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Vítor Neto
Opinião

Turismo: Pensar futuro, em presente incerto

Vítor Neto, empresário e ex-secretário de Estado do Turismo

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Turismo: Pensar futuro, em presente incerto

Vítor Neto, empresário e ex-secretário de Estado do Turismo

Vítor Neto
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Vítor Neto

Os acontecimentos recentes levam-me a reafirmar a opinião de que na batalha para a retoma do Turismo continua a ser prioritário travar e controlar a pandemia e consolidar a segurança sanitária.

A razão é simples: apesar dos progressos feitos em muitos países, incluindo Portugal, de haver sinais de uma evolução positiva e de ser relevante o papel da vacina, continuam a subsistir muitos fatores de incerteza.

Exemplo disso são as sucessivas medidas contraditórias dos governos, incluindo o de Portugal, que acabam por agravar a desconfiança nas decisões.

Perante este quadro, os Empresários, para além da luta diária na frente de batalha, não podem viver de ilusões, têm de pensar também no Futuro. Mesmo sabendo que não será fácil recuperar a quebra do Turismo a nível mundial e que não será fácil para Portugal recuperar os valores de 2019.

Os cenários apresentados pelos organismos internacionais apontam para uma retoma que poderá ir para além de 2022/2023 ou mesmo 2024.

Os empresários não podem ignorar este quadro.

Nem podem iludir-se com o otimismo errático de responsáveis políticos.

Numa visão global, para além de termos de lutar no dia a dia para manter as empresas com vida, somos obrigados a ter presentes os fatores de fundo incontornáveis que vão continuar a condicionar a evolução do Turismo.

Não basta dizer que somos «o melhor destino turístico do mundo».

Os Turistas não vêm «de qualquer lado», nem «andam por aí» ao acaso. Movem-se por razões objetivas e escolhem os destinos com convicções, que podem ser diferentes das nossas. Vai continuar a ser assim.

O fator base que determina o crescimento do Turismo é a evolução da conjuntura económica internacional e os seus impactos no consumo.

As estatísticas da OMT demonstram claramente que em momentos de crise mundial – económica, financeira, sanitária - verifica-se uma quebra no turismo internacional. Aconteceu com a crise financeira global de 2009. Com a crise sanitária da Sars de 2003.

Com a atual pandemia, que gerou uma crise económica de dimensão nunca vista e uma evolução incerta, esta situação vai-se repetir e de forma muito pesada e imprevisível.

Qualquer cenário sobre a evolução do Turismo tem de partir desta base.

Pensar futuro em presente incerto exige precisamente tentar perspetivar que quadro de evolução podemos ter à nossa frente e prepararmo-nos para o enfrentar. Fora de fantasias políticas.

Com o objetivo de fornecer aos empresários, às Regiões, as bases para uma visão estratégica correta que contribua para as decisões de investimento bem fundamentadas.

Perante o quadro desafiante e complexo que enfrentamos, considero que poderia ser oportuno neste momento aprofundar uma reflexão inteligente – para além das questões de fundo - sobre alguns temas que têm gerado opiniões diferentes. Envolvendo os protagonistas da Economia do Turismo - empresas, profissionais do setor, instituições nacionais e regionais.

Refiro concretamente a problemática da «diversificação» de mercados. E acrescentaria três outros temas: o «turismo de qualidade», a problemática da «sazonalidade» e a «dependência» elevada de determinados mercados. A que se poderiam acrescentar outros.

Com o objetivo de evitar erros e melhor entender a realidade do turismo.

Contribuindo ao mesmo tempo para qualificar e adaptar a nossa oferta nacional e regional – rica e diversificada – às novas sensibilidades da procura. E apetrechar as Regiões para estratégias sustentáveis realistas e os nossos empresários para investimentos certos.

Precisamente porque vivemos um Presente Incerto importa Pensar no Futuro.

 

Sobre o autorVítor Neto

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Empresário e ex-secretário de Estado do Turismo
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