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Opinião

A ascensão das viagens sustentáveis

Na nova ordem mundial há novas oportunidades e para que o setor do turismo ressurja, as necessidades e os desejos de um novo consumidor ecologicamente consciente devem ser integrados.

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A ascensão das viagens sustentáveis

Na nova ordem mundial há novas oportunidades e para que o setor do turismo ressurja, as necessidades e os desejos de um novo consumidor ecologicamente consciente devem ser integrados.

Miguel Rego
Sobre o autor
Miguel Rego

A pandemia provocou diversas mudanças nas prioridades e nos interesses dos viajantes, e uma das mais palpáveis, de acordo com o último Travel Summit, organizado pela Allianz Partners, é o aumento de consumidores “ecoconscientes”, muito mais interessados em viagens sustentáveis.

À medida que avançamos para uma nova era, os viajantes começam, cada vez mais, a pensar no impacto ambiental das suas viagens e a assumir mais responsabilidade na hora de escolher os seus destinos de viagem, a sua forma de viajar, entre outras. A importância do aspeto sustentável dentro do setor, bem como o cuidado com o planeta são considerados socialmente como os primeiros aspetos a ser levados em consideração, facilitando assim a tomada de decisões mais éticas, sustentáveis e ecológicas. Esta preocupação surge claramente associada a passagem pela pandemia, mas também devido à incerteza geopolítica e económica vivida atualmente.

Entre os resultados apresentados, destaca-se que seis em cada 10 famílias (60%), com idades entre os 25 e os 40 anos, confirmam que, no futuro, irão prestar mais atenção ao impacto ambiental das suas viagens, em comparação, com o período antes da pandemia. Além disso, mais de metade das famílias questionadas (56%) pretendem viajar menos no futuro, reduzindo ainda mais a sua pegada de carbono. Por outro lado, foi ainda detetada uma nova tendência, denominada “Slow Travel”, que posiciona a própria viagem como destino ou atividade de férias, e que também promove opções mais sustentáveis com a utilização de comboios e veículos recreativos (autocaravanas, por exemplo).

Outro tema dominante deste Travel Summit foi o impacto das condições económicas na confiança dos viajantes. O setor de viagens não está imune às perspetivas económicas. Onde, quanto tempo e quanto se gasta numa viagem são questões que respondem diretamente à inflação, aos custos da energia e ao amento geral do custo de vida. As famílias estão a sentir o impacto direto dos problemas da cadeia de abastecimento, juntamente com o aumento do preço do gás e dos alimentos. Para além disso, o setor das viagens está ainda a ter um efeito cascata no custo dos voos de longa distância e das despesas relacionadas com as viagens, como hotéis e restaurantes, por exemplo. Em última análise, o risco é que as viagens de lazer deixem de ser vistas como uma prioridade pelos consumidores e passem a ser vistas com um luxo que não podem pagar.

Outro ponto a ter em atenção é a forma como, resultado da pandemia, se verificou uma mudança na forma como trabalhamos, que levou à eliminação de grande parte das viagens em trabalho. Nos últimos dois anos, à medida que o trabalho remoto e as conferências virtuais ocuparam o centro das atenções, as viagens de negócios reduziram drasticamente. Com a reabertura das fronteiras, as empresas estão agora a encontrar formas de reavaliar as suas formas de trabalhar, levantando a questão: as viagens de negócios são necessárias?

A redução das viagens de negócios limitou os custos para as empresas e ajudou-as a reduzir as suas emissões de carbono, o que também lhes permitiu atingir as suas metas de sustentabilidade. No entanto, muitos funcionários desejam interação cara a cara com os seus clientes e parceiros.

Na nova ordem mundial há novas oportunidades e para que o setor do turismo ressurja, as necessidades e os desejos de um novo consumidor ecologicamente consciente devem ser integrados. Assim, a recuperação do turismo enfrenta um conjunto de desafios. A instabilidade económica e geopolítica, bem como a tendência dos clientes para tomar decisões sustentáveis e ecológicas, terão um impacto duradouro no setor.

Sobre o autorMiguel Rego

Miguel Rego

CEO da Allianz Partners Portugal
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