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Turismo

Turismo a caminho da recuperação total a nível internacional avançam dados da OMT

O turismo internacional está a caminho de retornar para níveis pré-pandémicos, com a Organização Mundial do Turismo a indicar que o número de pessoas a viajar duplicou durante o primeiro trimestre de 2023 face ao mesmo período de 2022.

Victor Jorge
Turismo

Turismo a caminho da recuperação total a nível internacional avançam dados da OMT

O turismo internacional está a caminho de retornar para níveis pré-pandémicos, com a Organização Mundial do Turismo a indicar que o número de pessoas a viajar duplicou durante o primeiro trimestre de 2023 face ao mesmo período de 2022.

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O segundo Barómetro Mundial de Turismo da Organização Mundial do Turismo (OMT) divulgado este ano mostra que a rápida recuperação do setor continuou em 2023.

No geral, as chegadas internacionais atingiram 80% dos níveis pré-pandémicos no primeiro trimestre de 2023. Estima-se que 235 milhões de turistas viajaram internacionalmente nos primeiros três meses, mais do dobro do mesmo período de 2022.

Os dados revistos relativamente ao ano de 2022 mostram que mais de 960 milhões de turistas viajaram internacionalmente no ano passado, o que significa que dois terços (66%) dos números pré-pandêmicos foram recuperados.

Por região, o Médio Oriente teve o desempenho mais forte, sendo a única região que superou as chegadas de 2019 (+15%) e a primeira a recuperar os números pré-pandémicos num trimestre completo.

A Europa, por sua vez, atingiu 90% dos níveis pré-pandémicos, impulsionada pela forte procura intrarregional.

Já África atingiu 88% e as Américas cerca de 85% dos níveis de 2019.

Por fim, a Ásia e o Pacífico aceleraram a recuperação com 54% dos níveis pré-pandémicos, mas essa tendência ascendente deve acelerar agora que a maioria dos destinos, principalmente a China, foi reaberta.

Os dados da OMT também analisam a recuperação por sub-região e por destino. Assim, o o sul da Europa mediterrânica e o Norte da África também recuperaram os níveis pré-pandêmicos no primeiro trimestre de 2023, enquanto a Europa Ocidental, a Europa do Norte, a América Central e as Caraíbas chegaram perto desses níveis.

Para o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, “o início do ano mostrou novamente a capacidade única do turismo em recuperar. Em muitos lugares, estamos próximos ou mesmo acima dos níveis de chegadas pré-pandemia. Contudo, temos de nos manter em alerta devido às mudanças no que toca à insegurança geopolítica, escassez de pessoal e o impacto potencial da crise do custo de vida no turismo, e devemos garantir que o retorno do turismo cumpra as responsabilidades como uma solução para a emergência climática e como um impulsionador do desenvolvimento inclusivo”.

De acordo com a OMT, as receitas do turismo internacional voltaram a atingir a marca de um bilião de dólares, em 2022, (mais de 905 biliões de euros), correspondendo a um crescimento de 50% em termos reais em relação a 2021, impulsionadas pela importante recuperação nas viagens internacionais.

Os gastos dos visitantes internacionais, por sua vez, atingiram 64% dos níveis pré-pandemia (-36% em relação a 2019, medidos em termos reais).

Por regiões, a Europa teve os melhores resultados em 2022, com quase 550 mil milhões de dólares em receitas de turismo (520 mil milhões de euros), ou 87% dos níveis pré-pandêmicos. África recuperou 75% das suas receitas pré-pandêmicas, o Médio Oriente 70% e as Américas 68%. Devido ao encerramento prolongado das fronteiras, os destinos asiáticos ganharam cerca de 28%.

Analisando os dados, os resultados do primeiro trimestre de 2023 estão alinhados com os cenários prospectivos da OMT para o ano que projetam que as chegadas internacionais recuperem de 80% a 95% dos níveis pré-pandêmicos.

O painel de especialistas da OMT expressou confiança numa forte temporada alta (maio-agosto) no hemisfério Norte, refletida no último Índice de Confiança da OMT, que indica que o desempenho do período está a caminho de ser ainda melhor do que 2022.

No entanto, a recuperação do turismo também enfrenta alguns desafios. Segundo o mesmo painel da OMT, a conjuntura económica continua a ser o principal fator a pesar na recuperação efetiva do turismo internacional em 2023, com a inflação elevada e o aumento do preço do petróleo a traduzirem-se em custos de transporte e alojamento mais elevados.

Como resultado, espera-se que os turistas procurem cada vez mais uma boa relação custo-benefício e viajem para mais perto de casa. A incerteza derivada da agressão russa contra a Ucrânia e outras tensões geopolíticas crescentes também continuam a representar riscos negativos.

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Obrigado, André Jordan

Faleceu esta sexta-feira, 9 de fevereiro, o empresário André Jordan. Ao longo dos 90 anos que esteve entre nós, ficou conhecido por ser o “Pai do Turismo” em Portugal. Em 2007 foi distinguido com o “Prémio Carreira” pelo jornal Publituris.

Nasceu a 10 de setembro de 1933, em Lwów (antes Polónia e agora Ucrânia) de onde partiu para fugir ao regime Nazi que invadiria o país, em 1939, dando início à II Guerra Mundial.

Fundador, idealizador e promotor dos empreendimentos Quinta do Lago, Belas Clube de Campo, Vilamoura XXI, entre outros, foi considerado, em 2014, uma das 12 personalidades mais influentes no turismo a nível mundial.

Na última entrevista dada à PUBLUTURIS HOTELARIA, em março de 2021, André Jordan afirmaria que “o país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o país”.

O PUBLIUTURIS presta homenagem a André Jordan, precisamente, com a republicação dessa última entrevista.

Até sempre e obrigado André Jordan!

“O país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o turismo”

O empresário André Jordan analisa a atual conjuntura e defende a promoção como medida urgente para a retoma do turismo nacional. A descida do IVA para 10% para todo o setor ou a criação de um Conselho Consultivo do Turismo também ficam em cima da mesa.

“Eu, que ando há muitos anos por aí, não me lembro de nenhuma situação assim em lugar nenhum”. O desabafo é feito por André Jordan, a propósito da atual conjuntura pandémica que amordaçou o turismo. Os muitos anos a que se refere, são 87 de uma vida feita de somas: de países, projetos, cargos, empresas, distinções e prémios. E de histórias que foram compiladas em 2019 num pesado livro de quase 800 páginas que exige ser segurado por duas mãos. “Uma viagem pela vida” foi reeditado no ano passado, porque, afinal, há sempre mais uma palavra a acrescentar, e as de André Jordan não se esgotam. E de entre tudo o que é, é também um exímio conversador. Discorre com facilidade pelos caminhos da memória e não há pergunta que não o faça revisitar uma história que o guia a outra e facilmente atracamos num destino longe da partida. Das suas quase nove décadas de vida, que começaram na Polónia, fazem parte mais de 30 cargos relevantes, cuidadosamente enumerados no seu currículo oficial. Desta longa lista, não consta o título informal pelo qual mais é conhecido: o de pai do turismo português. Deu vida à Quinta do Lago, ao Vilamoura XXI, a nove campos de golfe e ao Belas Clube de Campo. É neste último que se encontra na tarde desta conversa, realizada à distância e com os computadores a servirem de intermediários. Cenário diferente do vivido em 1974, ano em que deu a primeira entrevista em Portugal, ao Publituris, conduzida pelo seu fundador, o falecido jornalista Nuno Rocha.

Apesar das imposições tecnológicas, a sua companhia é acolhedora. “Estou olhando as janelas aqui à volta da minha sala e só vejo verde”, conta, com a melodia brasileira na voz, que nunca perdeu, orgulhoso do Belas Clube de Campo, no concelho de Sintra, que diz ser simbiose perfeita entre a vida urbana de Lisboa que está a dois passos e a tranquilidade da natureza.

A atualidade foi o tema de conversa. Apostar e aprimorar a promoção do país são estratégias urgentes. A baixa do IVA para todo o setor ou a criação de um Conselho Consultivo do Turismo foram outras ideias deixadas em cima da mesa. Isto porque, para salvar o turismo é preciso ouvir quem dele perceba, defende.

Que impacto terá a pandemia na forma como se faz turismo no mundo?
Também estou muito interessado em saber a resposta (risos). Estamos perante uma situação sem precedentes, em relação a um inimigo oculto. O turismo é a vítima inocente de todas as crises mundiais, é sempre o primeiro afetado. Penso que vai haver um surto de uma ilusão realista; vão aparecer muitas pessoas que querem viajar de repente e retomar a sua atividade turística. Mas mesmo que isto apareça com força, não significa que vá perdurar.

Teremos um ‘boom’ apenas momentâneo?
Uma explosão. Mas depois vai acalmar. Não há dúvida que muita gente está afetada economicamente e não vai ter meios para fazer turismo.

Acabou de ser aprovado o passaporte verde europeu. Considera que este é um instrumento fundamental para a retoma das viagens entre países?
Tudo o que for feito no sentido de haver um maior cuidado é importante. A existência deste passaporte faz uma certa pressão para as pessoas se vacinarem. Quem viaja sem passaporte será prejudicado na sua liberdade de movimento. Há dúvidas também sobre as vacinas, que ainda não têm um historial – não se sabe quanto tempo duram, qual o efeito que têm. É tudo um pouco duvidoso por enquanto. Por exemplo, esta situação em relação a uma das vacinas, que foi suspensa na Europa. E vem alguém dizer: ‘’Em Portugal está ótimo, ontem só morreram 90 pessoas” (risos). O ser humano passou a ser uma estatística.

Esta questão da AstraZeneca veio beliscar a confiança na vacinação…
Estou no grupo de risco. Tenho 87 anos e sou cardíaco. Estou à espera da Pfizer, porque não aceitaria que me dessem a AstraZeneca porque não é recomendada para pessoas velhas. Até agora não me chamaram.

Mas é também um cético nesta questão das vacinas.
A solução só chega no dia em que encontrarem uma cura. Claro que a vacinação pode prolongar o tempo de vida. Por exemplo, a poliomielite paralisava os membros inferiores e era uma verdadeira epidemia. Houve muita gente que passou a vida numa cadeira de rodas, como o presidente do Estados Unidos, Franklin Roosevelt. E a doença já foi completamente erradicada. Há algumas vacinas que acabaram com a doença.

Apelidou o Plano de Recuperação, desenhado pelo Professor António Costa e Silva, de tese académica. Qual é a sua opinião sobre as considerações relativas ao turismo apresentadas no documento?
Praticamente não há nada a respeito do turismo neste plano. Os economistas portugueses têm pena e vergonha que Portugal não seja a Alemanha, que não seja um país industrial a fabricar milhões de automóveis e de tecnologia. Somos um pequeno país e mais equilibrado do que se possa pensar; socialmente e até economicamente. Apesar de haver pobreza, não há miséria.

Que leitura faz da ação do governo relativamente ao turismo, neste último ano de pandemia? Os apoios têm sido ajustados?
Deram agora 300 milhões de euros para a área do turismo que é uma espécie de esmola. Não quero falar sobre este assunto, isto é uma situação pontual e as coisas têm de ser pagas e vão ser muito dificilmente pagas. Quando as moratórias acabarem vamos ver como é que isto fica. É preciso que o governo invista em promoção depois; agora, no auge da pandemia, não valia a pena.

Promoção e marketing
Sempre defendeu que a promoção do país é insuficiente.
A infraestrutura do turismo é muito boa, o que é fraco é o marketing e a promoção. Tem de haver uma promoção feita pelas empresas e não pelo governo, porque o governo não conhece o negócio do turístico. Quem o conhece é quem vive dele. Tivemos em Portugal um fenómeno económico muito interessante com números altos de turismo, mas rentabilidade quase inexistente. Isso criou uma ilusão. Dizermos que recebemos tantos milhões de turistas, mas depois o resultado desse movimento foi muito fraco porque sempre falhámos na promoção, sempre fizemos a promoção errada. Não criámos atrações para o turista com melhores meios económicos e não aproveitámos as potencialidades turísticas do país.

Proponho uma baixa do IVA para todo o setor turístico para 10% – para hotéis, restaurantes, rent-a-car, golfe etc. O país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o turismo. A não ser que não queira ter turismo. Há quem não queira.

O segmento do golfe pede que seja reposta a anterior taxa de 6% de IVA.
Sou mais a favor de haver uma baixa de IVA para todo setor turístico. E era preciso haver uma aceitação da importância do turismo para a economia do país. Grande parte do desenvolvimento dos Estados Unidos, por exemplo, é feita através do estímulo fiscal. Não só na indústria e no comércio, mas na cultura, educação, saúde… O instrumento para impulsionar o turismo é o IVA. Não é preciso o governo dar dinheiro, mas sim deixar o usar o dinheiro que o próprio turismo gera para a sua promoção e desenvolvimento. Sobre o golfe, acho que há uma grande necessidade de desenvolver o golfe nacional, com escolas, repartições públicas, militares… Não é caro e iria aumentar muito a sustentação do golfe a nível interno. Atualmente, isso não é possível.

Afirma que a responsabilidade da promoção do país cabe às empresas. Mas nos próximos tempos estarão fragilizadas e sem capital para fazer esta aposta…
Por isso é que proponho que possa ser utilizado metade do valor do IVA para programas de marketing e promoção. Aí não obriga o governo a aumentar a dívida e essa receita, aparentemente diminuída, vai voltar com o aumento do turismo. É preciso coragem para revalorizar o turismo. Se não o fizermos vamos ser destruídos pela guerra de preços.

É preciso olhar para o turismo com seriedade?
Há zonas simpáticas no interior do país e este turista e este mercado vão acabar por se encontrar. Precisamos de ter um determinado volume de receitas para que isso seja significativo para a economia do país, para o emprego e para criar empresas fortes. O turismo nunca foi levado realmente a sério, sempre foi uma coisa assim meio envergonhada. O turismo é serviçal, há esse complexo que não há, por exemplo, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Itália e em Espanha, que investem pesadamente no turismo.

Acusou o Turismo de Portugal de estar mais preocupado com as estatísticas e não avaliar o verdadeiro impacto económico que o turismo representa. É uma estratégia que deve mudar?
Quando o Turismo de Portugal faz um filme de promoção com locais maravilhosos de Portugal, só há um problema: são todos inacessíveis, ninguém consegue chegar lá no alto da montanha ou na praia deserta num canto qualquer (risos). Isso é muito bonito mas o Turismo de Portugal deve promover Portugal e os empresários devem promover o produto.

Estes últimos anos de crescimento foram uma oportunidade desperdiçada, nesta ótica da promoção?
Concordo. Devíamos, nessa altura, ter feito um trabalho das empresas com o governo e ter promovido a qualidade do turismo, a qualidade do produto para atrair, na retoma, um cliente mais sofisticado e mais exigente. Portugal foi eleito – de verdade, não é naqueles prémios que não são bem independentes – como segundo melhor destino para viver no mundo. E temos de saber aproveitar, transformar isso numa campanha.

Preços
Para nos sabermos vender ao mercado certo? Até agora Portugal é conhecido por ser bom e barato.
As pessoas descobriram que a relação qualidade/preço em Portugal é imbatível. O Alojamento Local é um brinco; limpo, de boa qualidade, com móveis corretos, etc. Se for para a Áustria ou para Alemanha [o AL] é uma porcaria. Não há qualidade nem atração nenhuma. O português é muito caprichoso, gosta de fazer as coisas corretas, simpáticas e limpas.

É difícil comer mal e dormir mal em Portugal.
É impossível comer mal em Portugal a não ser nos hospitais (risos).

Falou do perigo de sermos destruídos pela guerra de preços.
Já tivemos isso em Portugal. Em várias épocas de crise a recuperação foi com a guerra de preços. Quando Adolfo Mesquita Nunes era secretário de Estado do Turismo, começaram a convidar a imprensa estrangeira para vir cá. Vieram todos. Deram a passagem e pagaram a hospedagem e veio o mundo inteiro, bons e maus. Há uns que disseram que escreviam para um jornaleco qualquer e vieram cá também (risos). Vi dezenas de publicações e nenhuma deixou de frisar o facto de Portugal ser barato. Isto foi muito prejudicial.

Como é que se começa a despir esta capa do preço baixo para atrair um segmento mais alto?
Precisamos de agências de marketing e de promoção de alta qualidade. Não se pode comprar publicidade ou marketing barato, porque o barato sai caro: eles não têm qualidade nem acesso aos meios, é dinheiro deitado fora. É preciso criar eventos de qualidade, de nível, a área desportiva é muito atraente, temos condições desportivas naturais para atrair ténis, golfe, caça, iatismo, etc. Criar eventos de participação. Porque eventos de assistência vai ser mais difícil; infelizmente o MICE vai ser difícil. As empresas descobriram que não precisam de fazer aqueles congressos que deslocam centenas de pessoas durante dois ou três dias. Este segmento vai sofrer muito. Por exemplo, numa prova de competição desportiva, todos os dias, nos vários países, estão ser comunicados, na comunicação social, os resultados. É uma forma de utilizar o próprio atleta e a sua presença para promover Portugal no país dele.

Os eventos são o único gatilho possível para elevar o segmento do turista que atraímos?
Temos de ir também pela cultura – já defendi a construção do Museu dos Descobrimentos várias vezes. Temos alguns museus contemporâneos muito bons. O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, é uma grande atração e que tem uma altíssima qualidade. Eventos musicais. E temos de contratar agências e pessoas que nos ajudem a pensar nesta promoção e que nos ajudem a perceber o que é que temos de fazer. Sou a favor da criação de um Conselho Consultivo de Promoção Turística que reúna pessoas não só ligadas ao turismo, mas também pessoas da aviação, do desporto, do comércio de luxo, que nos venham ajudar a pensar na promoção do turismo.

Pessoas de fora do país?
De dentro e de fora. Temos um português que foi presidente da Publicis Groupe, que é uma das maiores agências do mundo, e que é apaixonado pelo turismo. Nunca ninguém falou com ele. Há pessoas que têm muito a contribuir, a nível de criatividade, e não só,e que não são convocadas nem ouvidas.

Potencial e crescimento
Defendeu, em tempos, a criação de um Ministério do Turismo. Mantém esta opinião?
Um Ministério do Turismo iria ajudar, principalmente, porque transmitiria aos outros ministérios a visão e o interesse do turismo, que eles não têm. Basta ver como o professor António Costa e Silva ignorou o turismo, por que não sabe o que é o turismo. Essa coisa do turismo de qualidade é uma coisa que ainda ninguém percebeu.

As Secretarias de Estado não se têm sabido posicionar?
Não vou dizer que não têm estado à altura, mas não há uma estratégia e não há apoio de verdadeiros profissionais de marketing, de promoção e de hotelaria. Por isso é que defendo a criação deste Conselho. Seria útil à própria Secretaria de Estado, teria o apoio de um grupo especializado. É preciso lembrar uma coisa: o turismo é um negócio de grande importância para o país e temos de o tratar desta forma.

Depois da última crise, o setor cresceu exponencialmente. Que diferenças assinala entre a conjuntura atual e esta última crise?
São duas crises completamente diferentes. A anterior foi uma crise económica e financeira, não parou o turismo – diminuiu, mas não parou. Esta paralisou o turismo por imposição dos próprios governos. Eu, que ando há muitos anos por aí, não me lembro de nenhuma situação assim em lugar nenhum. Portugal tem todas as condições para ser bom, mas tem de aspirar a outro nível. Não sou contra o turismo barato, mas não é economicamente viável.

Dispomos de oferta hoteleira para este segmento mais alto?
Absolutamente. Portugal não quer sheiks árabes. Não precisamos de bilionários que querem suites de mil metros quadrados. Um piloto de uma grande companhia aérea, um médico de sucesso, um engenheiro. Esse é o nosso turista, de boa situação financeira. E que gosta de Portugal porque é discreto e sóbrio, que tem bom clima. Para este mercado os hotéis são absolutamente aceitáveis, têm bom serviço, têm conforto. Não têm é torneiras de ouro e essas coisas. Nós temos a infraestrutura.

Vê a Comporta como um possível destino para este segmento?
Não conheço a estratégia, não posso opinar. A Comporta já não é uma zona com potencial, é hoje uma empresa e um negócio que tem os seus parâmetros, que desconheço. Mas penso que é uma zona muito atraente e que tem uma promoção muito longa, que durou muitos anos, com personalidades como o Christian Louboutin que pouco a pouco foi atraindo uma clientela para a Comporta. A Comporta tem o seu futuro, com certeza. Mas não posso opinar sobre o ‘business plan’, não conheço.

Que outros destinos têm potencial?
Como empresa e grupo, estamos dedicados a um conceito que demorou a atingir a maturidade. O Belas Clube de Campo é uma combinação do urbano com a natureza. Agora com a pandemia o mercado vem mais ao nosso encontro. O Alentejo e o Ribatejo, têm futuro, bem como Almada.

Ainda ninguém olhou para a margem sul de Lisboa com olhos de ver?
Almada tem um projeto do arquiteto Fonseca Ferreira que salvou Lisboa, porque a cidade estava no caminho para ser ocupada de uma forma selvagem. Ele fez um masterplan para Almada, dos antigos estaleiros com uma grande marina, muito atraente. Mas não chegou ainda o momento. Para já, a prioridade é potenciar a mudança das empresas e dos empresários para Portugal, e é preciso compatibilizar a habitação de nível com a habitação subsidiada para os trabalhadores e para as pessoas que não têm capacidade para pagar.

No Algarve, por exemplo. Não há habitação para os trabalhadores.
Não há margem de lucro suficiente para construir habitação para os trabalhadores, não compensa. Tem de ser algo subsidiado pelo governo, tem de haver um acordo entre o setor privado e o setor público de gerar habitação para as classes trabalhadoras.

O turismo residencial é outro dos eixos que defende para o futuro do setor. Como vê as novas regras aprovadas sobre os ‘golden visa’, que visam migrar o investimento imobiliário para o interior e ilhas?
(risos) Isso parte do princípio que as pessoas vêm para Portugal para se esconder. Eles não vêm para se esconder, vêm para viver numa comunidade compatível com o seu estilo de vida. Haverá um ou outro que vai para o interior, mas a maioria não irá. Isso vai acabar com os vistos dourados e é uma falha.

O Porto tem sido o destino com maior crescimento nos últimos anos. Como olha para este crescimento?
O Porto foi muito prejudicado até existir a autoestrada. Quando cheguei a Portugal, era muito complicado ir para o Porto, a estrada era muito má. O Porto tem tido um desenvolvimento muito positivo. A Casa da Música e Serralves são duas peças muito importantes. Nos últimos 10 a 15 anos tem tido um desenvolvimento muito elegante e interessante.

Aeroporto e TAP
Qual a sua opinião relativamente à construção do novo aeroporto complementar à Portela?
Não sou especialista, apesar de já ter sido administrador de uma companhia aérea na Argentina. Desde 1972, quando o governo emitiu um concurso para o projeto de um aeroporto em Rio Frio, tem-se discutido o novo aeroporto de Lisboa. Há 50 anos que andamos nisto. Quanto à necessidade de um novo aeroporto, também não sou especialista. Quando viajo vejo que há muitas horas mortas nas chegadas e nas partidas de Lisboa. A meio da tarde, entre a hora de almoço e o final da tarde não se vê um avião a chegar ou a sair. Não acho muito saudável ter um aeroporto a poluir o centro da cidade. Já morei mais do que uma vez em lugares onde quase que se podia tocar no avião. Tem de haver um consenso sobre a localização. Aonde? Também não sei dizer.

Nem o Montijo nem Alcochete seriam soluções viáveis?
Não sei. Claro que há uma vantagem comercial grande em ter o aeroporto perto da cidade, em pouco tempo chega-se ao hotel. Não é a melhor solução do ponto de vista da saúde e do ambiente.  Também não seria bom para o turismo se o aeroporto fosse muito longe, como em Alcochete, acho um bocado longe.

Então é mais favorável ao Montijo?
Se me convocassem para opinar, teria de estudar o assunto. Em Portugal temos um problema: falta de conhecimento e excesso de opinião. Se o turismo for prejudicado pela falta de possibilidade de viajar para Lisboa isso é muito preocupante.

Como vê a atual situação da TAP?
Não há dúvida de que a TAP é um retrato bastante interessante daquilo que é Portugal e os portugueses. A TAP tem comissárias de bordo veteranas, que eu conheço. É sempre uma situação engraçada, quando chego ao avião sou recebido com beijinhos. A TAP é um objeto de afeto e de carinho dos portugueses, até porque é uma excelente companhia em termos de segurança e de serviço – sobre o conforto, já não vou tão longe (risos). Sempre foi uma boa companhia. Da parte da população há uma visão um bocado emocional sobre a TAP. Não sei avaliar qual é o interesse nacional do ponto de vista do governo em ter uma companhia própria. O hub de Lisboa foi muito importante para o surto do turismo e principalmente em relação ao Brasil. O facto de ter sido gerida por uma administração brasileira permitiu que fossem criadas muitas ligações que trouxeram brasileiros a Lisboa. Isto foi tudo muito útil. Agora, se se justifica o investimento? Não sei dizer.

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Turismo

TCP abre inscrições para os prémios que distinguem melhores ideias e teses académicas em turismo

Até 15 de março, é possível candidatar-se ao IX Concurso de Empreendedorismo Turístico e ao VIII Concurso de Teses Académicas promovidos pelo Turismo Centro de Portugal (TCP).

Publituris

O Turismo Centro de Portugal volta a lançar este ano os seus dois concursos: a nona edição do Prémio José Manuel Alves – Concurso de Empreendedorismo Turístico e a oitava edição do Concurso de Teses Académicas, no âmbito da sua contínua aposta na deteção e apoio às melhores ideias de negócio turístico geradas na região e na valorização do conhecimento científico produzido sobre a atividade turística. O prazo para a submissão das candidaturas, em ambos os concursos, é 15 de março de 2024.

Com oito edições já realizadas, o prémio de empreendedorismo turístico é o mais antigo do país, tendo recebido um total de 378 candidaturas, distinguido 64 projetos e premiado 23.

Ao vencedor é atribuído o Prémio José Manuel Alves, em homenagem ao percurso do ex-presidente da Região de Turismo do Centro, que esteve na génese da criação do gabinete de apoio ao investimento turístico na região.

O objetivo deste concurso é contribuir para a materialização de boas ideias para o setor, pelo que são apenas elegíveis projetos que ainda não tenham iniciado a atividade turística. Os projetos podem inserir-se nas seguintes áreas: Alojamento turístico (incluindo empreendimentos turísticos e alojamento local); Agências de viagens e turismo/operadores turísticos; Estabelecimentos de restauração e de bebidas; Aluguer de veículos automóveis sem condutor; Atividades de animação turística; Projetos de base tecnológica associados ao setor do Turismo; Outras tipologias, desde que comprovadamente relacionadas com a atividade turística.

No Prémio José Manuel Alves, há um acompanhamento contínuo da totalidade dos projetos participantes, que se prolonga por todas as fases de crescimento destes empreendimentos. 08

Por sua vez, o concurso de teses de Mestrado e de Doutoramento é promovido desde 2017 e tem como objetivo valorizar o conhecimento gerado no seio da comunidade científica sobre a atividade turística e aproximá-lo das empresas do setor do Turismo e de todos os interessados em desenvolver projetos de empreendedorismo turístico.

O concurso tem duas categorias, uma dedicada às teses de Mestrado e outra dedicada às teses de Doutoramento. Na categoria Mestrado, podem concorrer todas as dissertações, relatórios de estágio e projetos com vista à obtenção do grau de Mestre já avaliadas e, na categoria Doutoramento, dissertações já defendidas e avaliadas, cujo tema incida sobre o setor do turismo, preferencialmente na região Centro – seja em exclusivo ou englobada num estudo de âmbito nacional.

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Turismo terá a “centralidade que o setor ganhou por direito próprio”, diz Pedro Nuno Santos

No almoço-debate, promovido pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Pedro Nuno Santos garantiu que o turismo “não pode ser ignorado” e “fazer de conta que é mais alguma coisa”. Por isso, “terá a centralidade que ganhou por direito próprio”.

Victor Jorge

O secretário-geral do Partido Socialista (PS) e candidato a primeiro-ministro, Pedro Nuno Santos, deixou esta terça-feira, 6 de fevereiro, durante o almoço-debate, promovido pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), que, “apesar de não revelar a composição do próximo Governo”, que “não vale a pena olharmos para a economia e para os setores todos da mesma maneira, porque eles não têm todos o mesmo contributo para a riqueza nacional e para as exportações”, destacando o “óbvio peso do turismo na nossa economia”.

“São cerca de 16% do PIB, um setor que tem um peso significativo nas nossas exportações, na criação de riqueza e, portanto, para a criação de emprego”. Por isso, justificou que, “pelo peso que tem na vida coletiva dos portugueses, terá, obviamente, uma atenção especial”.

Contudo, Pedro Nuno Santos não se quis comprometer com um pedido de Francisco Calheiros, presidente da CTP, quando referiu que “está na hora de sentar o turismo no Conselho de Ministros”.

Respondendo, Pedro Nuno Santos garantiu, contudo, que o turismo “tem uma centralidade na economia portuguesa” e que “não dá para ser ignorado e para ser misturada, para fazer de conta que é mais alguma coisa. Não é mais alguma coisa, não é mais um setor”. Por isso, assinalou que o turismo “terá a centralidade que o setor ganhou por direito próprio”, mas que o Estado “tem um papel importante”, tal como as “políticas públicas que têm de continuar a estar ao vosso lado”.

Quanto ao futuro, Pedro Nuno Santos garantiu que, caso seja Governo, o Estado “não quer, não vai atrapalhar e quer que o setor de turismo possa continuar a desenvolver”.

No final do almoço-debate não foi possível à imprensa ouvir as questões colocadas pelos agentes do setor do turismo presentes ao candidato do PS a primeiro-ministro nem as respostas dadas por Pedro Nuno Santos.

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Pedro Nuno Santos garante “não perder um segundo” relativamente ao aeroporto

O secretário-geral do Partido Socialista e candidato a primeiro-ministro, Pedro Nuno Santos, garantiu, no almoço-debate, organizado pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), que “à primeira oportunidade, não vou perder mais um segundo” relativamente à decisão para o novo aeroporto.

Victor Jorge

Pedro Nuno Santos, secretário-geral do Partido Socialista (PS) e candidato a primeiro-ministro de Portugal, deixou a certeza de que, a ser eleito líder do próximo Governo, saído das eleições de 10 de março, que “o país não pode mais dar-se ao luxo de desperdiçar a vinda de turistas”, uma vez que “não somos propriamente um país rico que se pode dar ao luxo de desperdiçar aquilo em que tem vantagens. E nós temos vantagens claras no nosso posicionamento geográfico em fazer a ligação entre o Atlântico e a Europa. Nós temos feito isso, mas temos feito isso numa condição altamente precária”, admitiu o candidato do PS a primeiro-ministro no primeiro almoço-debate organizado pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), e que no dia 15 de fevereiro terá Luís Montenegro, líder do Partido Social Democrata, como convidado.

“É com a certeza de que, à primeira oportunidade, não vou perder nem mais um segundo”, frisou Pedro Nuno Santos (PNS) no que diz respeito a uma decisão relativamente à localização e construção do novo aeroporto para Lisboa.

“É que são décadas desperdiçadas e que apenas traduzem esta cultura nacional que temos, a incapacidade de conseguir decidir uma localização para o novo aeroporto”. Uma incapacidade que, segundo PNS, “custou ao país, ao longo de décadas, milhares de milhões de euros, porque o contador que a CTP colocou na 2.ª Circular, quando foi colocado, não contabiliza o que já se perdeu”.

“Temos um aeroporto com uma pista esgotada, sem as melhores condições para receber os nossos turistas”, admitiu PNS, considerando que, “quantos dos nossos turistas que ainda não saíram do aeroporto já estão a dizer mal da cidade de Lisboa e do país? O aeroporto é o primeiro contacto com o território, o primeiro contacto com o país”. “E não é só uma má experiência, como todos os anos negamos a possibilidade de milhares de pessoas visitarem o nosso país”.

Por isso, Pedro Nuno Santos também colocou as suas perguntas e questionou “como chegamos até aqui. Como é que não somos ainda mais desenvolvidos e não somos aquilo que poderíamos ser?”, considerando que esta questão está espelhada na “dificuldade em tomarmos decisões como nesta matéria do aeroporto”.

Para Pedro Nuno Santos, de resto, nenhuma localização a ser escolhida terá apoio maioritário. “Não vai haver consenso quanto à localização, mas não podemos estar indefinidamente a arrastar os pés, a adiar. São 50 anos. Os primeiros estudos são de 1972. Já passaram 50 anos, já se estudaram cerca de 19 localizações. O que é que Portugal está à espera?.”

E a decisão sobre o novo aeroporto tem, para o secretário-geral do PS duas razões. Uma delas é “prática. Precisamos de avançar o quanto antes”.

A segunda é “simbólica”, porque é ”passar uma mensagem clara ao país de que o país tem de avançar, não pode estar a arrastar, não pode estar parado, não pode ter medo”.

Por isso, “decidir é para mim tão importante quanto a necessidade prática de ter o aeroporto. É passar uma mensagem para o país de que nós, de facto, não podemos continuar a adiar decisões”, frisou Pedro Nuno Santos para “concluir o capítulo” aeroporto.

O segundo tema, como não podia deixar de ser, foi a TAP Air Portugal. Neste caso em particular, Pedro Nuno Santos admitiu que “foi um processo difícil” e que será “uma mochila que carrego e carregarei para o resto da minha vida”, fazendo referência a uma empresa que “estava no chão, com capitais próprios negativos, falida. Portanto, já tinha problemas antes da pandemia e nós decidimos. O governo decidiu e participei na decisão de intervencionar a empresa, com muito gosto”, disse Pedro Nuno Santos.

Reconhecendo que o processo “teve erros, teve falhas”, o secretário-geral do PS reforçou a ideia de que a empresa, na altura, “tinha cerca de 500 milhões de euros de capitais próprios negativos, que não tinha atividade, que já dava prejuízo antes da pandemia de 100 milhões de euros por ano”.

“Pegámos na empresa, decidimos intervencioná-la, fizemos um plano de reestruturação, fomos negociar a Bruxelas, numa negociação muito difícil e toda a gente em Portugal dizia que íamos sair de lá com uma TAPzinha”.

A história contada por PNS aponta para um “plano de reestruturação aprovado, a contratação de uma administração que pôs a empresa a funcionar e a dar dinheiro. Uma empresa cronicamente deficitária que nos primeiros nove meses do ano 2023 deu 200 milhões de euros de lucro”, destacou Pedro Nuno Santos. “E ao fim deste tempo todo, continua a ser um tema usado contra mim”, rematou ainda, referindo que “pusemos a empresa a servir a economia nacional e a dar dinheiro”.

Pedro Nuno Santos recordou ainda que a TAP não foi a única companhia aérea em Portugal resgatada. “Mas só esta é que atraiu atenção e só os políticos que decidiram intervencionar a empresa é que são criticados politicamente. Mas temos outra companhia aérea que foi alvo de intervenção pública, a SATA. E já agora, não foi por um Governo do PS, foi por um Governo PSD CDS-PP, apoiado pela Iniciativa Liberal e pelo Chega”.

“Eu defenderia a intervenção na SATA. Só que é este dualismo, esta incoerência que caracteriza a política em Portugal, infelizmente, que nos impede de olhar para os temas como eles devem ser olhados”.

Ainda no capítulo SATA, PNS recordou que a intervenção na companhia açoriana “correspondeu a 10% do PIB regional dos Açores. A intervenção na TAP pesou 1,5% para o Continente. Para percebermos a dimensão da intervenção que foi feita na SATA nos Açores, do qual ninguém se queixa, da qual ninguém diz nada”.

Pedro Nuno Santos também lembrou que, no caso da TAP, “estamos a falar de uma empresa que irá chegar aos quatro mil milhões de euros de faturação, em 2023. É disso que estamos a falar. Uma empresa que exporta como praticamente mais nenhuma em Portugal, uma empresa que contrata a mais de 1.000 empresas nacionais, cerca de 1.300 milhões de euros por ano”.

Além da questão aérea, Pedro Nuno Santos também fez referência ao trabalho feito na ferrovia, considerando-a “um instrumento muito importante também para o turismo. A ferrovia tem um potencial brutal que permite ao setor do turismo expandir-se pelo território, apresentar mais território aos turistas”, reconhecendo que “esse é um trabalho que ainda está por explorar no próprio setor turístico nacional”, já que “o turismo ferroviário é um turismo de alto valor acrescentado”.

No final do almoço-debate não foi possível à imprensa ouvir as questões colocadas pelos agentes do setor do turismo presentes ao candidato do PS a primeiro-ministro nem as respostas dadas por Pedro Nuno Santos.

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O que foi 2023 e o que será 2024 no setor dos transportes

Com a pandemia já ultrapassada, os transportes estão a regressar à normalidade e, no ano passado, tanto a aviação, como os cruzeiros ou o rent-a-car já apresentaram resultados mais parecidos com os de 2019. Por isso, as perspectivas para 2024 estão em alta, caso não haja mais instabilidade nacional ou internacional, ainda que muitos dos desafios de 2023 se devam manter em 2024.

Inês de Matos

Aviação, cruzeiros e rent-a-car viveram um ano positivo em 2023. Com a pandemia já ultrapassada, o Publituris foi ouvir as associações que representam companhias aéreas, empresas de rent-a-car e companhias de cruzeiros que operam em território nacional e que deixam a certeza de que a recuperação está em curso, com aumentos na oferta e também na procura. Não é, por isso, de estranhar que também as expectativas para 2024 estejam em alta e que as previsões sejam positivas, apesar dos muitos desafios que continuam a existir, alguns dos quais, como o esgotamento do Aeroporto de Lisboa, já com vários anos e que promete manter-se por mais alguns. Além do aeroporto, também o aumento da inflação e dos preços, a sustentabilidade, a instabilidade das guerras e na política nacional, são desafios que prometem manter-se e voltar a marcar também o ano de 2024.

Aviação com números encorajadores e boas perspectivas
Na aviação, 2023 foi um ano de “recuperação” e de “relançamento da atividade”, mas que ainda não permitiu falar num regresso à “normalidade”, diz ao Publituris Paulo Geisler, presidente da RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal.

“Os números são encorajadores, demonstram que Portugal tem crescido bem, melhor até que outros destinos como Espanha e Itália, mas ainda não se pode falar de normalidade”, afirma o responsável. Por isso, Paulo Geisler diz que, em 2023, prefere focar-se “na resiliência e solidez do setor e na forma eficiente como reagiu à adversidade”, uma vez que, “em termos globais, os números demonstram que a oferta está a aproximar-se do nível de 2019 e que tem havido bastante procura pelo destino Portugal”.

2023 trouxe novas companhias e rotas para Portugal. É possível que, em 2024, a oferta seja melhor e maior, pois essa tem sido a trajetória”, Paulo Geisler, RENA

Apesar disso, o presidente da RENA lembra que a recuperação não tem sido homogénea, uma vez que há “reações a ritmos distintos”, ainda que a maioria das companhias aéreas que opera em Portugal já tenha reposto a oferta existente antes da pandemia.

Em Portugal, o maior desafio para as companhias aéreas continuou, em 2023, a ser o Aeroporto de Lisboa, com Paulo Geisler a defender que “operar numa infraestrutura congestionada como Lisboa” é “muito difícil e exigente”. “É uma operação de risco”, considera o responsável, que volta a criticar a saturação da infraestrutura e que se mostra ainda preocupado com o impacto da inflação e do aumento dos custos na aviação. “O segundo desafio diz respeito à inflação e à subida do custo das matérias-primas, algo que é generalizado e que não deixa também de afetar o nosso setor e as respetivas margens”, explica.

Apesar disso, o presidente da RENA considera que “Portugal continua a fazer um bom trabalho em termos de promoção do destino e é gratificante ver que o mercado está a responder positivamente”. Para Paulo Geisler, o país ainda tem “margem de crescimento, em especial no Porto”. “É importante que esta oportunidade seja aproveitada por todos os operadores para fazer crescer ainda mais o destino Portugal”, acrescenta.

Para 2024, o responsável mostra-se confiante e diz que as companhias aéreas representadas pela RENA esperam “uma subida moderada, caso não haja alterações no atual contexto económico e na situação geopolítica”. “2023 trouxe novas companhias e rotas para Portugal. É possível que, em 2024, a oferta seja melhor e maior, pois essa tem sido a trajetória”, explica o responsável, apesar de realçar que esta é “uma decisão que cabe a cada companhia aérea associada e sobre a qual a RENA não tem visibilidade”.  Ainda assim, o responsável explica que também a “previsão da IATA aponta para um crescimento moderado” da procura por transporte aéreo em Portugal.

Mas 2024 deverá trazer igualmente desafios à aviação, desde logo por causa do Aeroporto de Lisboa, com Paulo Geisler a prever dificuldades de “acesso à infraestrutura”, que está “congestionada e é cara”, pois também apresenta “taxas aeroportuárias muito acima do que seria desejável”, sem esquecer os desafios associados à “componente ambiental”. “A União Europeia (UE) impôs metas ambiciosas em termos de utilização de formas de combustível sustentável. É assim essencial criar condições para que Portugal possa responder a estas exigências”, defende Paulo Geisler, que espera, no entanto, que seja possível “continuar a trajetória de crescimento e aproveitar mais as sinergias criadas, evitando criar obstáculos e limitações à atividade dos operadores”.

Desafios múltiplos deixam rent-a-car apreensivo
Ano positivo viveu também o rent-a-car, com a ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos a fazer um balanço positivo de 2023. “Foi um ano praticamente ao nível de 2019, no que diz respeito a faturação, em que houve um ligeiro aumento, mas com menos carros, o que fez catapultar o aluguer para um preço médio por dia um pouco maior”, disse ao Publituris Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da associação que representa o rent-a-car.

Apesar do aumento do preço dos novos veículos e dos custos com os recursos humanos, o rent-a-car viveu um ano positivo, que trouxe uma “faturação ligeiramente mais elevada do que em 2022”, ainda que o setor tenha também assistido à diminuição do período de aluguer. “Os turistas estão a alugar carros durante menos tempo”, admitiu Joaquim Robalo de Almeida, explicando que esta quebra foi essencialmente sentida durante o mês de agosto, o que se pode explicar com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que trouxe a Lisboa mais de um milhão de peregrinos mas desmotivou a vinda dos turistas. “Os turistas não vieram por causa da JMJ, em que houve uma série de zonas da cidade condicionadas”, atribui o responsável.

[2024] Poderá ser um ano difícil porque, seguramente, vamos ter taxas de juro mais altas, porque os automóveis ficam mais caros e o turismo não deverá crescer muito porque o aeroporto de Lisboa está a rebentar pelas costuras”, Joaquim Robalo de Almeida, ARAC

Apesar da menor procura em agosto, o secretário-geral da ARAC diz que, “no resto do ano, o mercado voltou a animar”, sobretudo no Porto, que “continuou a ter uma ocupação bastante razoável e com preços mais atrativos para o fornecedor”.

Apesar dos bons resultados, 2023 ainda não permitiu resolver muitos desafios que se colocam a esta atividade, a exemplo da fiscalidade, o que leva Joaquim Robalo de Almeida a sublinhar que o “setor automóvel português continua a ter os impostos mais altos da Europa”, o que é uma desvantagem face às condições mais vantajosas existentes em Espanha, por exemplo, com o responsável a queixar-se ainda do IVA. “Já era tempo de passarmos para a taxa intermédia, só pedimos isto para os carros alugados num âmbito turístico”, explica.

Na falta de resposta a estes temas, Joaquim Robalo de Almeida prevê que estes sejam alguns dos desafios que se devem voltar a colocar ao rent-a-car já em 2024, que vai ficar ainda marcado pela escolha da localização para o novo Aeroporto de Lisboa. “Precisamos de um aeroporto mas a solução apontada pela Comissão Técnica Independente leva muito mais tempo e sai muito mais cara”, lamentou o responsável, que tal como todo o setor do turismo pede brevidade na solução deste tema.

Com tantos desafios, o rent-a-car está, por isso, apreensivo e o secretário-geral da ARAC diz mesmo que “não há assim perspectivas muito boas” para 2024. “Poderá ser um ano difícil porque, seguramente, vamos ter taxas de juro mais altas, porque os automóveis ficam mais caros e o turismo não deverá crescer muito porque o Aeroporto de Lisboa está a rebentar pelas costuras”, resume Joaquim Robalo de Almeida, que aponta ainda a instabilidade trazida pelas guerras na Ucrânia e em Gaza, assim como a situação política que também Portugal está a viver como problemas que podem ter impacto nos resultados de 2024.

Cruzeiros regressam à trajetória de crescimento
Nos cruzeiros, 2023 também trouxe notícias positivas. Segundo Nikos Mertzanidis, diretor de portos e destinos da CLIA – Associação Internacional de Companhias de Cruzeiros, “o setor dos cruzeiros continua a crescer e as perspectivas são excelentes”. “Após três anos de operações reduzidas, em 2023 regressámos à nossa trajetória de crescimento pré-pandemia. Prevê-se que o turismo de cruzeiros atinja 106% dos níveis de 2019 em 2023 – com 31,5 milhões de passageiros”, resume o responsável em declarações ao Publituris.

Nikos Mertzanidis diz que “a intenção de fazer viagens de cruzeiro é agora maior do que era antes da pandemia”, o que é um excelente indicador para este setor que, em 2023, cresceu dois pontos percentuais na quota de passageiros na Europa.

Os cruzeiros temáticos são uma certeza, tornaram-se locais onde os passageiros partilham paixões e interesses comuns entre si. Acredito que este tipo de segmentação e especialização continuará nos anos vindouros”, Nikos Mertzanidis, CLIA

Este crescimento foi comum aos portos portugueses, com destaque para o Porto de Lisboa, que terá terminado o ano com 360 ​​escalas e 720 mil passageiros, enquanto Leixões terá registado, no ano passado, 130 escalas de navios de cruzeiro, prevendo-se que, em 2024, mais de 35 diferentes operadores de navios de cruzeiro marítimos venham a instalar os seus navios no Porto de Leixões. Já na Madeira, os dados apontam para 300 escalas de navios de cruzeiro com quase 630 mil passageiros, com o responsável da CLIA a assinalar que, nesta região autónoma, a “indústria de cruzeiros é uma fonte estável de rendimento para os residentes das ilhas da Madeira, que deverão receber em 2023 um total de mais de 1,5 milhões de turistas”. Positivos foram ainda os números dos portos açorianos, que devem ter terminado 2023 com um total de 190 escalas e 160 mil passageiros.

A sustentabilidade e o maior envolvimento das comunidades visitadas foram, de acordo com Nikos Mertzanidis, os principais desafios que se colocaram, em 2023, aos cruzeiros, com o responsável a revelar que, no caso da sustentabilidade, a CLIA “está a tomar medidas práticas para reduzir as emissões dos navios, o que já está a fazer uma verdadeira diferença”, ao mesmo tempo que está a “explorar caminhos viáveis” ​​para alcançar as zero emissões até 2050.

Já no que diz respeito à relação entre os cruzeiros e os destinos visitados, o responsável alerta que, apesar dos cruzeiros ajudarem “a promover a região como destino”, é preciso ter uma estratégia sólida e a longo prazo, que envolva diversos atores e autoridades, para conciliar o crescimento dos cruzeiros com os destinos. “Serão necessários investimentos em infraestruturas, docas, terminais, abastecimento e receção e tratamento de resíduos para entrar nesta nova era nos próximos anos”, prevê o diretor da CLIA.

Nikos Mertzanidis estima que, em Portugal, os cruzeiros vão continuar a crescer, especialmente na região Norte, o que poderá levar ao “desenvolvimento de novas infraestruturas e comodidades, como a ampliação das instalações portuárias e melhores ligações de transporte”.

Para 2024, está já confirmada a chegada de oito novos navios de companhias de cruzeiros representadas pela CLIA – cinco dos quais movidos a Gás Natural Liquefeito (GNL) – e Nikos Mertzanidis revela que, nos próximos cinco anos, estão previstas mais 36 embarcações, num investimento total que chega aos 58,5 mil milhões de euros.
Em 2024, está ainda prevista a “implementação de uma série de regulamentos vinculativos para os operadores de cruzeiros na Europa”. “Por exemplo, a partir de 1 de janeiro de 2024, cada tonelada de CO2 emitida por uma companhia será tributada”, invoca Nikos Mertzanidis, congratulando-se com o facto de esta iniciativa permitir “estabelecer um quadro regulamentar comum muito preciso”. Segundo o responsável, “até ao momento, cada país ou cada companhia lidou com este assunto à sua maneira. A partir de agora, a regra é conhecida e os armadores poderão planear as suas operações em conformidade”.

2024 deverá ainda trazer oportunidades a este setor que, a exemplo de 2023, espera a afirmação de novas tendências. Se no ano que agora terminou o destaque foi para os cruzeiros familiares multigeracionais, que têm permitido reduzir a idade média dos passageiros, mas também para a ascensão dos cruzeiros de luxo, que oferecem experiências assentes na exclusividade, este ano devem ser os cruzeiros temáticos a conhecer maior afirmação. “Os cruzeiros temáticos são uma certeza, tornaram-se locais onde os passageiros partilham paixões e interesses comuns entre si. Acredito que este tipo de segmentação e especialização continuará nos anos vindouros”, concluiu.

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E o que foi 2023 e o que será 2024 – Adriano Portugal (Mercado das Viagens)

Para Adriano Portugal, diretor-geral do Mercado das Viagens, foi um ano de “consolidação e redefinição de estratégias”. Já 2024 passará, segundo o mesmo, por “saber adaptarmo-nos à revolução tecnológica”, deixando os pedidos para uma redução na carga fiscal para as empresas e famílias e “que seja criado um Ministério do Turismo”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
Foi um ano de consolidação e redefinição de estratégias. Os objetivos foram cumpridos e até superados.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Criar as condições necessárias que prestigiem a nossa profissão. Continuamos a assobiar para o lado.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Os conflitos bélicos, instabilidade política e as das taxas de juros elevadas, podem desacelerar a económica na procura das viagens.  Sendo transversal a todos a falta de pessoas qualificadas no turismo.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Saber adaptarmo-nos à revolução tecnológica! Encontrar nas novas tecnologias um poderoso aliado sustentado numa legislação que proteja tudo e todos e não só o consumidor.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
O fim dos conflitos que se têm vindo propagar pelo mundo e mais estabilidade social e económica! O resto vem por acréscimo.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Mais do que este, que o próximo Governo (seja ele qual for) baixe a carga fiscal às empresas e às famílias. Por fim, que seja criado um Ministério do Turismo.

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

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Turismo global recupera já em 2024, prevê OMT

De acordo com os primeiros dados disponibilizados pela Organização Mundial do Turismo (OMT), o turismo global atingiu, em 2023, 88% dos níveis de 2019. Para 2024, a OMT estima que o turismo recupere totalmente e fique 2% acima dos níveis pré-pandémicos.

Victor Jorge

A primeira análise da Organização Mundial do Turismo (OMT) revela que o turismo internacional terminou o ano de 2023 a 88% do nível registado em 2019, com cerca de 1,3 mil milhões de viagens.

Espera-se que o desencadeamento da procura reprimida remanescente, o aumento da conectividade aérea e uma recuperação mais forte dos mercados e destinos asiáticos apoiem uma recuperação total até ao final de 2024.

Mas analisando os números referentes a 2023, a OMT revela que o Médio Oriente recuperou totalmente, sendo a única região que já ultrapassou completamente os níveis de 2019, apontando a organização que a região ficou 22% acima do ano pré-pandémico.

Já a Europa, a região mais visitada do mundo, atingiu 94% dos níveis de 2019, mercê da procura intra-regional e pelas viagens provenientes dos Estados Unidos da América.

África, por sua vez, recuperou para 96%, enquanto as Américas atingiram 90%.

A Ásia-Pacífico atingiu 65% dos níveis pré-pandemia após a reabertura de vários mercados e destinos. No entanto, o desempenho é misto, com o Sul da Ásia já a recuperar 87% dos níveis de 2019 e o Nordeste Asiático cerca de 55%.

Os dados disponíveis mostram vários destinos, incluindo destinos grandes e maduros, bem como destinos pequenos e emergentes, a reportarem um crescimento de dois dígitos nas chegadas internacionais em 2023 em comparação com 2019. Quatro sub-regiões excederam os seus níveis de chegada de 2019: Sul da Europa Mediterrânica, Caraíbas, América Central e Norte da África.

O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, refere que os dados mais recentes da OMT “sublinham a resiliência e a rápida recuperação do turismo, com números pré-pandemia esperados para o final de 2024”.

Pololikashvili admite que a recuperação “já está a ter um impacto significativo nas economias, no emprego, no crescimento e nas oportunidades para as comunidades em todos os lugares”, lembrando ainda a “tarefa crítica de progredir na sustentabilidade e na inclusão no desenvolvimento do turismo”.

Os dados mais recentes da OMT também destacam o impacto económico da recuperação, com as receitas do turismo internacional a atingirem 1,4 biliões de dólares (cerca de 1,3 biliões de euros), em 2023, cerca de 93% dos 1,5 biliões de dólares (perto de 1,4 biliões de euros) ganhos pelos destinos em 2019.

As receitas totais de exportação do turismo (incluindo o transporte de passageiros) são estimadas em 1,6 biliões de dólares (cerca de 1,47 biliões de euros), em 2023, quase 95% dos 1,7 biliões de dólares (cerca de 1,56 biliões de euros) registados em 2019.

Estimativas preliminares sobre a contribuição económica do turismo, medida no Produto Interno Bruto Direto do Turismo, apontam para 3,3 biliões de dólares (mais de 3 biliões de euros), em 2023, correspondendo a 3% do PIB global. Isto indica uma recuperação do PIB Direto do Turismo para níveis pré-pandemia impulsionada por um turismo nacional e internacional forte.

Vários destinos reportaram um forte crescimento nas receitas do turismo internacional durante os primeiros 10 a 12 meses de 2023, excedendo, em alguns casos, o crescimento nas chegadas. A forte procura por viagens ao exterior também foi reportada por vários grandes mercados emissores neste período, com muitos deles a ultrapassarem os níveis de 2019.

A recuperação sustentada também se reflete no desempenho dos indicadores da indústria. De acordo com a análise da OMT (Tourism Recovery Tracker), tanto a capacidade aérea internacional como a procura de passageiros recuperaram cerca de 90% dos níveis pré-pandemia até outubro de 2023 (dados da IATA). As taxas globais de ocupação nos estabelecimentos de alojamento atingiram 64% em novembro, ligeiramente acima dos 62% em setembro de 2022 (com base em dados do STR).

Um 2024 promissor, apesar de incertezas
Espera-se que o turismo internacional recupere totalmente os níveis pré-pandémicos em 2024, com estimativas iniciais apontando para um crescimento de 2% acima dos níveis de 2019. Esta previsão central da OMT continua sujeita ao ritmo de recuperação verificado na Ásia e à evolução dos riscos económicos e geopolíticos existentes.

A perspetiva positiva reflete-se no último inquérito do Índice de Confiança do Turismo da OMT, com 67% dos profissionais do turismo a indicarem perspectivas melhores ou muito melhores para 2024 em comparação com 2023. Cerca de 28% esperam um desempenho semelhante, enquanto apenas 6% esperam que o desempenho do turismo em 2024 seja pior que no ano passado. As principais considerações incluem:

Entre as considerações que poderão influenciar o desempenho do ano de 2024 são referidos o “espaço significativo para recuperação em toda a Ásia”, salientando-se que “a reabertura de vários mercados de origem e destinos impulsionará a recuperação na região e a nível mundial”, prevendo-se que o turismo emissor e recetivo chinês “acelere em 2024”, devido à facilitação de vistos e à melhoria da capacidade aérea. Recorde-se que a China está a aplicar isenção de visto para cidadãos da França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e Malásia por um ano até 30 de novembro de 2024.

As medidas de facilitação de vistos e viagens também promoverão viagens para e em torno do Médio Oriente e de África, com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) a implementar um visto turístico unificado, semelhante ao visto Schengen, e medidas para facilitar as viagens intra-africanas no Quénia e no Ruanda.

Na Europa espera-se que a região volte a gerar resultados em 2024. Em março, a Roménia e a Bulgária aderirão ao espaço Schengen de livre circulação e Paris acolherá os Jogos Olímpicos de Verão em julho e agosto.

As viagens provenientes dos Estados Unidos, apoiadas por um dólar americano forte, continuarão a beneficiar destinos nas Américas e noutros locais. “Tal como em 2023, os robustos mercados emissores na Europa, nas Américas e no Médio Oriente continuarão a alimentar os fluxos e as despesas turísticas em todo o mundo”, admite a OMT.

“Os ventos contrários económicos e geopolíticos continuam a colocar desafios significativos à recuperação sustentada do turismo internacional e aos níveis de confiança. A persistência da inflação, as taxas de juro elevadas, a volatilidade dos preços do petróleo e as perturbações no comércio podem continuar a ter impacto nos custos de transporte e alojamento em 2024”; refere a OMT.

Neste contexto, a OMT espera que os turistas “procurem cada vez mais uma boa relação qualidade/preço e viajem para mais perto de casa. As práticas sustentáveis e a adaptabilidade também desempenharão um papel cada vez maior na escolha do consumidor”.

“A escassez de pessoal continua a ser um problema crítico”, salienta a OMT, uma vez que as empresas do turismo enfrentam uma escassez de mão-de-obra para fazer face à elevada procura.

Também a evolução do conflito Hamas-Israel “pode perturbar” as viagens no Médio Oriente e impactar a confiança dos viajantes e a incerteza derivada da agressão russa contra a Ucrânia, bem como outras tensões geopolíticas crescentes, “continuam a pesar sobre a confiança”, conclui a OMT.

Sobre o autorVictor Jorge

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Ricardo Teles (Bestravel)

Depois de uma ano, agora terminado, em que “faltou existir uma ação mais fiscalizadora de algumas ações que prejudicam o normal funcionamento do turismo”, Ricardo Teles, diretor Operacional da Bestravel, tem somente um pedido ao novo Executivo: “poder contar com um Ministério do Turismo”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
O ano de 2023 foi um ano muito exigente, com diversos desafios externos, sejam eles de caráter operacional, como os constantes atrasos e/ou cancelamentos derivados da notória falta de capacidade do Aeroporto de Lisboa (mas não só) ou de caráter geopolítico, com as guerras existentes. No entanto, no universo Bestravel foi um ano extremamente positivo, nomeadamente em termos de vendas, na sequência do que já tinha acontecido em 2022. Continuámos com uma subida acelerada, o que nos permite afirmar que 2023 foi um bom ano para a Bestravel.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Faltou existir uma ação mais fiscalizadora de algumas ações que prejudicam o normal funcionamento do Turismo concorrencial. É essencial que esta fiscalização exista dentro de um setor tão pujante, mas que não pode perder nunca a sua credibilidade perante o consumidor.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Este foi um ano com diversos desafios neste âmbito, com a subida das taxas de juros a níveis bastante altos e com a incerteza de até onde iriam. As notícias nesta reta final de ano têm sido algo mais animadoras nesta questão, primeiro com a sua estagnação, e com a perspectiva de baixa ainda durante o ano de 2024. Também os anunciados aumentos salariais se refletirão numa maior disponibilidade financeira para viajar, portanto olhamos para 2024 com otimismo.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Como enormes desafios para 2024 mantém-se as questões das guerras que alastram por algumas zonas do globo, bem como alguma instabilidade em outras zonas. Esta insegurança, que pode alastrar a países vizinhos dos conflitos, são sempre, para além do drama óbvio para os povos, muito negativos para o setor das viagens. Mas o Turismo tem sabido reinventar-se e adaptar-se.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
Julgo que, tal como todos os portugueses, gostaria de ver finalmente escolhido e lançado o projeto de construção do novo aeroporto de Lisboa, essencial para um normal funcionamento do Turismo de outgoing. Temos todos, em conjunto, conseguido arranjar alternativas, mas a situação tende a agravar-se ano após ano.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
A poder somente efetuar um pedido, seria a de voltarmos a poder contar com um Ministro do Turismo. Estamos a falar de um setor essencial para a recuperação da economia nacional no pós-Covid, mas que continua a ser algo desprezado em termos políticos. Seria essencial uma voz mais forte que permitisse que o Turismo estivesse sempre nas primeiras linhas de discussão e com alguém que estivesse unicamente centrado no mesmo, ao invés de estar perdido no meio de tantas outras atividades.

Sobre o autorCarolina Morgado

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Paulo Mendes (GEA Portugal)

Com a espera relativamente à decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa em destaque, situação que “limita o crescimento das operações charter”, Paulo Mendes, diretor de Contratação e Produto da GEA Portugal, pede “estabilidade política” e uma “maior proximidade com o setor turístico”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
Olhando para o ano de 2023 e fazendo um balanço, podemos dizer que foi um ano extremamente positivo no Grupo GEA. As redes de agências associadas ao Grupo GEA registaram, em termos de produção de lazer, um crescimento de 32%. Apesar de existirem muitos desafios externos, quer em termos económicos, sociais e geopolíticos, internamente podemos dizer que estamos muito entusiasmados com os resultados conquistados em 2023.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
O que faltou concretizar em 2023 foi algo que também não se tendo vindo a concretizar nos anos anteriores e assume cada vez mais um carácter de urgência: o aeroporto de Lisboa, para o qual se exige uma solução iminente.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Acreditamos que, partindo do pressuposto que a inflação está controlada e as taxas de juros estáveis, embora altas, o comportamento da procura vai-se manter similar em 2024. No entanto, não podemos descurar que a instabilidade política e os conflitos geopolíticos de guerra têm sempre um impacto sobre o comportamento do consumidor, podendo criar um clima de retração.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Como referido anteriormente há uma situação que assume carácter de urgência e com a qual estamos preocupados:  a capacidade aeroportuária em Lisboa. A atual situação está a limitar, entre outros temas, o crescimento de operações charter, que são fundamentais para o crescimento nas vendas nas agências de viagens de lazer, que ainda é core da atividade de muitas delas. Adicionalmente, outro desafio será a capacidade do consumidor final de manter o poder de compra para despesas com viagens e lazer.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
Gostava que o ano de 2024 representa-se o início da descida das taxas de juros, isto com o objetivo de aumentar o poder de compra das famílias portuguesas, para que possam ter mais momentos de lazer e melhor qualidade de vida. Por outro lado, em 2024 também poderá passar por mais medidas de apoio para o crescimento do tecido empresarial do setor turístico português.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Em termos políticos, o pedido seria a estabilidade governativa, que tem sempre impacto socioeconómico, nomeadamente, na confiança de consumo dos portugueses. Ainda a nível governativo, pediria maior proximidade com o setor turístico.

 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

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André Gomes, Presidente da Região Turismo do Algarve. Loulé, 22 Agosto 2023. FOTO: VASCO CÉLIO/STILLS

Análise

O que foi 2023 e o que será 2024 – André Gomes (Algarve)

Ultrapassando, pela primeira vez, os 1.500 milhões de euros em receitas, o presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, destaca os números alcançados no aeroporto de Faro. As preocupações estão na manutenção do equilíbrio entre o turismo sazonal e a criação de iniciativas que atraiam visitantes durante todo o ano, bem como a escassez de água.

Victor Jorge

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
No contexto do Algarve, o ano de 2023 foi muito desafiador para o setor do turismo. O balanço geral é positivo, com aumentos nos hóspedes e nos proveitos, que já ultrapassaram os valores registados em 2019, e melhor desempenho a nível de todos os indicadores relativamente a 2022.

Feitas as contas, no final deste ano a região deverá regressar à fasquia dos 5 milhões de hóspedes e 20 milhões de dormidas e, pela primeira vez, o Algarve ultrapassa os 1500 milhões de euros de proveitos anuais no alojamento turístico. O Aeroporto de Faro atinge números impressionantes, superando as melhores expectativas, batendo o recorde de passageiros de 2019, de nove milhões de passageiros movimentados.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
No Algarve houve um esforço para diversificar a oferta turística, captar novos mercados e promover atividades durante todo o ano. No entanto, ainda há margem para uma maior consolidação de estratégias de turismo sustentável, investimentos em infraestruturas e programas de apoio específicos para mitigar os impactos sazonais da atividade turística na região.

Para que o setor atinja todo o seu potencial é necessário continuar a diversificar a oferta turística, investir na qualificação dos recursos humanos para responder a turistas cada vez mais exigentes e aumentar a capacidade de atração de turistas de longas distâncias, que geram maior receita.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
As perspectivas para 2024 são positivas, com margem para crescimento do setor: os impactos da guerra na Ucrânia foram sendo ultrapassados, a inflação está em queda e espera-se que as taxas de juros também comecem a baixar, devolvendo algum poder de compra às famílias portuguesas – o que é uma boa notícia, dada a importância do turismo interno para o setor.

De igual modo, a expansão de rotas aéreas, especialmente para mercados emergentes, é crucial para ampliar a base de visitantes e garantir um crescimento sustentável.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
No Algarve, uma das principais preocupações será a manutenção do equilíbrio entre o turismo sazonal e a criação de iniciativas que atraiam visitantes durante todo o ano.

A região também enfrentará desafios relacionados com a sustentabilidade ambiental, nomeadamente pela escassez de água, recurso indispensável à atividade turística.

A falta de mão-de-obra qualificada e a necessidade de diversificar a oferta e os mercados turísticos serão outros desafios a superar em 2024.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
No Algarve, é urgente encontrar soluções para aquela que é um dos grandes desafios que o destino enfrenta: a falta de água, uma realidade que se agrava de ano para ano e que ameaça a principal atividade económica da região.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
O meu pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024 é que dê a relevância merecida e aposte no setor do turismo como uma das principais prioridades económicas do país. O turismo é um setor que tem um enorme potencial de crescimento e que pode gerar emprego e riqueza para Portugal como nenhum outro setor.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

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