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“Turismo: A Oriente, tudo de novo” é o tema do 43º Congresso da APAVT

“Turismo: A Oriente, tudo de novo!” é o tema do 43º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que se realiza este ano em Macau, entre os dias 23 e 27 de Novembro.

Carina Monteiro
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“Turismo: A Oriente, tudo de novo” é o tema do 43º Congresso da APAVT

“Turismo: A Oriente, tudo de novo!” é o tema do 43º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que se realiza este ano em Macau, entre os dias 23 e 27 de Novembro.

Carina Monteiro
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“Turismo: A Oriente, tudo de novo!” é o tema do 43º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que se realiza este ano em Macau, entre os dias 23 e 27 de Novembro.

Juntamente com o logotipo, o tema foi apresentado esta terça-feira, dia 23, numa cerimónia que decorreu no Sheraton Lisboa e contou com a presença de diversos convidados do sector, como a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e o presidente da Confederação do Turismo Português, Francisco Calheiros. A representar Macau esteve Rodolfo Faustino, coordenador do Turismo de Macau, e a directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, que viajou expressamente de Macau para participar no evento.

O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, começou por descrever Macau como “uma cidade que representa hoje toda uma centralidade económica mundial que se move em direção ao Oriente, uma verdadeira janela para a mudança económica estrutural que se anuncia e, sobretudo, que já se perceciona”.
Pedro Costa Ferreira realçou o facto de este congresso contar com mais de 350 inscritos antes da sua apresentação formal.

Sobre o tema, o presidente da APAVT referiu: “Macau é hoje um furação económico, montra de um vendaval de transformação que nos é trazido pela era da tecnologia, tecnologia que será tratada de forma particularmente relevante no nosso congresso”. Além disso, “o Oriente é já o maior mercado emissor mundial e será mais cedo ou mais tarde um novo descobrimento de Portugal enquanto destino turístico”.

Para Pedro Costa Ferreira, “será em Macau que voltaremos a olhar para o futuro das agências de viagens, alicerçados na apresentação do estudo solicitado ao escritório do Professor Augusto Mateus e Associados”. “Um futuro que, como sempre, se nos apresenta com enormes desafios, mas ainda e sempre pleno de oportunidades, relacionadas com a capacidade de criação de valor que temos sabido integrar na cadeia de distribuição”, concluiu.

Este é a quinta vez que Macau recebe um congresso da APAVT – a última vez foi em 2008 -, e o facto mereceu destaque na intervenção de Maria Helena de Senna Fernandes, que espera que l esta quinta edição supere as edições anteriores. “A organização de quatro congressos em três décadas permitiu manter viva a ligação dos operadores turísticos portugueses a Macau”, referiu a responsável, que também lembrou que Macau é hoje muito diferente daquilo que era em 2008. “É uma boa altura para mostrar aos agentes de viagens os novos produtos e a transformação que continua em marcha em Macau”, afirmou. Como exemplo referiu que o número de visitantes em Macau aumentou de perto de 23 milhões em 2008, para quase 31 milhões em 2016, as infra-estruturas também continuaram a expandir-se e a diversificar-se, ao ponto do número de quartos estar quase a duplicar desde o último congresso da APAVT (mais de 18 mil em 2008, para 36 mil no ano passado).

A directora dos Serviços de Turismo de Macau realçou ainda a parceria com a APAVT, dizendo que “tem sido fundamental para promover uma relação mais estreita entre os operadores e Macau, sobretudo durante a presidência de Pedro Costa Ferreira”, período no qual Macau foi eleito o primeiro Destino Preferido da APAVT e recebeu a distinção de Membro Honorário da associação, entre outras actividades de cooperação.

“Estamos certos que iremos ver mais pacotes turisticos a surgir no mercado e mais visitantes portugueses em Macau, melhorando os bons resultados de 2016, altura em que recebemos mais de 15 mil visitantes de Portugal. Este ano, já registámos um subida de 10% nos primeiros quatro meses”, disse a responsável.

O congresso da APAVT pemitirá também “dinamizar os fluxos turísticos entre o interior da China e Portugal, com a abertura da nova rota entre a China e Portugal”.

Ana Mendes Godinho começou por dizer que a realização do congresso da APAVT em Macau “representa a chave de ouro com que vamos terminar este grande ano nas relações entre Portugal e a China”. Além da inauguração do voo directo a 26 de Julho da China para Portugal, a governante destacou o conjunto de acções que a tutela tem desenvolvido ao longo deste ano para reforçar a presença e a promoção de Portugal na China. “Em 2016 recebemos 180 mil turistas chineses em Portugal e estamos com um crescimento de 20%, estou certa que, com esta nova ligação directa, o futuro se abre completamente na dinamização dos fluxos entre os dois países”.

Para a secretária de Estado do Turismo este é um momento que deve ser aproveitado por todos. “Num ano em que estamos a realizar diversas acções de promoção na China e a estabelecer acordos com empresas chinesas, temos ouvido falar muito de Macau. Macau é uma porta fantástica de entrada para os portugueses, mas também uma porta de saída dos chineses para Portugal. Aproveitemos todos o momento para que seja um forma de consolidar e operacionalizar relações comerciais com operadores chineses”, afirmou a responsável.

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“Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente”

Depois de um ano de interregno, o Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está de regresso para o “reencontro” do setor. Em entrevista, Pedro Costa Ferreira, presidente da associação, explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Victor Jorge

Depois da “travessia do deserto” e de balanços destruídos, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reúne-se para o seu 46.º congresso. Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, espera que o evento, mais do que reunião, seja uma união do setor. Consciente de que as dificuldades ainda perduram e irão perdurar, pede a quem apoiou o setor do turismo, que continue a fazê-lo, seja qual for o Governo. Até porque, admite, “se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir”.

A APAVT realiza o seu 46.º Congresso, com o título “Reencontro”. Que “reencontro” espera depois de 20 meses de pandemia?
Esperemos que seja o reencontro de todo o setor. O nosso congresso tem uma grande tradição, exatamente de reencontro do setor, é um congresso que é organizado por agentes de viagens, mas não é o congresso das agências de viagens e, neste momento, diria que mais do que nunca é importante que o setor, mais do que se reúna, se una.

Vamos sair, enquanto agências de viagens, com muitas fragilidades, balanços destruídos, capitais próprios esgotados, mas também com uma grande oportunidade. Muitos consumidores perderam dinheiro em processos de reserva distantes das agências de viagens neste período, além de ter ficado sublinhada a grande mais-valia das agências de viagens, a diferença entre informação e conhecimento.

Perante esta saída da crise, há uma palavra-chave que é flexibilidade. Esta flexibilidade tem de ser da cadeia de valor e não só das agências de viagens. Mais vale, neste momento, ter reservas que possam ser canceladas do que não ter reservas.

Se a aviação, um hotel, um restaurante ou uma agência de viagens não forem flexíveis, o produto não vai ser flexível.

Queremos acionar, para o próximo ano, este diálogo e chamar a atenção para ele muito vivamente neste congresso.

Quais foram os principais desafios enfrentados ao longo destes 20 meses?
Não gosto de recordar estes 20 meses. Foram meses de sobrevivência, de grandes perdas e endividamento para as empresas e empresários, foi um tempo de apoios do Governo absolutamente fulcrais. Temos de ser humildes e a objetividade de reconhecê-lo. Mas também foram, naturalmente, insuficientes.

Do ponto de vista da APAVT, focamo-nos em vários planos de atuação. Talvez salientasse, desde logo e por ordem cronológica, o facto de termos tido de tratar de imediato dos reembolsos aos nossos clientes e, portanto, tentámos e conseguimos derrogar a diretiva no que aos reembolsos concerne e, provavelmente, fizemos a melhor lei dos vouchers da Europa. Melhor pela conjugação de dois fatores: pelo período relativamente ao qual foi possível não pagar diretamente, mas reembolsar através de um voucher, bem como pela data a partir da qual esse vale, se não for viajar, tem de ser pago. A conjugação destes dois fatores fez, provavelmente, da lei portuguesa a melhor lei da Europa.

Isso foi fundamental para dar confiança?
Deu confiança, salvou as empresas e ao salvar as empresas salvou os interesses e direitos dos consumidores. E há aqui uma nota que é preciso salientar: esta lei não teria sido possível sem o verdadeiro empenhamento da nossa secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques. Foi uma lei que precisou de diálogo com a Comissão Europeia (CE), precisou de conflito e resolução de conflito com a CE e temos a perfeita noção de que se a SET tivesse desistido, e lutou muito e mais do que possa parecer ou imaginar, não teríamos conseguido.

Espelho desta situação foram os reembolsos que a APAVT e as agências trataram e terão ainda de tratar com os seus fornecedores, já que o dinheiro tinha ficado do lado de lá.

De referir eventualmente e neste capítulo, a importância da negociação com a TAP. Fomos reembolsados, enquanto setor, em cerca de 10 milhões de euros. Foi um passo em frente muito grande, num processo que se mantém e que ainda possui muitos processos em aberto. Há muitas dívidas das companhias de aviação. Mas trata-se de “ongoing processes” que, com exceção da Ryanair, temos diálogo com todas as companhias.

Mas vê uma solução a breve trecho?
Sim, é uma solução que vai sendo encontrada. Os problemas vão diminuindo e o bolo de processos por resolver também.

Os desafios: passados e futuros
Mas esses são problemas vindos do passado. Que desafios ainda existem no e para o futuro?
Antes disso, ainda referir que a APAVT não esteve só empenhada na relação com os agentes e com os fornecedores. A APAVT também esteve empenhada nos apoios ao setor, na sua clarificação, na sua negociação, na perceção da sua capacidade de execução, tivemos de trabalhar na Europa na harmonização das restrições de viagens. Começámos a olhar para o futuro e ao longo destes 20 meses produzimos a atualização do “Economics” do setor com a EY e iniciámos um processo de pensamento estratégico para o futuro, entre outros.

Relativamente aos desafios da saída desta crise pandémica, o primeiro desafio será a incerteza de estarmos, de facto, de saída da crise. A incerteza parece estar a voltar e esse é, sem dúvida, o maior desafio. O facto de não conseguirmos perceber se do lado do consumo vai haver abertura ou não.

O que é que aprendemos nestes pequenos raios de sol que apareceram no meio desta chuva toda? Sempre que existe a perceção de que a pandemia está a diminuir, as reservas surgem como chuva nas agências de viagens. Não escondo que nos últimos meses, sobretudo na área do incoming tivemos essa noção como, também, no verão tivemos essa noção no outgoing.

Hoje, já começámos a falar em cancelamentos de reservas, sobretudo de grupos, e em dúvidas para o futuro. Portanto, voltamos a ter a incerteza como pano de fundo.

E ter a incerteza como pano de fundo significa o quê?
Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios. Sabemos que o apoio à retoma, no que diz respeito à defesa do emprego, poderá continuar e esperemos que sim, de modo a evitar uma rutura nessa área. Mas temos de discutir com o próximo Governo, seja ele qual for e quando aparecer, a manutenção dos apoios a fundo perdido, nomeadamente, do programa Apoiar.pt. Isto por uma razão muito objetiva, é que o programa Apoiar.pt foi pago até abril, a crise ainda existe e, portanto, se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora, já que as empresas, com a continuação da crise, estão ainda mais fragilizadas.

A incerteza parece estar a voltar e esse, é sem dúvida, o maior desafio. Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios

Em outubro de 2020, com sete meses de pandemia, admitia ao Publituris que, por causa dos balanços destruídos, a necessidade brutal de recapitalização e tesouraria seria o grande desafio dos próximos anos? Mantém essa afirmação?
Acho que está ainda mais sublinhada. Começámos por ter dúvidas relativamente ao futuro quando achámos que iriamos ter três meses de pandemia. Nessa altura, falava com sete meses de pandemia, agora falo com 20 meses.

Diria que, se há um ensinamento para o futuro, ele tem a ver com dois aspetos do lado das agências de viagens: robustecer os balanços, porque é nos balanços que está a resposta à próxima crise; e rodear-nos dos melhores recursos humanos, porque são esses recursos humanos que vão robustecer os balanços.

O que devia ter sido feito que não foi feito?
Da parte de quem?

De todos!
Vou ser sincero, quer nas agências de viagens, quer na APAVT, quer no Governo, de um modo geral, foi feito tudo o que era imaginável ser feito. Da parte das agências de viagens, depois de 20 meses de crise, verificamos que, tanto em 2020 e, previsivelmente, em 2021, teremos dois anos com menos falências que em 2019. Isso diz tudo relativamente à capacidade resistência das nossas agências de viagens.

Relativamente à APAVT, clientes, reembolsos, trabalho na ECTAA, os projetos editoriais do Economics do setor, o pensamento estratégico para o mesmo, o aumento do apoio jurídico, o aumento dos apoios aos apoios, isto é, a clarificação, a perceção de quem poderia aderir e por aí fora, o apoio às restrições às viagens, a sua clarificação, a APAVT fez a sua parte.

O Governo, penso que é justo dizer, sem os apoios colocados em cima da mesa, não havia setores das agências de viagens e turístico.

Dito isto, o que as agências de viagens fizeram foi suficiente? Foi tudo o que poderia ter sido feito.

Se a APAVT fez o suficiente? Julgo que ficaram sempre coisas por resolver, nos apoios aos agentes, reembolsos dos fornecedores, reembolsos aos clientes.

Se o Governo fez o suficiente? Claro que os apoios foram insuficientes.

Julgo que temos de ter a humildade de pensar que fizemos todos o possíveis, mas que há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente.

Incertezas políticas que não ajudam
Tem falado de apoios por parte do Governo, de apoios essenciais para a sobrevivência do setor, não só das agências como do turismo. O certo é que estamos a ser confrontados com uma incerteza política, com eleições a 30 de janeiro, que levará a termos Governo só lá para março. O que teme relativamente a esta indefinição política e de políticas?
Não temo, porque já tenho a certeza de que o que aconteceu foi muito mau para as empresas. Tivemos do Estado uma resposta insuficiente face aos constrangimentos económicos. Agora juntámos uma condicionante política que, em meu entender, é menos compreensível. Isto é, para além dos recursos parcos da nossa economia ou do nosso Estado, temos agora um Governo que não pode agir por circunstâncias de condicionalismo político.

É perfeitamente natural que o Governo agora não queira tomar decisões que impliquem ou condicionem o orçamento do próximo Executivo.

Por isso, mais do que temer quanto ao futuro, tenho muita pena, mas parece haver um sentimento de quase abandono por parte dos políticos quando assistimos à cena da não aprovação do Orçamento de Estado 2022.

Relativamente ao próximo Governo, espero que se resolva rapidamente.

Se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora


Não teme uma interrupção dos apoios?
Nem me passa pela cabeça. Se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir. Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente.

Portanto, é demasiado irracional para podermos pensar em tal possibilidade. E se há erro que às vezes sinto é pensar que alguns comentários políticos dão a ideia de que se trata do Orçamento para a crise.

A partir de um determinado momento não se trata de um Orçamento para a crise. É a crise que tem de caracterizar o que tem de ser o Orçamento exatamente para apoiar as empresas e a economia na crise.

O Orçamento não pode apoiar a crise até aos limites do Orçamento. A crise tem de definir os limites do Orçamento, o que é uma coisa completamente diferente.

Concluindo, espero que, seja qual for a cor ou cores políticas que ganhe ou ganhem, que compreendam isso antes sequer do primeiro dia.

Há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente


Espera que o próximo Governo tenha mais “foco”, como chegou a pedir?
Espero que o próximo Governo tenha muito foco logo de início nestas questões, porque os apoios são questões também de timing.

TAP a fazer parte da solução
Já falou da questão dos reembolsos e de conversações que existiram entre a APAVT e a TAP. Houve conversações com a nova administração da TAP. Pergunto se a TAP já não faz parte do problema e passou a fazer parte da solução?
A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional.

O grande desafio português são os mercados transatlânticos, são eles que permitem crescer. São eles que permitem ter mais território e mais meses de turismo. É o mercado norte-americano, o brasileiro, é ou será um dia o mercado chinês.

Esticar a sazonalidade?
Sim, esticar para além de agosto e ir para além dos grandes centros de turismo.

Ora, o êxito relativamente a esses mercados para um país como Portugal vai depender do hub. Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o hub, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país. E se isso acontecer, está em causa a dívida pública, mais impostos, emprego. Um país mais pobre também significa mais custos para as pessoas. Não podemos criticar os apoios à TAP apenas porque são apoios do povo. Comparado com o quê, com pobreza? Comparado com pobreza, prefiro o apoio à TAP. Comparado com menos crescimento, prefiro apoiar a TAP.

Claro que um dia, e esperemos em breve, a TAP tem de corresponder com resultados.

Do ponto de vista do diálogo com os agentes de viagens, a nova administração imprimiu uma nova dinâmica, existe confiança, apesar de haver também a perceção das dificuldades que temos todos resolver.

E com as outras companhias, retirando a Ryanair?
Com a Ryanair não há diálogo possível e é uma decisão da Ryanair. Com as outras companhias, há muito tempo que a concorrência do nosso setor é definida ao longo da cadeia de valor. Isto é, as companhas aéreas não só são nossas fornecedoras como são, também, concorrentes relativamente aos clientes pelas estratégias que a tecnologia permitiu implementar.

Nós temos sempre momentos de aproximação, porque o nosso cliente é o mesmo e temos sempre focos de tensão, porque disputamos esse mesmo cliente.

Esta crise veio fazer com que todos os ‘stakeholders’ passassem a olhar para a cadeia de valor como um todo?
Não necessariamente. Luto por isso e espero que aconteça. Um dos grandes objetivos do congresso da APAVT é, precisamente, fazer um ‘kick-off’ para uma tentativa de resposta coerente por parte da cadeia de valor.

 

A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional

 

Uma “novela” Aeroporto
E como olha para a “novela” do aeroporto?
Acho que utilizou a definição certa: “novela”. Se há pouco disse que me sentia um pouco abandonado pelos nossos políticos neste curto prazo por causa da “novela” do orçamento, sinto-me completamente abandonado pelos políticos a longo prazo por causa do aeroporto.

A questão do aeroporto é estratégica. Existe um plano que prevê chegarmos a 2027 com determinados números.

Mais concretamente, 27 mil milhões de euros em receitas e 80 milhões de dormidas.
Exato. E depois temos os representantes do aeroporto a referir que, com esta infraestrutura aeroportuária e os novos limites de navegação aérea por causa do ruído, provavelmente, não passaremos dos números de 2017.

Diria, um, organizem-se, dois, dêem-nos uma solução aeroportuária. Qualquer que seja, o país precisa dela.

O país económico precisa do país turístico.

Quando se fala que estamos demasiado dependentes do turismo, em termos económicos, isso é “bullshit”, até parece que é uma decisão governamental ou política.

Não se trata de uma decisão, é a competitividade internacional do setor que interessa. Se impedirmos que o setor mais competitivo da economia nacional, por razões de política económica pura, seja travado, penso que é um crime lesa-pátria e espero que todos os intervenientes sejam apontados.

Entre as opções que estão em cima da mesa, qual a preferida da APAVT?
Não fazemos comentários. Há quem defenda a solução mais rápida por razoes óbvias, há quem defenda uma solução estratégica por razões de longo prazo. Há ainda quem esteja imerso na confusão.

Não sou especialista ambiental ou aeroportuário, mas se me perguntar por soluções para a sua próxima viagem, sou capaz de lhe dar. Espero que, neste caso, os especialistas tenham as soluções.

Mas neste caso, voltamos a bater na questão da indefinição política e nos atrasos consecutivos de processos e decisões. Será mais um projeto para a gaveta e/ou iniciar-se de novo?
É verdade, mas espero que não. O quer que aconteça para além de 30 de janeiro, espero que haja foco na vida das pessoas.

Os temas do congresso

Antes do Congresso da APAVT marcou presença na 6.ª Cimeira Mundial dos Presidentes das Associações de Agências de Viagens, em Leon. Quais foram as principais conclusões, tendências, estratégias, diretrizes saídas dessa reunião?

As conclusões, do ponto de vista geral, passam por atualizarmos uma voz mais próxima uns dos outros enquanto setor das agências de viagens. É muito um território de associação, o que cada um anda a fazer, como responder aos problemas e à crise, como os diversos Governos apoiaram quem deveria ser apoiado e, claro, um olhar para o futuro.

Há a perceção geral no mundo que, os destinos turísticos que tiverem propostas flexíveis são os que irão comandar a procura na saída da crise.

Voltando ao congresso da APAVT, haverá um painel – “Porque é que a EY Parthenon e os Agentes de Viagens estão a olhar para o Futuro”. Que futuro é esse para onde estão a olhar? Há um novo futuro, um futuro com um consumidor diferente ou com um ‘mindset’ diferente?
Sinceramente, não acho que exista um consumidor pós-pandemia. Houve, penso, uma aceleração de tendências que já eram conhecidas antes da pandemia, já faziam parte do nosso mercado. Autenticidade, digitalização, sustentabilidade, ‘slow-tourism’, comércio justo, tudo isto são tendências mais visíveis hoje, mas tendências que já existiam. Eventualmente, os nómadas digitais é um fenómeno saído da pandemia e, por circunstância de datas, o turismo espacial tenha tido mais destaque, mas não nasceu na pandemia.

Foi um reforço de tendências?
Foi uma aceleração. Não surpreende e não vejo quer em Portugal, enquanto destino turístico, quer na natureza da atividade das agências de viagens, problemas advindos desta aceleração. Pelo contrário, a sustentabilidade é uma área onde Portugal, enquanto destino turístico, está a responder bem e até apresenta alguns ‘case studies’ importantes. A sustentabilidade do lado das agências de viagens é muito mais uma oportunidade do que um problema.

A sustentabilidade não é um estado de alma. Numa atividade económica, é um conjunto de ações tendentes a reduzir determinadas pegadas, nomeadamente, a ambiental.

As agências de viagens em Portugal e no mundo têm já incorporadas, sobretudo no ‘business travel’, critérios de medição da pegada de carbono. Em muitos contratos essa pegada tem de estar explícita para que o cliente possa escolher uma maior ou menor.

As agências, e estamos a fazer um trabalho na ECTAA, estão empenhadas em harmonizar esta medição, clarificando-a e tornando-a mais eficiente e, através das plataformas certas, dinamizar a compensação da pegada pelos clientes que a realizam.

Mas concorda ou não com aqueles que afirmam que a pandemia trouxe um consumidor com um ‘mindset’ renovado ou mesmo novo?
Não, com sinceridade não. Acho que são entusiasmos de curto prazo. É muito cedo para se fazer essa apreciação. Recordo-me da crise económica brutal recente e não foi ela que definiu a evolução, foi um passo na evolução.

Portanto, teremos de esperar mais tempo para se fazer uma análise mais racional do que está a acontecer.

Julgo que esses novos clientes, novas características são um pouco emocionais. Se alguma coisa caracteriza o mercado das viagens e o setor das agências em Portugal e no mundo, é muito mais a diversidade do que as novas tendências.

Sustentabilidade, digitalização e capital humano são dos grandes temas abordados em qualquer fórum quando se fala de turismo e estão no congresso da APVT. A APAVT assinou a declaração de Glasgow para “desenvolver planos” para “a aceleração da ação do turismo, no sentido da redução das emissões no setor”. O que é que isto significa e como é que a APAVT e os seus associados irão contribuir para esta redução de emissões? O que significa isto no concreto?
Nós temos algum histórico recente relativo a ações no foro da sustentabilidade e, concretamente da sustentabilidade ambiental. Em primeiro lugar, estamos num processo de adesão à SUSTOUR – projeto europeu que vai fazer formação em sustentabilidade ambiental em mais de 180 mil empresas europeias. Depois, assinámos um protocolo com a “Travellife” que certifica empresas consoante as suas práticas ambientais. Ora, se há uma certificação, logo é tudo mais voltado para a ação e não para o compromisso.

No seio da ECTAA há um trabalho relacionado com a estandardização da medição para melhor poder clarificar e sermos mais efetivos.

No nosso congresso, a sustentabilidade vai estar presente.

Por isso, diria que assinámos o compromisso de Glasgow, porque está de acordo com a nossa prática.

Curiosamente, a APAVT, foi, julgo, no setor do turismo em Portugal, a única associação assinar a declaração de Glasgow e no seio da ECTAA só duas associações de todo os países europeus foram “launch partners”: a APAV T e a associação holandesa.

Curiosamente, no painel da sustentabilidade do próximo congresso, um dos speakers será, precisamente, o presidente da associação holandesa.

A sustentabilidade é um dos eixos de atratividade de Portugal junto dos turistas. É por aqui que Portugal se poderá diferenciar?
Absolutamente. É uma oportunidade para o país como é uma oportunidade para as agências de viagens. Aliás, em meu entender, é uma oportunidade que veio para ficar.

 

Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o ‘hub’, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país

 

Se a sustentabilidade é chave, o capital humano também assumiu uma relevância fulcral. Saíram muitas pessoas, fazem falta muitas pessoas, os que saíram irão regressar, é preciso ir buscar pessoas a outros lados, setores, países? Como é que olha para este desafio do capital humano?
Sabemos que, sobretudo, na hotelaria e restauração falta gente. Se essas pessoas vão regressar, esperemos que sim. Sabemos, contudo, que não basta que regresse quem saiu. Julgo que hoje é mais ou menos aceite que precisamos de uma política de migração que apoie o desenvolvimento do turismo, entre outros aspetos.

Do ponto de vista das agências de viagens, não tivemos despedimentos, até porque tivemos acesso e adesão aos processos de apoio ao emprego. Por isso, se há coisa que não existiu durante esta pandemia – ainda – foram grandes despedimentos. Não há uma fuga de recursos humanos das agências de viagens.

Mas disse “ainda”?
Disse ainda porque estamos cá. E talvez não o espere. Porquê? Se olharmos para os “Economics” do setor e para a sua atualização, o setor com maior percentagem de licenciados ou acima de licenciados é, do ponto de vista do turismo, o das agências de viagem.

Os nossos recursos humanos estão muito mais longe dos ordenados mínimos e do serviço básico do que outros dentro desta cadeia de valor.

Isso, contudo, não quer dizer que não existam problemas de recursos humanos. Houve porque tiveram de sair dos locais de trabalho, porque trabalharam isolados e com dúvidas relativamente ao futuro, tal com o regresso dos recursos humanos também tem sido um problema depois de estarem 20 meses a trabalharem em casa.

Adquiriram-se novos hábitos, houve gente a trabalhar menos porque não havia trabalho, houve pessoas que passaram a levar os filhos à escola, realidade que não conheciam. Adquiriram-se novas perceções de uma realidade que agora terão de ser trabalhadas.

Por todos, até pelo próprio colaborador?
Absolutamente. Esta história de acharmos que as responsabilidades estão nas empresas e os direitos estão nos colaboradores, é uma coisa antiga.

Em vez de fuga de recursos humanos, preocupa-nos a gestão de recursos humanos.

Já na digitalização ou transformação tecnológica, a questão, presumo, não se coloca no setor das agências de viagens?
Em termos de tecnologia, as agências de viagens são dos maiores utilizadores em Portugal e no mundo. Há bastantes anos que qualquer trabalhador com um telemóvel pode resolver qualquer problema que um cliente possa enfrentar na sua viagem em qualquer lugar a qualquer hora.

Os processos de digitalização não são fins estratégicos em si, são processos de melhoria da eficiência e devem ser integradores de uma estratégia.

Como definidores de uma estratégia, acho-os fracos, porque uma estratégia tem de estar muito mais próxima das necessidades do cliente e da sua perceção e como vão evoluir, do que um mero processo de digitalização.

Quantos ‘players’ ficaram pelo caminho? E quantos ainda vão ficar? Que setor teremos no pós-COVID?
É um pouco dual. Os balanços estão destruídos, os capitais próprios evaporaram-se. Do ponto de vista da situação macro-económica do setor, provavelmente, estamos a atravessar, à saída da crise, um dos piores momentos do setor.

Sempre dissemos nos primeiros três meses da crise que o principal problema de liquidez se ia colocar no momento do regresso e da retoma, porque os custos têm um comportamento dual – zero ou um – e as receitas vão chegar gradualmente.

Se se confirmar que este regresso ténue que estamos a viver é o início de uma retoma, diria que estamos à beira do processo mais complicado de resistência por parte das agências de viagens e do turismo em geral. Desse ponto de vista é natural que haja mais quebras do que tem sido histórico.

Entre a resiliência que temos vindo a demonstrar e a evidencia dos balanços, julgo que vamos encontrar um caminho em que vamos provavelmente, uma vez mais, no início da retoma, ter alguns incidentes desagradáveis enquanto setor, mas a execução da oportunidade que aí está vai permitir a recuperação a muitos.

Quando tivermos, efetivamente, a falar não de regresso, mas de retoma, nessa altura o nosso principal objetivo será sempre o de superarmos os números de 2019 e que foram os melhores de sempre.

2019 foi o melhor ano de sempre para o turismo. Há condições para continuarmos a bater recordes com uma crise pandémica, instabilidade política, sem aeroporto, com falta de recursos humanos, entre outros?
Portugal tem todas as condições naturais para o fazer, enquanto destino turístico. Temos um dos melhores turismos do mundo, enquanto instituição. O Turismo de Portugal tem feito um trabalho notável. Temos grandes empresários, temos um conjunto de trabalhadores capacitados no setor das agências de viagens, temos um país estável, clima, um povo acolhedor. Temos tudo a nosso favor, mas estamos, neste momento, condicionados por algumas decisões políticas que têm de ser resolvidas. Com a evolução e o crescimento do turismo no mundo e a olhar para nós próprios e nossos concorrentes, diria que o recorde de 2019 ser ultrapassado é fácil-fácil.

Inicia o mandato em 2021, em plena pandemia. Pergunto-lhe se, apesar de ainda não ter terminado o primeiro ano, se ainda tem forças e vontade para ir a uma nova corrida?
[Risos] Nem vou responder. Espero chegar a este mandato vivo e com consciência de dever cumprido. Peter Drucker [professor, consultor e escritor de origem austríaca] dizia que as pessoas são mais felizes no cumprimento do dever. Espero chegar ao final do mandato feliz.

O que aprendeu com esta crise e que ensinamentos retira dela a nível pessoal e profissional?
Aprendemos sempre algo. A crise não me apanhou de surpresa. A crise é o acentuar do primado da incerteza.

A nível profissional diria que aprendemos uma vez mais que temos de robustecer os nossos balanços, que é na robustez deles que vai estar a resposta à próxima crise.

Finalmente, que temos de nos rodear dos melhores recursos humanos, porque eles vão robustecer os nossos balanços.

A nível pessoal, somos todos muito pequenos por maior que nos possamos sentir.

No dia 3 de dezembro quando fechar o congresso, que conclusão gostaria que saíssem dos três dias de trabalho?
O congresso é um capítulo da nossa atuação, não é um fim em si mesmo. Espero que saia a classificação da nossa agenda para o próximo ano. Até pela data que é realizado, o congresso é um ponto de situação e um olhar para o futuro e os fins de ano são sempre ótimos para que isso aconteça.

Mais do que olhar para o passado, espero que nos ajude a clarificar, enquanto APAVT e turismo português, a agenda para o ano 2022.

Agenda só para 2022 ou mais além?
Digamos que teremos um olhar mais além, mas temos uma agenda definida para um ano. Ajuda termos uma visão de mais longo prazo, mas é importante termos uma definição da concretização dessa agenda no curto prazo.

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Presidente da República abre Congresso da APAVT

O início do “reencontro” do setor das agências de viagens será presidido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O 46.º Congresso da APAVT realiza-se de 1 a 3 de dezembro, em Aveiro.

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presidirá à abertura do 46.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), no próximo dia 1 de dezembro, em Aveiro.

Tendo como tema base o “reencontro”, o evento reunirá, além de agências de viagens e operadores turísticos, quadros de companhias aéreas, alojamento turístico, rent-a-car, animação turística e restauração, entre outros setores.

O congresso realiza-se de 1 a 3 de dezembro, no Centro de Congressos de Aveiro, contando, também, com a participação, do ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques.

Entre os oradores do congresso da APAVT contam-se o ex-vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas; o presidente da Associação Holandesa das Agências de Viagens, Frank Oostdam; um importante player do turismo grego, Marios Kammenos; os ativistas ambientais Miguel Lacerda e Naut Kusters; a CCO da TAP, Silvia Mosquera; o CEO da SATA, Luís Rodrigues; o administrador da ANA/Vinci, Francisco Pita, bem como o virologista Pedro Simas, entre outros.

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Como foi o congresso da APAVT? (em vídeo)

Veja o vídeo do congresso da APAVT que decorreu em Macau.

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O Congresso Nacional da Associacao Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo realizou-se este ano em Macau, entre os dia 23 e 27 de Novembro. Quem não esteve presente pode ver aqui os melhores momentos.

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Compra da VEM permitiu à TAP ser o que é hoje no Brasil, diz Diogo Lacerda Machado

Considerado ainda hoje um negócio ruinoso para a TAP, o tema foi abordado no congresso nacional da APAVT.

Carina Monteiro

“Se a TAP não tentasse salvar a Varig, jamais teria tido condições para ser o que é hoje no Brasil”. A afirmação é de Diogo Lacerda Machado, actual administrador não executivo da TAP e protagonista da compra da VEM, o negócio de engenharia e manutenção da Varig, em 2005. Considerado ainda hoje um negócio ruinoso para a TAP, o tema foi abordado no congresso nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), onde Diogo Lacerda Machado participou numa conversa com o presidente da associação, Pedro Costa Ferreira. Depois de Pedro Costa Ferreira ter questionado Diogo Lacerda Machado se este queria pedir desculpa pelo que se diz “ter sido a maior desgraça do grupo TAP nos últimos tempos,” este preferiu explicar o negócio da compra da VEM.
“A TAP é de longe a maior operadora estrangeira no Brasil, aquilo que a distinguiu foi a sua operação no Brasil. Nos últimos dez anos, em noves deles, o Brasil gerou mais receitas para a TAP que Portugal”, afirmou.
Para o responsável, “convém medir inteiramente o significado da operação, perceber que está ali uma activo que vale dinheiro. A TAP fez um investimento relativamente diminuto e obteve, em função disto tudo, um resultado extraordinariamente superior”. “A TAP já facturou 13 mil milhões de euros no Brasil”, sustenta.
O responsável esclareceu, ainda, que a Geocapital, empresa da qual é administrador e que entrou como parceiro financeiro deste negócio, “ganhou zero” com esta compra. “No dia em que assinámos os acordos ficou entendido qu,e se não fosse possível a compra da Varig, não faria qualquer sentir que a Geocapital continuasse”.

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“A ANA foi um extraordinário negócio para os parceiros privados”

Diogo Lacerda Machado, administrador não executivo da TAP, falou no último dia do congresso da APAVT.

Carina Monteiro

Diogo Lacerda Machado, antigo consultor do gabinete de António Costa em assuntos estratégicos e jurídicos, como a reversão da privatização da TAP, participou no último dia do congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorre em Macau. Num painel conduzido pelo presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, o também administrador não executivo da TAP falou da sua longa relação com o Oriente, do novo aeroporto de Lisboa e do processo de reversão da privatização da TAP.
O melhor amigo de Antonio Costa, forma como o próprio se referiu ao primeiro-ministro durante a sua intervenção, afirma que o actual aeroporto de Lisboa é “um constrangimento ao desenvolvimento da TAP” e espera que a solução do Montijo seja acelerada.
O gestor não deixa, no entanto, de criticar aquilo que chama de “incapacidade de fazer projecções”. “Há algo em comum nos muitos estudos que foram feitos ao longo dos últimos quarenta anos sobre o tráfego do aeroporto: enganámo-nos nas projecções e a realidade superou o projectado. Devíamos confrontar-mo-nos com a nossa incapacidade de fazer projecções”.
Considerando que o aeroporto de Lisboa é, actualmente, “um constrangimento”, e frisando que não é o seu melhor amigo quando emite certas opiniões, Diogo Lacerda Machado considera que a “ANA foi um extraordinário negócio para os parceiros privados que tiveram o mérito de o fazer” e que “qualquer decisão que tenhamos de tomar a propósito da política de infra-estruturas aeroportuárias em Portugal passa por sentar à frente de quem não tem grande incentivo para fazer o que quer seja”, referindo-se claramente à privatização da ANA pelo Grupo Vinci.

Reversão da privatização da TAP

Responsável pela reversão da privatização da TAP, Diogo Lacerda Machado fez uma balanço positivo do processo. “O resultado daquilo que se fez já é hoje melhor do que provavelmente se teria pensado”, considera. “Entraram na TAP 300 milhões, o balanço da TAP mudou e a companhia criou condições para trazer novos aviões”, além disso, refere, “o Estado português conservou na TAP a posição que lhe permite assegurar com certeza absoluta que não há nenhuma decisão estratégia na companhia sem a participação activa do próprio governo”.
Diogo Lacerda Machado foi ainda confrontado com uma pergunta de Pedro Costa Ferreira. O presidente da APAVT considera que “temos uma TAP mais forte forte, mas também se verificam algumas dificuldades de serviço mais notórias na Europa e nos lugares da frente do avião. É uma crise de crescimento ou temos de nivelar por baixo para competir no mundo aéreo actual.”
“Acho que a resposta é que é preciso estar à altura do mercado”, afirmou Diogo Lacerda Machado. “Não sei se têm noção, mas taxa de ocupação aumentou muitíssimo no último ano, portanto a pressão sobre o serviço,a escala e a organização acabou por conduzir pontualmente a algumas dificuldades”, justifica.
Por outro lado, afirma, “os grupos europeus de aviação foram adaptando a sua oferta à realidade”, exemplo da Lufthansa, Ibéria e Air France. “O que a TAP está a fazer também é uma oferta alinhada com o mercado. A TAP segmentou os aviões e passou a ter tarifas à medida de cada um. Os últimos lugares dos aviões permitiram ir fazer uma coisa que não acontecia há oito anos, ir buscar passageiros às low cost.”

*Em Macau, a convite da APAVT

Sobre o autorCarina Monteiro

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“Reinventar o crescimento económico é fugir da economia das quantidades”

Augusto Mateus, ex-ministro da Economia no governo de António Guterres e consultor, alerta para as “actividades que têm muito êxito nas quantidades, mas não geram valor para satisfazer as expectativas de quem investiu”.

A importância da contribuição que o Turismo tem para a recuperação económica de Portugal tem sido reflectida nos resultados dos variados indicadores nos anos mais recente.
No entanto, Augusto Mateus, ex-ministro da Economia e consultor, que falava sobre “O papel do Turismo na reinvenção do crescimento económico de Portugal” no XLIII Congresso da APAVT, em Macau, alerta que “vivemos muito na economia da quantidade, as pessoas digladiam-se politicamente em torno do PIB”, no entanto, “é preciso ter muito cuidado com as contas nacionais, com esta ideia do PIB em volume até porque não temos muita capacidade para medir claramente o Turismo”.
Segundo o consultor, “reinventar o crescimento económico é fugir da economia das quantidades e entrar na economia do valor” e considera ainda que é necessário algum cuidado com “as actividades que têm muito êxito nas quantidades mas não geram valor para satisfazer as expectativas de quem investiu”.
Do ponto de vista estratégico numa economia, o Turismo é um sector importante para qualquer país, referiu ainda, destacando também que “é a principal actividade económica à escala global”, portanto, “não se percebe porque é que algum país há-de ter algum problema em ser bom na principal actividade e com maior dinamismo à escala global”.

*Em Macau a convite da APAVT.

Sobre o autorRaquel Relvas Neto

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Cristina Ávila é membro honorário da APAVT

Cristina Ávila recebeu a distinção no congresso da APAVT que decorre em Macau.

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Cristina Ávila, delegada da Direcção Regional do Turismo dos Açores, foi surpreendida com uma homenagem, esta quinta-feira, em Macau, ao ser nomeada Membro Honorário da APAVT – Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo.
Recorde-se que o 43º Congresso Nacional da APAVT decorre em Macau até ao próximo dia 27, com o tema “Turismo: A Oriente, tudo de novo”.

Sobre o autorCarina Monteiro

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“Regulamento da IATA já devia ser peça de museu”

Os gigantes da indústria da aviação, assim como a IATA, foram alvo de duras críticas por parte do presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, no seu discurso de abertura do congresso nacional da associação, que começou esta quinta-feira, em Macau.

Carina Monteiro
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Os gigantes da indústria da aviação, assim como a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), foram alvo de duras críticas por parte do presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, no seu discurso de abertura do congresso nacional da associação, que começou esta quinta-feira, em Macau.
Apesar de reconhecer a “boa prestação do sector ao longo do ano”, Pedro Costa Ferreira afirma que existem muitas dúvidas relativamente ao futuro.
As preocupações dos agentes prendem-se desde logo com a indústria aérea e a instituição de “taxas discriminatórias de reserva nos GDS`s pelos gigantes da aviação”, afirma o responsável.
O argumento de baixa de custos usado pelas companhias aéreas para instituíram taxas não convence Pedro Costa Ferreira. “O estudo mais recente publicado pela ECTAA conclui, de forma muito clara, que os custos da distribuição directa não diminuem com o incremento da quota de vendas directas. Pelo contrário, o estudo conclui que no caso de companhias aéreas regionais, como a SATA, ou nacionais mas com um home market de diminuta dimensão, como é o caso da TAP, os custos da distribuição aumentam muito consideravelmente, em cenário de eventual aumento da quota de vendas directas. Naturalmente, esta conclusão tem de nos preocupar enquanto comunidade turística”.
Para o presidente da APAVT, “estamos perante a tentativa de construção de um oligopólio”. Oligopólio esse, que está “a tentar afastar a distribuição independente porque quer evitar a comparação directa de preços, está a limitar a capacidade das companhias aéreas de menor dimensão de vender em mercados exteriores, está provavelmente a lançar as bases de um futuro aumento de tarifas, próprio de um mercado menos competitivo, e com menor capacidade de escolha por parte do consumidor”.
A esta crítica acresce ainda outra à IATA, cujo regulamento, diz Pedro Costa Ferreira, “devia ser já uma peça de museu”, por “total inadequação à realidade da relação económica existente entre as agências de viagens e as companhias aéreas”.
O responsável vai mais longe e questiona o porquê de algumas medidas que são um retrocesso no sector. “Num mundo onde se assiste a uma revolução na área dos pagamentos, que sentido faz impor um único modo de pagamento? E que grau de ridículo está subjacente à decisão de escolher um único banco para receber os pagamentos ao BSP, por parte das agências de viagens portuguesas, numa conta sediada na Alemanha”.
Pedro Costa Ferreira diz que há um único beneficiado neste processo. “O Deutsche Bank estará agradecido, passa a gerir um movimento bancário de cerca de 900 milhões de euros anuais, que era dos bancos nacionais”.

*Em Macau a convite da APAVT

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“Vamos fazer uma boa transposição” da directiva europeia das viagens organizadas

Pedro Costa Ferreira fez a abertura do Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, que decorre em Macau.

Carina Monteiro

“Com todas as dificuldades que se nos apresentaram, vamos fazer uma boa transposição” da nova directiva das viagens organizadas. A afirmação é de Pedro Costa Ferreira, no discurso de abertura do XLIII Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) que começou hoje em Macau. O novo ambiente regulatório que se aproxima marcou parte do discurso do presidente da APAVT.
Começando pela nova directiva europeia sobre viagens organizadas, cujo trabalho de transposição se iniciou precisamente há um ano, no anterior congresso, Pedro Costa Ferreira elogiou o trabalho realizado em conjunto com a DECO e a Secretaria de Estado do Turismo. “Ao longo do trabalho conjunto realizado, nunca sentimos que existissem dois lados em presença. Sempre nos sentimos, não de um lado da mesa, mas sim todos à volta da mesma mesa, raciocinando em conjunto sobre o mercado, sobre as empresas, sobre as pessoas”, garantiu.
Sobre a lei disse estarem asseguradas as duas principais preocupações apresentadas no congresso do ano passado. “Por um lado, a mais expressiva fatia das viagens profissionais ficam de fora do âmbito da directiva; por outro, as nossas empresas não terão que realizar novas entregas para o mecanismo financeiro de protecção do consumidor”.
Outras das regulações que preocupa o responsável é o “novo regulamento europeu sobre protecção de dados”, que se prevê que entre em vigor em Maio do próximo ano.
Para Pedro Costa Ferreira, o cenário é aterrador, porque “a lei é tão pouco clara”, ao ponto das empresas “ainda não saberem como a cumprir”.
O presidente da APAVT apelou, por isso, à Secretária de Estado do Turismo e ao governo, que no seu entender “têm a responsabilidade de clarificar a lei, permitindo antes de tudo o mais que todos possamos perceber como a cumprir”.
A APAVT quer que seja a Confederação do Turismo Português (CTP) a dirigir este processo com o governo. “Apelo pois para que a CTP, do lado dos privados, tome a liderança deste projecto, ajudando as empresas a encontrar uma saída para o labirinto que representa o simples conhecimento da lei, a definir um custo razoável e proporcionado para o seu cumprimento, e finalmente uma actuação razoável, equilibrada, justa, por parte da fiscalização”.
Ainda na esfera da regulação, o presidente da APAVT chamou a atenção para as alterações que a Câmara Municipal de Lisboa impôs à operação turística na cidade. Apesar de entender que é necessário existir “uma harmonização do crescimento do turismo com a qualidade de vida dos habitantes da cidade”, “nenhum plano de harmonização deve afastar a actividade turística, antes deve exactamente tê-la permanentemente em conta”, defende Pedro Costa Ferreira. O responsável fez novamente um apelo à tutela do Turismo e à CTP,  para que liderem os trabalhos de negociação. “Estamos a trabalhar em cima de realidades que cresceram muito, mas que se mantêm, acreditem, frágeis. Se não tivermos cuidado, voltaremos a ter sossego nas ruas de Lisboa. Mas daquele sossego assustador, que acompanha quem não pode sair à rua, com medo de ser assaltado, das drogas e da prostituição”,  concluiu.

*Em Macau a convite da APAVT

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APAVT cria site “O Centro das atenções”

O anúncio foi feito por Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, na abertura do XLIII Congresso Nacional da associação, que começou esta quinta-feira, em Macau.

Carina Monteiro

A Asssociação  Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) criou o site “O Centro das Atenções”, como forma de apoio ao Turismo do Centro de Portugal, depois dos trágicos incêndios que assolaram a região este ano.
O anúncio foi feito por Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, na abertura do XLIII Congresso Nacional da associação, que começou esta quinta-feira, em Macau. “Escolhemos a data de hoje para vos dar conta que já colocámos à disposição do Turismo do Centro, o site “O Centro das atenções”, que será colocado on-line a todo o momento, e que cumpre uma promessa realizada no nosso primeiro encontro após a primeira tragédia”, afirmou o responsável.
Segundo Pedro Costa Ferreira, ao longo do próximo ano, a associação compromete-se a manter “vivo este site onde, em conjunto com o Turismo do Centro, chamaremos a atenção para todas as oportunidades que se mantêm inalteradas, na região.”
A APAVT custeou integralmente este site e a sua dinamização.

*Em Macau a convite da APAVT.

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