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A Universidade no turismo: Do papel de mera formadora ao de suporte ao desenvolvimento sustentável

João Vaz Estevão, Docente e Investigador em Turismo na Universidade Lusófona

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A Universidade no turismo: Do papel de mera formadora ao de suporte ao desenvolvimento sustentável

João Vaz Estevão, Docente e Investigador em Turismo na Universidade Lusófona

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É hoje consensual que a Universidade não se deverá limitar à formação de quadros intermédios e superiores mas, igualmente, contribuir ativamente para a melhoria do meio onde se inserem, tanto através da investigação como da promoção de projetos aplicados. No caso do turismo, na sua relação com a envolvente, várias universidades tendem a integrar processos de desenvolvimento sustentável de destinos turísticos, sobretudo no auxílio a Organizações de Gestão de Destinos. Em Portugal, em várias áreas de estudos, tais como o turismo e lazer, ainda se verifica, na maioria das universidades, uma preponderância da vertente formativa e de produção de conhecimento teórico não aplicado em detrimento de outras dimensões que as tornam intervenientes ativas no processo de desenvolvimento sustentável das comunidades onde se inserem. Esta tendência da academia portuguesa se encerrar numa espécie de torre de marfim é de estranhar no contexto da atividade turística, dada a sua preponderância para o bem-estar socioeconómico do País.

Cientes disso, as entidades que avaliam os ciclos de estudos universitários incluem, progressivamente, como critérios de avaliação o seu envolvimento em projetos aplicados de desenvolvimento do setor, em parceria com outros atores da atividade turística. Porém, para que as universidades se abram ao exterior e estabeleçam uma relação simbiótica com agentes turísticos públicos, privados e associativos, é também imprescindível que estes interiorizem a necessidade de se conduzirem processos de desenvolvimento baseados na ciência. Adicionalmente, para que esta relação simbiótica seja bem-sucedida, é ainda fundamental um ambiente de confiança dos atores turísticos nas competências das universidades, para que estas possam aportar mais-valias para a competitividade do setor turístico real. Por outras palavras, não basta a Universidade abrir-se ao “exterior”, sendo também necessário que o “exterior” se abra à Universidade.

Assim, no caso particular do turismo, é essencial que as universidades criem centros de investigação especializados em áreas nas quais poderão, verdadeiramente, contribuir decisivamente para a dinamização sustentável do meio envolvente. Apenas assim, através de estratégias de especialização, poderão estes centros dotar-se de competências que lhes permitam cultivar uma relação de confiança com os restantes agentes turísticos. Inversamente à tendência de priorizar a mera produção de artigos científicos desfasados de quaisquer estratégias de desenvolvimento turístico, estes centros de investigação deverão propor a destinos, atrações e/ou empresas turísticas parcerias que possam dar origem a projetos aplicados que otimizem a atividade turística num dado contexto, bem como os seus impactos positivos.

Num setor cujas práticas não tendem a ser science based mas antes baseadas na intuição, em que muitos atores possuem níveis académicos relativamente baixos, é frequentemente difícil que a universidade seja considerada um protagonista nos processos de desenvolvimento turístico.

Em Portugal, o turismo reveste-se de uma função social de grande relevância, particularmente em regiões marcadamente rurais de baixa densidade populacional e com um frágil tecido socioeconómico. Existem amplas evidências de que, nestes contextos, o estímulo de um Empreendedorismo de Estilo de Vida (EEV), em que se as comunidades locais desenvolvem, de forma endógena, uma oferta de experiências turísticas basada nos seus saberes e atividades económicas tradicionais, é a melhor forma de garantir a sustentabilidade dessa mesma função social. Porém, apesar do elevado potencial do EEV ao nível da originalidade, autenticidade e capacidade de gerar experiências marcantes, as comunidades rurais de zonas de baixa densidade carecem, frequentemente, de soft e hard skills que lhes permitam receber e satisfazer a procura turística potencial, bem como de se relacionarem com os canais de promoção de distribuição do setor. Neste sentido e tendo por base o perfil e competências de um grupo de investigadores que aí colaboram, a Universidade Lusófona criou, em 2020, o LEO – Lifestyle Enterpreneurhsip Observatory, o primeiro observatório português e um dos primeiros no mundo dedicado a este tipo de empreendedorismo.

Com base na premissa de que a investigação deve potenciar a competitividade de comunidades rurais de baixa densidade, o LEO reflete de forma inequívoca o papel que às universidades deve ser exigido enquanto agentes ativos de desenvolvimento sustentável.

 

 

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