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Salários Mais Altos Aceleram a Produtividade do Trabalho?

*Por Ricardo Barradas, professor universitário do ISCAL – Instituto Politécnico de Lisboa

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Salários Mais Altos Aceleram a Produtividade do Trabalho?

*Por Ricardo Barradas, professor universitário do ISCAL – Instituto Politécnico de Lisboa

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*Por Ricardo Barradas, professor universitário do ISCAL – Instituto Politécnico de Lisboa

A fraca produtividade do trabalho e os salários baixos são dois problemas crónicos que caracterizam a evolução da economia portuguesa nas últimas décadas. A tese dominante é que os nossos salários não podem aumentar mais, justamente porque somos pouco produtivos. Há, no entanto, algumas ideias na teoria económica que explicam que salários mais altos poderão determinar um aumento da produtividade do trabalho. Em seguida, apresentar-se-ão algumas dessas ideias.

Em primeiro lugar, um aumento dos salários representa um estímulo à reorganização mais eficiente do processo produtivo e à adopção de novos investimentos tecnológicos a fim de permitir uma redução dos custos de produção, o que se reflectirá numa aceleração da produtividade do trabalho.

Em segundo lugar, um aumento dos salários favorece uma melhoria das condições laborais, um reforço das relações cooperativas, um aumento da motivação e uma menor rotatividade por parte dos trabalhadores. Isto permitirá uma maior disciplina e um maior esforço por parte dos trabalhadores, o que se reflectirá numa aceleração da produtividade do trabalho.

Em terceiro lugar, um aumento dos salários permite atrair trabalhadores mais produtivos e encorajá-los-á a ser mais eficientes, o que se reflectirá numa aceleração da produtividade do trabalho.

Em quarto lugar, um aumento dos salários estimula maiores níveis de poupança, o que – através do sistema financeiro – permitirá suportar novos investimentos tecnológicos, mais inovação e mais investigação e desenvolvimento com reflexos positivos numa aceleração da produtividade do trabalho.

Em quinto lugar, um aumento dos salários conduz à “selecção natural” ou à “destruição criativa”, num contexto em que as empresas menos eficientes e inovadoras acabarão por ser expulsas do mercado. Isto fará com as empresas mais eficientes e inovadoras conquistem uma maior quota de mercado, o que se se reflectirá numa aceleração da produtividade do trabalho.

Em sexto lugar, um aumento dos salários permite um aumento do consumo e, por conseguinte, da procura interna e do crescimento económico, o que se reflectirá numa aceleração da produtividade do trabalho.

Neste contexto, um aumento dos salários parece uma condição fundamental para que a produtividade do trabalho acelere em Portugal. Para isso, o governo deverá travar ou reverter as actuais políticas de desregulamentação e flexibilização das leis laborais. A recuperação do poder de negociação dos trabalhadores é igualmente desejável, o que pode ser conseguido acentuando a contratação colectiva, reforçando o papel dos sindicatos e/ou das comissões de trabalhadores e intensificando a presença de trabalhadores nos respectivos conselhos de administração das empresas.

*Artigo publicado naedição de 11 de junho.

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