50 Ideias para o Turismo| O desafio da sazonalidade

Por a 5 de Setembro de 2018 as 12:56
PTE, Lisboa, 2015-01-08: Entrevista de José Theotónio administrador do grupo Pestana para a revista PT empresas, em 14 de janeiro de 2015.

Um dos problemas cruciais para o Turismo português, talvez o maior atualmente, está na escassez de mão-de-obra operacional para a hotelaria, em especial, nas atividades que são sazonais. No entanto, aos profissionais hoteleiros, surgem múltiplas oportunidades durante o ano, não necessariamente com os mesmos empregadores.

Há assim, um conjunto de empregadores que ao longo do ano contrata 2 ou 3 temporadas de trabalho: uma no verão, mais prolongada, num destino de praia (contratos de 4 a 6 meses), uma outra num destino de inverno, por um período mais curto (2 a 4 meses) que muitas vezes completa com 6 a 8 semanas numa operação de cruzeiro.

São profissionais cujo rendimento anual é superior ao que teriam se trabalhassem numa só empresa, uma vez que exercem a profissão entre 8 a 10 meses por ano, em épocas altas, quando os empregadores estão disponíveis para pagar mais pelo trabalho realizado. Todos concordam que para muitas profissões hoteleiras o salário mensal tem de aumentar. O problema não é pagar €1.000 ou €1.200 a um colaborador quando as unidades têm clientes, o desafio reside em pagar €600 ou o salário mínimo a um colaborador, nos meses em que não há receita porque o hotel está vazio ou mesmo encerrado e não recebe clientes.

Como tentar conjugar esta situação?

Permitindo a celebração de contratos de trabalho sem termo, plurianuais, por períodos de tempo definidos. Isto é, uma empresa que só ópera de maio a outubro poderia celebrar com o colaborador um contrato que se iniciasse no dia 1 de maio e terminasse no dia 30 de outubro de cada ano.

Quais os benefícios? Diminuir a insegurança dos colaboradores, que todos os anos já sabem que têm essa colocação assegurada, permitia aumentar o salário mensal porque, como já referido, os empregadores estão disponíveis para assegurar contratos de trabalho em que pagam mais por mês, no período em que necessitam de colaboradores. Esta solução permite dar mais liberdade aos profissionais da Hotelaria para programarem o seu período de atividade face às diferentes oportunidades que o mercado oferece.

Este tipo de contratos já são permitidos noutras legislações, estaremos nós em Portugal disponíveis para legislar no sentido de os viabilizar? … Do que tenho visto, não acredito. Mas, ainda assim, vale a pena tentar. 

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