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Gavin Eccles vai ser o novo director comercial da SATA

Profissional conta com 15 anos de experiência em Marketing e Planeamento Estratégico nos sectores da Aviação, Hotelaria e Turismo.

Inês de Matos
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Gavin Eccles vai ser o novo director comercial da SATA

Profissional conta com 15 anos de experiência em Marketing e Planeamento Estratégico nos sectores da Aviação, Hotelaria e Turismo.

Inês de Matos
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O consultor e especialista em Turismo Gavin Eccles vai ser o novo director comercial da companhia aérea SATA, apurou o Publituris.

Gavin Eccles é consultor associado da neoturis e conta com 15 anos de experiência em Marketing e Planeamento Estratégico nos sectores da Aviação, Hotelaria e Turismo, tendo colaborado com várias companhias aéreas e cadeias de hotelaria ao nível do marketing, comunicação e desenvolvimento estratégico.

Mais recentemente, Gavin Eccles esteve envolvido no projecto de apoio ao desenvolvimento da aviação portuguesa para a ANA Aeroportos de Portugal e o Turismo de Portugal, e colaborou com a ANAM (Madeira) com vista ao desenvolvimento do tráfego low cost para a Ilha.

Gavin EcclesGavin Eccles foi ainda responsável pelo desenvolvimento da estratégia e marketing da British Airways, em Londres, e ocupou posições de gestão na Forte/Meridien Hotels bem como em projectos de consultoria para unidades hoteleiras no âmbito das disciplinas de marketing, desenvolvimento de procedimentos e de standards de operação.

O novo director comercial da SATA conta com um doutoramento em Business Strategy e lecciona as disciplinas de Marketing e Turismo em várias universidades portuguesas e no Reino Unido.

Sobre o autorInês de Matos

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10 tendências das viagens para 2022

O IPDT – Turismo e Consultoria reuniu, para a edição 65.ª edição do Barómetro do Turismo IPDT, um conjunto de 10 tendências que vão impactar o setor das viagens em 2022.

Publituris

Após um ano de 2021 onde os avanços e recuos da atividade turística foram constantes, motivados pelo surgimento de novas variantes da COVID-19, as empresas e os destinos encaram a vacinação da população mundial – dinamizada este ano – como uma importante alavanca para que o setor das viagens possa retomar a normalidade.

2022 é, pois, apontado, pela maioria dos organismos da especialidade, como o ano da retoma do turismo internacional. É expectável que os resultados de 2022 ainda não alcancem os números pré-pandemia, mas dever-se-á sentir um crescimento relevante face a 2021.

O IPDT – Turismo e Consultoria reuniu um conjunto de 10 tendências que irão impactar o setor do turismo e das viagens em 2022. Conheça-as aqui:

TENDÊNCIA 1
Testes à COVID-19 integram a check-list da viagem
Os turistas vão estar mais predispostos à realização de testes à COVID-19 para poder viajar e/ou fruir de experiências e atividades de forma mais livre e segura. Testes PCR, antigénio ou autotestes vão fazer parte da check-list do viajante, estando este mais disponível para os efetuar com frequência. Para o turista, o teste será considerado um elemento rotineiro para que possa fruir na plenitude da viagem.

Sobretudo quando o turista integra grupos com outros agregados familiares (que desconhece), a testagem no início da viagem/atividade deverá ser um requisito valorizado pelos participantes. Esta prática poderá ser ainda mais valorizada nos momentos das refeições quando, por norma, se encontram mais expostos.

TENDÊNCIA 2
Gestão da pandemia determina o destino
No primeiro trimestre 2021, o mundo viveu um dos momentos mais marcantes da sua história, com imagens de hospitais lotados com filas de ambulâncias à entrada, motivado por um elevado número de casos de COVID-19. A forma como os países souberam, ao longo destes últimos 2 anos, gerir a crise sanitária, garantindo a segurança das pessoas – residentes e visitantes, é muito decisiva para o processo de escolha do próximo destino de férias.

O sucesso do processo de vacinação em Portugal – que foi notícia em todo o mundo – é um elemento crucial para posicionar, hoje, o nosso país no top of mind dos consumidores, reconhecendo-o como um destino seguro. Num momento em que o turismo internacional retoma a sua atividade de forma gradual, mas em que as dúvidas quanto às novas variantes são muitas, a forma como o destino gere (e geriu) a pandemia é um fator chave para a decisão do turista.

TENDÊNCIA 3
Continuar à descoberta do próprio país
Esta é uma tendência que veio para ficar. Um dos pontos positivos da pandemia, que permitiu dar a conhecer aos turistas tesouros – até então – pouco explorados.

Em 2022 o número de viagens internacionais deverá aumentar, contudo os turistas vão continuar a optar por realizar mais viagens pelo país, de forma a descobri-lo, quer de carro, de mota, ou autocaravana. As escapadinhas de 2/3 dias devem ser mais frequentes ao longo do ano.

Um elemento a considerar pelas empresas do turismo são os 10 fins de semana prolongados e/ou com possibilidade de ponte que o ano de 2022 terá.

TENDÊNCIA 4
Viagens internacionais mais planeadas
Enquanto no passado muitas viagens internacionais eram marcadas de forma espontânea, por vezes aproveitando promoções last minute, em 2022 esse impulso deve ser substituído por um processo de maior planeamento da viagem, considerando outros elementos como o processo de entrada no país ou o procedimento a adotar na eventualidade de testar positivo à COVID-19 no destino. Além do tradicional roteiro de visita, o turista deve munir-se de um conjunto amplo de informação (ex: contactos das embaixadas ou hospitais), antes de marcar a viagem.

O turista deverá, contudo, manter o lead time da reserva mais próximo da data da partida, porém quando fizer a reserva já terá feito o planeamento mais detalhado da viagem.

Os seguros de viagem devem ser – cada vez mais – uma opção válida para os turistas, que encontram nesse mecanismo um fator adicional de segurança.

TENDÊNCIA 5
‘Friendscation’
Os últimos dois anos privaram-nos do contacto e dos momentos em família e com amigos. Em 2022, as viagens entre amigos ou em família deverão ser uma tendência a considerar pelos destinos e empresas turísticas. Estes momentos pretendem aproximar os laços familiares e/ou de amizade, pelo que as atividades procuradas podem assumir diferentes tipologias desde mais aventureiras na natureza, a momentos culturais, dependendo do grupo em questão.

Ainda assim, as atividades na natureza que promovam a adrenalina devem ser muito procuradas pelos turistas em 2022, nomeadamente pelos grupos de amigos.

Para muitos esta será a primeira viagem pós-pandemia, pelo que as expectativas serão elevadas: assim – sempre que possível – a personalização da experiência deverá ser considerada, de forma a elevar o grau de satisfação do grupo.

TENDÊNCIA 6
É tempo para as GOAT
Uma das tendências de 2022 deverão ser, mesmo, as GOAT – “Greatest of All Trips”.

Se por um lado, as restrições de viagens que sentimos nestes últimos 2 anos, despertaram a vontade de viajar e “concretizar sonhos”, por outro as poupanças familiares – em muitos agregados – aumentaram fruto do menor consumo, fatores que proporcionam uma maior abertura para a realização das GOAT.

Os influencers digitais têm um papel cada vez mais determinante nas viagens. São cada vez mais o número de influencers que organizam, comercializam viagens e acompanham-nas, proporcionando uma experiência de maior proximidade com os seus seguidores. Muitas dessas viagens são, efetivamente, para “destinos de sonho”. Muitas GOAT, sobretudo as realizadas pelos Millennials, devem ser realizadas com o acompanhamento de influencers.

TENDÊNCIA 7
“Beautification trips”
Viajar para realizar tratamentos de beleza especializados, é uma tendência em evolução para homens e mulheres, de todas as idades, sendo que o número de pessoas que procuram tratamentos de estética (harmonização facial e ‘beautificação’) tem crescido consideravelmente em todo o mundo.

Os turistas viajam para vários países à procura de cirurgias estéticas e tratamentos de beleza. Da rinoplastia e lipoaspiração, a Botox e preenchedores, os destinos e as empresas de saúde e beleza podem aproveitar estas tendências, oferecendo, a um mercado alargado, alternativas muito mais convenientes, seguras e eventualmente mais económicas, para procedimentos de beleza fora do seu país de residência.

Esta tendência justifica-se por várias razões – procura de melhor qualidade, tratamentos não cobertos por seguros, períodos de espera mais curtos, a atração por conhecer um lugar novo e, eventualmente preços mais baixos.

Além disto, quem não deseja voltar de férias rejuvenescido? Uma promessa e uma aposta a não descurar por parte de empresas e destinos.

TENDÊNCIA 8
Viajar com comportamento sustentável
Embora seja um tema sempre presente nos artigos de tendências de viagens, a verdade é que o turista procurará – com mais frequência – viajar de forma responsável, assegurando que a sua viagem tem um impacto ambiental reduzido, privilegiando empresas e destinos que tenham essa atitude incutida e que a demonstrem de forma transparente.

A COP26 foi um momento que impactou a sociedade a nível mundial, sobretudo pela mensagem transmitida: é o momento de implementar medidas concretas, de passar do papel à ação. Como tal, também o turista irá estar mais atento aos comportamentos das empresas e dos destinos. Não basta promover-se como “sustentável”, é crucial que as ações sejam visíveis, e o turista irá validar essa mensagem durante a sua experiência.

Outro tema em crescimento, é a compensação da pegada carbónica. Os turistas procuram optar por atividades e serviços que possibilitem diminuir o impacto da sua viagem, bem como encontrar formas que permitam compensar a sua pegada carbónica (ex: incentivo à plantação de árvores).

TENDÊNCIA 9
Mapa e Telemóvel: check! Estamos preparados para a viagem
Longe vão os tempos em que os turistas viajavam com várias malas, mapas, bilhetes, fotocopias de reservas de alojamento, máquinas fotográficas, GPS… O turista viaja mais “leve” e com menos coisas, uma vez que o seu telemóvel reúne todas as informações e as ferramentas necessárias para a viagem.

O telemóvel é, pois, a principal ferramenta da viagem do turista, que o utiliza para orientar nos destinos, captar fotografias, partilhar a sua experiência nos canais digitais, comprar bilhetes, ler ementas, traduzir informação turística, procurar sugestões de visita no destino e – naturalmente – comunicar. É a partir do telemóvel que a experiência do turista se desenvolve. Assim, é crucial que os destinos e as empresas considerem este comportamento e se adaptem a ele (ex: o turista precisa sempre de bateria, rede e internet no telemóvel).

Outro elemento a considerar é a maior procura por processos automáticos. Sobretudo nos destinos mais urbanos, o turista vai valorizar a presença destes procedimentos que permitem diminuir o tempo de espera (ex: em filas para a compra de bilhetes; ou check-in no alojamento) e lhes assegure mais tempo livre para descobrir o destino.

TENDÊNCIA 10
A afirmação das criptomoedas no turismo
As criptomoedas são solução para cada vez mais pessoas. Se em tempos a dúvida pairava quanto à sua utilização e segurança, essas preocupações parecem já dissipadas e a sociedade está mais atenta a estes movimentos. As transações e os pagamentos com moedas virtuais são mais frequentes e são já várias as empresas do setor do turismo (sobretudo alojamento) que aceitam pagamentos desta forma.

O expectável é que as transações em criptomoedas se tornem cada vez mais regulares e um meio de pagamento rotineiro nos próximos anos.

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“Todo o setor do turismo deu uma enorme lição à economia portuguesa”

Chegado o mês de dezembro, a região da Madeira entra na sua época alta, com o fim de ano a levar, normalmente, muitos viajantes à ilha. 2021 não será exceção, segundo Eduardo Jesus, secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira, que acredita, tal como indica a campanha mais recente, num fim de ano “À Madeirense”.

Victor Jorge

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) dão conta que a Madeira apresentou, em outubro de 2021, dados equivalentes aos de 2019. O responsável pelo turismo e cultura da Região Autónoma, Eduardo Jesus, acredita que o cenário irá manter-se para o final do ano. Para 2022, admite que “não vale a pena entrar em histerismos e dramatismos” e que há que ter “muita racionalidade nas decisões”.

Que turismo teremos na Madeira neste Ano Novo?
Penso que vamos ter a continuação daquilo que tem sido o turismo durante este ano de 2021. Temos uma presença muito forte no mercado nacional, que passou a ser o mercado com maior expressão no turismo da Madeira. Temos uma operação muito forte com o Reino Unido, contávamos com uma operação igualmente forte com a Alemanha, mas percebemos rapidamente que não vai atingir os níveis que estávamos a aguardar. Depois, teremos ainda os outros mercados, muito dispersos, desde França, mercados de Leste que foram uma grande aposta e que chegaram a valer, no mês de agosto, cerca de 8% do nosso turismo, operações essas que continuaram, mas que se foram reduzindo.

No fundo, vamos ter um pouco de tudo o que temos tido até agora. Essa e a nossa expectativa.

A APM lançou também uma nova campanha promocional exclusiva para plataformas online em 17 mercados internacionais para um Natal e Fim de Ano “À Madeirense”. Que esperanças deposita nessa campanha e que números espera atingir?
Nós temos uma circunstância que mudou com esta nova realidade da pandemia. Começámos a registar as reservas muito mais em cima das viagens, o que faz com que não exista o tal planeamento tradicional de três ou seis meses. O que está a acontecer é que, no início de cada mês, temos uma expectativa do que será a ocupação durante esse mês e a verdade é que nalguns meses essa taxa cresceu mais de 50% até ao final desse mesmo mês. Isso significa que, nesta fase, é muito importante termos uma vaga de comunicação muito forte.

Sentimento de pretensa
E essa nova vaga é no digital?
Sim, tem de ser, porque é o canal que mais facilmente chega a mais pessoas e com maior cobertura, é mais impactante. Esta nova campanha “À Madeirense” sucede a uma que tivemos – “Eu sei onde” – e ainda outra que foi dirigida ao território nacional – “Portugal Tropical”. Isto são tudo momentos em que queremos relembrar e reafirmar o destino Madeira por vários atributos que estão, todos eles, em linha com as competências da nova marca que lançámos em abril.

Ou seja, apelar a uma diferenciação que o próprio destino tem, mas, ao mesmo tempo, a uma inclusão do viajante naquele espaço com um grande sentimento de pretensa.

Experiências, portanto?
Através das experiências e da experimentação, o visitante fica a fazer parte daquele território e mesmo que saia, no seu regresso, leva um pouco do território consigo. É um pouco este compromisso sentimental que andamos a comunicar e a explicar por via da experiência, da vivência no espaço.

E faz o turista regressar?
Exatamente, é a lógica da fidelização. Esse também é um dos objetivos. Esta campanha “À Madeirense” é quase o abrir da porta de cada madeirense para receber as pessoas e para que as pessoas possam se sentir como qualquer um dos locais.

No fundo, é uma campanha para tornar o visitante mais um dos nossos a viver com a mesma intensidade que vivemos este período de festa do Natal e Fim de Ano.

Esta ligação que concretizámos com os EUA virou a página das acessibilidades da Madeira e abre-nos uma possibilidade de trabalhar um mundo novo

Uma aposta nas Américas
De indiscutível importância foi terem ganho um voo direto dos EUA para o Funchal. Este é o primeiro passo para ter mais voos dos EUA para a Madeira?

Nós acreditamos que sim. Em 2020, com a aprovação do orçamento em 2019, já tínhamos alocado uma verba significativa para um mercado diversificado como os EUA e Canadá e o reforço do Brasil. Não foi possível por causa da pandemia, mas surgiu agora esta grande oportunidade.

Esta ligação que concretizámos agora, virou a página das acessibilidades da Madeira e abre-nos uma possibilidade de trabalhar um mundo novo.

Os EUA têm mais de 300 milhões de habitantes, pessoas com gostos muito variados, com apetências muito diferentes, mas onde temos alguns atributos que são bem-vindos como, por exemplo, o vinho Madeira. Só para ter uma ideia da importância desta ligação ao vinho Madeira, promovemos este voo também através dos distribuidores do vinho da Madeira nos EUA e chegámos a milhares e milhares de pessoas também por essa via, complementarmente a toda a companha que foi criada. Mas sim, acreditamos que é uma viragem.

A Madeira já teve uma operação com os EUA nos anos 1970, mas não era voo direto. A TAP tinha uma rota conhecida por “Rota Colombo” que saia dos EUA em direção a Lisboa e em Lisboa distribuía para a Madeira e para a Gran Canária.

E novos mercados emissores?
Estamos com uma aposta, assim que seja permitido na origem, muito grande no Brasil. Gostaríamos de ter uma ligação direta do Brasil, e temos, também, o mercado do Canadá.

Seria ter toda a América do Norte?
Sim, a América do Norte toda e na América do Sul, o Brasil é o que tem mais apetência. É um visitante que gosta da oferta portuguesa e da madeirense em particular. Por isso, para aquele lado do globo, estas constituem as nossas apostas.

No espaço europeu, com a operação que fechámos com a Ryanair, permite-nos acesso a países e cidades muito importantes e às quais não tínhamos ligação direta.

Ficámos muito órfãos das ligações diretas com a decisão da TAP de acabar com elas há alguns anos. Recordo, por exemplo, a ligação direta de Londres para a Madeira, desde 1975, que funcionou sem qualquer interrupção até 2015. Foram 40 anos a voar diretamente de Londres para a Madeira.

Terminar essa rota fez, naturalmente diferença. Com esta operação da Ryanair, vamos ter ligações de Marselha, Milão, Dublin, um conjunto de ligações que são reforçadamente importantes por serem diretas e ligações que ainda não são satisfeitas hoje. Ou seja, interessa-nos muito ter ligações que não canibalizem aquilo que já temos.

Michael O’Leary, CEO da Ryanair, admitiu recentemente que tinha mudado de ideias relativamente à Madeira. O que fez a Ryanair mudar de ideias quanto à Madeira?
Penso que acima de tudo foi um melhor conhecimento da Ryanair relativamente ao destino que, admito, não tenha sido o mais completo em 2016 quando se começou a falar neste processo. Depois houve uma convergência de interesses bastante grande, porque nessa altura (2016) o CEO da Ryanair alertava para as taxas aeroportuárias que se praticavam e praticam no aeroporto da Madeira.

E que continuam elevadas?
Sim, e que continuam, em nosso entender, demasiado altas e têm merecido a nossa parte uma luta sem tréguas para que sejam revistas. Aliás, todo o modelo que está subjacente à concessão dos aeroportos colocou as taxas da Madeira a convergir com as taxas de Lisboa, admitindo-se que iam descer quando o que está a acontecer é as taxas da capital estarem a subir e nós a convergir em alta em vez de convergir em baixa. Isso deita por terra todo o modelo económico da concessão no que diz respeito à Madeira.

Mas a verdade é que a conjugação de esforço, envolvendo o Turismo da Madeira, a Associação de Promoção, o Turismo de Portugal e a própria ANA, permitiu esbater esse efeito das taxas e julgo que se conseguiu um compromisso que foi ao encontro das preocupações de todos.

Há uma concorrência muito diferente, não diria desleal porque não se regem pelas mesmas leis, mas muito desigual por parte de determinados destinos que retiram fluxo turístico à Madeira e Portugal Continental

Do ar para o mar
Mas estamos a falar somente de quem chega à Madeira por via aérea. Há, contudo, um determinado número de turistas que chega por via marítima. Que importância têm os cruzeiros para a Madeira?

Sim, sem dúvida. Têm uma importância fulcral e representam cerca de 600 mil passageiros por ano para a Madeira.

Que expectativas tem relativamente a esse segmento, não só agora para o fim de ano, mas para 2022?
A Madeira tem uma posição estratégica nesta altura do ano, quase indispensável aos armadores que operam no Atlântico. Por isso, existem várias companhias a operar com modelos de exploração que envolvem triangulações com as Canárias, Açores, Norte de África ou sul da Europa. Existem uma série de combinações que permitem um conjunto diferente de operações.

O que digo é que a indústria ainda está refém da pressão pandémica. Tem-se evoluído imenso com vários esquemas de garantia de bem-estar aos passageiros, mas é uma indústria que está à procura de uma solução, embora já esteja organizada. Temos tido paquetes todos os dias na Madeira há dois meses.

E para este fim de ano?
Para este fim de ano temos já 10 paquetes confirmados. A indústria dos cruzeiros está a animar e encontrou no Funchal, por força das medidas implementadas, uma garantia de confiança para os seus passageiros e hoje todo o modelo adotado dá essa confiança. Mas diria que a solução ou as garantias estão mais na dependência da própria indústria do que do destino.

Cabeça vs coração
Teme mais medidas e restrições, que se feche mais?
Tivemos ao longo do tempo oportunidade de ouvir vários especialistas, vozes essas que devem ser amplificadas de forma significativa, porque deve ser a ciência a mandar nesta fase da pandemia e não qualquer outro tipo de decisão baseada no medo. O medo não é boa companhia.

Percebemos, claramente, que estamos a entrar numa fase muito diferente, a sair de uma pandemia para entrar numa endemia e isso significa, provavelmente, um acréscimo de infeções, porque também estamos a testar muito mais, mas que não significa necessariamente cuidados intensivos, mortes.

Este é um paradigma mental que tem de ser operado. Temos de saber viver com esta realidade que perdurará por mais alguns meses. Mas temos de olhar para tudo isto com alguma tranquilidade. Não vale a pena entrar em histerismos e dramatismos e, acima de tudo, repetir medidas de quase desespero, quando não há pressão sobre os cuidados intensivos e quando não há número de mortes que justifique essa mesma preocupação.

Diria que é preciso alguma calma e, acima de tudo, muita racionalidade nas decisões.

Regresso ao futuro
Passando do negativo para o positivo, o INE revelou que a Madeira foi uma das regiões que, em outubro, já apresentou dados equivalentes aos de 2019. Acredita na manutenção desses níveis?
Desde julho que estamos a ter uma performance muito positiva no setor turístico. É preciso não esquecer que a primeira parte do ano foi muito má. Por isso, não é o facto de estarmos bem neste momento que faz recuperar o ano.

Julho cresceu muito relativamente aos meses anteriores, mas em agosto batemos o recorde de proveitos do setor de qualquer mês de agosto da história do turismo na Madeira. Em setembro, voltámos a bater o recorde dos proveitos de alojamento de qualquer mês de setembro de que há memória na Madeira. Em outubro crescemos 5,8% face a 2019, tendo o mercado nacional crescido 78%.

Ou seja, tudo indica que esta consistência no crescimento nos dá confiança relativamente às decisões que tomámos e apostas que fizemos, à forma como estamos a comunicar e que poderá estar a fazer evoluir uma dinâmica que nos leve a acreditar que novembro e dezembro serão meses nesta linha e que vão ajudar, objetivamente, o cenário do turismo na Madeira.

A indústria dos cruzeiros está a animar e encontrou no Funchal (…) uma garantia de confiança para os seus passageiros

Isso anima-o para o próximo ano?
Sim, claramente, se bem que temos consciência que 2022, com a solução da endemia e alguma tranquilidade que daí virá, também os nossos concorrentes mais diretos acordarão. E são concorrentes com práticas que nós na União Europeia não estamos autorizados a praticar. Por isso há uma concorrência muito diferente, não diria desleal porque não se regem pelas mesmas leis, mas muito desigual por parte de determinados destinos que retiram fluxo turístico à Madeira e Portugal Continental. Praticamente pagam para ter turismo e isso vai ter consequências.

E como se combate? O que vai fazer a Madeira?
O que temos vindo fazer. Penso que o grande desafio que qualquer destino possui neste momento não é só a gestão tática que passou a ser o dia-a-dia, mas, acima de tudo, criar condições para que a dinâmica da atividade se possa projetar para a frente. E isso, no fundo, significa, boas parcerias com as acessibilidades, com as companhias, boas parcerias com os operadores que fazem a distribuição e um enorme reforço da notoriedade do destino junto daqueles que decidem individualmente.

Perante esta realidade, desafios, incertezas, uma estratégia é desenhada a quanto tempo?
Quando definimos uma estratégia temos sempre uma expectativa de cinco anos. Nessa estratégia definimos, fundamentalmente, a nossa visão estratégica e, acima de tudo, a assunção do que é o nosso posicionamento.

Devo dizer-lhe que estamos, neste momento, na discussão para 2022-2027, porque terminámos agora 2017-2021, e posso garantir-lhe que a nossa visão e o nosso posicionamento não se alteram rigorosamente nada em relação ao que pensámos anteriormente.

O fundamental é ter flexibilidade e adaptabilidade, é ter capacidade de reação ao dia. Montamos operações à semana que anteriormente demoravam seis meses a um ano, infletimos relativamente às apostas semana para semana, reforçamos orçamento rapidamente, apostamos e acreditamos em quem quer trabalhar connosco. É esta agilidade que tem de tomar conta do decisor.

Uma agilidade que não existia?
Penso que existia, estava era adormecida porque não era necessária. Todo o setor do turismo deu uma enorme lição à economia portuguesa na grande capacidade que teve de se adaptar a todos os momentos e oportunidades e agarrou-os muito bem. E foram muitos.

O setor do turismo resistiu porque acreditou sempre que essas decisões do dia-a-dia eram capazes de deixar alguma coisa. Esse natural inconformismo e essa saudável teimosia e querer vencer, foi o que mais caracterizou este setor e é determinante para os anos que aí vêm.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

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Transportes

TAP, Portugália e Cateringpor em ‘situação económica difícil’ até 31 de dezembro de 2022

Em está desde janeiro deste ano, esta medida é considerada “instrumental” para o futuro da TAP e poderá ir até ao final do ano de 2024.

Renato Leite

A renovação por mais um ano, até 31 de dezembro de 2022, da declaração da TAP, Portugália e Cateringpor em situação económica difícil foi publicada esta quarta-feira, 29 de dezembro, permitindo reduzir condições de trabalho e suspender instrumentos de regulamentação coletiva.

No diploma, o executivo argumenta que” o estatuto de empresa em situação económica difícil vai permitir à TAP manter postos de trabalho, que em outras circunstâncias deixariam de poder ser suportados, num contexto em que os concorrentes estão a implementar agressivos programas de restruturação e de redução de custos, preparando-se para um período de acrescida intensidade competitiva”.

A Resolução n.º 185/2021 do Conselho de Ministros publicada prolonga para 2022 a declaração das empresas em situação económica difícil, que está em vigor desde janeiro deste ano, considerando tratar-se de uma medida que, até ao final do ano de 2024, é instrumental para o futuro da TAP, contribuindo para a sua sobrevivência e sustentabilidade através de poupanças de custos e reduzindo as necessidades de caixa, bem como as necessidades de apoio à TAP por parte do Estado Português.

No diploma publicado em janeiro deste ano, que declarou as empresas em situação económica difícil, o executivo tinha determinado que a TAP, a Portugália e a Cateringpor iriam dar início, no primeiro trimestre de 2021, ao processo negocial para a revisão dos instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho, na sequência da apresentação das linhas gerais do plano de reestruturação aos sindicatos, adaptando aqueles instrumentos à nova realidade competitiva das empresas e do setor.

No diploma agora publicado, esta determinação é também prolongada, definindo agora que aquele processo negocial aconteça “durante o primeiro semestre de 2022”.

Recorde-se que recentemente, o ministro das Finanças, João Leão, anunciou uma injeção de cerca de 530 milhões de euros para a TAP, depois de Bruxelas ter dado ‘luz verde’ ao plano de reestruturação da transportadora.

Na mesma semana, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, esclareceu que os apoios à TAP vão atingir o limite de 3.200 milhões de euros, devido a valores já pagos e outros a aprovar.

Sobre o autorRenato Leite

Renato Leite

Managing Director da Global Blue em Portugal
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Destinos

Madeira coloca estratégia para o turismo 2022-2027 em consulta pública

A Estratégia para o Turismo da Madeira para 2022-2027 foi desenvolvida pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP), em colaboração com a empresa Deloitte Business Consulting.

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A Estratégia para o Turismo da Região Autónoma da Madeira para 2022-2027 pretende afirmar o arquipélago como um “destino turístico para todo o ano”, indicou hoje o Governo Regional, referindo que o documento segue agora para consulta pública.

“Em traços largos, a estratégia para 2022-2027 tem uma visão em linha com a da anterior (2017-2021), introduzindo a fusão experiencial entre o mar, a montanha e a cultural e revelando o destino não apenas como um “must visit” europeu, mas sim, global e com uma vasta oferta de experiências diferenciadas”, refere a Secretaria Regional do Turismo e Cultura, em comunicado.

Na apresentação do documento, no Funchal, Eduardo Jesus, secretário Regional do do Turismo e Cultura da Madeira, referiu que “é muito importante que todo este envolvimento resulte na perspetiva de que há uma identificação de cada um de nós nesta estratégia; e isso é importante porque, sendo o setor a parte fulcral deste processo, interessa que as ideias estejam alinhadas”.

A Estratégia para o Turismo da Madeira para 2022-2027 foi desenvolvida pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP), em colaboração com a empresa Deloitte Business Consulting.

“Pretende, acima de tudo, afirmar a região como um destino turístico para todo o ano, seguro, diferenciado pelo clima ameno, pelo acolhimento aos turistas e visitantes, pela autenticidade e diversidade, pela qualidade das experiências e pelo compromisso com a sustentabilidade económica social e ambiental”, sublinha a Secretaria Regional.

O documento agrega seis pilares estratégicos para o desenvolvimento turístico da região, nomeadamente natureza, turismo ativo e desportivo; mar e turismo náutico; saúde e bem-estar; património cultural; gastronomia e Vinho; estilo de vida e novas tendências; e sustentabilidade.

De acordo com a Deloitte Business Consulting, o arquipélago da Madeira apresenta oportunidades no desenvolvimento e fortalecimento do turismo em cada um dos seis pilares.

Foram também definidas seis orientações para a estratégia 2022-2027: reforçar a gestão do destino, melhorando o conhecimento e monitorizando a performance do setor; apostar na diversidade, diferenciação e estruturação da oferta turística; investir no aumento da notoriedade do destino; atrair, qualificar e valorizar os recursos humanos; fomentar o investimento e assegurar a sustentabilidade do destino em termos ambientais, económicos e sociais.

A Estratégia para o Turismo da Região Autónoma da Madeira para 2022-2027 estará disponível para consulta em breve no portal da Secretaria Regional de Turismo e Cultura.

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Emprego e Formação

Faltam preencher 85.000 empregos no setor das viagens e turismo em Portugal em 2021, revela WTTC

O WTTC admite que, uma em cada seis vagas, não serão preenchidas no setor das viagens e turismo, em Portugal, neste ano de 2021.

Victor Jorge

Uma nova análise do World Travel & Tourism Council (WTTC) revela uma significativa escassez de mão-de-obra em Portugal, com 85.000 empregos em falta no setor das viagens e turismo e a necessitarem de serem preenchidos até ao final deste ano.

Os novos números “preocupantes” do WTTC, que representa o setor privado global das viagens e turismo, mostram pela, primeira vez, o impacto “significativo” que a falta de pessoal pode ter na recuperação económica geral de Portugal.

Os dados compilados pela Oxford Economics para o WTTC analisaram a falta de pessoal em Portugal e em outros mercados importantes nas áreas das viagens e turismo, incluindo os EUA, Espanha, Reino Unido, Itália e França, com foco no período entre julho-dezembro de 2021 e 2022.

“Todos os países apresentaram escassez significativa de pessoal, com a procura de emprego a começar a superar a oferta de mão de obra disponível”, refere o WTTC em nota de imprensa.

À medida que as taxas de desemprego diminuem e a procura aumenta, as empresas de viagens e turismo têm lutado para preencher as vagas de emprego disponíveis, com o relatório do WTTC a revelar que o setor, em Portugal, “até um em cada seis empregos no país permanecerá por preencher devido à escassez de mão de obra”.

Julia Simpson, presidente e CEO do WTTC, salienta que “a recuperação económica de Portugal pode ser prejudicada se não tivermos pessoas suficientes para preencher esses empregos com o regresso dos viajantes”, admitindo mesmo que, o não preenchimento destas vagas, poderá “ameaçar a sobrevivência dos negócios” no setor das viagens e turismo em todo o país.

“As empresas que dependem do turismo têm estado a aguentar”, diz Julia Simpson, salientando que “este é apenas mais um golpe ao qual muitos podem não sobreviver”.

O órgão global de turismo também alerta para as recentes reposições das restrições de viagens que diz serem “prejudiciais”, frisando que estas medidas “não impedem a propagação do vírus”. Aliás, o WTTC admite que estas restrições “apenas atrapalham a recuperação do setor e aumentam o problema já significativo com a escassez de mão de obra”.

Salientando a política de emprego implementado pelo Governo português, o WTTC diz que os apoios  financeiros “salvaram empresas e empregos em todo o país”.

No entanto, apesar deste apoio tão necessário, “92.000 pessoas que trabalham diretamente no setor das viagens e turismo em Portugal perderam o seu emprego no ano passado”, destaca o  WTTC.

O “Relatório de Escassez de Pessoal” do WTTC mostra que, à medida que a procura por viagens começou a se crescer durante o segundo semestre de 2021, especialmente durante os meses de verão devido à flexibilização das restrições, “aumentou a pressão sobre o setor após meses de limitação à atividade e a oferta de trabalho foram incapazes de corresponder à crescente procura de trabalho”.

Daí o WTTC chegar à conclusão que, com este aumento na procura, a escassez de mão de obra deve chegar a 85.000 pessoas, o que equivale a uma em cada seis vagas não preenchidas”.

No próximo ano, espera-se que o mercado de trabalho permaneça “apertado” com uma nova previsão de escassez média de 53.000 trabalhadores, causando mais danos ao setor em crise.

O relatório do WTTC descreve soluções para governos e empresas enfrentarem a crise iminente de escassez de mão de obra, reconhecendo o impacto da políticas de apoio.

Isso inclui a “facilitação da mobilidade laboral e do trabalho remoto, fornecimento de redes de segurança social, qualificação e requalificação da força de trabalho e retenção de talentos e criação e promoção de educação e aprendizagem”, admite o WTTC.

O relatório do organismo de turismo global revelou o impacto “devastador” que a COVID-19 teve no setor de viagens e turismo, com 62 milhões de empregos perdidos em todo o mundo.

O WTTC diz que a falta de pessoal representa um “grande problema” para o setor global de viagens e turismo e, embora as questões de oferta e procura devam ajustar-se gradualmente durante 2022, o problema, provavelmente, “permanecerá e precisa ser resolvido com urgência”.

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Turistas russos fazem escala na Hungria e Grécia para chegar a Portugal

A metasearch Aviasales e um dos maiores motores de busca de voos na Rússia, revela que as reservas da Hungria para Portugal aumentaram 800% face a 2020.

Victor Jorge

Uma análise realizada pela Aviasales revela que os turistas russos estão a utilizar a Hungria e a Grécia para realizar as suas escalas para viajar para Portugal e, assim, evitar restrições relacionadas com a vacinação.

O metasearch de viagens russo, responsável por gerar 20% das vendas de bilhetes na Rússia, refere que o turismo outbound do país de Vladimir Putin para esta época de fim de ano (de finais de dezembro a meados de janeiro) não sofreu impactos por causa da variante Ómicron.

A análise mostra que os russos têm usado a Hungria e a Grécia não só como porta de acesso a Portugal como, também, aos principais destinos mediterrânicos (Espanha, França e Itália), tudo países que não reconhecem a vacina russa Sputnik e, portanto, não permitem a grande maioria dos russos voarem diretamente para estes países.

Os dados da Aviasales mostram que as reservas da Hungria para Portugal aumentaram 800%, sendo que o crescimento para Espanha é ainda maior (1.800%), enquanto para França está nos 1.000%.

Desde que os voos da Rússia para a Grécia e Hungria abriram neste verão para russos vacinados, o número de reservas para a Hungria aumentou mais de 180% e a Grécia 65%.

O mesmo passa-se com as reservas da Grécia para Portugal, Espanha, França e Itália, que, segundo a Aviasales têm aumentado a três dígitos.

De resto, alguns fóruns online (no idioma russo) mostram como os viajantes russos estão a partilhar informações sobre como aceder a estes países mediterrânicos, utilizando para tal sites como https://forum.awd.ru/viewtopic.php?f=548&t=390685, refere a empresa russa.

Mas também a Turquia tem registado fortes aumentos nas reservas de turistas russos. Comparado com o mesmo período de 2020, as reservas da Rússia para a Turquia aumentaram 130% e, face a 2019, cresceram mesmo 78%. Já as reservas para os Emirados Árabes Unidos (EAU) subiram 270% face a 2020 e 19% relativamente a 2019.

Analisado numa base semana a semana, “as reservas aumentaram nas semanas até o Ano Novo (como normalmente acontece a cada ano) e não há nenhum sinal de aumento nos cancelamentos”, refere a Aviasales em nota de imprensa, avançando que “o único sinal de queda nas reservas e/ou cancelamentos vem, compreensivelmente, da rota Rússia-África do Sul”.

Um porta-voz da Aviasales refere que “a corrida para o período de Ano Novo – quando toda a Rússia fecha desde os últimos dias de dezembro até cerca de 10 de janeiro – tradicionalmente vê as reservas a crescerem fortemente até o último minuto: o inverno em cidades como Moscovo e São Petersburgo é muito frio e as pessoas usam essas datas para ir para destinos de sol e praia, principalmente em lugares como a Turquia e Dubai”.

Embora as vendas internacionais globais permaneçam abaixo dos níveis de 2019, o surgimento da Ómicron não parece ter impactado as reservas recentes, admite a mesma porta-voz, confirmando ainda que durante o bloqueio mais recente na Rússia (em outubro), “vimos um pico nas reservas de russos que queriam usar o bloqueio como uma chance de tirar férias em lugares como Turquia e Dubai.

A importância do turismo russo é, de resto, destacado pela Aviasales, salientando que, “ao contrário do que muitos pensam, a Rússia tem uma classe média bastante significativa com rendimento disponível e um grande desejo de viajar para o exterior”, indicando os dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) que mostra que a Rússia é o “8º maior mercado de turismo emissor do mundo, gastando mais de 31 mi milhões de dólares (cerca de 27 mil milhões de euros) por ano”.

O porta-voz da empresa russa destaca mesmo o facto de os russos se sentirem “muito relutantes” em perder um “direito e prazer conquistados nos últimos 15 anos”, e que, “nem a COVID irá ‘atrapalhar’ essa vontade” de viajar, como mostra os dados sobre os números incrivelmente altos de escalas na Hungria e na Grécia “simplesmente para aceder a países como França, Espanha, Portugal e Itália”.

E a fonte da Aviasales deixa um “recado”: “Este deve ser um alerta para os destinos sobre o quão leais e determinados os viajantes russos são e porque os destinos deveriam criar mais produtos para o mercado russo”.

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Brasil regressa à promoção internacional para passar mensagem de “destino seguro”

Com 72% da população adulta vacinada contra a COVID-19 e as fronteiras abertas desde setembro, o Brasil já retomou a promoção turística internacional e Portugal é um dos mercados prioritários. Ao Publituris, Carlos Brito, presidente da Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, revela a estratégia e as expetativas do destino.

Inês de Matos

Com 72% da população adulta vacinada contra a COVID-19 e as fronteiras abertas desde setembro, o Brasil já retomou a promoção turística internacional e Portugal é um dos mercados prioritários. Ao Publituris, Carlos Brito, presidente da Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, revela a estratégia e as expetativas do destino.

No Brasil como em Portugal, o setor do turismo foi um dos mais afetados pela pandemia da COVID-19. De um dia para o outro, também do lado de lá do Atlântico os turistas desapareceram, os hotéis fecharam e os aviões ficaram no chão. Ao Publturis, Carlos Brito, presidente da Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo admite que “a pandemia da COVID-19 impactou fortemente o Brasil, assim como todos os países do mundo”, o que levou a que o governo brasileiro tivesse adotado “várias medidas de proteção ao setor do turismo, um dos mais afeta dos pela crise de saúde global”.
Entre as principais medidas adotadas, Carlos Brito destaca as “medidas provisórios para manutenção dos postos de trabalho, para aumento da segurança nas relações de consumo no turismo, além de disponibilização de crédito para o setor”, que ditaram “uma recuperação importante da atividade turística do Brasil”. “Mais de um terço das operadoras de turismo alcançaram faturação próxima da média histórica, que é de 75% ou mais. E, na comparação com agosto deste ano, 80% das operadoras mantiveram faturação igual ou maior no mês de setembro, demonstrando um processo de consolidação sustentado”, revela Carlos Brito, que cita dados da Braztoa – Associação Brasileira das Operadoras de Turismo.
Com o início da recuperação, a Embratur optou, numa primeira fase, por retomar a promoção doméstica e incentivar os nacionais a retomarem as suas viagens turísticas no Brasil, até porque a maioria dos países continuava com as fronteiras encerradas. “A Embratur atuou na promoção interna dos destinos turísticos, executando campanhas publicitárias, press trips e feiras, com foco na retoma das viagens com segurança”, explica o responsável, revelando que o regresso à promoção internacional só aconteceu este verão, concretamente a partir de julho de 2021, com o objetivo de mostrar que “o Brasil está pronto para receber todos os que se queiram encantar” com a natureza, cultura e hospitalidade brasileira.
No regresso daquela que é uma das principais missões da Embratur, Portugal não poderia ficar de fora, uma vez que, como refere o responsável, “além dos portugueses estarem conectados ao Brasil por meio de laços sanguíneos”, mas também da cultura e da história, há vários outros fatores que facilitam as viagens dos portugueses ao Brasil, a exemplo do elevado número de voos entre os dois países – e Carlos Brito destaca que, só em outubro, as companhias aéreas TAP, Latam e Azul retomaram 562 voos que ligam Lisboa a várias cidades brasileiras – mas também da isenção de visto para turismo, negócios, estudantes e artistas, em deslocações inferiores a 90 dias.

Destino seguro
Com o regresso da promoção internacional, Portugal entra novamente nos planos da Embratur, que conta voltar a participar em “roadshows com o trade turístico português”, mas também lançar campanhas de Relações Públicas e promover um relacionamento mais próximo com a imprensa nacional. “Para o ano de 2022, além de manter o planeamento atual, a Embratur investirá em campanhas publicitárias e participação em feiras para reforçar que os destinos nacionais estão prontos para receber novamente os nossos irmãos portugueses”, acrescenta Carlos Brito.
Para o Brasil, Portugal continua a ser um mercado fundamental, não apenas pelos laços que os dois países partilham, mas também pela apetência que os portugueses sempre demonstraram por este destino turístico, o que ditou que, em 2019, Portugal tivesse sido o 11.º mercado internacional emissor de turistas para o Brasil, com 176.229 turistas. Carlos Brito explica que, apesar de ter existido uma diminuição do fluxo de turistas portugueses que visitaram o Brasil nos últimos cinco anos, em 2018 e 2019, os números voltaram a subir, refletindo um “aumento de 21% nesse fluxo, o que demonstra sinais de recuperação”.
Tal como nos restantes mercados internacionais, também em Portugal a Embratur pretende passar a mensagem de que o Brasil é “um destino seguro”, com Carlos Brito a defender que o Governo Federal do Brasil “não mediu esforços para a realização do necessário para proteção da população, tanto em relação à Saúde quanto à Economia” e a desvalorizar as críticas à forma como o Presidente Jair Bolsonaro conduziu a estratégia do país durante a pandemia. “A Embratur detém a missão de veicular a verdade sobre o Brasil, que é um destino seguro, com mais de 72% da população adulta vacinada, e que adotou rapidamente protocolos de prevenção para proteger a todos e criar um ambiente perfeito para receber o turista brasileiro e o estrangeiro”, remata Carlos Brito. Certo é que, desde a reabertura das fronteiras entre Portugal e o Brasil, que aconteceu no início de setembro, cerca de 60 mil turistas portugueses voltaram já a visitar o país, segundo dados da IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, com o presidente da Embratur a indicar que destinos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador foram, desde a reabertura de fronteiras, os mais procurados pelos turistas lusos.

Recuperação em 2023
Além de Portugal, a Embratur está também a retomar a promoção em vários mercados europeus, até porque, em 2019, o último ano turístico antes da chegada da pandemia, 24% dos turistas internacionais que o Brasil recebeu eram provenientes da Europa. “Em 2019, ano anterior ao início da pandemia, o Brasil recebeu 6.353.141 turistas internacionais. Desse total, 57% foram oriundos de países da América do Sul e 24% de países da Europa.

Os 10 principais emissores foram, nesta ordem: Argentina, Estados Unidos, Paraguai, Chile, Uruguai, França, Alemanha, Itália, Portugal e Reino Unido”, revela Carlos Brito, explicando que a Argentina, pela proximidade, é de longe o principal mercado emissor de turistas para o Brasil, com mais de 1,9 milhões de turistas, seguindo-se os EUA, com 590 mil turistas.
E, tal como em Portugal, também nos restantes mercados internacionais a Embratur tem vindo a apostar em ações de “Relações Públicas com os principais veículos de comunicação dos países prioritários”, numa estratégia que passa ainda pelo lançamento de “campanhas publicitárias e de marketing digital, aliadas à participação nos mais importantes eventos e feiras de turismo do mundo”, num calendário de ações que está a ser planeado e executado “com o objetivo de impulsionar a imagem do Brasil e atrair mais visitantes internacionais”.
A expetativa da Embratur para 2022 é, no entanto, “moderada”, uma vez que, como diz o responsável, que cita dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), “o turismo internacional teve sinais de recuperação em junho e julho de 2021, devido à implementação da vacinação global e à flexibilização de restrições de viagens”, mas ainda com resultados longe dos níveis pré-pandemia, num cenário a que também o Brasil não deverá escapar, segundo as perspetivas da própria Embratur. “Por conta do rápido avanço da vacinação, do reaquecimento do turismo doméstico, da abertura das fronteiras e da retoma gradual dos voos internacionais, estima-se que o turismo internacional comece a apresentar sinais de recuperação na próxima temporada de verão, ainda que os níveis de chegadas de estrangeiros de 2019 devam ocorrer apenas em 2023”, explica o presidente da Embratur.
Para entrar no Brasil, qualquer estrangeiro deve cumprir também alguns procedimentos concretos, de acordo com a Portaria nº 658, de 5 de outubro de 2021, nomeadamente a apresentação de um teste negativo para a COVID-19, que pode ser antígeno e realizado até 24 horas antes do embarque para o Brasil, ou PCR com 72 horas de antecedência. Além disso, é ainda necessário preencher a Declaração de Saúde do Viajante (DSV) até 24 horas antes do embarque e apresentar o seu comprovativo, seja por via impressa ou digital, à companhia aérea antes do embarque. O certificado de vacinação também passou recentemente a ser exigido.

Ligações aéreas já superam números pré-pandemia
Fundamental para levar turistas internacionais até ao Brasil é o transporte aéreo, que foi fortemente afetado durante a pandemia mas que, segundo Carlos Brito, já está a recuperar. “Em outubro deste ano, as companhias aéreas TAP, Latam e Azul retomaram 562 voos que interligaram Lisboa às cidades brasileiras de São Paulo, Campinas e Belo Horizonte, ofertando 157.210 assentos”, revela o responsável, considerando que a abundância de voos entre os dois países é um dos fatores que contribuem para o elevado número de turistas portugueses que o Brasil recebe.
De acordo com o presidente da Embratur, as ligações aéreas têm vindo a ser recuperadas, de tal forma que, em outubro, já houve “mais voos semanais entre Brasil e Portugal do que em 2019”. “Foram registados 86 voos semanais em 2019 e 127 voos em outubro de 2021, o que já demonstra uma superação referente ao início da pandemia de COVID-19”, acrescenta o responsável.

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Viagens de final de ano resistem às medidas anti-COVID, diz APAVT

Apesar dos dados indicarem que as viagens para o final do ano não estão a sofrer grandes cancelamentos, o presidente da APAVT foi crítico relativamente a algumas medidas do Governo.

Publituris

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) afirmou que as viagens para o final de ano se mantêm, em operações de êxito, ao contrário do Natal, cujos cancelamentos aconteceram após o anúncio das novas medidas.

Em declarações à Lusa, o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, disse que as viagens turísticas para o estrangeiro nestes últimos dias do ano, por exemplo, para Cabo Verde, Disneyland Paris, Maldivas e Dubai, “são um êxito”, assim como em Portugal para a Madeira ou os Açores.

“A operação é, naturalmente, inferior a 2019, mas é superior a 2020, está consolidada e não foi abalada por estes últimos acontecimentos” de mais contenção devido à pandemia de COVID-19, acrescentou.

O presidente da APAVT divide, contudo, a operação turística “em três grandes partes”.

“Uma (delas) que já estava um caos, já estava sacrificada, que tinha sido destruída, é a entrada de estrangeiros em Portugal. A partir do momento em que o Governo abala uma das bandeiras da sua Presidência Europeia, que é o Certificado Digital de Vacinação, e obriga à realização de testes (de testagem à COVID-19), há um cancelamento generalizado dos mercados internacionais para Portugal”, começou por explicar o responsável.

No que diz respeito à segunda área, Pedro Costa Ferreira salienta o turismo interno que “estava a resistir” e que “acabou por ser arrasada pelo discurso” do primeiro-ministro, António Costa, depois do Conselho de Ministros extraordinário na terça-feira (21 de dezembro) para aprovar a atualização das novas medidas de prevenção e combate à pandemia, dado o crescimento da variante Ómicron.

“Os cancelamentos foram imediatos assim que o primeiro-ministro terminou o anúncio das medidas. Falei com os agentes de viagens, com os hoteleiros, os restaurantes, e os cancelamentos iniciaram-se logo nesse dia à noite. Portanto, um subsetor, que estava a resistir em termos de Natal e de fim de ano, que era o turismo interno, tenho muitas dúvidas que consiga aguentar”, lamenta Pedro Costa Ferreira.

O presidente da APAVT critica que se tenha legislado, “sabendo que a sociedade civil não consegue responder”, nomeadamente dada a falta de capacidade de testagem.

“É muito bonito dizer que os testes gratuitos passam de quatro para seis quando não se pode fazer nenhum porque não há agenda, não se tem tempo ou dinheiro”, exemplificou.

Recorde-se que só na quinta-feira (23 de dezembro), o Governo informou que os autotestes podem ser realizados para aceder a atividades ou estabelecimentos para os quais passa a ser exigido um teste COVID-19 negativo, desde que feitos no local mediante supervisão, até 2 de janeiro.

Por fim, e em terceiro lugar, Pedro Costa Ferreira enumera, uma área que tem a ver com os turistas portugueses para o estrangeiro e que se “mantém resistente”.

“Os cancelamentos, continuam a ser materialmente irrelevantes e a operação comercial é definitivamente um êxito”, dando como exemplo os destinos mencionados.

“O que é que nos faz pensar? Um país que é modelo, entre aspas, no ataque à COVID, e – depois de turistas internacionais que têm medo de cá entrar -, termos turistas nacionais que cancelam as viagens no seu próprio país e turistas nacionais que continuam confortáveis a ir para o estrangeiro, para diferentes países, de diferentes estágios de desenvolvimento, só há uma única razão: é que nesses países não se alteraram as restrições às viagens dia após dia. Elas estão clarificadas, estão solidificadas, não se alteram no curto prazo, e isso faz toda a diferença”, reforçou.

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Turkish Airlines prevê chegar aos 10 voos semanais no Porto no verão

Depois da paragem dos voos para o Porto motivada pela pandemia, a companhia aérea turca já está em franca recuperação e conta voltar a aumentar o número de ligações aéreas na Invicta já no próximo verão, que devem chegar aos 10 voos por semana.

Inês de Matos

Depois da paragem dos voos para o Porto motivada pela pandemia, a companhia aérea turca já está em franca recuperação e conta voltar a aumentar o número de ligações aéreas na Invicta já no próximo verão, que devem chegar aos 10 voos por semana.

Com a COVID-19, os voos da Turkish Airlines entre o Porto e Istambul estiveram suspensos cerca de um ano e só foram retomados a 29 de março de 2021. Numa fase inicial, a operação regressou com quatro voos por semana e com uma procura mais fraca, pois os passageiros estavam “ainda reticentes em viajar”, diz ao Publituris Nuno Sousa Figueiredo, Regional Marketing Representative da Turkish Airlines, à margem de uma viagem de familiarização a Istambul, promovida em parceria com o operador turístico Viagens Tempo, explicando que, além da COVID-19, notava-se também preocupação porque ainda “havia muitos países com fronteiras encerradas e porque existiam também muitos procedimentos novos”.
Mas, aos poucos, a confiança regressou, muito por culpa da vacinação, que permitiu um maior sentimento de segurança e veio simplificar os procedimentos de viagem. “A vacinação foi, sem dúvida, um fator que contribuiu para o aumento da confiança dos passageiros”, garante Nuno Sousa Figueiredo, considerando que, em Portugal, “o sucesso da vacinação fez diferença e isso fez com que as pessoas sentissem uma certa segurança para viajar”. “O facto, também, de terem a vacinação completa fez com que fosse mais fácil viajar porque a maior parte dos países aceitam as nossas vacinas”, acrescenta.
No entanto, não era apenas a situação em Portugal que preocupava os passageiros da Turkish Airline, já que, admite o responsável, também “existia preocupação e receio por parte dos portugueses em relação à Turquia”. Contudo, Nuno Sousa Figueiredo diz que “a Turquia também lidou muito bem com a situação” e adotou de imediato várias medidas para conter a transmissão do vírus, incluindo no aeroporto de Istambul e a bordo dos voos da Turkish Airlines.
E foi também para mostrar a segurança do destino que a Turkish Airlines se associou às Viagens Tempo para levar um grupo de sete agentes de viagens a Istambul, numa viagem de familiarização que, além de dar conhecer o destino, pretendeu também mostrar a situação epidemiológica na Turquia, assim como todas as regras que os passageiros da Turkish Airlines e turistas têm de cumprir na chegada ao destino.
Certo é que as regras adotadas também na Turquia acabaram por tranquilizar os passageiros, não sendo, por isso, de estranhar que a procura pelos voos da companhia aérea turca tenha voltado a disparar à beira do verão. “Começou a haver mais confiança dos passageiros e do mercado e, a partir de junho, começámos a ver a nossa taxa de ocupação a aumentar e aumentámos a nossas frequências para cinco”, explica o responsável da Turkish Airlines para a região Norte, que faz um balanço positivo do período estival. “Tivemos cinco voos por semana durante o verão para Istambul e os meses de julho e agosto foram, na verdade, muito bons”, indica.
A elevada procura levou a Turkish Airlines a alterar também os planos para este inverno, uma vez que, ao contrário do que estava inicialmente previsto, a companhia aérea está a realizar cinco ligações por semana entre o Porto e Istambul, mais uma do que tinha inicialmente preparado, uma vez que a taxa de ocupação dos voos para este inverno chegava aos 85%. “Inicialmente tínhamos planeado fazer quatro voos por semana, mas as reservas começaram a subir e começámos a ver que, mesmo para o inverno, a taxa de ocupação da rota do Porto estava muito elevada e, por isso, decidimos colocar mais um voo no inverno”, explica Nuno Sousa Figueiredo, revelando que a operação da Turkish Airlines no Porto vai contar com cinco voos por semana até 26 de março de 2022, com voos às segundas, terças, quintas, sextas e sábados.

2022
Para a Turkish Airlines, 2022 será um ano de recuperação e 2023 deverá já ser o ano que marca o retorno da companhia aérea aos números pré-pandemia. Nuno Sousa Figueiredo mostra-se confiante quanto ao futuro e diz que, a manter-se o ritmo de reservas, a Turkish Airlines já se deverá, no próximo ano, “aproximar dos números de 2019”. “Se o crescimento ao nível de reservas continuar à velocidade que temos neste momento, rapidamente vamos chegar aos números de 2019”, admite, referindo que a única dúvida é, por enquanto, o número de voos que a Turkish Airlines vai disponibilizar no próximo verão. Nuno Sousa Figueiredo diz que, por enquanto, ainda não sabe o número de voos para o verão de 2022, nomeadamente a partir de abril, mas adianta que a operação será “com certeza diária”, ainda que admita que, se a taxa de reservas continuar a subir, seja possível chegar aos 10 voos por semana. “Estou bastante otimista para 2022 e para o futuro”, acrescenta.
Apesar do otimismo, o responsável da Turkish Airlines no Norte do país admite que, em consequência da pandemia, se tornou cada vez mais difícil prever as taxas de ocupação dos voos, uma vez que as reservas passaram a ser “feitas com uma ou duas semanas de antecedência”. “Antigamente conseguíamos prever a taxa de ocupação com quatro ou cinco meses de antecedência, mas durante a pandemia passou a ser muito difícil conseguirmos fazê-lo. Não é que as reservas sejam last minute, mas são feitas com uma ou duas semanas de antecedência”, lamenta.
Consequência da pandemia foi também a redução do tráfego corporate que, apesar de já estar a recuperar, continua ainda muito abaixo do que seria normal. “O mercado corporate começa a mexer, mas só começámos a ver alguma evolução a partir de outubro. Mesmo assim, ainda está muito em baixo”, confessa, revelando que, no caso da Turkish Airlines, isso também se deve ao facto de muitos países asiáticos continuarem a manter as fronteiras encerradas para estrangeiros e a adotarem procedimentos restritos de viagem, já que muitos dos passageiros corporate da companhia aérea turca “viajavam muito para essa área geográfica, via Istambul”. “Portanto, existe corporate, mas o lazer é o tipo de passageiro que nós mais temos”, acrescenta.

Aeroporto de Istambul
A viagem de familiarização a Istambul incluiu também uma visita ao novo aeroporto de Istambul Arnavutköy, que foi inaugurado em outubro de 2018, tornando-se num dos maiores do mundo. Para a Turkish Airlines, que se mudou para o novo aeroporto em abril de 2019, a nova infraestrutura aeroportuária veio trazer uma “lufada de ar fresco”, como diz Nuno Sousa Figueiredo, uma vez que o Aeroporto de Atatürk, que funcionou até à abertura da nova infraestrutura, “estava ultrapassado, esgotado, estava a arrebentar pelas costuras”. “Era um aeroporto desatualizado e que não tinha mais por onde crescer. Por isso, foi tomada a decisão de construir este novo aeroporto, que é muito moderno e que está ainda na primeira fase”, explicou o responsável, revelando que atualmente o aeroporto de Istambul tem três pistas em funcionamento, mas que, quando entrar na terceira e última fase, o que deverá acontecer em 2030, vai passar a contar com um total de nove pistas.
Além das vantagens em termos operacionais, o novo aeroporto permite também oferecer um “maior conforto” aos passageiros, uma vez que, destaca Nuno Susa Figueiredo, “em todo o aeroporto há diversas áreas para descansar e para relaxar”, a exemplo do lounge Miles&Smiles da Turkish Airlines, que o Publituris visitou. O lounge executivo está, por enquanto, encerrado devido às limitações introduzidas por causa da COVID-19.
Para a companhia, que tem o seu hub em Istambul, o aeroporto de Istambul Arnavutköy tem ainda a vantagem de permitir serviços que a Turkish Airlines não conseguia disponibilizar no anterior aeroporto por falta de espaço, a exemplo dos balcões de check-in dedicados a pessoas com mobilidade reduzida, a passageiros que viajam com animais de companhia ou para quem tem viagens com destino aos EUA ou Canadá. “Este aeroporto também nos permitiu ter outro tipo de atendimento e ter balcões de check-in e atendimento dedicados, que não tínhamos no antigo porque não havia espaço. Houve o cuidado de criar vários espaços dedicados ao destino final, a passageiros com necessidades especiais e espaços pet-friendly para quem viaja com companheiros de quatro patas”, sublinha, considerando que, apesar do “grande investimento que representou para a Turquia”, este era um aeroporto necessário.
O aeroporto de Istambul Arnavutköy motivou um investimento de mais de 12 mil milhões de dólares, ocupa uma área total de oito mil hectares e tem capacidade para receber 90 milhões de passageiros. No futuro, quando estiver na terceira e última fase, deverá receber 200 milhões de passageiros por ano.
Para viajar para a Turquia, é necessário certificado de vacinação ou teste negativo e preencher um formulário online, disponível em https://register.health.gov.tr.

*A jornalista viajou a convite da Turkish Airlines e das Viagens Tempo.

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Ryanair crítica decisão de Bruxelas e pede libertação de ‘slots’ antes do verão

A reação era esperada e surge um dia após a aprovação da ajuda à TAP por parte da Comissão Europeia. A Ryanair pede, agora, que os ‘slots’ sejam libertados antes do verão de 2022, de modo a “não dificultar a operação da concorrência e a escolha de companhias aéreas low-cost”.

Victor Jorge

Um dia depois da Comissão Europeia (CE) ter dado a conhecer a decisão favorável ao auxílio dado pelo Governo português à TAP, a Ryanair vem criticar essa mesma decisão anunciada na terça-feira, dia 21 de dezembro, pela Comissária Europeia Margrethe Vestager.

Em comunicado, a companhia liderada por Michael O’Leary, refere que os mais de 2,6 mil milhões de euros em auxílios estatais à TAP “equivalem a 260 euros por cada homem, mulher e criança em Portugal, para uma companhia aérea que transporta apenas 14 milhões de passageiros por ano”.

De resto, as críticas à ajuda dada pelo Estado português à TAP têm sido frequente nas visitas de Michael O’Leary a Lisboa, tendo a Ryanair apelado à Comissária Vestager que “assegurasse que qualquer auxílio estatal à TAP fosse acompanhado por medidas de concorrência realistas que reduzissem o domínio dos ‘slots’ da TAP no Aeroporto de Lisboa”. Michael O’Leary tinha inclusivamente pedido a “libertação” de 250 ‘slots’ (semana) por parte da TAP numa das últimas conferências de imprensa realizadas em Lisboa, salientando agora que, “com plano de redução da frota da TAP em 30%”, a companhia low-cost frisa que “a companhia aérea portuguesa não poderá utilizar todos os ‘slots’ no Aeroporto de Lisboa no Verão de 2022”, solicitando, assim, que os ‘slots’ em Lisboa sejam “libertados até ao verão de 2022 e não adie a decisão até ao inverno”.

Na opinião da Ryanair, a decisão da Comissária Vestager, exigindo que a TAP “apenas” entregue 18 ‘slots’ por dia (menos de 5% do total de ‘slots’ em Lisboa), a partir de novembro de 2022, “permite à TAP continuar a bloquear os mesmos na capital portuguesa e continuar a dificultar a operação da concorrência e a escolha de companhias aéreas low-cost como a Ryanair”.

Por esta razão, a Ryanair questiona a Comissária Vestager “sobre quais os motivos pelos quais a levaram a concluir que o desinvestimento de menos de 5% dos ‘slots’ da TAP em Lisboa – e só a partir de novembro de 2022 – é uma solução adequada à luz da enorme distorção da concorrência que seguirá em Lisboa com 2,6 mil milhões de euros disponibilizados à TAP para efetuar vendas abaixo do custo”.

Se para Michael O’Leary “não há justificação económica para conceder a uma companhia aérea como a TAP mais de 2,6 mil milhões de euros em auxílios estatais, protegendo-a da concorrência no Aeroporto da Portela, em Lisboa”, o CEO da Ryanair avança, no comunicado, que a Comissária Margrethe Vestager “errou, claramente, ao não exigir à TAP a entrega de pelo menos 30% dos seus ‘slots’ diários em Lisboa, equivalente à redução de 30% da sua frota”.

Além de considerar que o adiamento da entrega dos ‘slots’, desde o verão até ao inverno de 2022, “prejudicar ainda mais a concorrência e as escolhas dos consumidores em Lisboa e atrasar a recuperação do Aeroporto da Portela, no decorrer da pandemia”, o apelo feito a Vestager vai no sentido de “parar de conceder auxílios estatais a transportadoras aéreas nacionais sem futuro, e que comece a promover a concorrência e o interesse dos consumidores, acelerando os desinvestimentos significativos de ‘slots’ o mais cedo possível, mesmo quando transportadoras aéreas nacionais recebem milhares de milhões de euros em auxílios estatais desperdiçados”.

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