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Susana Rachão

Resiliência da atividade turística em Portugal: um balanço (relativamente) positivo

Enquanto 2023 continua a ser apontado por várias vozes do setor para a recuperação a níveis pré-pandemia, sabemos que, até lá, há um longo caminho a percorrer para não voltarmos a velhos riscos dessa época.

Susana Rachão

Resiliência da atividade turística em Portugal: um balanço (relativamente) positivo

Enquanto 2023 continua a ser apontado por várias vozes do setor para a recuperação a níveis pré-pandemia, sabemos que, até lá, há um longo caminho a percorrer para não voltarmos a velhos riscos dessa época.

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O final do ano leva-nos, de forma quase inevitável, a balanços. Em 2021 e no que ao Turismo diz respeito, podemos fazê-lo com mais confiança do que no ano anterior. Uma confiança que pode ser tímida ou, pelo menos, consciente da sua fragilidade, já que pode ser abalada por uma pandemia que ainda não acabou – como nos parece relembrar a mais recente variante. Contudo, e porque aqui falamos de uma análise anual, devemos focar-nos no essencial: o balanço começa a ser positivo.

Desde logo, pelo estado anímico do setor. Mesmo tendo 2020 trazido quebras que afastaram, de forma irreparável, alguns operadores e profissionais, diria que, para a maioria, 2021 trouxe uma evidente recuperação do dinamismo e também do otimismo perante o presente e futuro. Este, claro, não é alheio aos resultados concretos alcançados ao longo deste ano.

Olhando para os dados estatísticos referentes a 2021 apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) face à atividade turística portuguesa, e considerando alguns critérios de desempenho, verificou-se, por exemplo, um aumento progressivo no número de dormidas na hotelaria comparativamente ao ano de 2020. Reportando concretamente ao mês de agosto, o mês de maiores fluxos turísticos, e face ao ano transato, houve um aumento significativo superior a 2,4 milhões de dormidas, com o Algarve a ocupar o primeiro destino no ranking português. Se, em 2020, o segundo destino mais procurado pelos visitantes foi o Norte, totalizando mais de 835 mil dormidas, no período homólogo, o Norte caiu para o terceiro lugar, sendo ultrapassado pela Área Metropolitana de Lisboa.

Importa reforçar que, alinhada com as tendências globais nas viagens e Turismo do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), a procura por destinos secundários, áreas ruais e destinos de Natureza vai continuar a figurar nas intenções de viagens. Sendo o Norte de Portugal um destino de excelência per si para atividades outdoor (mar, rio, montanha, lagos), será fundamental concretizar um esforço contínuo que o posicione como tal, fazendo-o recuperar a procura turística que se evidenciou na região no primeiro ano de pandemia.

Se 2020 foi um ano marcado e sustentado pelo mercado doméstico, apenas se constata a recuperação do mercado internacional, superando as dormidas dos hóspedes nacionais, em setembro de 2021. A retoma é – e está ainda a ser – lenta, mas pode afirmar-se que fatores como a alta taxa de vacinação, em comparação com os restantes países, assim como uma imagem de segurança sanitária permitiram a Portugal recuperar, em parte, o mercado internacional.

O final de cada ano leva-nos também a perspetivar os próximos. Apesar de o contexto pandémico nos ter ensinado a adaptarmo-nos melhor à incerteza, não há dúvidas ao dizer que a recuperação total da economia portuguesa necessitará do regresso dos mercados e viagens internacionais e, como noutros contextos de crise, da força que o Turismo representa para o nosso país.

Enquanto 2023 continua a ser apontado por várias vozes do setor para a recuperação a níveis pré-pandemia, sabemos que, até lá, há um longo caminho a percorrer para não voltarmos a velhos riscos dessa época – como a falta de mão-de-obra especializada ou o overtourism –, mas, em vez disso, integrarmos as potencialidades que se apresentam ao setor, com a digitalização e a diversificação e profissionalização da oferta enquanto prioridades.

Errata
Por lapso, no artigo de Susana Rachão, publicado no Publituris 1450, de 29 de outubro de 2021, foi indicado de forma não totalmente correta as instituições autoras do estudo que é citado. Onde se lê, “desenvolvido por várias instituições de Ensino Superior politécnico no Norte de Portugal (incluindo o ISAG – European Business School, onde leciono)”, deveria estar, de forma correta a identificação do trabalho: “Projeto ‘TURNOUT: Desenvolvimento do Turismo Outdoor da Região Norte de Portugal’, POCI-01-0145-FEDER-032289 desenvolvido pelo Institutos Politécnico de Bragança, Instituto Politécnico do Porto e Instituto Politécnico de Viana do Castelo e pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal”.

Sobre o autorSusana Rachão

Susana Rachão

Coordenadora da Licenciatura em Turismo e do TeSP em Desenvolvimento de Produtos Turísticos do ISAG – European Business School
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