acho que está entre os que demonstram maior capacidade. Sabe que desconfio muito da retórica dos grupos de protesto. O problema essencial da descarbonização não está na Europa. Saibamos olhar para os dados e em vez de convocar manifestações a protestar contra os europeus, talvez fosse mais útil, interessante e mais verdadeiro protestar com quem tem realmente responsabilidades muito sérias no agravamento na questão do carbono. E onde é que estão essas responsabilidades? Estão essencialmente na China, Índia, em parte ainda nos EUA, embora com melhorias.

Falamos do clima, protestar contra todos e culpar aqueles que mais se esforçaram para melhorar as coisas não me parece razoável. Ora, Portugal está na Europa, é um país que se soubermos proteger o nosso património, se soubermos proteger a nossa memória e a nossa história, se formos muito profissionais na formação dos quadros e dos colaboradores, se toda a gente quiser fazer mais e melhor o seu trabalho, teremos tudo para vencer.

No que diz respeito à digitalização, o maior problema está na Administração Pública. Se se vai investir milhares de milhões de euros na digitalização da Administração Pública, gostaria de ter resposta a uma questão que nunca ouvi ser levantada: e quantos processos é que isso simplificará para o cidadão que é cliente? E quantas pessoas serão necessárias?

A digitalização da Administração Pública é uma verdadeira transformação ou é um upgrade informático? E se é uma verdadeira transformação, têm de me dizer quanto tempo é que isso vai poupar?

O setor das agências de viagens foi um dos mais afetados dentro do todo do turismo?
Sobretudo, porque hoje em dia tem uma concorrência chamada digital.

Que caminho é que este setor terá de tomar?
Terá de ser um caminho paralelo à retoma ou recuperação como um todo, com as suas limitações e vantagens.

Penso que, no final da etapa da transição da pandemia em endemia, as pessoas voltarão a viajar e precisam do turismo. É evidente que algumas empresas terão ficado pelo caminho, outras reestruturaram-se, enfrentam hoje em dia um instrumento poderoso do ponto de vista de concorrência que são as reservas digitais, autónomas do sistema. Mas têm, a meu ver, um ‘plus’ na relação de confiança que não existe noutras alternativas.

É uma questão de confiança e personalização do serviço?
Continuo a reservar as minhas viagens por agência. Sabe porquê? Porque confio nas pessoas, não sei se confio no algoritmo.

E do lado do consumidor, houve ou registar-se-á uma alteração muito profunda?
Depende. O consumidor escolherá sempre a solução que lhe seja mais económica e favorável.

Como as viagens implicam muitas coisas ao mesmo tempo, sobretudo há que não ter surpresas e ter solução para as resolver. E nisso, as agências dão garantias.

Que Portugal teremos a nível turístico no final desta pandemia?
Os dados apontam para uma recuperação em 2023, mas esses dados são voláteis. Gostaria que 2022 já fosse um ano de recuperação completa face a 2019. Provavelmente haverá um défice, mas também é preciso dizer que 2021 teve mais recuperação do que muitos estimavam, sobretudo por causa do último trimestre.

É sempre um problema de expectativas. A transição de uma pandemia para endemia é, em si mesmo, um triunfo. Sei que há muitos críticos do capitalismo, da economia de mercado, dos privados. Mas coloco a seguinte questão: quem é que chegou às vacinas? Foi ou não a indústria privada em conjunto com a ciência pública e privada? Talvez sermos um pouco mais justos também ajudaria.

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Receitas do turismo internacional devem ficar a menos de metade de 2019

Embora o terceiro trimestre indique uma subida nas receitas do turismo internacional, as mais recentes notícias sobre novas variantes de Coronavírus voltam a trazer incertezas para o setor. Garantida está uma quebra significativa nas receitas.

Victor Jorge

De acordo com a mais recente edição do Barómetro Mundial do Turismo da Organização mundial do Turismo (OMT), as receitas do turismo internacional podem chegar a 800 mil milhões de dólares (ligeiramente acima dos 700 mil milhões de euros), em 2021, uma pequena melhoria em relação a 2020, mas menos de metade dos 1,7 biliões de dólares (cerca de 1,5 biliões de euros) registados em 2019.

A OMT adianta ainda que a contribuição económica do turismo é estimada em 1,9 biliões de dólares em 2021 (cerca de 1,7 biliões de euros) – medido produto interno bruto direto -, bem abaixo do valor pré-pandémico de 3,5 biliões de dólares (acima dos três biliões de euros).

Embora a OMT refira que as chegadas de turistas internacionais aumentaram 58% no período entre julho e setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020, estes números ficam ainda 64% abaixo dos níveis de 2019.

A Europa registou o melhor desempenho relativo no terceiro trimestre, com chegadas internacionais 53% abaixo do mesmo período de três meses de 2019, sendo que, em agosto e setembro, as chegadas foram menos 63% em relação a 2019, os melhores resultados mensais desde o início da pandemia.

Entre janeiro e setembro de 2021, ou seja, no acumulado do ano 2021, as chegadas de turistas internacionais em todo o mundo ficaram 20% abaixo do mesmo período de 2020, uma melhoria clara em relação aos primeiros seis meses do ano (-54%).

Em algumas sub-regiões – Europa do Sul e Mediterrâneo, Caribe, América do Norte e Central – os dados da OMT mostram que houve um aumento nos primeiros nove meses de 2021 face ao mesmo período de 2020, indicando, ainda que algumas ilhas do Caribe e do Sul da Ásia, bem como alguns destinos no Sul e Europa Mediterrânica registam os melhores desempenhos no terceiro trimestre de 2021, com as chegadas a ficarem perto ou, às vezes, excedendo os níveis pré-pandémicos.

Embora estes dados não contemplem qualquer indicação ou previsão relativamente à nova variante do Coronavírus – Omicron – o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, admite que, à luz do aumento de casos e do surgimento de novas variantes, “não podemos baixar a guarda e precisamos continuar os esforços para garantir a igualdade de acesso às vacinas, coordenar os procedimentos de viagem, fazer uso de certificados de vacinação digital para facilitar a mobilidade e continuar a apoiar o setor.”

O aumento na procura por viagens foi impulsionado pelo aumento da confiança dos viajantes devido ao rápido progresso nas vacinações e na flexibilização das restrições de entrada em muitos destinos. Na Europa, o Certificado Digital Covid da UE ajudou a facilitar a livre movimentação dentro da União Europeia, libertando uma procura reprimida significativa após muitos meses de restrições. As chegadas em janeiro-setembro de 2021 ficaram apenas 8% abaixo do mesmo período de 2020, mas ainda 69% abaixo de 2019. As Américas, por sua vez, registaram os resultados mais fortes em janeiro-setembro, com chegadas a aumentarem 1% em comparação a 2020, mas ainda 65% abaixo dos níveis de 2019.

Ritmo de recuperação lento e desigual
“Apesar da melhora observada no terceiro trimestre do ano, o ritmo de recuperação permanece lento e desigual nas regiões do mundo”, admite a OMT. Enquanto a Europa (-53%) e as Américas (-60%) tiveram uma melhora relativa durante o terceiro trimestre de 2021, as chegadas na Ásia e no Pacífico caíram 95% em comparação com 2019, pois muitos destinos permaneceram fechados para viagens não essenciais.

Já África e o Oriente Médio registaram quedas de 74% e 81%, respetivamente, no terceiro trimestre em relação a 2019. Destinos como Croácia (-19%), México (-20%) e Turquia (-35%) apresentaram os melhores resultados em julho-setembro de 2021, conforme informações disponíveis atualmente.

Os dados sobre as receitas do turismo internacional mostram uma melhoria semelhante no terceiro trimestre de 2021. O México registou os mesmos ganhos de 2019, enquanto a Turquia (-20%), a França (-27%) e a Alemanha (-37%) registaram quedas comparativamente menores em relação ao anterior no ano. Nas viagens internacionais, os resultados também foram moderadamente melhores, com a França e a Alemanha a registar quebras de 28% e 33%, respetivamente, nas despesas de turismo internacional durante o terceiro trimestre.

Do lado positivo, os gastos com turismo por viagem aumentaram significativamente devido à grande poupança e procura reprimida, amenizando os impactos nas economias. A receita internacional passou de uma média de 1.000 dólares, em 201,9 para 1.300 dólares, em 2020, estimando a OMT que possa ultrapassar os 1.500 dólares, em 2021. No entanto, o aumento dos gastos também é resultado de estadias mais longas, aumento dos preços dos transporte e hospedagem.

Apesar das melhorias recentes, as taxas de vacinação desiguais em todo o mundo e as novas variantes da COVID-19 podem afetar a recuperação “já lenta e frágil”, admite a OMT. “A pressão económica causada pela pandemia também pode pesar sobre a procura por viagens, agravada pela recente alta nos preços do petróleo e interrupções nas cadeias de abastecimento”, afirma ainda a OMT na nota que divulgou.

Assim, de acordo com os dados mais recentes da OMT, espera-se que as chegadas de turistas internacionais permaneçam 70% a 75% abaixo dos níveis de 2019 em 2021, um declínio semelhante ao de 2020.

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“Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente”

Depois de um ano de interregno, o Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está de regresso para o “reencontro” do setor. Em entrevista, Pedro Costa Ferreira, presidente da associação, explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Victor Jorge

Depois da “travessia do deserto” e de balanços destruídos, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reúne-se para o seu 46.º congresso. Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, espera que o evento, mais do que reunião, seja uma união do setor. Consciente de que as dificuldades ainda perduram e irão perdurar, pede a quem apoiou o setor do turismo, que continue a fazê-lo, seja qual for o Governo. Até porque, admite, “se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir”.

A APAVT realiza o seu 46.º Congresso, com o título “Reencontro”. Que “reencontro” espera depois de 20 meses de pandemia?
Esperemos que seja o reencontro de todo o setor. O nosso congresso tem uma grande tradição, exatamente de reencontro do setor, é um congresso que é organizado por agentes de viagens, mas não é o congresso das agências de viagens e, neste momento, diria que mais do que nunca é importante que o setor, mais do que se reúna, se una.

Vamos sair, enquanto agências de viagens, com muitas fragilidades, balanços destruídos, capitais próprios esgotados, mas também com uma grande oportunidade. Muitos consumidores perderam dinheiro em processos de reserva distantes das agências de viagens neste período, além de ter ficado sublinhada a grande mais-valia das agências de viagens, a diferença entre informação e conhecimento.

Perante esta saída da crise, há uma palavra-chave que é flexibilidade. Esta flexibilidade tem de ser da cadeia de valor e não só das agências de viagens. Mais vale, neste momento, ter reservas que possam ser canceladas do que não ter reservas.

Se a aviação, um hotel, um restaurante ou uma agência de viagens não forem flexíveis, o produto não vai ser flexível.

Queremos acionar, para o próximo ano, este diálogo e chamar a atenção para ele muito vivamente neste congresso.

Quais foram os principais desafios enfrentados ao longo destes 20 meses?
Não gosto de recordar estes 20 meses. Foram meses de sobrevivência, de grandes perdas e endividamento para as empresas e empresários, foi um tempo de apoios do Governo absolutamente fulcrais. Temos de ser humildes e a objetividade de reconhecê-lo. Mas também foram, naturalmente, insuficientes.

Do ponto de vista da APAVT, focamo-nos em vários planos de atuação. Talvez salientasse, desde logo e por ordem cronológica, o facto de termos tido de tratar de imediato dos reembolsos aos nossos clientes e, portanto, tentámos e conseguimos derrogar a diretiva no que aos reembolsos concerne e, provavelmente, fizemos a melhor lei dos vouchers da Europa. Melhor pela conjugação de dois fatores: pelo período relativamente ao qual foi possível não pagar diretamente, mas reembolsar através de um voucher, bem como pela data a partir da qual esse vale, se não for viajar, tem de ser pago. A conjugação destes dois fatores fez, provavelmente, da lei portuguesa a melhor lei da Europa.

Isso foi fundamental para dar confiança?
Deu confiança, salvou as empresas e ao salvar as empresas salvou os interesses e direitos dos consumidores. E há aqui uma nota que é preciso salientar: esta lei não teria sido possível sem o verdadeiro empenhamento da nossa secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques. Foi uma lei que precisou de diálogo com a Comissão Europeia (CE), precisou de conflito e resolução de conflito com a CE e temos a perfeita noção de que se a SET tivesse desistido, e lutou muito e mais do que possa parecer ou imaginar, não teríamos conseguido.

Espelho desta situação foram os reembolsos que a APAVT e as agências trataram e terão ainda de tratar com os seus fornecedores, já que o dinheiro tinha ficado do lado de lá.

De referir eventualmente e neste capítulo, a importância da negociação com a TAP. Fomos reembolsados, enquanto setor, em cerca de 10 milhões de euros. Foi um passo em frente muito grande, num processo que se mantém e que ainda possui muitos processos em aberto. Há muitas dívidas das companhias de aviação. Mas trata-se de “ongoing processes” que, com exceção da Ryanair, temos diálogo com todas as companhias.

Mas vê uma solução a breve trecho?
Sim, é uma solução que vai sendo encontrada. Os problemas vão diminuindo e o bolo de processos por resolver também.

Os desafios: passados e futuros
Mas esses são problemas vindos do passado. Que desafios ainda existem no e para o futuro?
Antes disso, ainda referir que a APAVT não esteve só empenhada na relação com os agentes e com os fornecedores. A APAVT também esteve empenhada nos apoios ao setor, na sua clarificação, na sua negociação, na perceção da sua capacidade de execução, tivemos de trabalhar na Europa na harmonização das restrições de viagens. Começámos a olhar para o futuro e ao longo destes 20 meses produzimos a atualização do “Economics” do setor com a EY e iniciámos um processo de pensamento estratégico para o futuro, entre outros.

Relativamente aos desafios da saída desta crise pandémica, o primeiro desafio será a incerteza de estarmos, de facto, de saída da crise. A incerteza parece estar a voltar e esse é, sem dúvida, o maior desafio. O facto de não conseguirmos perceber se do lado do consumo vai haver abertura ou não.

O que é que aprendemos nestes pequenos raios de sol que apareceram no meio desta chuva toda? Sempre que existe a perceção de que a pandemia está a diminuir, as reservas surgem como chuva nas agências de viagens. Não escondo que nos últimos meses, sobretudo na área do incoming tivemos essa noção como, também, no verão tivemos essa noção no outgoing.

Hoje, já começámos a falar em cancelamentos de reservas, sobretudo de grupos, e em dúvidas para o futuro. Portanto, voltamos a ter a incerteza como pano de fundo.

E ter a incerteza como pano de fundo significa o quê?
Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios. Sabemos que o apoio à retoma, no que diz respeito à defesa do emprego, poderá continuar e esperemos que sim, de modo a evitar uma rutura nessa área. Mas temos de discutir com o próximo Governo, seja ele qual for e quando aparecer, a manutenção dos apoios a fundo perdido, nomeadamente, do programa Apoiar.pt. Isto por uma razão muito objetiva, é que o programa Apoiar.pt foi pago até abril, a crise ainda existe e, portanto, se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora, já que as empresas, com a continuação da crise, estão ainda mais fragilizadas.

A incerteza parece estar a voltar e esse, é sem dúvida, o maior desafio. Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios

Em outubro de 2020, com sete meses de pandemia, admitia ao Publituris que, por causa dos balanços destruídos, a necessidade brutal de recapitalização e tesouraria seria o grande desafio dos próximos anos? Mantém essa afirmação?
Acho que está ainda mais sublinhada. Começámos por ter dúvidas relativamente ao futuro quando achámos que iriamos ter três meses de pandemia. Nessa altura, falava com sete meses de pandemia, agora falo com 20 meses.

Diria que, se há um ensinamento para o futuro, ele tem a ver com dois aspetos do lado das agências de viagens: robustecer os balanços, porque é nos balanços que está a resposta à próxima crise; e rodear-nos dos melhores recursos humanos, porque são esses recursos humanos que vão robustecer os balanços.

O que devia ter sido feito que não foi feito?
Da parte de quem?

De todos!
Vou ser sincero, quer nas agências de viagens, quer na APAVT, quer no Governo, de um modo geral, foi feito tudo o que era imaginável ser feito. Da parte das agências de viagens, depois de 20 meses de crise, verificamos que, tanto em 2020 e, previsivelmente, em 2021, teremos dois anos com menos falências que em 2019. Isso diz tudo relativamente à capacidade resistência das nossas agências de viagens.

Relativamente à APAVT, clientes, reembolsos, trabalho na ECTAA, os projetos editoriais do Economics do setor, o pensamento estratégico para o mesmo, o aumento do apoio jurídico, o aumento dos apoios aos apoios, isto é, a clarificação, a perceção de quem poderia aderir e por aí fora, o apoio às restrições às viagens, a sua clarificação, a APAVT fez a sua parte.

O Governo, penso que é justo dizer, sem os apoios colocados em cima da mesa, não havia setores das agências de viagens e turístico.

Dito isto, o que as agências de viagens fizeram foi suficiente? Foi tudo o que poderia ter sido feito.

Se a APAVT fez o suficiente? Julgo que ficaram sempre coisas por resolver, nos apoios aos agentes, reembolsos dos fornecedores, reembolsos aos clientes.

Se o Governo fez o suficiente? Claro que os apoios foram insuficientes.

Julgo que temos de ter a humildade de pensar que fizemos todos o possíveis, mas que há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente.

Incertezas políticas que não ajudam
Tem falado de apoios por parte do Governo, de apoios essenciais para a sobrevivência do setor, não só das agências como do turismo. O certo é que estamos a ser confrontados com uma incerteza política, com eleições a 30 de janeiro, que levará a termos Governo só lá para março. O que teme relativamente a esta indefinição política e de políticas?
Não temo, porque já tenho a certeza de que o que aconteceu foi muito mau para as empresas. Tivemos do Estado uma resposta insuficiente face aos constrangimentos económicos. Agora juntámos uma condicionante política que, em meu entender, é menos compreensível. Isto é, para além dos recursos parcos da nossa economia ou do nosso Estado, temos agora um Governo que não pode agir por circunstâncias de condicionalismo político.

É perfeitamente natural que o Governo agora não queira tomar decisões que impliquem ou condicionem o orçamento do próximo Executivo.

Por isso, mais do que temer quanto ao futuro, tenho muita pena, mas parece haver um sentimento de quase abandono por parte dos políticos quando assistimos à cena da não aprovação do Orçamento de Estado 2022.

Relativamente ao próximo Governo, espero que se resolva rapidamente.

Se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora


Não teme uma interrupção dos apoios?
Nem me passa pela cabeça. Se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir. Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente.

Portanto, é demasiado irracional para podermos pensar em tal possibilidade. E se há erro que às vezes sinto é pensar que alguns comentários políticos dão a ideia de que se trata do Orçamento para a crise.

A partir de um determinado momento não se trata de um Orçamento para a crise. É a crise que tem de caracterizar o que tem de ser o Orçamento exatamente para apoiar as empresas e a economia na crise.

O Orçamento não pode apoiar a crise até aos limites do Orçamento. A crise tem de definir os limites do Orçamento, o que é uma coisa completamente diferente.

Concluindo, espero que, seja qual for a cor ou cores políticas que ganhe ou ganhem, que compreendam isso antes sequer do primeiro dia.

Há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente


Espera que o próximo Governo tenha mais “foco”, como chegou a pedir?
Espero que o próximo Governo tenha muito foco logo de início nestas questões, porque os apoios são questões também de timing.

TAP a fazer parte da solução
Já falou da questão dos reembolsos e de conversações que existiram entre a APAVT e a TAP. Houve conversações com a nova administração da TAP. Pergunto se a TAP já não faz parte do problema e passou a fazer parte da solução?
A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional.

O grande desafio português são os mercados transatlânticos, são eles que permitem crescer. São eles que permitem ter mais território e mais meses de turismo. É o mercado norte-americano, o brasileiro, é ou será um dia o mercado chinês.

Esticar a sazonalidade?
Sim, esticar para além de agosto e ir para além dos grandes centros de turismo.

Ora, o êxito relativamente a esses mercados para um país como Portugal vai depender do hub. Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o hub, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país. E se isso acontecer, está em causa a dívida pública, mais impostos, emprego. Um país mais pobre também significa mais custos para as pessoas. Não podemos criticar os apoios à TAP apenas porque são apoios do povo. Comparado com o quê, com pobreza? Comparado com pobreza, prefiro o apoio à TAP. Comparado com menos crescimento, prefiro apoiar a TAP.

Claro que um dia, e esperemos em breve, a TAP tem de corresponder com resultados.

Do ponto de vista do diálogo com os agentes de viagens, a nova administração imprimiu uma nova dinâmica, existe confiança, apesar de haver também a perceção das dificuldades que temos todos resolver.

E com as outras companhias, retirando a Ryanair?
Com a Ryanair não há diálogo possível e é uma decisão da Ryanair. Com as outras companhias, há muito tempo que a concorrência do nosso setor é definida ao longo da cadeia de valor. Isto é, as companhas aéreas não só são nossas fornecedoras como são, também, concorrentes relativamente aos clientes pelas estratégias que a tecnologia permitiu implementar.

Nós temos sempre momentos de aproximação, porque o nosso cliente é o mesmo e temos sempre focos de tensão, porque disputamos esse mesmo cliente.

Esta crise veio fazer com que todos os ‘stakeholders’ passassem a olhar para a cadeia de valor como um todo?
Não necessariamente. Luto por isso e espero que aconteça. Um dos grandes objetivos do congresso da APAVT é, precisamente, fazer um ‘kick-off’ para uma tentativa de resposta coerente por parte da cadeia de valor.

 

A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional

 

Uma “novela” Aeroporto
E como olha para a “novela” do aeroporto?
Acho que utilizou a definição certa: “novela”. Se há pouco disse que me sentia um pouco abandonado pelos nossos políticos neste curto prazo por causa da “novela” do orçamento, sinto-me completamente abandonado pelos políticos a longo prazo por causa do aeroporto.

A questão do aeroporto é estratégica. Existe um plano que prevê chegarmos a 2027 com determinados números.

Mais concretamente, 27 mil milhões de euros em receitas e 80 milhões de dormidas.
Exato. E depois temos os representantes do aeroporto a referir que, com esta infraestrutura aeroportuária e os novos limites de navegação aérea por causa do ruído, provavelmente, não passaremos dos números de 2017.

Diria, um, organizem-se, dois, dêem-nos uma solução aeroportuária. Qualquer que seja, o país precisa dela.

O país económico precisa do país turístico.

Quando se fala que estamos demasiado dependentes do turismo, em termos económicos, isso é “bullshit”, até parece que é uma decisão governamental ou política.

Não se trata de uma decisão, é a competitividade internacional do setor que interessa. Se impedirmos que o setor mais competitivo da economia nacional, por razões de política económica pura, seja travado, penso que é um crime lesa-pátria e espero que todos os intervenientes sejam apontados.

Entre as opções que estão em cima da mesa, qual a preferida da APAVT?
Não fazemos comentários. Há quem defenda a solução mais rápida por razoes óbvias, há quem defenda uma solução estratégica por razões de longo prazo. Há ainda quem esteja imerso na confusão.

Não sou especialista ambiental ou aeroportuário, mas se me perguntar por soluções para a sua próxima viagem, sou capaz de lhe dar. Espero que, neste caso, os especialistas tenham as soluções.

Mas neste caso, voltamos a bater na questão da indefinição política e nos atrasos consecutivos de processos e decisões. Será mais um projeto para a gaveta e/ou iniciar-se de novo?
É verdade, mas espero que não. O quer que aconteça para além de 30 de janeiro, espero que haja foco na vida das pessoas.

Os temas do congresso

Antes do Congresso da APAVT marcou presença na 6.ª Cimeira Mundial dos Presidentes das Associações de Agências de Viagens, em Leon. Quais foram as principais conclusões, tendências, estratégias, diretrizes saídas dessa reunião?

As conclusões, do ponto de vista geral, passam por atualizarmos uma voz mais próxima uns dos outros enquanto setor das agências de viagens. É muito um território de associação, o que cada um anda a fazer, como responder aos problemas e à crise, como os diversos Governos apoiaram quem deveria ser apoiado e, claro, um olhar para o futuro.

Há a perceção geral no mundo que, os destinos turísticos que tiverem propostas flexíveis são os que irão comandar a procura na saída da crise.

Voltando ao congresso da APAVT, haverá um painel – “Porque é que a EY Parthenon e os Agentes de Viagens estão a olhar para o Futuro”. Que futuro é esse para onde estão a olhar? Há um novo futuro, um futuro com um consumidor diferente ou com um ‘mindset’ diferente?
Sinceramente, não acho que exista um consumidor pós-pandemia. Houve, penso, uma aceleração de tendências que já eram conhecidas antes da pandemia, já faziam parte do nosso mercado. Autenticidade, digitalização, sustentabilidade, ‘slow-tourism’, comércio justo, tudo isto são tendências mais visíveis hoje, mas tendências que já existiam. Eventualmente, os nómadas digitais é um fenómeno saído da pandemia e, por circunstância de datas, o turismo espacial tenha tido mais destaque, mas não nasceu na pandemia.

Foi um reforço de tendências?
Foi uma aceleração. Não surpreende e não vejo quer em Portugal, enquanto destino turístico, quer na natureza da atividade das agências de viagens, problemas advindos desta aceleração. Pelo contrário, a sustentabilidade é uma área onde Portugal, enquanto destino turístico, está a responder bem e até apresenta alguns ‘case studies’ importantes. A sustentabilidade do lado das agências de viagens é muito mais uma oportunidade do que um problema.

A sustentabilidade não é um estado de alma. Numa atividade económica, é um conjunto de ações tendentes a reduzir determinadas pegadas, nomeadamente, a ambiental.

As agências de viagens em Portugal e no mundo têm já incorporadas, sobretudo no ‘business travel’, critérios de medição da pegada de carbono. Em muitos contratos essa pegada tem de estar explícita para que o cliente possa escolher uma maior ou menor.

As agências, e estamos a fazer um trabalho na ECTAA, estão empenhadas em harmonizar esta medição, clarificando-a e tornando-a mais eficiente e, através das plataformas certas, dinamizar a compensação da pegada pelos clientes que a realizam.

Mas concorda ou não com aqueles que afirmam que a pandemia trouxe um consumidor com um ‘mindset’ renovado ou mesmo novo?
Não, com sinceridade não. Acho que são entusiasmos de curto prazo. É muito cedo para se fazer essa apreciação. Recordo-me da crise económica brutal recente e não foi ela que definiu a evolução, foi um passo na evolução.

Portanto, teremos de esperar mais tempo para se fazer uma análise mais racional do que está a acontecer.

Julgo que esses novos clientes, novas características são um pouco emocionais. Se alguma coisa caracteriza o mercado das viagens e o setor das agências em Portugal e no mundo, é muito mais a diversidade do que as novas tendências.

Sustentabilidade, digitalização e capital humano são dos grandes temas abordados em qualquer fórum quando se fala de turismo e estão no congresso da APVT. A APAVT assinou a declaração de Glasgow para “desenvolver planos” para “a aceleração da ação do turismo, no sentido da redução das emissões no setor”. O que é que isto significa e como é que a APAVT e os seus associados irão contribuir para esta redução de emissões? O que significa isto no concreto?
Nós temos algum histórico recente relativo a ações no foro da sustentabilidade e, concretamente da sustentabilidade ambiental. Em primeiro lugar, estamos num processo de adesão à SUSTOUR – projeto europeu que vai fazer formação em sustentabilidade ambiental em mais de 180 mil empresas europeias. Depois, assinámos um protocolo com a “Travellife” que certifica empresas consoante as suas práticas ambientais. Ora, se há uma certificação, logo é tudo mais voltado para a ação e não para o compromisso.

No seio da ECTAA há um trabalho relacionado com a estandardização da medição para melhor poder clarificar e sermos mais efetivos.

No nosso congresso, a sustentabilidade vai estar presente.

Por isso, diria que assinámos o compromisso de Glasgow, porque está de acordo com a nossa prática.

Curiosamente, a APAVT, foi, julgo, no setor do turismo em Portugal, a única associação assinar a declaração de Glasgow e no seio da ECTAA só duas associações de todo os países europeus foram “launch partners”: a APAV T e a associação holandesa.

Curiosamente, no painel da sustentabilidade do próximo congresso, um dos speakers será, precisamente, o presidente da associação holandesa.

A sustentabilidade é um dos eixos de atratividade de Portugal junto dos turistas. É por aqui que Portugal se poderá diferenciar?
Absolutamente. É uma oportunidade para o país como é uma oportunidade para as agências de viagens. Aliás, em meu entender, é uma oportunidade que veio para ficar.

 

Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o ‘hub’, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país

 

Se a sustentabilidade é chave, o capital humano também assumiu uma relevância fulcral. Saíram muitas pessoas, fazem falta muitas pessoas, os que saíram irão regressar, é preciso ir buscar pessoas a outros lados, setores, países? Como é que olha para este desafio do capital humano?
Sabemos que, sobretudo, na hotelaria e restauração falta gente. Se essas pessoas vão regressar, esperemos que sim. Sabemos, contudo, que não basta que regresse quem saiu. Julgo que hoje é mais ou menos aceite que precisamos de uma política de migração que apoie o desenvolvimento do turismo, entre outros aspetos.

Do ponto de vista das agências de viagens, não tivemos despedimentos, até porque tivemos acesso e adesão aos processos de apoio ao emprego. Por isso, se há coisa que não existiu durante esta pandemia – ainda – foram grandes despedimentos. Não há uma fuga de recursos humanos das agências de viagens.

Mas disse “ainda”?
Disse ainda porque estamos cá. E talvez não o espere. Porquê? Se olharmos para os “Economics” do setor e para a sua atualização, o setor com maior percentagem de licenciados ou acima de licenciados é, do ponto de vista do turismo, o das agências de viagem.

Os nossos recursos humanos estão muito mais longe dos ordenados mínimos e do serviço básico do que outros dentro desta cadeia de valor.

Isso, contudo, não quer dizer que não existam problemas de recursos humanos. Houve porque tiveram de sair dos locais de trabalho, porque trabalharam isolados e com dúvidas relativamente ao futuro, tal com o regresso dos recursos humanos também tem sido um problema depois de estarem 20 meses a trabalharem em casa.

Adquiriram-se novos hábitos, houve gente a trabalhar menos porque não havia trabalho, houve pessoas que passaram a levar os filhos à escola, realidade que não conheciam. Adquiriram-se novas perceções de uma realidade que agora terão de ser trabalhadas.

Por todos, até pelo próprio colaborador?
Absolutamente. Esta história de acharmos que as responsabilidades estão nas empresas e os direitos estão nos colaboradores, é uma coisa antiga.

Em vez de fuga de recursos humanos, preocupa-nos a gestão de recursos humanos.

Já na digitalização ou transformação tecnológica, a questão, presumo, não se coloca no setor das agências de viagens?
Em termos de tecnologia, as agências de viagens são dos maiores utilizadores em Portugal e no mundo. Há bastantes anos que qualquer trabalhador com um telemóvel pode resolver qualquer problema que um cliente possa enfrentar na sua viagem em qualquer lugar a qualquer hora.

Os processos de digitalização não são fins estratégicos em si, são processos de melhoria da eficiência e devem ser integradores de uma estratégia.

Como definidores de uma estratégia, acho-os fracos, porque uma estratégia tem de estar muito mais próxima das necessidades do cliente e da sua perceção e como vão evoluir, do que um mero processo de digitalização.

Quantos ‘players’ ficaram pelo caminho? E quantos ainda vão ficar? Que setor teremos no pós-COVID?
É um pouco dual. Os balanços estão destruídos, os capitais próprios evaporaram-se. Do ponto de vista da situação macro-económica do setor, provavelmente, estamos a atravessar, à saída da crise, um dos piores momentos do setor.

Sempre dissemos nos primeiros três meses da crise que o principal problema de liquidez se ia colocar no momento do regresso e da retoma, porque os custos têm um comportamento dual – zero ou um – e as receitas vão chegar gradualmente.

Se se confirmar que este regresso ténue que estamos a viver é o início de uma retoma, diria que estamos à beira do processo mais complicado de resistência por parte das agências de viagens e do turismo em geral. Desse ponto de vista é natural que haja mais quebras do que tem sido histórico.

Entre a resiliência que temos vindo a demonstrar e a evidencia dos balanços, julgo que vamos encontrar um caminho em que vamos provavelmente, uma vez mais, no início da retoma, ter alguns incidentes desagradáveis enquanto setor, mas a execução da oportunidade que aí está vai permitir a recuperação a muitos.

Quando tivermos, efetivamente, a falar não de regresso, mas de retoma, nessa altura o nosso principal objetivo será sempre o de superarmos os números de 2019 e que foram os melhores de sempre.

2019 foi o melhor ano de sempre para o turismo. Há condições para continuarmos a bater recordes com uma crise pandémica, instabilidade política, sem aeroporto, com falta de recursos humanos, entre outros?
Portugal tem todas as condições naturais para o fazer, enquanto destino turístico. Temos um dos melhores turismos do mundo, enquanto instituição. O Turismo de Portugal tem feito um trabalho notável. Temos grandes empresários, temos um conjunto de trabalhadores capacitados no setor das agências de viagens, temos um país estável, clima, um povo acolhedor. Temos tudo a nosso favor, mas estamos, neste momento, condicionados por algumas decisões políticas que têm de ser resolvidas. Com a evolução e o crescimento do turismo no mundo e a olhar para nós próprios e nossos concorrentes, diria que o recorde de 2019 ser ultrapassado é fácil-fácil.

Inicia o mandato em 2021, em plena pandemia. Pergunto-lhe se, apesar de ainda não ter terminado o primeiro ano, se ainda tem forças e vontade para ir a uma nova corrida?
[Risos] Nem vou responder. Espero chegar a este mandato vivo e com consciência de dever cumprido. Peter Drucker [professor, consultor e escritor de origem austríaca] dizia que as pessoas são mais felizes no cumprimento do dever. Espero chegar ao final do mandato feliz.

O que aprendeu com esta crise e que ensinamentos retira dela a nível pessoal e profissional?
Aprendemos sempre algo. A crise não me apanhou de surpresa. A crise é o acentuar do primado da incerteza.

A nível profissional diria que aprendemos uma vez mais que temos de robustecer os nossos balanços, que é na robustez deles que vai estar a resposta à próxima crise.

Finalmente, que temos de nos rodear dos melhores recursos humanos, porque eles vão robustecer os nossos balanços.

A nível pessoal, somos todos muito pequenos por maior que nos possamos sentir.

No dia 3 de dezembro quando fechar o congresso, que conclusão gostaria que saíssem dos três dias de trabalho?
O congresso é um capítulo da nossa atuação, não é um fim em si mesmo. Espero que saia a classificação da nossa agenda para o próximo ano. Até pela data que é realizado, o congresso é um ponto de situação e um olhar para o futuro e os fins de ano são sempre ótimos para que isso aconteça.

Mais do que olhar para o passado, espero que nos ajude a clarificar, enquanto APAVT e turismo português, a agenda para o ano 2022.

Agenda só para 2022 ou mais além?
Digamos que teremos um olhar mais além, mas temos uma agenda definida para um ano. Ajuda termos uma visão de mais longo prazo, mas é importante termos uma definição da concretização dessa agenda no curto prazo.

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Nova edição: Especial Congresso APAVT com entrevistas a Pedro Costa Ferreira e Paulo Portas

A nova edição do Publituris faz capa com entrevistas a Pedro Costa Ferreira, presidente APAVT, e Paulo Portas, ex-governante, jurista e consultor, no âmbito do 46.º Congresso da associação, que vai decorrer entre 1 e 3 de dezembro, em Aveiro, e que pretende assinalar o “reencontro” do setor. Além disso, há novidades da Embratur, Turkish Airlines, ARAC e as dificuldades dos Mercados de Natal.

Publituris

A nova edição do Publituris, a última do mês de novembro, faz capa com uma entrevista a Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), no âmbito do 46.º Congresso da associação, que vai decorrer entre 1 e 3 de dezembro, em Aveiro, e que pretende assinalar o “reencontro” do setor.

Em entrevista ao Publituris, o presidente da associação explica o que esperar desta reunião, mas também aborda a questão dos reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Nesta edição, publicamos ainda, e também a propósito do Congresso da APAVT, uma entrevista a Paulo Portas, analista, consultor e ex-governante, que vai ser um dos principais oradores do evento, onde se espera que venha a indicar alguns caminhos passados, mas principalmente futuros.

Paulo Portas diz que Portugal tem de “ter a noção” que precisa de ser muito eficaz, apesar da incerteza da pandemia e da crise política, critica os atrasos relativamente ao novo aeroporto para Lisboa e alerta para a subida dos preços que, em algumas áreas, estão a duplicar.

Na última edição de novembro, publicamos ainda uma reportagem sobre a Turkish Airlines, com quem o Publituris falou à margem de uma viagem de familiarização a Istambul, promovida em parceria com as Viagens Tempo, e que se mostra satisfeita com o regresso dos voos do Porto, contando mesmo chegar a 10 ligações por semana no próximo verão.

Saiba também qual é a estratégia da Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo para a promoção internacional e, concretamente para Portugal, mercado que, segundo Carlos Brito, presidente da agência, continua a ser fundamental para o Brasil e que o país quer voltar a atrair, tendo já preparado um calendário de ações que vão ser levadas a cabo em território nacional no próximo ano.

Destaque ainda para o rent-a-car, que já está a viver uma fase de recuperação, fruto da subida da procura do último verão. Ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor, traça ainda expectativas positivas para o fim-de-ano e para 2022, ainda que a crise dos semicondutores, que provocou uma escassez de viaturas disponíveis para compra, seja uma preocupação que se vai manter.

Nesta edição, publicamos ainda um dossier sobre Mercados de Natal, que prometiam estar de regresso à Europa este inverno, mas que, devido à subida do número de casos de COVID-19, estão a conhecer cada vez mais restrições e cancelamentos. Em alternativa, operadores turísticos e agências de viagens estão a propor destinos com menos restrições, a exemplo da Madeira.

Os artigos de opinião nesta edição são assinados por Ana Jacinto (secretária-geral da AHRESP), Renato Leite (managing diretor da Global Blue em Portugal), Luiz S. Marques (investigador Dreams e da Universidade Lusófona) e António Paquete (economista e consultor de empresas).

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Edição Digital: Pedro Costa Ferreira, Mercados de Natal e Turkish Airlines

A nova edição do Publituris, a última do mês de novembro, faz capa com uma entrevista a Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), no âmbito do 46.º Congresso da associação, que vai decorrer entre 1 e 3 de dezembro, em Aveiro, e que pretende assinalar o “reencontro” do setor.

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Em entrevista ao Publituris, o presidente da associação explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Nesta edição, publicamos ainda, e também no âmbito do Congresso da APAVT, uma entrevista a Paulo Portas, analista, consultor e ex-governante, que vai ser um dos principais oradores do evento, onde se espera que venha a indicar alguns caminhos passados e futuros.

Paulo Portas diz que Portugal tem de “ter a noção” que precisa de ser muito eficaz, apesar da incerteza da pandemia e da crise política, critica os atrasos relativamente ao novo aeroporto para Lisboa e alerta para a subida dos preços que, em algumas áreas, estão a duplicar.

Na última edição de novembro, publicamos ainda uma reportagem sobre a Turkish Airlines, com quem o Publituris falou à margem de uma viagem de familiarização a Istambul, promovida em parceria com as Viagens Tempo, e que se mostra satisfeita com o regresso dos voos do Porto, contando mesmo chegar, pelo menos, a voos diários no próximo verão, ainda que o bom comportamento da procura permita pensar em 10 ligações por semana.

Saiba também qual é a estratégia da Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo para a promoção internacional e, concretamente para Portugal, mercado que, segundo Carlos Brito, presidente da agência, continua a ser fundamental para o Brasil e que o país quer voltar a atrair, tendo já preparado um calendário de ações que vão ser levadas a cabo em território nacional no próximo ano.

Destaque ainda para o rent-a-car, que já está a viver uma fase de recuperação, fruto da subida da procura do último verão. Ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor, traça ainda expetativas positivas para o fim-de-ano e para 2022, ainda que a crise dos semicondutores, que provocou uma escassez de viaturas disponíveis para compra, seja uma preocupação que se vai manter.

Nesta edição, publicamos ainda um dossier sobre Mercados de Natal, que prometiam estar de regresso à Europa este inverno, mas que, devido à subida do número de casos de COVID-19, estão a conhecer cada vez mais restrições e cancelamentos. Em alternativa, operadores turísticos e agências de viagens estão a propor destinos com menos restrições, a exemplo da Madeira.

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Portugal em situação de calamidade a partir de 1 de dezembro

Portugal volta a fechar. Não totalmente, mas parcialmente. O país entra em estado de calamidade a 1 de dezembro e terá uma semana de “contenção de contactos” de 2 a 9 de janeiro.

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Portugal continental vai entrar em situação de calamidade devido à pandemia de covid-19, a partir de a 01 de dezembro, anunciou o primeiro-ministro, António Costa, no final do Conselho de Ministros desta quinta-feira, 25 de novembro, no qual foram decididas novas medidas para conter a pandemia..

“O Conselho de Ministros aprovou elevar o nível de alerta para o nível de calamidade a partir do próximo dia 01 de dezembro de forma a que estejamos habilitados com o quadro legal necessário para podermos adotar as medidas adequadas e proporcionais ao risco”, disse António Costa.

Portugal Continental regressa, assim, à situação de calamidade pela segunda vez este ano, depois de ter estado neste nível entre 01 de maio e 30 de setembro.

A situação de calamidade é o nível de resposta a situações de catástrofe mais alto previsto na Lei de Base da Proteção Civil, depois da situação de alerta e de contingência.

Outra das medidas é o uso de máscara obrigatório em todos os espaços fechados que não sejam em excecionados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o primeiro-ministro, a medida é um dos três principais instrumentos para conter a pandemia da COVID-19, juntamente com o reforço da testagem e da utilização do certificado digital.

Finalmente, a semana de 2 a 9 de janeiro será de “contenção de contactos”, com o teletrabalho a ser obrigatório, recomeço das aulas adiado para 10 de janeiro, e encerramento das discotecas.

O Presidente da República já se pronunciou, considerando as medidas decretadas pelo Governo para mitigar a propagação da pandemia “muito equilibradas” , possibilitando a existência de restrições adicionais em janeiro, se necessário, apesar de serem “indesejáveis”.

“Pareceram-me muito equilibradas as medidas. Muito equilibradas naquela via que tinha apontado, que era equilíbrio entre, de um lado a precaução, e do outro não fechar a sociedade, nem fechar a economia”, sustentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Exemplos do equilíbrio descrito pelo Presidente da República são “o teletrabalho” e “aquela ‘semana de nojo’ entre o fim do ano e o recomeço da atividade, quer escolar, quer lúdica, quer de trabalho presencial”.

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