50 ideias para o Turismo | Bom momento do turismo não nos pode desviar do caminho da sustentabilidade

Por a 2 de Julho de 2018 as 16:34
Carlos Leal, CEO United Investments Portugal

O turismo em Portugal tem vindo a crescer a um ritmo muito interessante e o país está a viver um bom momento. São inúmeros os fatores que contribuem para esse fenómeno e os números são animadores, propiciando de uma forma generalizada o investimento no país.

Mas não podemos olhar só para os números ou para o passado recente, temos de olhar para o futuro e tentar antecipar os enormes desafios que se avizinham, que podem comprometer a indústria no que diz respeito a um crescimento sustentável e organizado. Não podemos esquecer o histórico e os erros cometidos, antes e depois da crise. Nos últimos anos, Portugal tem beneficiado de graves problemas políticos e de segurança em países concorrentes, como por exemplo a Turquia, Egito, Tunísia, França (Nice) ou Inglaterra (Londres). Mas, conforme previsto, esses mercados já estão a voltar a gerar interesse e estão a ser novamente promovidos pelos operadores turísticos. Alguns desses países beneficiam de mais ligações aéreas, preços mais competitivos e benefícios relacionados com a taxa de câmbio.

Para falarmos sobre turismo sustentável temos de concluir o debate sobre o aeroporto de Lisboa e avançar com a implementação urgente de uma solução: impera a necessidade de uma alternativa à Portela, seja em Beja ou no Montijo. O Governo continua a debater com a ANA sobre o novo aeroporto e já veio dizer, segundo a imprensa, que as negociações estão muito difíceis. Contudo, o turismo não tem tempo a perder. Neste debate, que dura há anos, e sem uma solução emergente, ninguém querer assumir essa responsabilidade. Continuamos a receber mais turistas, mas temos de criar condições para os recebermos. E não falo só de Lisboa. Em Faro o desafio é diferente mas de igual gravidade. A TAP abandonou o Algarve há anos, por oposição ao que aconteceu com o Porto, na persecução de uma estratégia que gerou resultados óbvios para a região.

Sabemos que a região algarvia se debate com problemas de sazonalidade, mas se não houver um investimento efetivo na criação de mais voos provenientes de destinos emissores, o turismo só pode piorar. A TAP pode alegar que não é rentável, mas se o rápido e cómodo acesso à região não for facilitado, nunca o vamos saber. A taxa de desemprego, a sustentabilidade das empresas que estão dependentes do turismo e os impostos gerados pelo setor, são largamente afetados por estas decisões.

A TAP, como Transportadora Aérea Nacional, e o Estado Português, como acionista e detentor de 50% do capital da TAP, têm de ter em conta o impacto macro económico que a indústria acarreta para o país e não apenas para determinado setor ou região. Do ponto de vista turístico o Algarve é indiscutivelmente uma das regiões mais importantes para o país e está, neste momento, totalmente dependente de linhas aéreas low cost ou de charters, que durante o Inverno reduzem os voos (em alguns casos em mais de 80%), ficando a região sem apoio alternativo.

As diferentes entidades, nomeadamente o Governo, o setor privado, a banca, o setor público, bem com as inúmeras associações existentes, deverão ter um papel interventivo e ativo para simplificar e contribuir para que o Algarve, que tem ainda um grande potencial por desenvolver, não seja promovido apenas como um destino de sol e mar. A região tem condições e alternativas reais para outros segmentos turísticos que são uma tendência mundial, como por exemplo o turismo de saúde e bem-estar.

Como intervenientes no setor devemos unir e consolidar o nosso discurso com os diferentes stakeholders por forma a congregarmos esforços, para efetivar o enorme potencial que a indústria do Turismo tem na economia e no país.

E se olhar para o futuro é importante, no sentido de traçarmos a melhor estratégia para um turismo sustentável, não podemos deixar de olhar para o passado e para assuntos ainda pendentes. Falo de temas que gostava de resolver de forma simples como o projeto do empreendimento de Vale do Freixo. A IFA, através da United Investments Portugal, tem olhado para o nosso país como um mercado de investimento de excelência, mas a falta de clarificação e simplificação, num projeto de 200 milhões é preocupante e põe em causa a vontade do grupo de continuar a investir em Portugal.

Depois do presente e do passado não esqueço o futuro. Portugal tem de continuar a atrair investimento estrangeiro. A autenticidade portuguesa, a cultura e o espírito do nosso povo tornam este país um local único, que recebe como ninguém e onde o turismo e o turismo residencial têm aumentado, abraçando diferentes culturas. No entanto, para que este segmento cresça de forma sustentada Portugal tem de traçar estratégias concretas e, ainda mais importante, começar a aplicá-las.

Carlos Leal, CEO United Investments Portugal

Nota de editor: No âmbito da celebração do seu 50º aniversário, o Publituris convida, em todas as suas edições de 2018, uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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