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“Prime” da eDreams ODIGEO alcança 2 milhões de membros

Tendo triplicado o número de membro em apenas num ano, a companhia prevê atingir os 7,5 milhões de subscritores até 2025.

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Novas necessidades nas viagens potenciam procura pelas agências de viagens
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Presidente da República abre Congresso da APAVT
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O Prime, serviço de subscrição de viagens da eDreams ODIGEO, alcançou dois milhões de membros, tendo percorrido mais de 16 milhões de quilómetros e visitado 215 países em todo o mundo.

O Prime é um serviço exclusivo e personalizado que oferece aos subscritores acesso a voos, hotéis e aluguer de viaturas, “permitindo-lhes beneficiar das opções de viagem mais flexíveis, convenientes e acessíveis, ao mesmo tempo que conseguem poupanças significativas”, refere a empresa em comunicado.

“À medida que a procura por viagens de lazer continua a recuperar solidamente, o serviço registou também um grande aumento da sua procura”, reconhece a companhia de viagens online, adiantando que o número de novos membros “praticamente triplicou em apenas um ano”, salientando, ainda que “o desempenho e crescimento do Prime provam que o modelo de subscrição é cada vez mais atrativo para os viajantes de todo o mundo”.

Com base no crescimento do Prime, a empresa prevê alcançar “7,5 milhões de membros até ao ano fiscal de 2025”.

Quase dois quintos (39%) das reservas de voos realizadas com as marcas de agências de viagens da eDreams ODIGEO (eDreams, Opodo e GO Voyages) são efetuadas por membros Prime, sendo que os subscritores têm 2-3 vezes maior probabilidade de reservar viagens adicionais do que os clientes que não são membros Prime, indica a companhia. O serviço provou ser “popular em todos os perfis e grupos etários de viajantes, e mais notavelmente na faixa etária dos 18 aos 35 anos”.

Dana Dunne, CEO da eDreams ODIGEO, salienta que “a abordagem impulsionada pela tecnologia e a nossa escala inigualável em termos de voos, sendo o fornecedor número 2 a nível global, ajudaram-nos a estimular o sucesso do Prime”.

No que diz respeito aos serviços de subscrição, destaca que “são muito populares noutras áreas das nossas vidas, mas o Prime é o primeiro serviço de subscrição de viagens do mundo, oferecendo soluções de viagem mais personalizadas, flexíveis e o mais adaptadas possível às necessidades individuais dos nossos membros. O programa ajudou-nos a aprofundar a nossa relação com os nossos clientes e a compreender melhor as suas expectativas crescentes no que toca à relação qualidade-preço, à escolha e à conveniência na reserva das suas férias”.

Dana Dunne, admite que, “à medida que a procura dos consumidores por viagens continua a evoluir no mundo pós-pandemia, acreditamos que nossa abordagem estratégica e os nossos produtos vão permitir-nos continuar na vanguarda do futuro das viagens”.

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Flexibilização é palavra de ordem no 46º Congresso da APAVT

A flexibilização em toda a cadeia de valor do turismo, como fator fundamental para a recuperação do setor, foi a palavra-chave no painel sobre ‘Tendências do consumidor, capacidade da oferta e velocidade da retoma’, esta quinta-feira no Congresso da APAVT.

A flexibilização em toda a cadeia de valor do turismo, como fator fundamental para a recuperação do setor, foi a palavra-chave no painel sobre ‘Tendências do consumidor, capacidade da oferta e velocidade da retoma’ que teve lugar esta quinta-feira, no âmbito do 46º Congresso da APAVT, a decorrer em Aveiro.

Silvia Mosquera, CCRO da TAP, Frédéric Frére, CEO da Travelstore American Express GBT, Francisco Pita, CCO da ANA Aeroportos/Vinci, Joaquim Monteiro, diretor-geral da Luísa Todi DMC, a que se juntou ainda ao debate, Maria José Costa, da Eventivos DMC, foram categóricos em afirmar que a flexibilização, a continuação dos apoios ao setor, a diminuição da carga fiscal, a necessidade de reter talentos, bem como a clarificação de normas e a sua comunicação clara e atempada, são algumas das questões cruciais para a retoma do turismo.

Se por um lado, os intervenientes deste painel falaram de alguma recuperação com valores a aproximarem-se aos de 2019, da retoma do turismo em Portugal, da performance do mercado, da reafirmação pela TAP de que as agências de viagens são o seu parceiro privilegiado na distribuição, e dos aeroportos nacionais a conhecerem uma boa recuperação, por outro lado pairava o clima de incerteza que o setor está a viver face à nova vaga da pandemia.

Silvia Mosquera, admitiu que a nova variante Ómicron está a provocar um abrandamento das vendas de bilhetes, face à recuperação que se assistia desde setembro. “Estávamos muito otimistas porque a recuperação estava a ser muito boa. Com efeito, em novembro, e agora também em dezembro, estamos a operar 80% da capacidade dos voos que operámos em 2019. São bons números”, disse.

A responsável referiu que a recuperação se fez notar, sobretudo, “no mercado doméstico, étnico, e nas viagens de visita à família e amigos”, enquanto o corporate está a ter ainda algum atraso.

Prudência 

Prudente e conservador está igualmente Frédéric Frére em relação à retoma das viagens de negócios, realçando que não se pode fazer conjeturas a longo prazo, e acredita que há ameaças, mas também oportunidades. Reconhece que com novas atitudes de consumo surgem outras necessidades e motivos para viajar, e que o online apesar de ser importante, há necessidade dos contactos presenciais.

Já os DMC’s estimam um recomeço só a partir da Páscoa. Alertam que neste momento nada acontece, e que pretendem a retoma com eventos. Pedem mais apoios para poderem encarar a situação difícil que atravessam, com anulações e cancelamentos.

afirmou Francisco Pita no 46.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), em Aveiro.

Por sua vez, Francisco Pita disse que, dada a recuperação a que se assistiu no aeroporto de Lisboa, em novembro, “em muitos dias” já se assistiu ao mesmo número de movimentos na Portela que se verificava em 2019. “Temos, de facto, necessidade de um aumento rápido da capacidade aeroportuária na região de Lisboa se queremos continuar a crescer”, reafirmou.

De acordo com o responsável, os comportamentos são assimétricos entre aeroportos e alerta que a nova variante pode obrigar a rever previsões.

Sobre o autorCarolina Morgado

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Parceria APAVT/Deco é caso de sucesso

A APAVT e a Deco estabeleceram um novo compromisso para dinamizar um serviço prestado pela Deco de apoio e consultoria exclusivo e reservado às agências de viagens e turismo associadas da APAVT.

A APAVT e a Deco estabeleceram um novo compromisso para dinamizar um serviço prestado pela Deco de apoio e consultoria exclusivo e reservado às agências de viagens e turismo associadas da APAVT, anunciou Vasco Colaço, presidente da direção da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

O que se pretende, segundo Vasco Colaço, que falava no Congresso da APAVT, que decorre em Aveiro, sobre o tema “Num mundo moderno, agências de viagens e consumidores reforçam parceria” é “ajudar os associados da APAVT a prestarem um serviço mais próximo, eficaz e transparente, que contribua para a melhoria da confiança entre o cliente e a sua agência e permita às agências de viagens estarem sempre atualizadas face ao desenvolvimento do mercado, anteciparem novas tendências e cumprirem rigorosamente com as normas aprovadas”.

Este trabalho conjunto, disse “permitirá que cada agência possa valorizar o relacionamento com os seus clientes através da publicitação de uma menção distintiva da Deco que irá reforçar a confiança dos consumidores quando contratam com as associadas da APAVT. Assim, convidou os agentes de viagens a contatarem a APAVT e a Deco para conhecer melhor este serviço, as suas vantagens e o seu potencial.

Conforme lembrou Vasco Colaço, começou por ser uma parceria “improvável porque junta duas associações que aparentemente têm causas e interesses antagónicos, mas que na verdade têm o objetivo comum que é servir o melhor possível os consumidores e clientes”.

Esta parceria entre a APAVT e a Deco nasceu em 2005 justamente com o objetivo de “dar uma melhor resposta às queixas dos consumidores de forma a tornar essas respostas mas rápidas, isentas e eficazes”, referiu o responsável, para acrescentar que o seu sucesso “é hoje inquestionável uma vez que 90% das queixas relativas às viagens organizadas passaram a ter uma resolução satisfatória.

Reconheceu ainda que “para este sucesso é justo realçar o papel fundamental desempenhado pelo Provedor do Cliente das agências de viagens e turismo, cuja criação em 2003, é o reconhecimento da importância que a APAVT dá à promoção da defesa dos direitos dos consumidores, mas é também o reconhecimento da importância que dá à criação de uma relação de confiança e de transparência entre o cliente e as agências de viagens”.

Vasco Colaço explicou que ao longo destes 16 anos de cooperação, a Deco e a APAVT “assumiram posições conjuntas relativas à proteção dos consumidores face a insolvências massivas, apresentaram iniciativas conjuntas relativamente à legislação do sector, e garantiram soluções aos consumidores face a disrupções do mercado”, e que esta parceria “tornou-se tão exemplar que foi considerada pelo Parlamento Europeu como um caso único internacional de relacionamento entre a indústria do turismo e os consumidores”.

A recente pandemia veio confirmar os benefícios dessa cooperação, assegurou Vasco Colaço, para recordar que, em fevereiro de 2020, numa altura em que se realizavam as viagens de Carnaval, que se pagavam as de finalistas, e se decidiam os destinos de verão a Deco foi submersa por uma avalanche de queixas dos consumidores que foram confrontados com cancelamentos de voos, encerramentos de hotéis e restrições sanitárias. A legislação não respondia com clareza a essas incertezas e tanto os consumidores como os operadores turísticos corriam o risco de não verem ou não serem reembolsados.

Assim, “durante esse período de emergência, a Deco e a APAVT trabalharam intensamente para encontrar soluções que salvaguardassem o mercado e defendessem os direitos dos consumidores”, destacou, para apontar que “vivemos momentos muito intensos e de grande incerteza, sujeitos a enorme pressão e, se foram ultrapassados, foi porque trabalhámos em conjunto, numa base de confiança e respeito.

No entanto, a indústria das viagens e turismo confronta-se com novos desafios e exigências. O presidente da Deco está convicto que “a confiança na responsabilidade e transparência são hoje aspetos muito importantes na tomada de decisão dos consumidores. A comunicação e a proximidade com o consumidor nunca foram tão importantes como hoje, sobretudo numa altura em que o mercado produz, de uma forma cada vez mais rápida, novos produtos e serviços de turismo”.

Para responder a todas essas novas exigências e desafios a APAVT e a Deco voltaram a trabalhar em conjunto para formalizar novo protocolo com o objetivo de reforçar a proteção dos direitos dos consumidores no que diz respeito à informação e à capacitação das agências de viagens. É neste quadro que se insere a dinamização deste apoio e consultoria exclusivo e reservado às agências de viagens e turismo associadas da APAVT por parte da Deco.

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Congresso da APAVT: Marcelo pede “clarificação” a quem concorre às eleições sobre aeroporto, TAP e ferrovia

A abrir os trabalhos do 46.º Congresso da APAVT, o Presidente da República deixou vários recados a quem concorre às próximas legislativas e pretende ser Governo.

Victor Jorge

No dia em que Portugal ultrapassou os 4.500 casos de infeção por COVID-19, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, abriu o 46.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) salientando que “o turismo é abertura”, destacando o “heroísmo das agências de viagem em 2020 e 2021”.

Admitindo que a decisão mais difícil dos últimos tempos foi a declaração do estado de emergência e a sua posterior renovação, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “essa decisão foi mil vezes mais difícil que a dissolução da Assembleia da República”.

Respondendo a várias perguntas que foram deixadas no início dos trabalhos por Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, e Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), a primeira foi: “Como vai a pandemia em Portugal?”. A diferença, segundo o Presidente da República, “não está nos números relativamente há um ano. A diferença está no número de internados, cuidados intensivos e mortos”.

Além deste facto, Marcelo Rebelo de Sousa salientou a vacinação, assinalando a posição (número 1) de Portugal na Europa e no mundo, referindo que, “enquanto alguns estão a tentar chegar à nossa posição, nós estamos a avançar já com a terceira dose”.

No que diz respeito à nova variante, o Presidente da República (PR) apelou à “serenidade”, pedindo que se “afaste qualquer alarmismo”, destacando que, “o que precisamos é de prevenção”.

À pergunta sobre o estado da economia, presente e futura, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou os números avançados pela OCDE e outras entidades nacionais e internacionais, ou seja, “crescimento de 4,2% para o 3.º trimestre, 4,8% para o ano” e para 2022, um “crescimento de 5,8%”. Ou seja, “iremos crescer 10% nestes três anos”.

Neste capítulo, destacou ainda a “capacidade inventiva e de recriação das nossas empresas e empresários que é excecional”, frisando que se trata de “saber reconstruir e começar a reconstrução”. “No fundo, o turismo é isso”, assinalou Marcelo Rebelo de Sousa.

No que diz respeito ao papel das agências de viagem em todo este cenário, o PR classificou-a de “essencial no ressurgimento do turismo”, abordando ainda a problemática da falta de quadros, com destaque para a falta de pessoas, particularmente, no turismo”, embora reconheça que a mão-de-obra reajustou-se e partiu para outros setores”.

Confiante quanto aos números da inflação, nomeadamente, que se mantenham baixos, Marcelo assinalou que “o investimento externo está a subir, no ‘antigo’ e no ‘novo’ turismo”.

No âmbito político e, mais concretamente, no Orçamento de Estado (OE) para 2022, a convicção do PR é a de que “nunca Portugal possui tanto dinheiro para investir” com o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) bem como os fundos provenientes programa 20-30 que não dependem do OE.

Marcelo deixou ainda a esperança de que o novo Governo “será rápido” na aprovação de um novo orçamento, convencido de que a “governabilidade e sustentabilidade estarão presentes na viabilização” do futuro documento.

Já quanto ao novo aeroporto, voltou a frisar o que já tinha dito afirmado em eventos anteriores, deixando, contudo, uma esperança: a de que, quem concorre às próximas eleições “clarifique a sua posição sobre o novo aeroporto para não haver mais surpresas”.

Indicando que “o país não suporta mais taticismos”; Marcelo deixou um “pedido”: “que se tome uma decisão e que seja ainda em 2022”.

Quanto à Ferrovia, esta “terá de ser uma aposta, seja no geral, seja na que tem potencial económico”, ou seja, alta velocidade, assinalando que, também aqui, “os concorrentes às eleições têm de tomar uma decisão”.

Outro tema a “precisar de clarificação”, é a TAP. “Sonhar com um ‘hub’ forte em Portugal, implica apostar na reforma da TAP e na viabilização da mesma. Não há alternativa”, frisou.

Deixando claro que “não há ninguém a vir de outra galáxia para salvar a TAP”, o Presidente da República assinalou, contudo, que “há parcerias que se podem fazer e a nível nacional”, mas, mais uma vez, “aqueles que querem governar o país têm de se pronunciar, concluindo que “estas são as virtualidades dos atos eleitorais e a grande ocasião de explicitar as posições”.

Presidente da CTP pede continuação da atual SET
Antes do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Calheiros, presidente da CTP, agradeceu ao Presidente da República por ser “o grande aliado do setor do turismo”, pedindo até que a atual secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, continue no cargo, já que “estamos habituados a vê-la anunciar uma medida e a concluir dez, enquanto os políticos anunciam 10 e concluem uma”.

“Vai para dois anos que estamos em pandemia e temos de estar unidos e caminhar juntos”, desejando que “seja debelada o mais rapidamente possível para voltarmos à normalidade”.

Deixando claro que o país “não cresce há 20 anos”, Calheiros espera que, a seguir à saúde, o próximo Governo seja o Governo da “economia e das empresas, que reduza os impostos, que arrisque”, já que “estamos a falar de mais de 50 mil milhões de euros”.

Quanto ao aeroporto, também aqui, o presidente da CTP voltou a repetir o que vem dizendo: “não é aceitável que a principal infraestrutura aeroportuária esteja para decidir há 50 anos”. Até porque, concluiu, “o futuro do nosso país e da nossa economia passa pelo turismo”.

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Congresso APAVT: “Não estamos a pedir apoio. Estamos a exigir” afirmou Pedro Costa Ferreira

Pedro Costa Ferreira, abriu o 46º Congresso da APAVT, que decorre em Aveiro, a afirmar que “não estamos a pedir apoio. Estamos a exigir”, face à situação que o setor do turismo está a atravessar devido à pandemia, realçando que “é urgente que se confirme a continuação do apoio à retoma, pelo menos até à Páscoa”.

Pedro Costa Ferreira, abriu o 46.º Congresso da APAVT, que decorre em Aveiro, a afirmar que “não estamos a pedir apoio. Estamos a exigir”, face à situação que o setor do turismo está a atravessar devido à pandemia, realçando que “é urgente que se confirme a continuação do apoio à retoma, pelo menos até à Páscoa”.

“O setor chega ao dia de hoje com razões para festejar e com motivos para exigir”, disse o presidente da APAVT para adiantar que o setor da distribuição tem razões para festejar tanta capacidade de resistência, tanto sofrimento passado, tanto desafio vencido, nunca abandonando uma característica única que uniu e justificou tudo o resto, a vontade de servir o cliente, princípio e fim de toda a nossa atividade”.

Mas nem tudo foram ou são rosas para a economia e o turismo em geral, e o setor da distribuição em particular. “Desde logo, perdas absolutamente violentas, destruição dos capitais próprios, e endividamento das empresas e dos empresários, factos que representarão pesada herança nos próximos anos”, afirmou ainda Pedro Costa Ferreira no seu discurso de abertura do congresso da APAVT, que conta com a participação de mais de 600 pessoas.

Costa Ferreira fez justiça ao conjunto de apoios que o Governo disponibilizou ao turismo que, em sua opinião foram fundamentais, realçando que “o apoio à manutenção do emprego tem sido fundamental, assim como o apoiar.pt se revelou da maior importância, enquanto durou”. Por outro lado, no caso concreto das agências de viagens, a derrogação temporária da diretiva das viagens organizadas, que permitiu a gestão dos reembolsos, “foi sem dúvida da maior relevância”, num trabalho liderado pela secretária de Estado do Turismo, Rita Marques junto da Comissão Europeia, que permitiu que os reembolsos aos clientes se processassem, temporariamente, através de vales.

Mas também afirmou que esses apoios foram insuficientes, “frequentemente tardio o momento em que ocorreram, bem como, demasiadas vezes, foram difíceis os processos administrativos de acesso aos mesmos” disse o presidente da APAVT que apelou a que não acabem “sob pena de inutilizarmos os esforços já desenvolvidos, transformando então fundo pedido em saco roto. Por outras palavras, é imprescindível que não permitamos que o sector, e com ele a capacidade de recuperação do país, morram na praia, por interrupção dos apoios necessários”, frisou o dirigente associativo.

Em relação à retoma do turismo, Pedro Costa Ferreira lembrou que “será lenta, desigual e assimétrica. Por outro lado, será precisamente no momento do regresso, que as necessidades de tesouraria serão mais óbvias”, ou seja, “o momento de maior risco para o setor e para a recuperação económica do país”.

Daí que, ”esperamos preocupados, no momento mais crítico das nossas empresas, que os políticos se organizem e construam um diálogo urgente, um orçamento credível, e um quadro de apoios capaz de manter vivas, as oportunidades de crescimento do nosso país. O tempo está a fugir”, considerou ainda o presidente da APAVT, indicando ainda ser crítico que se reative o programa apoiar.pt

Na sua intervenção, Costa Ferreira enumerou as prioridades do turismo, colocando o problema da solução aeroportuária. “Todos sabemos que queremos chegar ao ano de 2027 com a performance turística prevista para esse ano, antes da eclosão da crise, mas também, todos sabemos, que, sem uma solução aeroportuária, é bem mais provável que cheguemos a 2027 com números turísticos inferiores aos de 2019”, evidenciou.

O dirigente considerou também decisivas as questões relacionadas com a sustentabilidade e, consequentemente o problema da ligação ferroviária de alta velocidade, bem como a flexibilidade e a união ao longo de toda a cadeia de valor e sentido de estratégia.

 

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ASGAVT considera “inadmissível” o atraso nos apoios ao turismo

A ASGAVT– Associação de Sócios Gerentes das Agências de Viagens e Turismo, considera “inadmissível” o atraso nos apoios ao turismo, atividade económica mais afetada por esta pandemia.

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A ASGAVT– Associação de Sócios Gerentes das Agências de Viagens e Turismo, considera “inadmissível” o atraso nos apoios ao turismo, atividade económica mais afetada por esta pandemia, “situação que esta a causar graves constrangimentos em todo o setor”.

Em comunicado de imprensa, a associação refere que “os fundos de apoio à tesouraria do Turismo de Portugal, que anteriormente eram de rápida aprovação e liquidação neste momento estão pendentes a meses as suas validações e posteriores liquidações”, enquanto “o IAPMEI, esta a demorar cerca de um mês a analisar os processos, que pela sua simplicidade deveriam ser analisados em dias”.

Diz ainda o mesmo comunicado que “a inoperância desta entidade (IAPMEI), faz com que tenhamos empresas com projetos aprovados e contratos assinados a aguardar há mais de 15 dias pela validação e libertação dos fundos”.

A ASGAVT lembra que “este ano o pico de época do inverno acabou por se tornar numa angústia para nos e para os nossos clientes. O Carnaval despareceu tal como metade das férias da Páscoa. Para o Natal já foram decretadas mais restrições. O aperto no controlo fronteiriço aliado as restantes restrições, que apesar de serem consideradas essenciais para a nossa proteção, acabaram com as já poucas reservas que íamos tendo. O receio de não poder concretizar as reservas já efetuadas, fez com que esta manhã se iniciasse um pedido massivo de cancelamentos”.

Assim, “resta-nos mais uma vez solicitar ao nosso governo que olhe para nosso sector com responsabilidade e de uma forma assertiva e rápida, correndo o risco, de caso não faça, criar uma onda de falências e desemprego nunca antes visto neste setor. Mais uma vez não seremos encerrados por decreto mas o decreto vai ditar a nossa impossibilidade de trabalhar, destaca a ASGAVT na sua nota.

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“Temos de ter a noção de que teremos de ser muito eficazes”

Analista, consultor, ex-governante, Paulo Portas estará no Congresso da APAVT para indicar alguns caminhos passados e futuros. As incertezas são grandes e conhecem atualizações constantes e nesta entrevista, feita antes de conhecidas as “novidades” da variante Omicron, Paulo Portas admite que “o mundo que gira à volta do turismo é enorme”, não percebendo “por que razão devemos dar um pontapé naquilo que nos ajuda a criar riqueza”.

Victor Jorge

Muito se tem falado na recuperação ou retoma do setor do turismo, da importância do mesmo para a economia do nosso país e o que se pode, deve e tem de fazer. Em entrevista, Paulo Portas, ex-vice-Primeiro-Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, jurista e empresário, dá a sua visão (crítica) relativamente a diversos temas. A começar pelo aeroporto e pelas “injustiças” cometidas contra o setor privado. Tudo isto em entrevista no âmbito do 46. Congresso da APAVT e antes de conhecidas as mais recentes novidades relacionadas à nova variante da COVID-19.

O título da sua intervenção no 46.º Congresso da APAVT é “Recuperação pós-Covid: tendências globais, europeias e nacionais – As questões do crescimento, as incertezas da retoma e o futuro da economia”. Já estamos em recuperação? E que incertezas existem ou poderão existir relativamente a essa mesma retoma no turismo?
Se compararmos 2021, como provavelmente vai terminar, com 2020, obviamente que estamos a recuperar e, felizmente, com bastante força e sustentação. É preciso termos a noção de que em 2020, o ano mais trágico de todos os pontos de vista, as dormidas, em Portugal, caíram, em hotéis, 65% face a um ano normal. Em Alojamento Local, a quebra foi de cerca 59% e mesmo em espaço rural, mais protegido, o decréscimo rondou os 35%. Por isso, comparando com 2020 estamos substancialmente melhores.

Se compararmos com o último ano normal das nossas vidas – 2019 – ainda não chegámos ao nível em que podemos dizer que recuperámos o ponto de partida.

Mas 2019 foi um ano recorde. Será que podemos bater recorde atrás de recorde?
Foi. Aliás, Portugal foi, sucessivamente, batendo recordes. 2019 é o último ano com o qual nos podemos e devemos comparar e não sou favorável a comparações deliberadamente pessimistas, porque acho que nós, como país, como setor privado, devemos ter ambição e essa é, sem dúvida, superar os anos melhores.

A verdade é que se olharmos para um bom indicador, que não é completo, mas que é bastante interessante, o tráfego dos aeroportos portugueses, fechará, tudo indica, o ano 2021 com um contributo bastante assinalável do último trimestre, portanto de outubro a dezembro, a correr manifestamente bem, fecharemos o ano entre 70 a 80% do nível de 2019.

É preciso ter a noção de que as projeções para o próximo ano, que poderíamos pensar como o ano da aterragem normal e definitiva, não são tanto assim porque apontam, se formos pessimistas, para cerca de pouco mais de 70% do nível de 2019 ou num cenário mais otimista um pouco mais de 80%. Isto porque há incertezas associadas a esta fase a que chamo transformação da pandemia em endemia. Ou seja, nós temos incertezas ainda do lado da saúde publica, porque temos incertezas relativamente à possibilidade de existência de variantes e ao peso que têm no bloqueio da sociedade no nível da não vacinação deliberada que, felizmente em Portugal, é relativamente baixo, mas que em vários países europeus, para não falar dos EUA, é altíssimo.

Quando uma parte da sociedade recusa a solução que a ciência lhe oferece para voltarmos a ter uma vida normal, isso impede os mercados e as administrações de funcionarem completamente abertos.

Temos visto países a aumentarem o número de casos, regresso de confinamentos e taxas de vacinação abaixo dos 30%.
Essa realidade é desastrosa. Todos os países europeus com menos incidência de vacinação estão a Leste. Não são todos, mas alguns são especialmente críticos. A permeabilidade dos sistemas ao negacionismo e às teorias de conspiração, esta gente que se dedica a inventar e não a trabalhar que é como estão as democracias na Europa, isso tem consequências económicas.

Em geral, devo dizer, uso sempre o conceito de assimetria para explicar as consequências económicas da pandemia. Esta pandemia é mundial, global, mas não é assimétrica. É preciso fazer esta distinção subtil, porque é muito importante. O mundo nunca esteve aberto ao mesmo tempo em todo o lado e o mundo nunca esteve fechado ao mesmo tempo em todo o lado. Isto tem consequências económicas enormes.

E mesmo atualmente ainda estamos longe dessa assimetria, 20 meses depois do início desta pandemia.
Sim, veja-se o Reino Unido e outros países europeus, a Ásia. A diferença entre a pandemia e a endemia é que na pandemia o vírus controla-nos a nós, na endemia somos nós que controlamos o vírus.

Numa, estamos sempre a fazer face ao desconhecido, na outra, habituamo-nos a gerir esta dificuldade.

O peso do turismo
Encontrei um comentário que fez a 11 de abril de 2020 [no espaço semanal na televisão] relativamente ao setor do turismo e à chamada de atenção que fez ao peso que o mesmo tinha na economia nacional. 1 em cada 5 euros que Portugal encaixava vindo do estrangeiro vinha do turismo. 20 meses depois, que turismo temos e, fundamentalmente, que turismo teremos no futuro em Portugal em termos de importância económica?
Sim, o turismo representa cerca de 20% das exportações portuguesas. É um quinto de uma economia que acelerou bastante a sua componente exportadora, felizmente, em tempos muito difíceis. Nem sempre as pessoas têm a noção de que economicamente, o turismo aparece na coluna das exportações. Parece importação de pessoas, mas é exportação de serviços.

Lembro-me do presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, referir, em março de 2020, que se tratava de salvar a Páscoa, em maio era salvar o verão, em outubro o Natal e o Ano-Novo, e por aí adiante. E estamos em finais de novembro de 2021 a pensar salvar 2022. Conseguiremos salvar o turismo em Portugal em 2022, apesar do que está a acontecer por esse mundo fora (novo aumento de casos, aumento dos combustíveis, instabilidades económicas, etc.)?
O turismo tem um peso especialmente relevante em países como Portugal, Espanha, Grécia, Itália, entre outros, na formação do PIB e no valor acrescentado da economia.

Tudo o que está à volta do turismo representa cerca de 20% das nossas exportações, a procura turística representa cerca de 15% do PIB e o turismo, em si mesmo, no último ano com estatísticas normais, representou quase 9% do valor acrescentado da nossa economia.

Outro “pequeno pormaior”, o turismo, entre 2018 e 2019, representava quase 450 mil empregos. É muita gente, muitas famílias, muitos jovens dependentes da atividade turística.

E quando digo atividade turística, volto à sua pergunta, sempre me pareceu óbvio que numa pandemia com esta intensidade, os setores que seriam mais afetados no tempo, ou seja, mais impactados direta e persistentemente, seriam todos aqueles que tivessem uma relação com a ideia de multidão.

Até as pessoas ganharem confiança para entrar num avião ou estarem junto com dezenas, senão milhares, num aeroporto, num hotel onde existem centenas de quartos, estarem em congressos e conferências com muitos participantes, isso depende de uma palavra que atualmente vale ouro: confiança.

Sempre me pareceu que pelo facto de em Portugal o turismo ter um peso especificamente mais forte …

Demasiado forte?
Não, acho que Portugal não tem de limitar as suas capacidades naturais nem as suas capacidades se recursos humanos.

Mas houve quem afirmasse que o turismo teria peso a mais na nossa economia.
Sim, houve. E não foi há demasiado tempo que ouvíamos meios bem-pensantes dizerem, às vezes com desdém, que havia turistas a mais. Recordo que em 2020 tivemos o custo de ter turistas a menos. De maneira que as pessoas, eventualmente, possam fazer agora uma avaliação mais justa.

Portugal tem enormes qualidades naturais, tem muito boas qualidades de recursos humanos, é um país comparativamente seguro, um país hospitaleiro, um país com um acesso e facilidade no uso das línguas estrangeiras mais natural do que outros, é um país que foi sabendo, sobretudo ao longo dos últimos 10 anos, construir uma marca do ponto de vista internacional, um país muito premiado do ponto de vista turístico. Por isso, por que razão devemos dar um pontapé naquilo que nos ajuda a criar riqueza e a superar níveis de desenvolvimento que são inferiores aos desejados?

Outros iriam agradecer?
Claro, tudo o que rejeitarmos, outros aproveitarão. Mas é preciso ter atenção que relativamente a 2022 há ainda alguns pontos de interrogação.

Para ser justo, mais uma vez, sabemos mais hoje sobre a pandemia do que sabíamos há um ano. Mas ainda não sabemos tudo. Um dos fatores que é ainda incerto tem a ver com a existência de variantes, embora a história das pandemias aponte para um número de vagas, cujos critérios de classificação vão variando, mas que durou mais ou menos o tempo que esta durou …

Influências externas
Já está a falar no passado?
Falo no sentido que estamos a fazer uma transição para a endemia. O facto de a pandemia passar a ser endemia não quer dizer que o vírus tenha desaparecido, quer apenas dizer que o sabemos controlar.

Por outro, existe uma assimetria económica por causa daquele princípio de que o mundo não está todo aberto ao mesmo tempo e não está fechado todo ao mesmo tempo.

Estamos a viver um conjunto de fatores que refletem alguma incerteza sobre o ano de 2022.

Os preços estão a subir e não é só o preço no supermercado. Tudo o que dependa dos preços da energia ou dos combustíveis, obviamente, vai refletir-se no desajustamento entre a oferta e a procura a que o mundo está a assistir.

Até as próprias cadeias de fornecimento e/ou de logística contribuem para isso?
Exato, as cadeias de fornecimento estão interrompidas em muitos casos e os prazos de entrega estão, às vezes, duplicados e os custos anormalmente altos.

Sabemos que não é um fenómeno definitivo, mas, em 2022, ainda teremos que conviver com o impacto destes fatores nas condições da oferta turística.

Na altura, defendia, igualmente, uma cooperação ou aliança entre Estado e setor privado, admitindo ser “determinante” no turismo, bem como “uma estratégia agressiva em termos internacionais”.
Não pode ser de outra maneira. Nós somos uma economia relativamente pequena, muito dependente, como é evidente, das conjunturas externas. É a única maneira de nos desenvolvermos. Não nos podemos fechar. Se nos fecharmos empobrecemos.

Em circunstâncias excecionais valem de muito pouco as receitas de manual, porque elas não são feitas para circunstâncias excecionais.

Para mim o turismo pode começar na fronteira terrestre ou na marítima, mas quando vemos a quantidade de turistas a chegar ao aeroporto, as agências de viagens, as reservas para os hotéis, os rent-a-car, os guias, a restauração que é beneficiária líquida da atividade turística. Ou seja, o mundo que gira à volta do turismo é enorme. Todo ele depende da restauração da confiança quanto à ideia de que se pode estar com mais gente num determinado local. Isso vai avançando.

Há sinais da recuperação do chamado turismo de convenções ou conferências onde sempre achei que Portugal poderia ser competitivo se fizesse o seu trabalho de casa.

Mas há um ponto de interrogação sobre um segmento muito importante: o turismo de negócios.

A pandemia gerou ou não gerou uma alteração estrutural no comportamento das empresas e quadros relativamente a viagens curtas? Portugal tem uma dependência do turismo corporativo mais elevada do que a média europeia. Aí, acho que os sinais de recuperação são mais tímidos. Alguma alteração veio para ficar.

A chamada digitalização ou transformação digital do trabalho?
É um problema de economia de meios, de poupança por parte das empresas. Os quadros poupam tempo e algumas coisas que antes eram feitas presencialmente e com uma viagem, hoje em dia serão menos feitas dessa maneira. Parece-me que alguma alteração estrutural veio para ficar. Há quem diga 20%, há quem diga que é 40%, ninguém sabe.

Mas volto a frisar que o turismo de convenções e conferências é uma das oportunidades absolutamente extraordinárias para um país que tem sol até ao fim de outubro.

O presidente do Turismo de Portugal Luís Araújo, sempre disse que era preciso manter os motores a trabalhar para que, quando fosse dado o tiro de partida, Portugal pudesse estar na linha da frente. Pergunto-lhe se Portugal está, de facto, na linha da frente comparando com os seus mais diretos concorrentes (Espanha, Itália, Grécia, Croácia, França)?
Portugal, sendo um caso genericamente semelhante a todos esses países que citou, tem circunstâncias absolutamente singulares. Os países são o que são e devem desenvolver o seu melhor. Ninguém é competitivo em todos os critérios, mas onde queremos ser competitivos, temos de ter a ambição de estar nos três primeiros da Europa.

Há muitos critérios de competitividade, mas nenhum país vai ser competitivo em todos. Mas se nós, naqueles em que queremos ser competitivos, tivermos a ambição de ser o 1.º, 2.º ou 3.º, tenho a certeza de que o modo de progresso é maior.

É mais fácil dizer no setor público que se liga a chave, do que no setor privado. Uma parte desse setor privado colapsou.

Se conseguirmos vencer as incertezas, se não tivermos hesitações quanto à 3.ª dose da vacinação, conseguiremos. Estamos a achegar ao inverno, período que já nos pregou partidas no passado, e estamos a atrasar-nos na 3.ª dose. Esta está a ser dada somente a pessoas com mais de 65 anos. Ora, a força de trabalho essencial do país está abaixo dessa idade. Temos de nos despachar nessa matéria, ser muito profissionais e, com toda a franqueza, não podemos dar um centímetro de espaço aos negacionismos e teorias da conspiração. Essa gente dá cabo das economias.

Mas disse que parte do setor privado colapsou. Pergunto, voltará a erguer-se?
Uma das grandes vantagens da economia de mercado é que nada se perde, tudo se transforma. De facto, há quem fique para trás, mas nascem outros projetos. Muitas empresas aproveitaram para fazer reestruturações, olharam para o seu modo de funcionar e tentaram melhorá-lo. O setor privado é, neste aspeto, muito mais ágil do que as administrações do Estado.

Gostaria, por exemplo, que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) fosse muito mais orientado para o setor privado, pela simples razão, e não por um critério ideológico, que 80% do emprego e da riqueza criada em Portugal é pelo setor privado.

As (várias) incertezas
Acresce-se a incerteza política que em nada vem ajudar?
Temos um Governo que está em plenitude de funções. Não ponham na cabeça que o Governo caiu ou que está em gestão. Nem caiu, nem está em gestão.

Não é boa ideia para o país defender que o Governo não pode fazer nada, porque senão perdemos um trimestre, pelo menos. E um trimestre tem valor económico.

Como não temos riqueza para perder, não nos podemos dar ao luxo de perder um trimestre ou dois.

Acho que é preciso encontrar um equilíbrio entre o que o Governo deve poder fazer, porque está em funções, e aquilo que não é aconselhável que faça por, não sendo um Governo de gestão, ser em todo o caso um Governo que transita para um futuro Executivo seja ele qual for.

Mas não se deve nem pode defender que a Administração fique parada.

Não nos podemos esquecer que o PRR tem um prazo de execução curto e não podemos andar a deitar trimestres ou semestres pela janela ou que não o executamos em tempo. Não há tempo para prolongamento.

E é preciso não esquecer que isto acontece uma vez, não há segundas nem terceiras hipóteses, não há nenhum tesouro europeu. Apesar das dificuldades próprias do sistema político democrático, temos de ter a noção de que teremos de ser muito eficazes.

Quando falamos de turismo, 2020 e 2021 teve no turismo interno um eixo essencial.
Sim, de facto, ganhámos alguma intensidade no mercado ou turismo interno e eventualmente, alguma dela, não toda, perdure. Não toda, mas alguma.

E temos os mercados de proximidade que, ao contrário, dos transatlânticos assumem uma importância nos tempos mais próximos?
Sabemos, atualmente, do que dependemos. Isso não tem ciência. Se porventura, houvesse uma circunstância em que Reino Unido, Espanha, Alemanha, França estivessem fechados ao mesmo tempo, seria dramático.

Sabemos todos que dependemos desses mercados e que é preciso um esforço enorme para diversificar. Sabemos onde podemos crescer. Onde é? Em mercados que estão a crescer sustentadamente acima do crescimento global e que está a criar novas classes médias.

Incertezas TAP e aeroporto
É impossível falar em turismo, ou melhor, crescimento do turismo em Portugal sem abordar certas e determinadas infraestruturas como, por exemplo, o novo aeroporto para a área de Lisboa?
Não consigo entender a hesitação sobre o novo aeroporto. Sou favorável, como sempre fui, por economia de meios e porque a nossa divida é o que é, à solução Portela +1 e não consigo entender a exaustão de tempo que tudo isto tem demorado.

Naturalmente que agora haverá argumentos para o conforto, com a justificação de que só iremos recuperar em 2023 ou 2024.

Mas o aeroporto não se constrói em um ou dois anos?
Mesmo por isso, não podemos esperar. Sendo evidente que a Portela já estava a atingir um ponto de limite. Pode fazer obras, aumenta-se esse limite …

Há quem diga que esse limite já foi atingido em 2019?
Com as obras aumentaria, porque é sobretudo um problema de espaço para os aviões.

Não temos recursos para fazer um completamente novo, porque isso é muitíssimo mais caro.

Quando fala de novo, refere-se a Alcochete?
Seja o que for, um completamente novo, de raiz. A nossa dívida é quase 135% do PIB e é preciso que tenhamos a noção de que este problema virá ter connosco.

Basta que se verifique uma alteração na economia internacional, tendencial, que já se começa a notar, com os juros a não ficarem a zero nem neutrais.

Sou muito pragmático: preciso de mais infraestrutura aeroportuária? Sim! Tenho capacidade para fazer um aeroporto de raiz, novo? Gostaria de ter, mas não tenho! Há uma hipótese de o fazer? Sim! Então porque não começa?

Acho que o raciocínio é tão lógico que faz confusão.

Acredita nas datas avançadas pelo ‘chairman’ da ANA no Dia Mundial do Turismo ao dizer que teremos aeroporto em 2035 ou 2040?
Isso é estrita responsabilidade do decisor político. Ora decide-se, ora não se decide, ora são os ambientalistas, ora são os municípios, ora são os lobbies, ora são as pressões para que se construa noutro lado e com outros meios.

Sabe que há coisas que são difíceis de decidir, agora a equação é tão evidente: preciso, não tenho meios para fazer um completamente novo, tenho uma hipótese de fazer um que é complementar, era por aí que ia.

Fico baralhado com tudo isto, porque já sou pela solução Portela +1 há muitos anos. Este debate não começou ontem e é evidente que os atrasos têm como consequência aumentar a pressão para um aeroporto completamente novo.

Que vai adiar ainda mais a sua conclusão?
E, sobretudo, olhem para os custos. Somos a 3.ª maior dívida da UE.

Falar de turismo também é falar da TAP. Como vê a solução para a companhia nacional?
Há muitas coisas para além da TAP. O que me preocupa mais no caso do ano turístico que aí vem são os preços.

A aproximação que tenho da realidade é que, por exemplo, em viagens de curta duração de negócios, o preço está a duplicar.

Pessoas vs digital
E saída do capital humano do setor do turismo. Em sua opinião, quem saiu, irá regressar ao setor?
Ainda não voltou toda a gente. O turismo é um setor que em condições normais é crescente. Isto depende muito da resiliência das empresas e também da estabilidade e do prolongamento dos programas de apoio.

Sempre achei que os programas de apoio para o setor do turismo deveriam ser muito mais prolongados que para os outros setores.

A radicalidade do impacto é completamente diferente. Imagine-se o ano económico de um hotel que perde 2/3 dos clientes? O que é que isso significa em termos de recursos humanos, custos de manutenção, etc..

Há dois temas reforçados com a pandemia: sustentabilidade e digitalização. Portugal tem capacidade para se tornar num destino turístico interessante do ponto de vista sustentável aos olhos do turista internacional?
Acho que está entre os que demonstram maior capacidade. Sabe que desconfio muito da retórica dos grupos de protesto. O problema essencial da descarbonização não está na Europa. Saibamos olhar para os dados e em vez de convocar manifestações a protestar contra os europeus, talvez fosse mais útil, interessante e mais verdadeiro protestar com quem tem realmente responsabilidades muito sérias no agravamento na questão do carbono. E onde é que estão essas responsabilidades? Estão essencialmente na China, Índia, em parte ainda nos EUA, embora com melhorias.

Falamos do clima, protestar contra todos e culpar aqueles que mais se esforçaram para melhorar as coisas não me parece razoável. Ora, Portugal está na Europa, é um país que se soubermos proteger o nosso património, se soubermos proteger a nossa memória e a nossa história, se formos muito profissionais na formação dos quadros e dos colaboradores, se toda a gente quiser fazer mais e melhor o seu trabalho, teremos tudo para vencer.

No que diz respeito à digitalização, o maior problema está na Administração Pública. Se se vai investir milhares de milhões de euros na digitalização da Administração Pública, gostaria de ter resposta a uma questão que nunca ouvi ser levantada: e quantos processos é que isso simplificará para o cidadão que é cliente? E quantas pessoas serão necessárias?

A digitalização da Administração Pública é uma verdadeira transformação ou é um upgrade informático? E se é uma verdadeira transformação, têm de me dizer quanto tempo é que isso vai poupar?

O setor das agências de viagens foi um dos mais afetados dentro do todo do turismo?
Sobretudo, porque hoje em dia tem uma concorrência chamada digital.

Que caminho é que este setor terá de tomar?
Terá de ser um caminho paralelo à retoma ou recuperação como um todo, com as suas limitações e vantagens.

Penso que, no final da etapa da transição da pandemia em endemia, as pessoas voltarão a viajar e precisam do turismo. É evidente que algumas empresas terão ficado pelo caminho, outras reestruturaram-se, enfrentam hoje em dia um instrumento poderoso do ponto de vista de concorrência que são as reservas digitais, autónomas do sistema. Mas têm, a meu ver, um ‘plus’ na relação de confiança que não existe noutras alternativas.

É uma questão de confiança e personalização do serviço?
Continuo a reservar as minhas viagens por agência. Sabe porquê? Porque confio nas pessoas, não sei se confio no algoritmo.

E do lado do consumidor, houve ou registar-se-á uma alteração muito profunda?
Depende. O consumidor escolherá sempre a solução que lhe seja mais económica e favorável.

Como as viagens implicam muitas coisas ao mesmo tempo, sobretudo há que não ter surpresas e ter solução para as resolver. E nisso, as agências dão garantias.

Que Portugal teremos a nível turístico no final desta pandemia?
Os dados apontam para uma recuperação em 2023, mas esses dados são voláteis. Gostaria que 2022 já fosse um ano de recuperação completa face a 2019. Provavelmente haverá um défice, mas também é preciso dizer que 2021 teve mais recuperação do que muitos estimavam, sobretudo por causa do último trimestre.

É sempre um problema de expectativas. A transição de uma pandemia para endemia é, em si mesmo, um triunfo. Sei que há muitos críticos do capitalismo, da economia de mercado, dos privados. Mas coloco a seguinte questão: quem é que chegou às vacinas? Foi ou não a indústria privada em conjunto com a ciência pública e privada? Talvez sermos um pouco mais justos também ajudaria.

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Solférias reforça Tunísia com várias operações especiais

A Solférias reforça a sua aposta no destino Tunísia com diversas operações especiais programadas para o próximo ano, nomeadamente para Djerba e Monastir.

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A Solférias reforça a sua aposta no destino Tunísia com diversas operações especiais programadas para o próximo ano, nomeadamente para Djerba e Monastir, com partidas não só de Lisboa como do Porto. 

Assim, e em colaboração com alguns dos seus parceiros, o operador turístico disponibiliza desde já a sua oferta para 2022 em voos Nouvelair, para duas datas tradicionalmente chave nas deslocações de férias dos portugueses, que são a Páscoa e verão. 

A preços desde 591 euros por pessoa em quarto duplo e em regime de meia pensão, a operação especial Páscoa do próximo ano inclui duas partidas de Lisboa aos sábados, nos dias 02 e 09 de abril, para Djerba. 

A operação especial verão 2022 para Djerba inclui voos de Lisboa e do Porto, com saídas aos sábados, de 04 de junho a 10 de setembro (última partida). O pacote tem o valor desde 591 euros por pessoa em quarto duplo e modalidade do tudo incluído. Igualmente, para as férias de verão em Monastir, a Solférias vai realizar saídas de Lisboa e do Porto, todas as segundas-feiras, com a operação a decorrer entre 3 de junho a 05 de setembro (última partida), com preços a partir de 540 euros por pessoa em regime do tudo incluído 

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Grupo DIT prepara ação contra Ryanair

Depois de várias tentativas e de alguns associados não terem recebido qualquer reembolso, o grupo DIT decidiu preparar uma ação coletiva contra a Ryanair.

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O grupo DIT está a preparar uma ação coletiva contra a Ryanair, revela o grupo de gestão de agências de viagens em comunicado, adiantando que este processo vem na sequência de muitos associados, “apesar de terem preenchido e enviado pedidos de reembolso à companhia aérea”, não terem recebido quaisquer reembolsos, seguindo, assim, indicações dos advogados do grupo.

O grupo refere ainda que, “no seguimento das recomendações que o grupo deu aos seus associados, e como o reembolso por lei pertence ao passageiro, alguns dos associados assinaram um contrato de cessão de crédito com os clientes que os advogados do grupo DIT enviaram para os advogados da Ryanair”.

Após conversas entre advogados e cruzamento de documentação, o grupo refere que a Ryanair “continua a sua política de não tratar bem as agências e através do seu departamento jurídico comunicou à DIT que as reclamações feitas não seriam atendidas”.

O grupo comunica que “é sempre preferível não ir a tribunal”, mas que, após todas as tentativas, do ponto de vista jurídico e face à resposta dada pela Ryanair, iniciou-se “um processo de reclamação legal”, encontrando-se o grupo a trabalhar numa ação coletiva.

“Se nos podemos orgulhar de uma coisa como grupo, principalmente durante a pandemia, é nunca nos escondermos, lutar contra todas as adversidades para os nossos associados e para o setor das agências de viagens em geral. Temos a certeza de que continuaremos a lutar contra todas as injustiças para com os nossos associados com todos os meios à nossa disposição, que felizmente são cada vez mais”.

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“Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente”

Depois de um ano de interregno, o Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está de regresso para o “reencontro” do setor. Em entrevista, Pedro Costa Ferreira, presidente da associação, explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Victor Jorge

Depois da “travessia do deserto” e de balanços destruídos, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reúne-se para o seu 46.º congresso. Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, espera que o evento, mais do que reunião, seja uma união do setor. Consciente de que as dificuldades ainda perduram e irão perdurar, pede a quem apoiou o setor do turismo, que continue a fazê-lo, seja qual for o Governo. Até porque, admite, “se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir”.

A APAVT realiza o seu 46.º Congresso, com o título “Reencontro”. Que “reencontro” espera depois de 20 meses de pandemia?
Esperemos que seja o reencontro de todo o setor. O nosso congresso tem uma grande tradição, exatamente de reencontro do setor, é um congresso que é organizado por agentes de viagens, mas não é o congresso das agências de viagens e, neste momento, diria que mais do que nunca é importante que o setor, mais do que se reúna, se una.

Vamos sair, enquanto agências de viagens, com muitas fragilidades, balanços destruídos, capitais próprios esgotados, mas também com uma grande oportunidade. Muitos consumidores perderam dinheiro em processos de reserva distantes das agências de viagens neste período, além de ter ficado sublinhada a grande mais-valia das agências de viagens, a diferença entre informação e conhecimento.

Perante esta saída da crise, há uma palavra-chave que é flexibilidade. Esta flexibilidade tem de ser da cadeia de valor e não só das agências de viagens. Mais vale, neste momento, ter reservas que possam ser canceladas do que não ter reservas.

Se a aviação, um hotel, um restaurante ou uma agência de viagens não forem flexíveis, o produto não vai ser flexível.

Queremos acionar, para o próximo ano, este diálogo e chamar a atenção para ele muito vivamente neste congresso.

Quais foram os principais desafios enfrentados ao longo destes 20 meses?
Não gosto de recordar estes 20 meses. Foram meses de sobrevivência, de grandes perdas e endividamento para as empresas e empresários, foi um tempo de apoios do Governo absolutamente fulcrais. Temos de ser humildes e a objetividade de reconhecê-lo. Mas também foram, naturalmente, insuficientes.

Do ponto de vista da APAVT, focamo-nos em vários planos de atuação. Talvez salientasse, desde logo e por ordem cronológica, o facto de termos tido de tratar de imediato dos reembolsos aos nossos clientes e, portanto, tentámos e conseguimos derrogar a diretiva no que aos reembolsos concerne e, provavelmente, fizemos a melhor lei dos vouchers da Europa. Melhor pela conjugação de dois fatores: pelo período relativamente ao qual foi possível não pagar diretamente, mas reembolsar através de um voucher, bem como pela data a partir da qual esse vale, se não for viajar, tem de ser pago. A conjugação destes dois fatores fez, provavelmente, da lei portuguesa a melhor lei da Europa.

Isso foi fundamental para dar confiança?
Deu confiança, salvou as empresas e ao salvar as empresas salvou os interesses e direitos dos consumidores. E há aqui uma nota que é preciso salientar: esta lei não teria sido possível sem o verdadeiro empenhamento da nossa secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques. Foi uma lei que precisou de diálogo com a Comissão Europeia (CE), precisou de conflito e resolução de conflito com a CE e temos a perfeita noção de que se a SET tivesse desistido, e lutou muito e mais do que possa parecer ou imaginar, não teríamos conseguido.

Espelho desta situação foram os reembolsos que a APAVT e as agências trataram e terão ainda de tratar com os seus fornecedores, já que o dinheiro tinha ficado do lado de lá.

De referir eventualmente e neste capítulo, a importância da negociação com a TAP. Fomos reembolsados, enquanto setor, em cerca de 10 milhões de euros. Foi um passo em frente muito grande, num processo que se mantém e que ainda possui muitos processos em aberto. Há muitas dívidas das companhias de aviação. Mas trata-se de “ongoing processes” que, com exceção da Ryanair, temos diálogo com todas as companhias.

Mas vê uma solução a breve trecho?
Sim, é uma solução que vai sendo encontrada. Os problemas vão diminuindo e o bolo de processos por resolver também.

Os desafios: passados e futuros
Mas esses são problemas vindos do passado. Que desafios ainda existem no e para o futuro?
Antes disso, ainda referir que a APAVT não esteve só empenhada na relação com os agentes e com os fornecedores. A APAVT também esteve empenhada nos apoios ao setor, na sua clarificação, na sua negociação, na perceção da sua capacidade de execução, tivemos de trabalhar na Europa na harmonização das restrições de viagens. Começámos a olhar para o futuro e ao longo destes 20 meses produzimos a atualização do “Economics” do setor com a EY e iniciámos um processo de pensamento estratégico para o futuro, entre outros.

Relativamente aos desafios da saída desta crise pandémica, o primeiro desafio será a incerteza de estarmos, de facto, de saída da crise. A incerteza parece estar a voltar e esse é, sem dúvida, o maior desafio. O facto de não conseguirmos perceber se do lado do consumo vai haver abertura ou não.

O que é que aprendemos nestes pequenos raios de sol que apareceram no meio desta chuva toda? Sempre que existe a perceção de que a pandemia está a diminuir, as reservas surgem como chuva nas agências de viagens. Não escondo que nos últimos meses, sobretudo na área do incoming tivemos essa noção como, também, no verão tivemos essa noção no outgoing.

Hoje, já começámos a falar em cancelamentos de reservas, sobretudo de grupos, e em dúvidas para o futuro. Portanto, voltamos a ter a incerteza como pano de fundo.

E ter a incerteza como pano de fundo significa o quê?
Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios. Sabemos que o apoio à retoma, no que diz respeito à defesa do emprego, poderá continuar e esperemos que sim, de modo a evitar uma rutura nessa área. Mas temos de discutir com o próximo Governo, seja ele qual for e quando aparecer, a manutenção dos apoios a fundo perdido, nomeadamente, do programa Apoiar.pt. Isto por uma razão muito objetiva, é que o programa Apoiar.pt foi pago até abril, a crise ainda existe e, portanto, se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora, já que as empresas, com a continuação da crise, estão ainda mais fragilizadas.

A incerteza parece estar a voltar e esse, é sem dúvida, o maior desafio. Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios

Em outubro de 2020, com sete meses de pandemia, admitia ao Publituris que, por causa dos balanços destruídos, a necessidade brutal de recapitalização e tesouraria seria o grande desafio dos próximos anos? Mantém essa afirmação?
Acho que está ainda mais sublinhada. Começámos por ter dúvidas relativamente ao futuro quando achámos que iriamos ter três meses de pandemia. Nessa altura, falava com sete meses de pandemia, agora falo com 20 meses.

Diria que, se há um ensinamento para o futuro, ele tem a ver com dois aspetos do lado das agências de viagens: robustecer os balanços, porque é nos balanços que está a resposta à próxima crise; e rodear-nos dos melhores recursos humanos, porque são esses recursos humanos que vão robustecer os balanços.

O que devia ter sido feito que não foi feito?
Da parte de quem?

De todos!
Vou ser sincero, quer nas agências de viagens, quer na APAVT, quer no Governo, de um modo geral, foi feito tudo o que era imaginável ser feito. Da parte das agências de viagens, depois de 20 meses de crise, verificamos que, tanto em 2020 e, previsivelmente, em 2021, teremos dois anos com menos falências que em 2019. Isso diz tudo relativamente à capacidade resistência das nossas agências de viagens.

Relativamente à APAVT, clientes, reembolsos, trabalho na ECTAA, os projetos editoriais do Economics do setor, o pensamento estratégico para o mesmo, o aumento do apoio jurídico, o aumento dos apoios aos apoios, isto é, a clarificação, a perceção de quem poderia aderir e por aí fora, o apoio às restrições às viagens, a sua clarificação, a APAVT fez a sua parte.

O Governo, penso que é justo dizer, sem os apoios colocados em cima da mesa, não havia setores das agências de viagens e turístico.

Dito isto, o que as agências de viagens fizeram foi suficiente? Foi tudo o que poderia ter sido feito.

Se a APAVT fez o suficiente? Julgo que ficaram sempre coisas por resolver, nos apoios aos agentes, reembolsos dos fornecedores, reembolsos aos clientes.

Se o Governo fez o suficiente? Claro que os apoios foram insuficientes.

Julgo que temos de ter a humildade de pensar que fizemos todos o possíveis, mas que há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente.

Incertezas políticas que não ajudam
Tem falado de apoios por parte do Governo, de apoios essenciais para a sobrevivência do setor, não só das agências como do turismo. O certo é que estamos a ser confrontados com uma incerteza política, com eleições a 30 de janeiro, que levará a termos Governo só lá para março. O que teme relativamente a esta indefinição política e de políticas?
Não temo, porque já tenho a certeza de que o que aconteceu foi muito mau para as empresas. Tivemos do Estado uma resposta insuficiente face aos constrangimentos económicos. Agora juntámos uma condicionante política que, em meu entender, é menos compreensível. Isto é, para além dos recursos parcos da nossa economia ou do nosso Estado, temos agora um Governo que não pode agir por circunstâncias de condicionalismo político.

É perfeitamente natural que o Governo agora não queira tomar decisões que impliquem ou condicionem o orçamento do próximo Executivo.

Por isso, mais do que temer quanto ao futuro, tenho muita pena, mas parece haver um sentimento de quase abandono por parte dos políticos quando assistimos à cena da não aprovação do Orçamento de Estado 2022.

Relativamente ao próximo Governo, espero que se resolva rapidamente.

Se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora


Não teme uma interrupção dos apoios?
Nem me passa pela cabeça. Se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir. Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente.

Portanto, é demasiado irracional para podermos pensar em tal possibilidade. E se há erro que às vezes sinto é pensar que alguns comentários políticos dão a ideia de que se trata do Orçamento para a crise.

A partir de um determinado momento não se trata de um Orçamento para a crise. É a crise que tem de caracterizar o que tem de ser o Orçamento exatamente para apoiar as empresas e a economia na crise.

O Orçamento não pode apoiar a crise até aos limites do Orçamento. A crise tem de definir os limites do Orçamento, o que é uma coisa completamente diferente.

Concluindo, espero que, seja qual for a cor ou cores políticas que ganhe ou ganhem, que compreendam isso antes sequer do primeiro dia.

Há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente


Espera que o próximo Governo tenha mais “foco”, como chegou a pedir?
Espero que o próximo Governo tenha muito foco logo de início nestas questões, porque os apoios são questões também de timing.

TAP a fazer parte da solução
Já falou da questão dos reembolsos e de conversações que existiram entre a APAVT e a TAP. Houve conversações com a nova administração da TAP. Pergunto se a TAP já não faz parte do problema e passou a fazer parte da solução?
A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional.

O grande desafio português são os mercados transatlânticos, são eles que permitem crescer. São eles que permitem ter mais território e mais meses de turismo. É o mercado norte-americano, o brasileiro, é ou será um dia o mercado chinês.

Esticar a sazonalidade?
Sim, esticar para além de agosto e ir para além dos grandes centros de turismo.

Ora, o êxito relativamente a esses mercados para um país como Portugal vai depender do hub. Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o hub, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país. E se isso acontecer, está em causa a dívida pública, mais impostos, emprego. Um país mais pobre também significa mais custos para as pessoas. Não podemos criticar os apoios à TAP apenas porque são apoios do povo. Comparado com o quê, com pobreza? Comparado com pobreza, prefiro o apoio à TAP. Comparado com menos crescimento, prefiro apoiar a TAP.

Claro que um dia, e esperemos em breve, a TAP tem de corresponder com resultados.

Do ponto de vista do diálogo com os agentes de viagens, a nova administração imprimiu uma nova dinâmica, existe confiança, apesar de haver também a perceção das dificuldades que temos todos resolver.

E com as outras companhias, retirando a Ryanair?
Com a Ryanair não há diálogo possível e é uma decisão da Ryanair. Com as outras companhias, há muito tempo que a concorrência do nosso setor é definida ao longo da cadeia de valor. Isto é, as companhas aéreas não só são nossas fornecedoras como são, também, concorrentes relativamente aos clientes pelas estratégias que a tecnologia permitiu implementar.

Nós temos sempre momentos de aproximação, porque o nosso cliente é o mesmo e temos sempre focos de tensão, porque disputamos esse mesmo cliente.

Esta crise veio fazer com que todos os ‘stakeholders’ passassem a olhar para a cadeia de valor como um todo?
Não necessariamente. Luto por isso e espero que aconteça. Um dos grandes objetivos do congresso da APAVT é, precisamente, fazer um ‘kick-off’ para uma tentativa de resposta coerente por parte da cadeia de valor.

 

A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional

 

Uma “novela” Aeroporto
E como olha para a “novela” do aeroporto?
Acho que utilizou a definição certa: “novela”. Se há pouco disse que me sentia um pouco abandonado pelos nossos políticos neste curto prazo por causa da “novela” do orçamento, sinto-me completamente abandonado pelos políticos a longo prazo por causa do aeroporto.

A questão do aeroporto é estratégica. Existe um plano que prevê chegarmos a 2027 com determinados números.

Mais concretamente, 27 mil milhões de euros em receitas e 80 milhões de dormidas.
Exato. E depois temos os representantes do aeroporto a referir que, com esta infraestrutura aeroportuária e os novos limites de navegação aérea por causa do ruído, provavelmente, não passaremos dos números de 2017.

Diria, um, organizem-se, dois, dêem-nos uma solução aeroportuária. Qualquer que seja, o país precisa dela.

O país económico precisa do país turístico.

Quando se fala que estamos demasiado dependentes do turismo, em termos económicos, isso é “bullshit”, até parece que é uma decisão governamental ou política.

Não se trata de uma decisão, é a competitividade internacional do setor que interessa. Se impedirmos que o setor mais competitivo da economia nacional, por razões de política económica pura, seja travado, penso que é um crime lesa-pátria e espero que todos os intervenientes sejam apontados.

Entre as opções que estão em cima da mesa, qual a preferida da APAVT?
Não fazemos comentários. Há quem defenda a solução mais rápida por razoes óbvias, há quem defenda uma solução estratégica por razões de longo prazo. Há ainda quem esteja imerso na confusão.

Não sou especialista ambiental ou aeroportuário, mas se me perguntar por soluções para a sua próxima viagem, sou capaz de lhe dar. Espero que, neste caso, os especialistas tenham as soluções.

Mas neste caso, voltamos a bater na questão da indefinição política e nos atrasos consecutivos de processos e decisões. Será mais um projeto para a gaveta e/ou iniciar-se de novo?
É verdade, mas espero que não. O quer que aconteça para além de 30 de janeiro, espero que haja foco na vida das pessoas.

Os temas do congresso

Antes do Congresso da APAVT marcou presença na 6.ª Cimeira Mundial dos Presidentes das Associações de Agências de Viagens, em Leon. Quais foram as principais conclusões, tendências, estratégias, diretrizes saídas dessa reunião?

As conclusões, do ponto de vista geral, passam por atualizarmos uma voz mais próxima uns dos outros enquanto setor das agências de viagens. É muito um território de associação, o que cada um anda a fazer, como responder aos problemas e à crise, como os diversos Governos apoiaram quem deveria ser apoiado e, claro, um olhar para o futuro.

Há a perceção geral no mundo que, os destinos turísticos que tiverem propostas flexíveis são os que irão comandar a procura na saída da crise.

Voltando ao congresso da APAVT, haverá um painel – “Porque é que a EY Parthenon e os Agentes de Viagens estão a olhar para o Futuro”. Que futuro é esse para onde estão a olhar? Há um novo futuro, um futuro com um consumidor diferente ou com um ‘mindset’ diferente?
Sinceramente, não acho que exista um consumidor pós-pandemia. Houve, penso, uma aceleração de tendências que já eram conhecidas antes da pandemia, já faziam parte do nosso mercado. Autenticidade, digitalização, sustentabilidade, ‘slow-tourism’, comércio justo, tudo isto são tendências mais visíveis hoje, mas tendências que já existiam. Eventualmente, os nómadas digitais é um fenómeno saído da pandemia e, por circunstância de datas, o turismo espacial tenha tido mais destaque, mas não nasceu na pandemia.

Foi um reforço de tendências?
Foi uma aceleração. Não surpreende e não vejo quer em Portugal, enquanto destino turístico, quer na natureza da atividade das agências de viagens, problemas advindos desta aceleração. Pelo contrário, a sustentabilidade é uma área onde Portugal, enquanto destino turístico, está a responder bem e até apresenta alguns ‘case studies’ importantes. A sustentabilidade do lado das agências de viagens é muito mais uma oportunidade do que um problema.

A sustentabilidade não é um estado de alma. Numa atividade económica, é um conjunto de ações tendentes a reduzir determinadas pegadas, nomeadamente, a ambiental.

As agências de viagens em Portugal e no mundo têm já incorporadas, sobretudo no ‘business travel’, critérios de medição da pegada de carbono. Em muitos contratos essa pegada tem de estar explícita para que o cliente possa escolher uma maior ou menor.

As agências, e estamos a fazer um trabalho na ECTAA, estão empenhadas em harmonizar esta medição, clarificando-a e tornando-a mais eficiente e, através das plataformas certas, dinamizar a compensação da pegada pelos clientes que a realizam.

Mas concorda ou não com aqueles que afirmam que a pandemia trouxe um consumidor com um ‘mindset’ renovado ou mesmo novo?
Não, com sinceridade não. Acho que são entusiasmos de curto prazo. É muito cedo para se fazer essa apreciação. Recordo-me da crise económica brutal recente e não foi ela que definiu a evolução, foi um passo na evolução.

Portanto, teremos de esperar mais tempo para se fazer uma análise mais racional do que está a acontecer.

Julgo que esses novos clientes, novas características são um pouco emocionais. Se alguma coisa caracteriza o mercado das viagens e o setor das agências em Portugal e no mundo, é muito mais a diversidade do que as novas tendências.

Sustentabilidade, digitalização e capital humano são dos grandes temas abordados em qualquer fórum quando se fala de turismo e estão no congresso da APVT. A APAVT assinou a declaração de Glasgow para “desenvolver planos” para “a aceleração da ação do turismo, no sentido da redução das emissões no setor”. O que é que isto significa e como é que a APAVT e os seus associados irão contribuir para esta redução de emissões? O que significa isto no concreto?
Nós temos algum histórico recente relativo a ações no foro da sustentabilidade e, concretamente da sustentabilidade ambiental. Em primeiro lugar, estamos num processo de adesão à SUSTOUR – projeto europeu que vai fazer formação em sustentabilidade ambiental em mais de 180 mil empresas europeias. Depois, assinámos um protocolo com a “Travellife” que certifica empresas consoante as suas práticas ambientais. Ora, se há uma certificação, logo é tudo mais voltado para a ação e não para o compromisso.

No seio da ECTAA há um trabalho relacionado com a estandardização da medição para melhor poder clarificar e sermos mais efetivos.

No nosso congresso, a sustentabilidade vai estar presente.

Por isso, diria que assinámos o compromisso de Glasgow, porque está de acordo com a nossa prática.

Curiosamente, a APAVT, foi, julgo, no setor do turismo em Portugal, a única associação assinar a declaração de Glasgow e no seio da ECTAA só duas associações de todo os países europeus foram “launch partners”: a APAV T e a associação holandesa.

Curiosamente, no painel da sustentabilidade do próximo congresso, um dos speakers será, precisamente, o presidente da associação holandesa.

A sustentabilidade é um dos eixos de atratividade de Portugal junto dos turistas. É por aqui que Portugal se poderá diferenciar?
Absolutamente. É uma oportunidade para o país como é uma oportunidade para as agências de viagens. Aliás, em meu entender, é uma oportunidade que veio para ficar.

 

Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o ‘hub’, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país

 

Se a sustentabilidade é chave, o capital humano também assumiu uma relevância fulcral. Saíram muitas pessoas, fazem falta muitas pessoas, os que saíram irão regressar, é preciso ir buscar pessoas a outros lados, setores, países? Como é que olha para este desafio do capital humano?
Sabemos que, sobretudo, na hotelaria e restauração falta gente. Se essas pessoas vão regressar, esperemos que sim. Sabemos, contudo, que não basta que regresse quem saiu. Julgo que hoje é mais ou menos aceite que precisamos de uma política de migração que apoie o desenvolvimento do turismo, entre outros aspetos.

Do ponto de vista das agências de viagens, não tivemos despedimentos, até porque tivemos acesso e adesão aos processos de apoio ao emprego. Por isso, se há coisa que não existiu durante esta pandemia – ainda – foram grandes despedimentos. Não há uma fuga de recursos humanos das agências de viagens.

Mas disse “ainda”?
Disse ainda porque estamos cá. E talvez não o espere. Porquê? Se olharmos para os “Economics” do setor e para a sua atualização, o setor com maior percentagem de licenciados ou acima de licenciados é, do ponto de vista do turismo, o das agências de viagem.

Os nossos recursos humanos estão muito mais longe dos ordenados mínimos e do serviço básico do que outros dentro desta cadeia de valor.

Isso, contudo, não quer dizer que não existam problemas de recursos humanos. Houve porque tiveram de sair dos locais de trabalho, porque trabalharam isolados e com dúvidas relativamente ao futuro, tal com o regresso dos recursos humanos também tem sido um problema depois de estarem 20 meses a trabalharem em casa.

Adquiriram-se novos hábitos, houve gente a trabalhar menos porque não havia trabalho, houve pessoas que passaram a levar os filhos à escola, realidade que não conheciam. Adquiriram-se novas perceções de uma realidade que agora terão de ser trabalhadas.

Por todos, até pelo próprio colaborador?
Absolutamente. Esta história de acharmos que as responsabilidades estão nas empresas e os direitos estão nos colaboradores, é uma coisa antiga.

Em vez de fuga de recursos humanos, preocupa-nos a gestão de recursos humanos.

Já na digitalização ou transformação tecnológica, a questão, presumo, não se coloca no setor das agências de viagens?
Em termos de tecnologia, as agências de viagens são dos maiores utilizadores em Portugal e no mundo. Há bastantes anos que qualquer trabalhador com um telemóvel pode resolver qualquer problema que um cliente possa enfrentar na sua viagem em qualquer lugar a qualquer hora.

Os processos de digitalização não são fins estratégicos em si, são processos de melhoria da eficiência e devem ser integradores de uma estratégia.

Como definidores de uma estratégia, acho-os fracos, porque uma estratégia tem de estar muito mais próxima das necessidades do cliente e da sua perceção e como vão evoluir, do que um mero processo de digitalização.

Quantos ‘players’ ficaram pelo caminho? E quantos ainda vão ficar? Que setor teremos no pós-COVID?
É um pouco dual. Os balanços estão destruídos, os capitais próprios evaporaram-se. Do ponto de vista da situação macro-económica do setor, provavelmente, estamos a atravessar, à saída da crise, um dos piores momentos do setor.

Sempre dissemos nos primeiros três meses da crise que o principal problema de liquidez se ia colocar no momento do regresso e da retoma, porque os custos têm um comportamento dual – zero ou um – e as receitas vão chegar gradualmente.

Se se confirmar que este regresso ténue que estamos a viver é o início de uma retoma, diria que estamos à beira do processo mais complicado de resistência por parte das agências de viagens e do turismo em geral. Desse ponto de vista é natural que haja mais quebras do que tem sido histórico.

Entre a resiliência que temos vindo a demonstrar e a evidencia dos balanços, julgo que vamos encontrar um caminho em que vamos provavelmente, uma vez mais, no início da retoma, ter alguns incidentes desagradáveis enquanto setor, mas a execução da oportunidade que aí está vai permitir a recuperação a muitos.

Quando tivermos, efetivamente, a falar não de regresso, mas de retoma, nessa altura o nosso principal objetivo será sempre o de superarmos os números de 2019 e que foram os melhores de sempre.

2019 foi o melhor ano de sempre para o turismo. Há condições para continuarmos a bater recordes com uma crise pandémica, instabilidade política, sem aeroporto, com falta de recursos humanos, entre outros?
Portugal tem todas as condições naturais para o fazer, enquanto destino turístico. Temos um dos melhores turismos do mundo, enquanto instituição. O Turismo de Portugal tem feito um trabalho notável. Temos grandes empresários, temos um conjunto de trabalhadores capacitados no setor das agências de viagens, temos um país estável, clima, um povo acolhedor. Temos tudo a nosso favor, mas estamos, neste momento, condicionados por algumas decisões políticas que têm de ser resolvidas. Com a evolução e o crescimento do turismo no mundo e a olhar para nós próprios e nossos concorrentes, diria que o recorde de 2019 ser ultrapassado é fácil-fácil.

Inicia o mandato em 2021, em plena pandemia. Pergunto-lhe se, apesar de ainda não ter terminado o primeiro ano, se ainda tem forças e vontade para ir a uma nova corrida?
[Risos] Nem vou responder. Espero chegar a este mandato vivo e com consciência de dever cumprido. Peter Drucker [professor, consultor e escritor de origem austríaca] dizia que as pessoas são mais felizes no cumprimento do dever. Espero chegar ao final do mandato feliz.

O que aprendeu com esta crise e que ensinamentos retira dela a nível pessoal e profissional?
Aprendemos sempre algo. A crise não me apanhou de surpresa. A crise é o acentuar do primado da incerteza.

A nível profissional diria que aprendemos uma vez mais que temos de robustecer os nossos balanços, que é na robustez deles que vai estar a resposta à próxima crise.

Finalmente, que temos de nos rodear dos melhores recursos humanos, porque eles vão robustecer os nossos balanços.

A nível pessoal, somos todos muito pequenos por maior que nos possamos sentir.

No dia 3 de dezembro quando fechar o congresso, que conclusão gostaria que saíssem dos três dias de trabalho?
O congresso é um capítulo da nossa atuação, não é um fim em si mesmo. Espero que saia a classificação da nossa agenda para o próximo ano. Até pela data que é realizado, o congresso é um ponto de situação e um olhar para o futuro e os fins de ano são sempre ótimos para que isso aconteça.

Mais do que olhar para o passado, espero que nos ajude a clarificar, enquanto APAVT e turismo português, a agenda para o ano 2022.

Agenda só para 2022 ou mais além?
Digamos que teremos um olhar mais além, mas temos uma agenda definida para um ano. Ajuda termos uma visão de mais longo prazo, mas é importante termos uma definição da concretização dessa agenda no curto prazo.

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Nova edição: Especial Congresso APAVT com entrevistas a Pedro Costa Ferreira e Paulo Portas

A nova edição do Publituris faz capa com entrevistas a Pedro Costa Ferreira, presidente APAVT, e Paulo Portas, ex-governante, jurista e consultor, no âmbito do 46.º Congresso da associação, que vai decorrer entre 1 e 3 de dezembro, em Aveiro, e que pretende assinalar o “reencontro” do setor. Além disso, há novidades da Embratur, Turkish Airlines, ARAC e as dificuldades dos Mercados de Natal.

Publituris

A nova edição do Publituris, a última do mês de novembro, faz capa com uma entrevista a Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), no âmbito do 46.º Congresso da associação, que vai decorrer entre 1 e 3 de dezembro, em Aveiro, e que pretende assinalar o “reencontro” do setor.

Em entrevista ao Publituris, o presidente da associação explica o que esperar desta reunião, mas também aborda a questão dos reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Nesta edição, publicamos ainda, e também a propósito do Congresso da APAVT, uma entrevista a Paulo Portas, analista, consultor e ex-governante, que vai ser um dos principais oradores do evento, onde se espera que venha a indicar alguns caminhos passados, mas principalmente futuros.

Paulo Portas diz que Portugal tem de “ter a noção” que precisa de ser muito eficaz, apesar da incerteza da pandemia e da crise política, critica os atrasos relativamente ao novo aeroporto para Lisboa e alerta para a subida dos preços que, em algumas áreas, estão a duplicar.

Na última edição de novembro, publicamos ainda uma reportagem sobre a Turkish Airlines, com quem o Publituris falou à margem de uma viagem de familiarização a Istambul, promovida em parceria com as Viagens Tempo, e que se mostra satisfeita com o regresso dos voos do Porto, contando mesmo chegar a 10 ligações por semana no próximo verão.

Saiba também qual é a estratégia da Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo para a promoção internacional e, concretamente para Portugal, mercado que, segundo Carlos Brito, presidente da agência, continua a ser fundamental para o Brasil e que o país quer voltar a atrair, tendo já preparado um calendário de ações que vão ser levadas a cabo em território nacional no próximo ano.

Destaque ainda para o rent-a-car, que já está a viver uma fase de recuperação, fruto da subida da procura do último verão. Ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor, traça ainda expectativas positivas para o fim-de-ano e para 2022, ainda que a crise dos semicondutores, que provocou uma escassez de viaturas disponíveis para compra, seja uma preocupação que se vai manter.

Nesta edição, publicamos ainda um dossier sobre Mercados de Natal, que prometiam estar de regresso à Europa este inverno, mas que, devido à subida do número de casos de COVID-19, estão a conhecer cada vez mais restrições e cancelamentos. Em alternativa, operadores turísticos e agências de viagens estão a propor destinos com menos restrições, a exemplo da Madeira.

Os artigos de opinião nesta edição são assinados por Ana Jacinto (secretária-geral da AHRESP), Renato Leite (managing diretor da Global Blue em Portugal), Luiz S. Marques (investigador Dreams e da Universidade Lusófona) e António Paquete (economista e consultor de empresas).

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