Conversas à Mesa | Vitor Neto

Por a 12 de Março de 2018 as 17:31

Vítor Neto é seguramente um dos maiores defensores do Turismo e da sua importância e peso na economia do País. Há vários anos que escreve e fala sobre Turismo, com a eloquência de poucos. No Publituris, assina a coluna de opinião da página seis, mas, nesta edição, é o protagonista do Conversas à Mesa.

Foi secretário de Estado do Turismo durante quase cinco anos. No entanto, essa é apenas uma das etapas de “uma vida intensa, mas feliz”.

Algarvio, nasceu na Guia, em 1943. O pai era um empresário de São Bartolomeu de Messines, vila do concelho de Silves. Foi lá que Vítor Neto completou a escola primária, numa turma de alunos da 1ª à 4ª classe. Depois, acabou por se mudar para Faro para completar o liceu.

Em Faro encontrou uma cidade com um ambiente democrático, que se coadunava com a educação democrática e participativa que tinha em casa. Por isso, não é de estranhar que aos 15 anos tenha participado numa sessão com o general Humberto Delgado que, em 1958, na sua campanha eleitoral, fez uma incursão ao Algarve. “Eu também andei atrás dele”, recorda.

Bom aluno, fez o exame de admissão à Universidade Técnica de Lisboa. Ao contrário dos colegas, que iam para Coimbra, Vítor Neto decidiu ir para Lisboa.

Entrou na universidade em 1961 e seis meses depois deu-se a crise académica de 1962. “Eu, com a minha curiosidade democrática e participativa, envolvi-me na luta estudantil, cheguei a ser agredido pela polícia”, conta. Ao ser um dos estudantes que apoiou a greve de fome de umas dezenas de dirigentes universitários, acabou preso e identificado pela PIDE, aos 18 anos. A luta estudantil radicalizou-se com uma greve continuada às aulas, que teve como consequência o chumbo por faltas. Os pais, preocupados com a situação, apoiaram a sua saída para o estrangeiro. “Fui para Itália em 1962. Saí quase clandestinamente de Portugal, através de um barco mercantil que partiu de Vila Real de Santo António”, conta.

Já a viver em Génova, decidiu vir de férias a Portugal de comboio, no Verão seguinte. Mas a viagem não correu como esperava. A PIDE tinha um mandato de captura e acabou preso na fronteira de Vilar Formoso e levado para a prisão de Caxias. “Foi uma prova muito dura e que marca para toda a vida. Interrogaram-me sobre o porquê de ter ido para Itália, um país comunista”, conta.

Quando saiu da prisão, a sua vontade era sair imediatamente de Portugal e voltar para Itália. Foi o que fez. “Só regressei a Portugal em 1974”, afirma.

Em Itália, estudou e fez actividade política, tornando-se um combatente pela liberdade e democracia de Portugal. Juntou-se às forças anti-fascistas que estavam no estrangeiro. “Itália era muito tolerante em relação à actividade de estrangeiros na área democrática”, explica. Viveu sempre em Génova, mas percorria o país todo. Era o responsável da coordenação das actividades de solidariedade com a luta do povo português. Ao mesmo tempo, mantinha contacto com outros colegas que estavam na Suíça: António Barreto, Eurico Figueiredo, Jaime Mendes e Teresa Tito de Morais. Neste período em Itália, casou com Simonetta e teve duas filhas, a Serena e a Hilária.

Regresso a Portugal

Regressou a Portugal em 1974. A família veio um ano depois. Integrou-se na actividade política do País. Foi autarca, vereador, membro da assembleia nacional de Albufeira e deputado.

Em 1988, catorze anos depois de regressar a Portugal, saiu da política. “Saí porque senti esgotada a minha experiência e o meu contributo. Não sou um burocrata que está nas coisas só porque está, porque tem de estar ou porque sempre esteve. Ou sinto que dou um contributo e há uma perspectiva das coisas evoluírem ou estar só por estar deixou de ser atractivo”, explica.

Em 1989, foi dirigir a fábrica fundada pelo pai entretanto falecido, a Teófilo Fontainhas Neto – Comércio e Indústria SA, em São Bartolomeu de Messines. A capacidade de se adaptar a novas situações, sem receios, levou-o a completar com o sucesso mais uma etapa da sua vida, a mais importante, porventura: recuperar o negócio da família. Como é que o fez? “Percebi que a actividade económica se tinha alterado, que uma parte dos negócios estava ultrapassada e que a situação económica estava em movimento. Ou adaptava a empresa a isso ou desaparecia”, explica. Na prática, terminou com o negócio dos frutos secos, vendeu a parte alimentar grossista, manteve a transformação e exportação de alfarroba e concentrou-se na parte das bebidas. “Foi o meu pai que há 45 anos trouxe a Unicer do Porto para o Algarve para a distribuição”, conta. Actualmente, a empresa dá emprego a quase 100 pessoas.

Membro do Governo

O primeiro contacto com o Turismo deu-se na infância e adolescência no Algarve. “Passávamos as férias em Albufeira todos os anos”, recorda. Depois, a vivência em Itália, que era um país de Turismo, voltou a despertar-lhe o interesse por esta actividade. “Comecei a interessar-me pelos números, a interessar-me pela realidade portuguesa e recebia o Publituris em Itália”, conta.

Em 1997, recebeu o convite de Joaquim Pina Moura, ministro da Economia de António Guterres, para secretário de Estado do Turismo. Foi secretário de Estado do Turismo no XIII e XIV governos constitucionais (de 1997 e 2002). Nos quatro anos e meio à frente da Secretaria teve quatro ministros da Economia, quatro das Finanças e vários do Ambiente, num período em que se realizou a Expo 98. Nesse ano, o Turismo em Portugal aumentou um milhão de turistas estrangeiros, passando de 10 para 11 milhões de turistas. E nos anos seguintes aumentou mais um milhão.

“Foram anos em que tive a possibilidade de construir e defender uma estratégia para o Turismo, com o apoio dos vários ministros e do primeiro-ministro”. Além disso, sublinha, “o Turismo teve peso político no Governo, mesmo sem eu ser ministro”. Recorda a primeira vez que recebeu um telefonema do gabinete do primeiro-ministro. “O engenheiro Guterres ia ter uma entrevista sobre o estado do País e queria falar sobre o Turismo também. Isto significou o reconhecimento da importância económica e política do Turismo e confiança na pessoa que tem essa responsabilidade”.

Deste período destaca, ainda, o apoio à Direcção Geral de Turismo (DGT). “A DGT era a memória e o cérebro do conhecimento do Turismo. Elaborámos as linhas estratégicas de desenvolvimento do Turismo em Portugal”.

Por outro lado, demos “muita importância à parte da promoção internacional com o ICEP. Geralmente o Turismo nunca se discutia no ICEP e passou a discutir-se. Cheguei a ir a reuniões do organismo e a fazer reuniões regulares com os delegados do ICEP para saber o que passava em cada mercado”, explica.

Vítor Neto continua interventivo em fóruns de Turismo e nas colunas de opinião que assina na imprensa, chamando a atenção para o peso do Turismo nas exportações. “O Turismo é uma preocupação permanente, porque estou na região onde o Turismo é o sector mais importante e isso tem consequências também na minha empresa. Por outro lado, porque considero o Turismo um dos sectores económicos mais importantes do País”.

Defende a valorização dos resultados positivos do Turismo, mas é preciso “ter a consciência dos desafios que aí estão, nomeadamente, a evolução da economia mundial, a instabilidade, o problema dos mercados emissores”. “Temos de ter uma estratégia que se possa precaver também de aspectos negativos. Qual é essa estratégia? A consolidação da nossa oferta, mas de que maneira? As regiões são todas diferentes, não se pode meter tudo no mesmo saco. Têm crescimentos diferentes e o perfil dos turistas é diferente. Pondo tudo no mesmo saco, erra-se na estratégia. As regiões deviam ter mais capacidade política, mais capacidade financeira, adequada às suas potencialidades”, defende.

Actividade associativa

Além da actividade empresarial, Vítor Neto mantém uma vida associativa muito activa. É presidente da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA), vice-presidente da AIP, vice-presidente da CIP, presidente da comissão organizadora da BTL; membro da Associação Nacional de Turismo (ANT) e membro de vários organismos do Algarve. Foi distinguido, em 2005, pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique, grau Grande Oficial.  Recentemente foi eleito presidente do Conselho Geral da Universidade do Algarve.

Não concebe a vida de outra forma, sem ser esta de cidadão activo e com responsabilidade social, algo que herdou do pai. “A felicidade não pode ser só a felicidade de cada um de nós, tem de ser de todos e tem de ser partilhada”, defende.

Tenciona escrever um novo livro sobre Turismo. O projecto ainda está apenas na sua cabeça. “Todas as noites escrevo um capítulo na minha cabeça”, revela. O tema já está escolhido. “A realidade do Turismo está em movimento e definir o enfoque e o ângulo de abordagem não é fácil. O livro que fiz foi um livro de balanço. Neste momento, será um livro de perspectiva, mas uma perspectiva num mundo incerto. Tenho de descrever o que temos de consistente, quais são as incertezas e como nos preparamos para as incertezas e como nos preparamos para todas as eventualidades”.

Vítor Neto tem duas filhas e um neto de 8 meses. Vai a Itália quase todos anos visitar a família da mulher. “Sinto-me em casa em Itália, não me sinto um estrangeiro. Conheço bem a cultura, tenho muitos amigos”.

Vive entre a Guia e Lisboa. Tem tempo para tudo, mas não dispensa a agenda em papel onde aponta todos os compromissos. “Sou uma pessoa feliz e serena. Hoje actuo como actuava há trinta ou quarenta anos, com a mesma vontade, todos os dias é um dia novo”, remata.

RIB BEEF & WINE Lisboa
O que é bom é para se repetir e no caso do RIB BEEF & WINE a frase não podia fazer mais sentido. Depois do Pestana Porto, onde o conceito deste restaurante foi caso de sucesso pelas mãos do chef Rui Martins, também já é possível experimentar em Lisboa as iguarias deste conceito. Basta ir à Pousada de Lisboa, em plena Praça do Comércio. No RIB BEEF & WINE LISBOA encontramos a liderança do chef Luís Rodrigues e uma carta de autor. Aqui o destaque são as carnes. Encontramos um vasto leque de opções de cortes com sabores e texturas definidas: o RIB Eye (ligeiro marmoreado, suculento e com boa profundidade de sabor); o Cowboy Steak (corte de novilho maturado a 28 dias, suculento e saboroso) ou a Vazia maturada a 60 dias, entre outras opções. O RIB BEEF & WINE LISBOA conta ainda com uma vasta opção de acompanhamentos e onde as novidades recaem sobre o À Brás de Legumes e o Arroz de Grelos e Chouriça de Cebola. Para surpreender os mais gulosos e à semelhança da sobremesa designada Porto que integra a carta do restaurante no Norte, surge uma homenagem à capital: um arrojado pastel de Nata com gelado de canela e com a típica ginjinha, designado Lisboa. Ao almoço, o restaurante disponibiliza, durante a semana, um Lunch Meating (Menu Executivo) por 15€.

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