Incoming pode estar a perder negócio por causa de congressos de grande dimensão

Por a 11 de Dezembro de 2016 as 11:49
Sessão: MI em Portugal - Fatores de Competitividade

João Silva, administrador da Team Quatro, afirmou que as DMC’s portuguesas deparam-se “com grandes dificuldades de reserva para o seu nosso negócio” motivadas pela existência de grandes congressos em Portugal. O responsável, que falava no painel “MI em Portugal, Factores de Competitividade”, no Congresso Nacional da APAVT, defendeu a existência de uma discussão sobre as vantagens de trazer para Portugal congressos de grande dimensão.

Tenho alguma dificuldade em perceber esta euforia à volta destes grandes eventos e congressos. Normalmente estes grandes eventos duram quatro dias, uma parte do dinheiro não fica cá. Estamos a deparamo-nos com grandes dificuldades de reservas para o nosso negócio normal motivadas pela existência destes congressos. Temos eventos de grande dimensão, isto é, eventos com uma duração de três meses, não podem vir para Portugal porque há um congresso pelo meio. Estamos a falar de eventos de 20, 25 milhões de euros”.

O responsável afirmou ser contra os apoios para trazer a Portugal eventos, porque “o mercado deve funcionar por aquilo que produz, os clientes devem vir a Portugal pela qualidade da oferta, do produto e dos serviços”. “Sou avesso a este tipo de apoios e depois não está a haver uma discussão sobre se isso é verdadeiramente do interesse do sector. É importante saber o negócio que não entra por causa disso. Sabemos que há muitos incentivos que não se realizam”.

Por outro lado, João Silva questionou um dos princípios defendidos pela Secretaria de Estado do Turismo para a captação de Congressos, que é o de trazer eventos fora da época alta. “É perigoso dizer que estamos a captar negócio para as épocas em que não há negócio. Quem é que definiu as épocas? Não estou de acordo com a definição que se está a fazer agora de quando é que é a época de negócio”, defendeu.

O IVA aplicado aos eventos em Portugal foi também um dos temas abordados por João Silva. “A questão do IVA está a ser mal comunicada, nisso faço um mea culpa ao sector. Não estamos a pretender devolver nada a ninguém, estamos a pretender que haja mais clientes e mais negócio para Portugal fruto da neutralização da carga fiscal.” As explicação oficiais da Secretaria de Estado do Turismo de que isto é uma ilegalidade não convencem João Silva, porque, alega, Portugal faz isso noutros sectores. Para João Silva, negócio neste momento está bem, mas se o ambiente mudar, o país que “for mais facilitador” é o que vai receber mais eventos. O responsável defendeu que se deve aproveitar esta onda para tornar o país mais competitivo.

O painel “MI em Portugal, Factores de Competitividade” contou também com as presenças de Brad Williams (Platinum DMC Collection), Joaquim Pires (Turismo de Portugal ), Rosário Morais (Vega – Agência de Viagens) e a moderação de Eduarda Neves (Portugal Travel Team).

O 42º congresso da APAVT decorreu de 8 a 11 de Dezembro, em Aveiro.

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