Um museu para o turismo

Por a 1 de Outubro de 2015 as 12:14

Jorge MangorrinhaA institucionalização de um futuro Museu do Turismo em Portugal foi uma ideia defendida nas Comemorações do Centenário do Turismo em Portugal (1911-2011), a cuja Comissão Nacional presidi. A ideia trazia consigo um conceito: o de um museu polinucleado, no qual a história do País se revelaria sob a perspectiva do turismo e através do aproveitamento de estruturas existentes, pensadas em conjunto e potenciando os investimentos já realizados e os seus conteúdos. Essa rede deve ter uma âncora, como o Pavilhão de Portugal, em Lisboa, actualmente desaproveitado, que podia albergar o epicentro da História da Viagem e do Turismo em Portugal (Registo n.º 380/2012 do Registo de Direito de Autor na Divisão de Licenciamento e Propriedade Industrial).

As estruturas integradas nesta rede devem desenvolver estratégias activas e complementares de comunicação, reciprocidade e parceria, tendo em vista um objectivo comum, ou seja, contar a história da actividade turística em Portugal e nas regiões em particular. Lugares de investimento social, simbólico e cultural das sociedades, os núcleos deste Museu do Turismo devem igualmente assumir-se como pólos agregadores de complementaridade, tanto das iniciativas de descoberta como das propostas portadoras de particular singularidade e de uma efectiva representatividade histórica, cultural, identitária.

As memórias do turismo e do lazer devem ser parte integrante da musealização do turismo português. Este pode incorporar estruturas físicas de valorização patrimonial, em diferentes destinos turísticos, com uma narrativa própria e complementar da história global. Uma rede topológica nacional, polinucleada em espaços distintos que partilhem uma missão e uma identidade, deve ser centralizada pela refuncionalização de um edifício marcante. Se este está definido como proposta, porém, os núcleos distribuídos pelo País dependem de um pensamento estruturado e das dinâmicas locais e regionais, a realizar por uma equipa.

A história deve fazer parte de uma estratégia de futuro. Num mercado concorrencial, temos de ser mais criativos e mais exigentes, privilegiando a comunicação assente em narrativas e em conteúdos relevantes para as pessoas, desenvolvendo conteúdos baseados em storytelling e implementando estratégias que propiciem a interactividade e a partilha com as pessoas (“Turismo 2020 – cinco princípios para uma ambição”, 2015). Esta ideia propõe uma nova percepção dos públicos em relação a conteúdos expositivos e uma história projectada no futuro, porque o turismo sempre incorporou as relações pessoais e a inovação dos espaços.

 

Artigo de opinião de Jorge Mangorrinha, professor associado do Departamento de Turismo da Universidade Lusófona (edição do Publituris nº1301 de 18 de Setembro)

2 comentários

  1. Jorge Mangorrinha

    11 de Dezembro de 2015 at 11:30

    Um museu em construção

    – Em complemento da notícia, direi que o processo conceptual do Museu do Turismo está em desenvolvimento, incluindo a constituição de uma equipa competente. A ideia com este conceito nasceu, de facto, nas comemorações do centenário da institucionalização do turismo em Portugal, devidamente registada nos locais próprios. Uma ideia só tem significado se for acompanhada de um conceito e de um programa e se for coordenada e trabalhada em equipa, por quem a souber e quiser executar com espírito de missão e com ligação ao ensino, às instituições e às comunidades. Isso dá trabalho, mas é isto que estamos a fazer, esperando que se consolide o compromisso de parceiros fundamentais, sem os quais nada se concretizará no futuro. Este é um trabalho à margem dos comentadores de sofá, para os quais, por sinal, este projecto também se lhes destina. Afinal, o turismo é de todos e para todos!

    Jorge Mangorrinha

  2. João Vieira

    3 de Dezembro de 2015 at 7:36

    Ainda bem que a ideia de um Museu do Turismo, que defendo há anos, voltou à ribalta. A escolha dos locais possíveis, conceito e organização deve obedecer a critérios claros e racionais, trabalho para especialistas, sem oportunismos pessoais e/ou políticos..

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