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Pedro Castro

easyJet em Lisboa: Park & Fly?

E agora, onde é que o aeroporto de Lisboa vai estacionar os aviões da easyJet e em que condições?

Pedro Castro

easyJet em Lisboa: Park & Fly?

E agora, onde é que o aeroporto de Lisboa vai estacionar os aviões da easyJet e em que condições?

Pedro Castro
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Pedro Castro

Quando há cerca de um ano a espanhola Vueling ganhou o concurso europeu para os 18 “slots” no aeroporto de Paris Orly soube-se logo tudo. Com o mesmo número de “slots” agora disponíveis em Lisboa, a Vueling conseguiu:

– basear 3 aviões de maior porte da sua frota (os Airbus A321 para 220 passageiros) em Orly. Ou seja, aviões que começam e acabam o seu dia de “trabalho” nesse aeroporto;
– inaugurar voos para 30 cidades em 10 países;
– criar mais de 100 empregos diretos em Paris Orly.

Em Lisboa, sabemos que ganhou a easyJet e pouco mais. Ninguém avançou razões, nem argumentos concretos. Com uma agravante: o espaço. Estatisticamente falando, são em menor número os aeroportos que estão sujeitos à obrigatoriedade da aplicação das regras internacionais dos “slots”, mas os que estão são muito conhecidos e frequentados. Os “slots” existem ou porque as pistas têm um limite já atingido de aviões que podem descolar e aterrar por hora ou porque têm condicionamentos de estacionamento de aviões na placa. Ambas as situações obrigam à existência de faixas horárias de aterragem e de descolagem que não custam dinheiro, mas que carecem de ser mantidas (sob pena de serem perdidas) pelas companhias aéreas.

Contrariamente ao que se passa no aeroporto do Porto em que companhias ditas “low-cost” e as suas semelhantes ditas “de bandeira” partilham o mesmo terminal, em Lisboa criou-se um terminal “low-cost” para onde se atiraram a easyJet, a Transavia, a Ryanair e a Wizzair. Mesmo quando o terminal 1 está com todas aquelas “mangas” de acesso direto ao avião inutilizadas e vazias, as companhias “low-cost” continuam amontoadas ali no seu terminal. A easyJet, operadora do terminal 2 na Portela, conquistou os direitos de aterragem e de descolagem na pista do aeroporto de Lisboa dos aviões da TAP… aviões esses que estacionam por relação ao espaço disponível no terminal 1, mesmo quando ficam em posições remotas. Mas os aviões da easyJet, seguindo a linha atual, terão que estacionar no lotado e muito limitado terminal 2 que tem poucas portas de embarque e cujo conceito de estacionamento das aeronaves pressupõe os passageiros caminharem até ao avião para embarcar.

Não, a easyJet não vai dividir as suas operações entre dois terminais.

Não, a easyJet não vai pagar o valor “premium” de “atracar” no terminal 1 da TAP e vai continuar a necessitar de “tempos de chão” dos aviões muito curtos (tempo de chão são os minutos que separam a aterragem de um avião da sua próxima descolagem, pois um avião só rende no ar a voar).

E não, a última coisa que a TAP quererá é ver a easyJet no “seu” terminal porque ambos os produtos se diferenciarão ainda menos. Dentro deste hipotético cenário de ter de partilhar o “seu” terminal como uma delas, talvez a Comissão tenha feito um favor à TAP ao escolher a easyJet; uma Ryanair no terminal da TAP traria certamente consequências ainda mais devastadoras.

E agora, onde é que o aeroporto de Lisboa vai estacionar os aviões da easyJet e em que condições? Como sempre em Portugal, tantas perguntas ausentes da parte de quem as deveria ter colocado … e tão poucas respostas transparentes da parte de quem as deveria dar.

Sobre o autorPedro Castro

Pedro Castro

Diretor da SkyExpert Consulting e docente em Gestão Turística no ISCE
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