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Novas soluções brotam no mercado

Empresas de tecnologia responderam às necessidades dos clientes de turismo com ferramentas para as novas exigências.

Raquel Relvas Neto
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Novas soluções brotam no mercado

Empresas de tecnologia responderam às necessidades dos clientes de turismo com ferramentas para as novas exigências.

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Raquel Relvas Neto
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Na sua maioria, as ferramentas tecnológicas que viram a luz do dia devido à pandemia, já faziam parte do caminho normal da evolução tecnológica do setor turístico. Contudo, não seria para já que o mercado iria necessitar delas, sobretudo não com a urgência que as questões de segurança sanitária e o distanciamento físico impuseram.
A realidade é que as soluções estão aí e já muitos ‘players’ turísticos as adotaram para fazer face às necessidades da sua operação e dos seus clientes. As novidades são muitas.

Beltrão Coelho
Nestes tempos atípicos devido à pandemia da COVID-19, a Beltrão Coelho, empresa de Tecnologias da Informação, tem tentado “adaptar às mudanças reinventando-se todos os dias, de forma a oferecer as soluções mais inovadoras aos seus clientes”. Ana Cantinho, diretora-geral da Beltrão Coelho, explica que entre as soluções que a empresa lançou se destaca a câmara termográfica que começou a comercializar desde maio do ano passado. “É uma solução que não exige qualquer contacto físico, mas que permite efetuar de forma rápida a medição da temperatura corporal, bem como a verificação de utilização de máscara, podendo estar interligada com sistemas de abertura de portas, iluminação, etc.”, descreve.
Um outro exemplo de soluções lançadas foi a parceria com o projeto do Yotel Porto, através da qual a Beltrão Coelho instalou e configurou dois robôs – Yolinda e Yogiro. Os robôs efetuam tarefas de room service, entregando snacks e outros pequenos itens ao quarto do hóspede. “Este foi um projeto pioneiro em Portugal, que veio, sem dúvida, evidenciar as potencialidades da robótica neste mercado”, salienta. Ana Cantinho complementa e afirma que, além das soluções mencionadas, a empresa comercializa também “os robôs de serviço, Cruzr e Sanbot, capazes de realizar inúmeras funções que poderão ser extremamente apelativas para o setor turístico, desde receção no lobby do hotel, a apresentação de informação sobre o estabelecimento, o acompanhamento do hóspede a pontos específicos, com a vantagem de que estas funções poderem ser realizadas em diferentes línguas”.

Consolidador.com
Com um ano a revelar-se uma “verdadeira montanha russa” devido às constantes alterações de restrições a nível mundial, o Consolidador.com tem centrado os seus esforços no “investimento em tecnologias inovadoras”, como explica Anabela Almeida, diretora-geral. Assim, o consolidador aéreo tem trabalhado numa base diária para melhorar os processos internos, apostando “fortemente no desenvolvimento de novas ferramentas que permitam ganhos de eficiência para os nossos agentes de viagens”.
“Esta nova realidade da pandemia veio acelerar o ritmo dos desenvolvimentos e deu igualmente origem a novos projetos”, indica a responsável, sublinhando que a aposta tem sido “em várias frentes”. “Estamos a reforçar o investimento em mecanismos de automatização em massa, cada vez mais cruciais face à volatilidade das restrições e consequente aumento de trabalho. Temos vários projetos em curso, mas provavelmente um dos mais importantes, é ao nível da Inteligência Artificial, que resumidamente, se traduzirá em dar aos nossos agentes de viagens acesso a mais conteúdo e com valores bastante competitivos”, adianta.

Hoist
Depois de um início de ano marcado pela prudência da maioria dos atores do setor, a Hoist identifica agora “um contexto de recuperação e as nossas expectativas iniciais foram superadas”. André Lopes, Business Development Manager – Iberia da empresa especializada em produtos e serviços tecnológicos para hotelaria, indica que entre as novidades da empresa, se destacam o Hoist Gift Card Manager, uma solução de ‘Gift Card’, que auxilia o gestor hoteleiro na proteção da tesouraria; a Hoist Mobile key e o Hoist Mobile Remote Control para televisores, que contribuem para uma experiência ‘contactless’; e o Hoist Dashboard, uma ferramenta de Business Intelligence específica para o setor.

Infraspeak
Apesar dos diversos desafios que trouxe a pandemia, o negócio da Infraspeak tem crescido de “forma acelerada”. Felipe Ávila da Costa, Co-founder e CEO da empresa, justifica este crescimento pela procura por “soluções que apoiem as equipas operacionais na execução de rotinas de manutenção, limpeza e auditorias”. “Soluções como o Infraspeak são agora fundamentais para assegurar não só que as rotinas sejam cumpridas, de forma a garantir a mitigação dos riscos associados à pandemia, mas também que os gestores, funcionários e utilizadores dos espaços tenham visibilidade sobre elas e se sintam seguros”.
Entre as soluções lançadas está o Infraspeak Hub™, que é “basicamente o sítio, dentro da nossa plataforma, onde cada um dos nossos clientes pode construir a sua própria Infraspeak. Cada um deles tem uma operação única, por isso faz todo o sentido que possam ajustar a plataforma aos seus desafios em específico”.
De forma a esclarecer, o CEO da empresa refere que o Infraspeak Hub™ é onde, de forma flexível, “o gestor pode conectar todas as apps nativas da plataforma; outros softwares, como um chatbot (como já acontece através da nossa integração com a HiJiffy) ou um PMS; e sensores IoT; de forma a começar a recolher dados de toda a sua operação”. Além de permitir aos clientes construírem a plataforma de que necessitam agora, esta capacidade de personalização permite ainda que a Infraspeak acompanhe o crescimento contínuo e a transformação das suas operações no futuro.
“Mas se o Infraspeak Hub™ é o que permite a conexão de toda a operação num único sítio, o Infraspeak Gear™ é o que permite que tudo funcione de forma inteligente”, adianta. E explica: “O Infraspeak Gear™ é o “cérebro” da nossa plataforma, que através de técnicas de inteligência artificial / machine learning, transforma todos os dados recolhidos em ações reais, através de insights inteligentes, alertas e automações”.
Existem ainda duas funcionalidades interessantes quase a serem lançadas: “A primeira vai contribuir para agilizar a relação com fornecedores, nomeadamente na facilitação do processo de pedir, receber e aprovar orçamentos; e a segunda é o lançamento de uma app dedicada ao housekeeping, que é um projeto ambicioso e que vai sem dúvida impactar muito positivamente todos os nossos atuais e futuros clientes de hotelaria”.

Newhotel
“Como software house e consultora especializada e dedicada exclusivamente à hotelaria temos partilhado as dores do setor, tanto deste ano, como desde o início da pandemia”, começa por dizer Pedro Matoso, CEO da Newhotel. Mas este facto não diminui os esforços da empresa em apoiar os hoteleiros a adaptarem-se à nova realidade, especialmente através da adopção de novas ferramentas de transformação digital e interação com o hóspede. “E fizemo-lo de modo transversal, por vezes programando desde a migração para um totalmente novo Cloud PMS, à implementação de aplicações mobile próprias e integrações de parcerias curadas”, indica o responsável.
No que refere à produção de software, o foco centrou-se na “nova geração de suite de produtos verdadeiramente Cloud”, desde os processos integrados do software da Newhotel, como as ferramentas de vendas ou através de parceiros tecnológicos, como foi exemplo a faturação eletrónica. “E ainda na racionalização e digitalização de todas as áreas de negócio na hotelaria, seja com aplicações mobile ou funcionalidades no software, tanto do lado do hóspede, como do staff hoteleiro”, completa.
A Newhotel lançou assim a nova geração Cloud Suite. “Começámos pelo novo Cloud PMS com todas as vantagens inerentes das últimas tecnologias e funcionalidades avançadas para a gestão de tarifas e estratégia de vendas, com módulos de Business Intelligence, revenue management e rate shopper. Seguindo-se o novo Cloud POS, num lançamento em que seguirão todos os módulos existentes da suite de gestão, incluindo SPA, Eventos e Stocks F&B”, enumera Pedro Matoso.
As aplicações mobile também concentraram as atenções da Newhotel, como são exemplo as apps para ‘self check-in’, que permitem “desde a pré-estada preencher e submeter os dados e documentos necessários e assinatura, preferências, notas, etc”; ou a app para housekeeping, que permite a visualização e controlo das operações do departamento em tempo, real, atualização do estado de quartos, registo de discrepâncias e ‘lost & found’. “Ou as apps para F&B que permitem ao hóspede não só consultar a ementa, mas também efectuar pedidos, e do lado da pessoa ao serviço na sala, verificar e controlar os pedidos e mesas”.
Pedro Matoso adianta que estão ainda em desenvolvimento contínuo interfaces, integrações e parcerias para ir ao encontro “a todas as necessidades, desde ligações exclusivas com os GDS’s mais importantes, passando pela faturação electrónica e outros requisitos legais, até à integração de tecnologias avançadas como reconhecimento facial”.

Nonius
Depois de terem feito um esforço para ajudar os clientes a superar o impacto provocado pela pandemia na sua atividade, a Nonius está agora a registar o ‘feedback’ dessa aposta. Hélder Santos, sales & marketing director da Nonius, indica que a empresa tem “uma oferta de soluções para construir uma jornada digital do hóspede mais ‘contactless’ adaptada às necessidades da hotelaria, impostas pelo contexto atual”.
Além de ter sido um ano que assinala a entrada em novos mercados como a Suécia e França, a Nonius tem trabalhado “a todo o vapor para adaptar as nossas soluções às necessidades dos nossos clientes, impostas pelo contexto pandémico”. Para tal, a empresa lançou novas funcionalidades para a jornada digital do hóspede, tais como a chave do quarto na aplicação do hotel, o ‘check-in contactless’, o comando da televisão e o telefone do quarto no ‘smartphone’ do hóspede; o Room Service’ digital, os pagamentos online, o serviço de ‘concierge’ e as mensagens personalizadas digitais através da aplicação.
“Mais recentemente lançamos a Integração da nossa Central Telefónica com Microsoft Teams, que tem ajudado os hotéis e os seus colaboradores a ficarem conectados com o número do escritório, mesmo se estiverem a trabalhar a partir de casa”, acrescenta Hélder Santos.
Devido às novas necessidades de segurança, os restaurantes dos hotéis também tiveram que se adaptar e para isso a Nonius incorporou a tecnologia de QR Code na aplicação de ordering para os restaurantes.

Salto Systems
A Salto Systems, especialista no fornecimento de controlo de acessos para o setor hoteleiro, capacitou “proprietários e gestores de propriedades em todo o mundo com novas formas de proteger hóspedes, gerir pessoal, e proteger bens”.
Como indica Pedro Silva, marketing manager, o portefólio SALTO inclui “agora gestão de software de classe mundial, soluções em cloud e aplicações móveis para empresas de todos os tipos e tamanhos”. Neste portefólio destacam-se “a primeira fechadura eletrónica inteligente stand-alone alimentada por pilhas, a tecnologia de dados no cartão da SALTO Virtual Network (SVN) e o primeiro sistema de controlo de acessos sem fios a combinar um dispositivo de fecho stand-alone com capacidades online, em tempo real – tudo sem fios ou chaves mecânicas”.

O responsável refere que, tendo em conta os novos tempos e as realidades impostas, a plataforma de controlo de acessos da SALTO para o setor hoteleiro permite aos hotéis “oferecer check-in móvel aos hóspedes, o que reduz o número de interações humanas e permite aos hóspedes aceder ao seu quarto através da plataforma de acesso móvel nativa da SALTO, JustIN Mobile. Utilizando um smartphone, o hóspede pode solicitar a chave do quarto do hotel antes da chegada. A receção do hotel é capaz de verificar a entrada do hóspede através do Sistema de Gestão de Propriedade (PMS) e emitir uma chave digital segura diretamente para o seu smartphone”.
“Combinar quartos de hóspedes de fácil acesso, chave digital e inteligentes, com sistemas unificados de gestão de propriedades que protegem os indivíduos e os bens é um desafio único para qualquer negócio hoteleiro – desde hotéis de luxo a hotéis de média dimensão, independentes a grandes cadeias, navios de cruzeiro a hotéis de convenções e conferências”, sustenta Pedro Silva.
A Salto também desenvolveu soluções avançadas e esteticamente concebidas para o controlo de acessos eletrónico específico para a hotelaria que estabelecem “um novo padrão na indústria – desde a organização do back-of-house à gestão dos quartos de hóspedes – com um sistema fácil de usar para hotéis de todos os tipos e tamanhos”. “Ao combinar tudo isto com um hardware construído com materiais da mais alta qualidade, o cliente adquire um produto inigualável que faz uma afirmação ousada em qualquer projeto hoteleiro”, sublinha o marketing manager da empresa.

Sobre o autorRaquel Relvas Neto

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NEST e OMT assinam acordo de cooperação e parceria

A parceria com a OMT permitirá ao NEST fomentar o empreendedorismo, através do incentivo à inovação e pesquisa, como veículos de desenvolvimento económico do turismo em Portugal.

Victor Jorge

O NEST – Centro de Inovação do Turismo – e a Organização Mundial do Turismo (OMT) assinam na quinta-feira (dia 9 de setembro) um protocolo de parceria e cooperação nas áreas da inovação e adoção de tecnologias aplicadas ao turismo, com objetivo de dar maior enfâse à competitividade e reforço internacional do turismo em Portugal.

Com este acordo de cooperação, o NEST e a OMT pretendem “facilitar a retoma do setor que sofreu um importante revés com a pandemia”, diz a associação fundada em fevereiro de 2019 pelo Turismo de Portugal, Aeroportos da ANA, Brisa Via Verde, Google, Microsoft, Millennium BCP. Ou seja, “o objetivo é tornar esta indústria mais resiliente e sustentável, através da inovação”.

O acordo vai fomentar o empreendedorismo, através do incentivo à inovação e pesquisa, como veículos de desenvolvimento económico do turismo em Portugal e a nível global, com uma das principais missões da OMT a ser, de resto, a criação de um turismo “universalizado, sustentável, acessível e inclusivo”.

O protocolo de cooperação faz parte de um conjunto alargado de iniciativas criadas pelo NEST, alinhadas e alicerçadas no Plano Reativar o turismo / construir futuro e nas medidas do turismo no âmbito do programa do Governo.  Rita Marques, secretário de Estado do Turismo, considera que  “este é um passo significativo para posicionar internacionalmente o Centro de Inovação do Turismo, como motor de antecipação, experimentação e disseminação de tendências e soluções e de capacitação de competências digitais, em toda a cadeia de valor”.

A parceria vai facilitar, na prática, “uma visibilidade global às iniciativas criadas pelo NEST, dentro das redes de comunicação global geridas pela OMT”. Além desta parceria, o NEST ficará, também, responsável pela divulgação e apoio aos concursos globais, promovidos pela OMT, junto de empreendedores portugueses.

Para Roberto Antunes, diretor executivo do NEST, “este é um reconhecimento do desenvolvimento conseguido, num curto espaço de tempo”, considerando, igualmente, que “é fruto da qualidade da produção oriunda do turismo português”.

Sobre a parceria, em concreto, Roberto Antunes, salienta que, desta forma, o NEST será “uma entidade com a qual a OMT conta para facilitar o caminho dos inovadores/empreendedores, além de apoiar os seus associados na criação de estruturas que suportem ecossistemas de inovação orientados para o turismo”.

Sobre o autorVictor Jorge

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“O segredo do digital está em agir e não reagir”

Falar, atualmente, do turismo, é falar em mais do que bem receber. O Publituris falou com Roberto Antunes, diretor-executivo do NEST, para perceber como é que a associação está a contribuir para o futuro do turismo em Portugal.

Victor Jorge

De maio para cá, ficámos a conhecer o plano de ação “Reativar o Turismo | Construir o Futuro”, a campanha do Turismo de Portugal “#Tempo de Ser | #Time to Be”, o plano “Turismo +Sustentável 20-23” e, mais recentemente, o “Diagnóstico Sustentabilidade T+”, uma nova ferramenta de diagnóstico de sustentabilidade para as Pequenas e Médias Empresas (PME) do setor do turismo.

Todas estas iniciativas têm, além da questão económico-financeira, a digitalização e a sustentabilidade como suporte para o futuro do setor. Roberto Antunes, diretor-executivo do Centro de Inovação do Turismo, explica o papel do NEST.

De que forma é que o setor do turismo vinha a inovar no pré-pandemia e que alterações trouxe em termos de inovação no e para o turismo?
O período pré-pandémico estabelece, de certa forma, a definição do que é o NEST, como se vai compor, como é que se associa, em que áreas de deve focar, quais os parceiros e diferentes instrumentos.

Mas, então, o que encontrou?
Encontrei um setor com uma dinâmica que requeria, na verdade, evoluções, na altura já mais do que identificadas. Ou seja, já na altura percebeu-se que era importante trabalhar-se as bases, o entendimento dos básicos da própria base trabalhadora do setor do turismo, da utilização dos elementos digitais, a preparação das pessoas para a utilização de aplicações e, até de ferramentas simples do dia-a-dia.

Mas com a pandemia, que caminho se traçou?
Com a pandemia surgiu uma grande oportunidade de fazer do NEST um elemento participativo, agregador de valor para um momento extremamente difícil.

Partindo da premissa que a pandemia não foi boa para ninguém, pode dizer-se que funcionou como um acelerador do NEST.

Claramente que este contexto requeria uma maior aceleração em campos como a inovação e digitalização. Portanto, nessa matéria estávamos e estamos posicionados para contribuir e o momento criou muito maior abertura para a nossa participação.

Sentiu uma maior procura por inovação?
Não tinha comparativo, portanto o esperado era uma grande incógnita. Acho que não nos deixou e deixa de surpreender o quanto evoluímos.

A aceleração que houve do ponto de vista da apropriação da digitalização fez-nos evoluir num ano o equivalente a 10 anos.

 

“Há que entender que isto não deve ser tomado como uma espécie de ‘digitalização ao quilo’”

 

1 caminho com 2 focos
No plano de reativação para o turismo, apresentado em maio, existem dois focos muitos importantes: a digitalização e a sustentabilidade. O setor do turismo precisa, efetivamente, de digitalizar-se ou o que precisa é avançar e transformar-se tecnologicamente?
Existe um lado onde o setor não é incólume à dinâmica da economia como um todo e de uma economia que tem neste momento um modelo operativo que se baseia na sustentabilidade e na digitalização. É assim que competimos internacionalmente, que as economias crescem

Nessa perspetiva há, claramente, uma necessidade de aceleração transversal da economia de todos os setores económicos nestas questões, da qual o turismo faz parte.

Depois temos outras questões mais intrínsecas do turismo. O facto de sermos um setor absolutamente exposto internacionalmente, afeto às tendências e aos benchmarks que as pessoas têm de experiências e de utilização do digital nos seus países de origem, obviamente, cria expectativas sobre a sua experiência também em Portugal. Por outro lado, o facto de termos um setor que tem uma massa trabalhadora que precisa de grandes desenvolvimentos nesta matéria dita que existe muito trabalho pela frente.

Assim, começam a surgir as necessidades mais intrínsecas do próprio setor, o que é o conhecimento das pessoas como um todo, trabalhar muito o desenvolvimento das próprias empresas no repensar de modelos de negócio que consigam trazer muito maior sustentabilidade e competitividade.

Diria que, não há uma regra especifica que deve ser cumprida. Não estamos a falar de um setor onde se deve aplicar uma regra para uma digitalização a 100% a troco de qualquer coisa. Não, temos de ser muito inteligentes e saber para o que serve a tecnologia e a digitalização.

A tecnologia serve para uma facilitação, sobretudo, de operações, desmaterialização de imensos processos e a digitalização permite-nos, acima de tudo, ser extremamente inteligentes na forma como gerir a oferta para se adequar à procura, na forma como vamos gerir as operações para que haja trabalho em grupo, como chegar ao nosso target, a forma inteligente como chegamos a esse target, o momento, o tema, a peça que faz sentido.

Ou seja, o importante não é ter dados, é, fundamentalmente, saber o que fazer com eles, como tirar partido deles, canalizá-los, e, fundamentalmente, entender que não são estanques e que todos os dias somos “inundados” com mais dados. As empresas do turismo em Portugal estão capacitadas para tirar partido desses dados?
Em primeiro lugar, há que entender que isto não deve ser tomado como uma espécie de “digitalização ao quilo”. Ou seja, é importante ter uma adequação à estrutura e estratégia do negócio.

Portanto, não é uma questão de quantidade, é uma questão de inteligência de como e onde é que os dados me ajudarão.

Primeiro, estratégia de negócio, o que quero oferecer, como quero posicionar-me e diferenciar-me da minha concorrência, quem são as pessoas que sirvo, que gostos têm, porque me vão valorizar. A digitalização entra em tudo isto como um ‘enabler’, um facilitador, algo que me permite falar melhor com as pessoas, captar a informação para utilizá-la adequadamente. A digitalização não é um fim, é um meio. Às vezes entramos um pouco num efeito espiral e parece que a digitalização se sobrepõe à própria estratégia. É preciso perceber que o negócio só terá sucesso, se responder a uma necessidade, independentemente, de como é entregue, se física ou digitalmente.

Agora quer-se aplicar o digital, sem pensar numa estratégia para a sua aplicação?
Exatamente. Há tempos num webinar aconteceu isso com um participante que indicou que já tinha feito um grande investimento com uma aplicação digital, mas que os seus consumidores e clientes não utilizavam. Ora, aqui registou um avanço no digital, sem ter percebido bem para que servia.

Por isso, é preciso conhecer exatamente quem é o nosso cliente e como é que nos posicionamos, ou melhor, como nos queremos posicionar.

Há que ter o cuidado de adaptarmo-nos a cada momento, cada cliente, cada consumidor, cada local, cada procura, necessidade e exigência. Não é só digitalizar e já está. Há que perceber para que queremos o digital.

O bem-estar, a vontade, a felicidade, o tempo para nós e família, o aprofundar do conhecimento, continuam a ser as razões de motivação quer o mundo se digitalize ou não.

 

“É difícil compor uma oferta certeira, olhando para o nosso umbigo e para aquilo que gostamos. Tem de se olhar para fora”

 

Partilha de conhecimento
O NEST desenvolveu quatro Think Tanks – Restauração e Gastronomia; Hospitalidade; Atividades Turísticas; Pontos de Interesse. A que conclusões chegaram? Eram essas as esperadas?
Os objetivos eram, na prática, criar um formato que permitisse auscultar o próprio setor, muito mais atempado e rápido e que se conseguissem depurar, através de participantes experts na matéria, muito conhecedores destes verticais, todas as necessidades e o status quo, além de trabalhar, através da metodologia de design thinking, alguns direcionais para respostas, não trazendo já as soluções, mas fazendo exercícios que combinam targets específicos de consumidores. Conhecer os espaços ou momentos que o próprio setor proporciona, como o quarto, o momento do pequeno-almoço, pensar em famílias e pessoas individuais, criar o pensamento de quais são as necessidades e oportunidades que podem e devem trabalhar.

Depois, com base nisso, elaborar relatórios que ficassem disponíveis publica e gratuitamente para incentivar a que inovadores, startups, empreendedores, adequem a sua oferta e possuam um ponto de partida.

Além disso, criar ferramentas para que se tornasse mais fluido o entendimento das necessidades por via destas metodologias que alguém possa pegar com alguma confiança e dar-lhes seguimentos e não ter de fazer, ele próprio, essa descoberta.


No fundo, ser facilitadores?
Exatamente. Facilitadores e aceleradores. No passado estas coisas eram feitas com fundamental research, acesso a estudos de consultoria, muito dificilmente públicos e gratuitos. Agora há maior partilha, as pessoas querem, de facto, ajudar na participação destes conhecimentos, na utilização de processos que sejam criativos e que possam construir os primeiros patamares para depois alguém poder trabalhar a inovação e disseminá-los de forma democrática e acessível.

Mas foram surpreendidos de alguma forma, nas conclusões a que chegaram nestes Think Tanks?
De todos eles surgiram questões interessantes. Mas variam entre eles os pontos fulcrais, como as fontes de digitalização, questões de marketing, interação com o próprio turista no local. Havia feelings, mas não existia muito conhecimento e estes Thinks Tanks permitiram-nos ter uma visão muito mais assertiva sobre o elencar dessas oportunidades.

A questão da sustentabilidade?
Absolutamente. Os clientes hoje escolhem muitas vezes o seu destino e hotel em função precisamente dessa preocupação sustentável.

Olha-se cada vez menos para o preço?
Existem estatísticas do Google muito interessantes relacionadas com o turismo e que indicam a procura por “barato” ou por “melhor”. Se há 10 anos as pessoas procuravam pela viagem mais barata, hoje o que procuram é o que melhor atende e qualifica a sua motivação, a viagem e experiência que querem ter.

Portanto, hoje não é a viagem mais barata que a pessoa procura, mas sim a melhor viagem.

Isto tudo está relacionada com esta transformação de paradigmas, das novas gerações, dos Millennials, da geração Z.

E passou a existir um outro ou novo olhar para o espaço concorrencial interno e externo?
Absolutamente. O turismo é um setor que nos permite ter este olhar e leva-nos a ter de estar a par do entendimento e das evoluções que acontecem em todo o mundo. Claro que temos de olhar, mais cuidadosamente, para os nossos principais destinos emissores.

É difícil compor uma oferta certeira, olhando para o nosso umbigo e para aquilo que gostamos. Tem de se olhar para fora.

 

“A pandemia acelerou [a digitalização], mas, de facto, o trilho pelo qual se teria de caminhar estava absolutamente identificado”

 

Mas a grande preocupação não está no turismo interno, mas sim no externo?
Sim, claro. Se até 2019, a balança era de 70% externo e 30% interno, o facto é que teremos de olhar para o turismo interno como um pilar futuro, até porque foi o que nos salvaguardou e salvou nestes tempos difíceis.

E aí o fator digital é fundamental? Quer dizer, na forma, ou melhor, nas novas e diferentes formas como se chega e comunica com o público?
Sim, foi e é crucial. O advento das low-cost foi uma grande oportunidade para os city-breaks. De repente, já não era só o Algarve, era Lisboa, depois o Porto, a Madeira, os Açores, o interior.

Houve um trabalho enorme na diversificação da nossa oferta para os diferentes públicos. Há públicos na Europa que não estão nada interessados na praia, querem cultura, os rios, as lagoas, a natureza.

Conhecer e customizar
E o que é que os nossos concorrentes estão a fazer no campo da inovação, do digital, na tecnologia. Há algo que está a ser feito que se diferencia?

Posso dizer que do ponto de vista da estruturação da estratégia, somos líderes. Na forma como se orquestra dentro desta nação a visão estratégica, a criação da marca Portugal, e depois a concertação de tudo isso com o resto do setor não acontece em nenhum dos nossos principais destinos concorrentes.

A estratégia desenvolvida para Portugal é uma estratégia de diversificação e de coesão territorial. Não vemos a Grécia a trabalhar o interior e a fronteira com a Albânia. É mais do mesmo. Em Portugal não, é muito assente numa experiência da cultura, numa vivência dos nossos modos de vida, com a paisagem que integra sabores e saberes que aqui se desenvolvem

Portanto, é muito mais multifacetado e diria mesmo que se trata de uma agregação de valores muito difícil de replicar. A experiência que se tem em Portugal não se consegue replicar em qualquer outro local.

Mas depois há que chegar ao público, ao viajante, ao turista. No campo digital surgem conceitos como marketing digital, target advertisement, a gestão de management response, os pagamentos, a forma de estar e comunicar nas diversas e diferentes redes sociais, etc.. Há, neste particular, a noção de que a pandemia funcionou, como já ouvi dizer, como um “dia zero” em termos digitais e tecnológicos?
Não, já estava tudo absolutamente traçado. A pandemia acelerou, mas, de facto, o trilho pelo qual se teria de caminhar estava absolutamente identificado.

Em todas as estratégias, ferramentas e planos estamos a falar de formas e investimentos para acelerar todos estes princípios e não iniciá-los.

Este entendimento do marketing digital já está estabelecido há bastante tempo e temos, de facto, de aprimorar e saber trabalhar sobre essa nova forma que não vem de nenhuma obrigatoriedade a não ser do facto de, se quisermos comunicar com sucesso, é por aqui que se terá de caminhar.

Julgo engraçado quando se tenta separar o digital como se fosse uma valência que se tem de fazer obrigatoriamente para além de tudo aquilo que já se faz. Quem quer comunicar e/ou vender, se não considerar o digital, dificilmente terá sucesso. Nem é preciso dizer que o digital é importante. Alguém que queira fazer uma estratégia vencedora para o seu negócio vai ter de, inevitavelmente, trabalhar com o digital, porque é aí que existe o poder de influência, de recomendação, de aquisição.

Mas há que saber trabalhá-lo. Há a perceção e conhecimento de que é preciso falar linguagens diferentes?
Vivemos num momento em que, provavelmente, durante esta nossa conversa se gerou mais informação e dados em todo o mundo do que nos 10 anos após a criação da Internet.

Há possibilidade de falar quase de um para um. Utilizar essa inteligência é a grande oportunidade para o turismo.

As diferentes tipologias de pessoas, a possibilidade de direcionar um tipo de comunicação, tudo isso está ao nosso dispor. Hoje em dia, sabemos que há determinados momentos em que, se queremos ser considerados enquanto potencial destino ou marca, pode ser errado sugerir uma venda direta em determinado momento. Mas podemos participar com outros conteúdos que mantêm o interesse sem sermos intrusivos, que leva a que essa pessoa regresse e nos procure. Há que saber dar os argumentos certos para que o nosso destino se mantenha na memória aquando da altura da decisão.

 

“Alguém que queira fazer uma estratégia vencedora para o seu negócio vai ter de, inevitavelmente, trabalhar com o digital”

 

Recuperando um pouco o tema da sustentabilidade, no mesmo dia em que o Turismo de Portugal apresentava o Plano Turismo + Sustentável 20-23, o NEST lançava uma nova ferramenta de diagnóstico de sustentabilidade para as Pequenas e Médias Empresas (PME) do setor do turismo. Tal como referi anteriormente, a par da digitalização, a sustentabilidade é chave no turismo?
Vemos na digitalização uma oportunidade de massificar conceitos e de ter um acesso bastante democrático. A revolução que a digitalização trouxe, foi uma democratização da informação, do conhecimento, da possibilidade de empreendedorismo e autonomia em muitas coisas.

Esse aceleramento trouxe alguma novidade ou algum desenvolvimento do próprio ecossistema português ou que estamos a aplicar provém de fora?
Não lhe sei responder sobre a quantidade e/ou criação de tecnologias, até porque algumas destas coisas surgem sem se ter um formato de empresa e é difícil fazer a captação.

O que vi, de facto, foi uma mobilização muito grande por parte de algumas startups existentes e outras que surgiram para trazer soluções que, muitas delas, acabaram por vingar e crescer exponencialmente o nível de utilização.

Mas também sabemos que é um momento muito difícil para este universo das startups. Mas é notório que há um olhar mais interessado para com coisas relacionadas com a tecnologia e com soluções que sejam mais touchless, por exemplo.

Na realidade, os Capital Ventures e os Angels estão agora com um olhar mais atento para esses novos domínios do que há dois ou três anos.


Com toda esta panóplia de novidades, transformações e inovações, mas também de incertezas e expectativas, que tipo de turismo e turistas teremos no futuro?
Há muitas coisas que estão a aparecer, soluções que permitirão um aumento gradual da mobilidade que, na verdade, não tem só a ver com o turismo, per si, mas com as próprias dinâmicas das economias que são interativas e que vivem pela troca e entrosamento.

Toda e qualquer economia sofre quando pára, se fecham fronteiras e se inibe a mobilidade das pessoas.

Mas seja no turismo, na saúde ou noutra área qualquer, o modelo de desenvolvimento desses negócios já não é uma coisa fechada em si própria. O desenvolvimento do turismo acontece nas diferentes vertentes e, inclusivamente, com outros setores.

É na customização que o turismo terá de apostar?
Sim, porque é isso que nos vai diferenciar. Não sermos conhecidos por aquilo que erámos conhecidos há anos e que se limitava no sol e praia. Somos e temos muito mais do que isso para oferecer.

Mas o digital vem colocar mais pressão na resposta a dar, já que tem de ser instantânea.
Sim, mas também oferece a possibilidade de um maior acompanhamento. O segredo do digital está em agir e não reagir.

Sobre o autorVictor Jorge

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“É impossível pensar o turismo sem inovação”

Conhecidos que foram os vencedores do [email protected] in Portugal, o Publituris falou com o responsável pela Acredita Portugal, Fernando Fraga, para perceber a importância que este tipo de programas possui para o setor do turismo.

Victor Jorge

Com a premissa de potenciar a inovação no turismo e atrair as melhores startups do e para o setor, a competitividade é crucial para manter o posicionamento de Portugal enquanto player mundial. Por isso, segundo Fernando Fraga, diretor de Inovação da Acredita Portugal, “os processos e respostas disponibilizados pelos intervenientes do turismo têm de se alinhar com este ‘novo’ destinatário.

Que importância possui o programa [email protected] in Portugal para o setor do turismo?
Acreditamos que um programa como o [email protected] tem uma enorme importância para o setor do turismo.

Este foi um dos setores que mais sofreu com o impacto da pandemia e que enfrenta agora a necessidade de se transformar. Esta adaptação será facilitada se existir um contacto com inovação externa; inovação que será fundamental para tornar os intervenientes e empresas no setor mais competitivos e capacitá-los para responder às novas necessidades do público.

Atualmente e devido à pandemia, é impossível pensar-se no turismo sem inovação?
Não é, de todo, possível pensar o turismo sem inovação.

O setor encontra-se a mudar de forma acelerada e o turista do século XXI já não é o turista do século passado. O seu perfil mudou e aquilo de que está à procura também se alterou. O turista atual quer, sobretudo, experiências e mostra preocupações adicionais com questões como a segurança e o impacto da sua viagem na comunidade local.

Os processos e respostas disponibilizados pelos intervenientes do turismo têm de se alinhar com este “novo” destinatário.

Quais os principais desafios que o setor do turismo em Portugal atravessa quando se fala de tecnologia e inovação?
São vários os desafios enfrentados pelo turismo. O principal será uma certa relutância ainda identificada para empreender algum nível de adaptação face a um cenário em mudança. Principalmente agora, numa altura em que a COVID-19 veio obrigar a alterar procedimentos, a falta de capacidade ou vontade para adotar soluções tecnológicas pode tornar-se uma clara desvantagem.

 

“O setor encontra-se a mudar de forma acelerada e o turista do século XXI já não é o turista do século passado. O seu perfil mudou e aquilo de que está à procura também se alterou”

 

E que relevância possui a captação destas inovações para o turismo em Portugal?
Têm origem em Portugal excelentes ideias para o turismo. O mundo, contudo, é grande e existem ideias lá fora que estão a revolucionar o setor. A captação empreendida no programa é um dos únicos meios ao dispor das empresas portuguesas para aceder de forma direta a ideias com expressão global.

Que empresas já se fixaram ou implementaram soluções no turismo nacional?
Existem alguns projetos a fechar processos de negociação para a sua fixação em Portugal ou a finalizar pilotos locais com empresas portuguesas. Os resultados deste processo devem ser visíveis já a partir de setembro.

A digitalização é, a par da sustentabilidade, um dos focos estratégicos para o futuro. É por aqui que o setor do turismo tem de enveredar para ser competitivo?
Este é, de facto, um dos focos, embora seja necessária a ressalva que nem tudo é passível de digitalização. Apesar de existirem várias áreas em que a digitalização fará todo o sentido – por exemplo, permitindo que Portugal alcance novos mercados –, existe uma componente do setor em que isso não é possível. As experiências e o contacto humano são difíceis de replicar digitalmente e existirá sempre uma dimensão desta atividade que acontecerá de forma presencial.

A digitalização vai potenciar o que já se faz no setor do turismo, mas não o vai substituir.

 

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“Higiene e segurança tornaram-se preocupações fundamentais para os viajantes”

A Valpas transforma hotéis em locais visivelmente mais limpos, protegendo-os das criaturas mais sujas: os percevejos. Esta inovação deu-lhe a vitória no [email protected] in Portugal 2021.

Victor Jorge

Foi a vencedora do [email protected] in Portugal 2021. Ao Publituris Martim Gois, Co-fundador e CEO da Valpas, admite que a missão da empresa é promover “viagens pensadas”. O primeiro passo é, assim, por “fornecer às pessoas as estadias mais higiênicas do mundo com a utilização de novas tecnologias”.

De que forma é que a vossa solução é diferenciadora e inovadora e que valor acrescentado traz ao setor do turismo?
O que a Pfizer e a Moderna são para a COVID, a Valpas é para os percevejos. As pessoas são vulneráveis a muitos problemas de saúde e higiene durante as viagens e os percevejos são os mais temidos. Espalham-se como um vírus e é impossível as pessoas evitarem-nos. A Valpas capacita os prestadores de serviços de hospitalidade de alto nível, como o Esquina Cosmopolitan, em Lisboa, ou o Le Pigalle, em Paris, de modo a protegerem as pessoas contra percevejos. Ao contrário dos hotéis regulares, os parceiros Valpas são “hotéis seguros” que eliminam quaisquer percevejos que os hóspedes possam transportar sem saber e impedi-los de levá-los para casa. Ao fazê-lo, os parceiros da Valpas aderem a padrões de higiene superiores e proporcionam às pessoas a estadia mais limpa que existe atualmente, ao mesmo tempo que eliminam a propagação de percevejos e perdas financeiras e de saúde para os negócios.

Com é que irão desenvolver o vosso projeto, depois de ganharem o [email protected] in Portugal?
A nossa missão é promover viagens pensadas (“valpas” significa pensativo em finlandês) e o primeiro passo é fornecer às pessoas as estadias mais higiênicas do mundo com a utilização de novas tecnologias. Já começámos a trabalhar com alguns dos principais grupos hoteleiros portugueses e nos próximos meses estaremos focados em desenvolver ainda mais a nossa rede de parceiros em Portugal, de forma que o nosso público de viajantes preocupados com a higiene possua opções suficientes para ficar em todo o país.

Um setor do turismo competitivo terá, obrigatoriamente ser inovador?
Os fundamentos do turismo quase não mudaram: viajar é experimentar o nosso belo mundo de uma maneira segura e conveniente. No entanto, os requisitos das pessoas para vivenciar esses fundamentos mudam com o tempo. Por exemplo, higiene e segurança no pós-COVID tornaram-se preocupações fundamentais para os viajantes, e os melhores grupos hoteleiros estão a responder, indo além dos selos locais básicos “Clean&Safe” que todo o hotel possui, adotando novas soluções de higiene, como o padrão Valpas. É um ciclo repetitivo de mudança e adaptação e destacar-se em cada ciclo de inovação provou ser a chave.

Que inovações têm preparadas para o futuro?
Um dos primeiros passos da nossa missão de promover viagens bem pensadas é fornecer às pessoas as estadias mais higiênicas do mundo. Além disso, estamos a iniciar colaborações com agentes e operadores de viagens para que os hotéis nossos parceiros impactem melhor as pessoas.

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“Criámos um ‘solucionador’ automatizado de vários problemas para os turistas”

A Insurion permite a agências de viagens, companhias aéreas e hotéis ganharem taxas de venda de seguros paramétricos para turistas com pagamentos instantâneos. Artem Kokorin, CEO da Insurion, explica como.

Victor Jorge

Ficaram em segundo lugar no [email protected] in Portugal 2021 e o CEO da Insurion, Artem Kokorin, refere que, graças ao evento, “temos uma seguradora em Portugal que vai fazer um piloto do produto”. 

De que forma é que a vossa solução é diferenciadora e inovadora e que valor acrescentado traz ao setor do turismo?
Criámos um “solucionador” automatizado de vários problemas para os turistas. E continuamos a ampliar essa lista. Antes de aparecermos, o turista tinha que explicar às seguradoras, companhias aéreas, agências de viagens ou hotéis o problema que enfrentava e que precisava de ajuda. Tinha de ligar para linhas de atendimento, ouvir música, explicar várias vezes o que aconteceu, depois fornecer alguns documentos e aguardar o resultado de todo este processo.

Nós detetámos esse problema e fornecemos a solução muitas vezes antes que o turista perceba que algo está errado.

Imagine que está sentado no aeroporto com toda sua família e acabou de perceber que seu voo está atrasado duas horas. Os seus filhos estão aborrecidos e perguntam “Quando vamos voar?”. Mas, de repente, o seu cartão bancário foi “carregado” com 100 euros. Isto porque os nossos algoritmos recolheram dados sobre o seu voo e detetaram o atraso e executaram um crédito instantâneo. O “kit de ferramentas” para entreter os seus filhos aumentou.

Com é que irão desenvolver o vosso projeto, depois do segundo lugar no [email protected] in Portugal?
Estamos em negociações com várias agências de viagens online e alguns operadores de viagens para a integração dos nossos produtos paramétricos de seguros de viagens nos processos de venda.

Estão, por exemplo, interessados na nossa “Garantia de bom tempo”, que pode detetar condições meteorológicas adversas no resort e executar o pagamento instantâneo no cartão bancário do turista. As condições de “Clima adverso” são calculadas automática e individualmente para cada local e período.

Para agências de viagens online, esta é uma ótima ferramenta para aumentar a receita média e induzir clientes em dúvida para comprar a viagem.

Uma vez acordada a integração, iremos constituir a nossa entidade em Portugal, abrir conta bancária e lançar as vendas.

Precisamos de seguradoras para cobrir os riscos. Estas, em contrapartida, obtêm novos produtos de seguro lucrativos, fluxos sustentáveis de prémios de seguro e novos clientes.

Graças à [email protected] temos uma seguradora em Portugal que vai fazer um piloto do produto.

Um setor do turismo competitivo terá, obrigatoriamente ser inovador?
Definitivamente tem que ser, e a palavra-chave aqui é “competitividade”. O papel da indústria de viagens não é apenas permitir que as pessoas descansem duas vezes por ano. O seu papel é tornar a humanidade mais holística e sólida. Pessoas de diferentes países vão entender-se e interagir, o que leva sempre a algo novo. A inovação é a ferramenta para tornar-se o centro de tais interações.

Que inovações têm preparadas para o futuro?
Continuaremos a melhorar o setor dos seguros. Deverá ser muito útil. O valor do seguro não é a capacidade de adquiri-lo com facilidade, mas prestar a ajuda exatamente quando o cliente precisa dela. Para isso, recolheremos mais dados, melhorar o processamento e, no final, automatizar os seguros e reduzir o volume de decisões subjetivas.

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“Uma cidade tem a possibilidade de contar a sua história por meio de fotos de Realidade Aumentada”

Ficou em terceiro lugar no [email protected] in Portugal 2021 com uma tecnologia que pretende ajudar os turistas a viver o momento ao máximo, captando esses momentos e tornando-os inesquecíveis.

Victor Jorge

O terceiro lugar do [email protected] in Portugal 2021, pertenceu à [email protected] que proporciona ao turista uma nova “realidade”, literalmente. Luka Vuković, fundador & CEO da [email protected], explica que tudo é possível com “energia solar limpa” e por wi-fi.

De que forma é que a vossa solução é diferenciadora e inovadora e que valor acrescentado traz ao setor do turismo?
Com a missão de fazer com que os turistas vivam momentos na sua plenitude, para ajudá-los a capturar esses momentos e para que nunca os esqueçam, criamos a primeira escultura de selfies do mundo.

É uma peça de design totalmente autónoma e a energia solar, à qual os turistas se conectam por Wi-Fi e podem ter fotos em Realidade Aumentada reais e incríveis em segundos. Assim, evitamos as confusões para obter uma foto perfeita e deixamos o turista mergulhar na cidade.

Ao conectar mais esculturas por meio da nossa plataforma, a cidade ganha um guia turístico de última geração que, ao torná-lo num jogo para os turistas, educa-os sobre a história do local, promove as atrações menos visitadas e, ao mesmo tempo, luta contra multidões em frente aos locais mais icónicos.

O que torna o [email protected] único é o facto de funcionar com energia solar limpa, portanto, sem cabos extras e super fácil de instalar. Além disso, os turistas conectam-se à escultura [email protected] por meio dos seus smartphones, não existindo qualquer touchscreen, mais conveniente neste período COVID.

As nossas esculturas são fantásticas, combinamos a tecnologia mais recente com um design atemporal, porém arrojado.

A escultura [email protected] ajuda os turistas a obter a melhor foto-lembrança da sua viagem e dá-lhes mais tempo para desfrutar da cidade.

Por outro lado, uma cidade tem marketing nas redes sociais, uma possibilidade de contar a sua história por meio de fotos de Realidade Aumentada. Mais importante ainda, pode monitorizar as selfies que os turistas tiram todos os dias.

Com é que irão desenvolver o vosso projeto, depois deste terceiro lugar no [email protected] in Portugal?
O nosso plano para os próximos meses é instalar as primeiras unidades na Suíça e no Dubai. Na Suíça, instalamos a nossa primeira unidade interna num museu, o que nos entusiasma muito.

Estamos a negociar a instalação das primeiras unidades também em Portugal. Com sorte, abriremos um escritório até o final do ano.

Paralelamente a tudo isto, estamos a finalizar as últimas melhorias do produto, principalmente no que diz respeito à aplicação back-end.

Nos próximos seis meses, planeamos ter a nossa ronda de investimentos pré-série A e prevemos investir a maior parte do dinheiro em marketing e vendas para encontrar parceiros e expandir-nos pela Europa.

Um setor do turismo competitivo terá, obrigatoriamente ser inovador?
Depende como define inovação. Isto vai mudar e evoluir com certeza. Com a mudança do tempo, também as pessoas e as necessidades dos turistas mudam e terão de acompanhar essa evolução.

Acredito que o futuro do turismo se concentrará em cada indivíduo. Quem conseguir encontrar a melhor abordagem para cobrir cada grupo de turistas individualmente, vencerá a corrida.

Um exemplo: pegue em dez pessoas e ofereça exatamente a mesma viagem. Leve-os para o mesmo hotel, mesmos restaurantes, mesmas praias, tudo igual. E, numa escala de 1 a 10, acabará com algumas pessoas avaliando a experiência com um 10 perfeito e outras com 1. É sentir e encontrar as pequenas diferenças que tornam a viagem única para cada pessoa que está a chave.

No final, acho que a inovação deve, novamente, ajudar a tornar as pessoas mais humanas. Devemos tornar a tecnologia invisível.

Que inovações têm preparadas para o futuro?
Continuaremos o nosso trabalho para melhorar a forma como os turistas podem obter as melhores lembranças das suas viagens.

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Tecnologias no Turismo: O futuro é agora

É unânime afirmar que a pandemia veio acelerar a transição digital nas mais diversas áreas económicas, e não só. Já com uma forte componente tecnológica, o turismo também não foi exceção. Quais as prioridades tecnológicas a adotar pelas empresas turísticas e qual o caminho a seguir são algumas das questões aqui respondidas. Conheça ainda algumas das novidades das empresas de tecnologia com soluções para o turismo.

O mundo parou em março de 2020, mas não parou a evolução tecnológica. Da educação ao trabalho, à distribuição de serviços, foi inevitável a transição digital das mais diversas áreas do nosso dia-a-dia, motivada pelos primeiros confinamentos provocados pela pandemia da COVID-19.

A tecnologia no turismo passou por sérias mudanças para ajudar a indústria a ajustar-se a este momento agitado. Se anteriormente, a prioridade passava por facilitar a viagem em si, hoje em dia, a ênfase é dada à segurança na realização da viagem. Mas não só.

Com o reabrir da atividade turística, surgiram várias “dificuldades associadas com as exigências e obrigatoriedades ao nível da saúde e higiene, impostas com o propósito de garantir uma experiência segura ao turista, bem como aos colaboradores dos estabelecimentos”. Ana Cantinho, diretora-geral da Beltrão Coelho, explica que estas exigências refletiram-se “numa demanda por uma série de dispositivos tecnológicos que viessem ao encontro destas necessidades”, à qual a Beltrão Coelho tentou responder com novas soluções.

A segurança é também um factor que Pedro Silva, marketing manager da Salto Systems, considera que teve especial importância na evolução tecnológica. Para o responsável, isto teve especial impacto na tecnologia na hotelaria, onde se privilegiou a redução da “propagação de germes nos hotéis”. “Serviços automatizados e tecnologias de self-service em tempos de distanciamento social e integração da tecnologia de self-check-in nas operações de serviço ajudam a resolver algumas das questões em torno da segurança do pessoal e do acesso de novos hóspedes para ajudar a praticar um distanciamento social eficaz”, destaca, sublinhando que a “automação não resulta necessariamente na eliminação de papéis humanos, mas sim na transferência de recursos para outras áreas”.

“Automação não resulta necessariamente na eliminação de papéis humanos, mas sim na transferência de recursos para outras áreas”, Pedro Silva, marketing manager da Salto Systems

Já Felipe Ávila da Costa, Co-founder & CEO da Infraspeak, é da opinião que a pandemia ““forçou” muitas empresas a adaptarem-se rapidamente a esta nova realidade do trabalho remoto, ‘low touch’ e incerteza, contribuindo para a aceleração da transição digital e alertando para novas formas de trabalhar”. No fundo, destaca, “esta nova realidade abriu espaço à inovação, uma vez que mostrou claramente que além de ser possível que algumas rotinas sejam feitas de forma digital, isso ainda tem um impacto muito positivo na eficiência da operação, na redução de custos operacionais e na qualidade do trabalho e da comunicação das equipas”.

No que diz respeito ao Turismo, o responsável reitera ainda que “a necessidade da digitalização veio ajudar a quebrar o mito de que a tecnologia reduz o contacto humano e a hospitalidade, tão importantes no turismo, e a mostrar que, na verdade, a tecnologia contribuiu para melhorar a qualidade do serviço e até aumentar a personalização”. Entre as soluções que se destacaram neste período, Felipe Ávila da Costa enumera os ‘chatbots’ que permitam o check-in digital, a gestão de pedidos e de reservas de serviços e refeições; as soluções ‘low touch’ que diminuem o contacto com superfícies ou objetos, como aplicações móveis para abrir as portas do quarto; e as soluções operacionais que permitam ao staff e à gestão comunicar eficazmente e aceder aos dados de que necessitam em qualquer lugar e a qualquer momento.

Para André Lopes, Business Development Manager Iberia da Hoist, é “indiscutível que a pandemia acelerou o processo de transição digital, sobretudo em organizações que já dispunham de ‘roadmaps’ estruturados e com objetivos definidos”. Em algumas organizações, destaca, este momento obrigou a um primeiro contacto com esta questão, ao qual a Hoist auxiliou com os serviços de consultora tendo como propósito “a conceção de um ‘roadmap’ para investimentos futuros em tecnologia, nas vertentes de processos de negócio, de operação hoteleira ‘tout court’ ou da experiência dos hóspedes”.

“A transição digital foi acelerada transversalmente em toda a sociedade, como se assistiu no trabalho, educação e fornecimentos de serviço remota e digitalmente”, começa por dizer Pedro Matoso, CEO da Newhotel, que refere ainda que a hotelaria não foi excepção. Neste sentido, o responsável refere que existe uma “procura e adopção de ferramentas visando optimizar o ‘staff’ hoteleiro e permitir ao hóspede uma experiência digital com o mínimo de contacto ou espera para o fornecimento de serviço”, como é exemplo o ‘self check-in mobile’.

“A transição digital foi acelerada transversalmente em toda a sociedade, como se assistiu no trabalho, educação e fornecimentos de serviço remota e digitalmente”, Pedro Matoso, CEO da Newhotel

“A tecnologia está a ser a solução e teve de ser feita em tempo recorde”, começa por dizer Hélder Santos, sales & marketing director da Nonius, que registou uma elevada procura nas soluções que tornam os processos ‘contactless’, que dão mais autonomia aos hóspedes e garantem o distanciamento físico. Foi nesta área que a Nonius focou os esforços de Investigação e Desenvolvimento da empresa para “acelerar de desenvolvimentos que tínhamos previstos para 2022 que tivemos de fazer já em 2020”.

O caminho do futuro
À parte do que está atualmente a ser feito, a tecnologia é um caminho em constante evolução. Como tal, existe ainda muito para ser feito no domínio do turismo e objetivos futuros que imperam no ‘roadmap’ tecnológico.
Mas para acompanhar este caminho, importa saber escolher os parceiros tecnológicos. Como explica Anabela Almeida, do Consolidador.com, “a esmagadora maioria das empresas turísticas não tem capacidade de desenvolvimento próprio”, portanto “mais que nunca, um dos fatores cruciais recai na escolha do(s) parceiro(s) tecnológico(s)”. “É crucial garantir que os parceiros tecnológicos com quem trabalham disponibilizam ferramentas inovadoras, assentes em tecnologia ágil e com capacidade de transformação extremamente rápida”, sublinha.

Neste campo, Felipe Ávila da Costa, Co-founder & CEO da Infraspeak, refere que para que “a adoção destas novas tecnologias seja de facto bem-sucedida e duradoura, há uma série de paradigmas às quais estas soluções devem obedecer… e não servem apenas para o setor do turismo”. Segundo o responsável, qualquer solução tecnológica tem de permitir a mobilidade, sendo acessível em qualquer momento e lugar. Depois, a usabilidade, ou seja, as soluções têm de ser “super intuitivas e simples, de forma a dar resposta a utilizadores heterogéneos”. A inteligência e a capacidade de integração são dois fatores que o responsável considera “importantíssimos”. “Hoje em dia, trabalhamos com dezenas de softwares e até com sensores IoT ou outro hardware. (…) Termos a capacidade de integrar tudo isto, ou seja, conectar todos estes ‘softwares’ num só e ter todos os dados da operação reunidos numa mesma plataforma, abre-nos um leque de infinitas possibilidades de optimização de todo o negócio. Ao adicionar inteligência a este cenário, poderemos tirar o melhor partido dos mais diversos tipos de dados gerados pela operação, transformando-os em ‘insights’ inteligentes, automações ou alertas personalizados, que nos vão permitir tomar decisões melhores e mais informadas”, defende.

Também os dados fazem parte das prioridades enumeradas por André Silva, da Hoist. A esta acrescem a digitalização da ‘guest journey’ e tecnologias que promovam uma experiência ‘contactless’. “Importa não descurar a importância das infraestruturas de rede, que continuam a ser elementos estruturantes em qualquer “ecossistema” tecnológico”, salienta.

Optimizar as operações dos hotéis que lidam com baixas ocupações é uma das prioridades destacada pela Nonius. “considero que os elementos-chave a ter em consideração são se as ferramentas a adoptar são compatíveis com os equipamentos e outras ferramentas existentes nos hotéis, por exemplo: se a aplicação para os hóspedes é compatível com as fechaduras existentes no hotel e se está integrada com o PMS. Outro elemento-chave é se as ferramentas são de fácil utilização e aprendizagem e se estão desenvolvidas e completas em termos de funcionalidades, pois vivemos num período de grande necessidade tecnológica e capacidade de desenvolvimento escasseia”, aponta Hélder Santos.
A adoção de sistemas “verdadeiramente ‘cloud’” é uma das prioridades destacadas pelo CEO da Newhotel, que defende que com estas tira-se partido das vantagens tecnológicas, como “a esfera de microserviços de Functions ou Logic Apps que permitem fluxos de trabalho e computação sem servidor, no caso da Microsoft Azure. (…) Algo que não é possível em soluções Hosted, alojadas, que simulam Cloud, e que requerem acessos por IP fixo e outros atalhos”. Em segundo lugar, indica a importância de se ter um PMS (Property Management System) “que seja focado para vendas, com funcionalidades integradas avançadas para gestão de tarifas, canais de reserva e análises de dados. Um PMS limitado à partida não vai potencializar o controlo e integração e todos os processos”. E também soluções ‘mobile’ que integrem o sistema PMS, como explica Pedro Matoso: “Do lado do hóspede prevê-se um percurso digital recorrendo sobretudo ao mobile, desde o planeamento da viagem, até ao check-in, experiência durante estada, check-out e pós-estada”. Do lado dos colaboradores do hotel, “as ferramentas ‘cloud’ e mobile permitem a digitalização de processos e liberdade de localização e desmaterialização de ‘hardware’. Seja ao nível de ‘housekeeping’, pontos de venda em F&B, ou processo de ‘check-in’, muito é e poderá ser feito através de equipamentos ‘mobile’”.

No entendimento do responsável da Salto Systems, depois da COVID-19 ultrapassada, “os hotéis e alojamentos terão de fazer muitos ajustamentos para tentar adaptar as suas propriedades aos novos requisitos de segurança e higiene. Os hóspedes irão ver acontecer algumas das maiores mudanças na indústria hoteleira, que começam com a digitalização e a formação rigorosa dos funcionários em matéria de segurança e saneamento”.

“O sucesso da transformação tecnológica reside nesta sinergia entre a componente tecnológica e a intervenção humana”, Ana Cantinho, Beltrão Coelho

Para a responsável da Beltrão Coelho, a tendência futura será “a de oferecer uma experiência cada vez mais rica e agradável ao turista e, no nosso entender, a robótica poderá ser uma importante componente deste processo, já que, para além de reduzir os custos operacionais, permite diminuir o contacto entre pessoas e ainda otimizar os processos, fatores que são, sem dúvida, uma forte vantagem competitiva”. Contudo, ressalva que a adoção de novas ferramentas tecnológicas “deve, em todos os setores, ter em consideração que a componente humana é, e continuará a ser, indispensável”. Para Ana Cantinho é essencial que se compreenda que “o avanço tecnológico não se pode, nem deve, traduzir na substituição de pessoas por “máquinas” ou dispositivos – um receio muitas vezes referido. O sucesso da transformação tecnológica reside nesta sinergia entre a componente tecnológica e a intervenção humana”.

Sobre o autorRaquel Relvas Neto

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NEST reconhecido como polo de Inovação Digital e ‘European Digital Innovation Hub’

O reconhecimento como um dos polos de Inovação Digital e um proponente a European Digital Innovation Hub é para a SET, Rita Marques, a afirmação do NEST como veículo de inovação no setor do turismo.

Publituris

O INNOVTOURISM DIH, sob a coordenação do NEST – Centro de Inovação do Turismo, acaba de ser reconhecido como um dos polos de Inovação Digital e um proponente a European Digital Innovation Hub.

O NEST passa, assim, a integrar a Rede Nacional de Digital Innovation Hubs, a desenvolver em ligação com os clusters de competitividade e centros de interface tecnológico reconhecidos. Estas redes colaborativas, reconhecidas no âmbito do Plano de Ação para a Transição Digital, incluem centros de competências digitais específicas, com o objetivo de divulgar e promover a adoção de tecnologia pelas empresas, sobretudo PME, e estará ligada à rede europeia que será dinamizada pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Europa Digital.

Cada Estado-membro pode propor um máximo de oito polos de inovação digital – Portugal reconheceu, entre eles, o INNOVTOURISM, único na Europa por estar totalmente focado em turismo, para que possam gerar valor acrescentado para acesso à Rede Europeia, e a fundos europeus, através de concurso específico a abrir pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Europa Digital.

Integram o Consórcio INNOVTOURISM DIH as seguintes entidades: NEST (coordenador); Escolas do Turismo de Portugal; Algarve STP; Madeira Hub (ACIF, TCC); UniNova CIT; Deloitte; IP Leiria; Beta-i e Portugal Ventures.

Segundo a secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques, “este é um reconhecimento do intenso trabalho que temos vindo a desenvolver no âmbito de uma das medidas no programa do Governo, relacionada com o posicionar internacionalmente o NEST – Centro de Inovação do Turismo como motor de antecipação, experimentação e disseminação de tendências e de soluções e de capacitação de competências digitais, em toda a cadeia de valor”.

Além disso, a SET destaca a concretização de uma das medidas do Plano “Reativar Turismo. Construir Futuro”, lançado em maio de 2021, na qual se perspetiva que “o NEST se deve afirmar como hub do digital no turismo e veículo de inovação no setor, aspeto crítico para a criação e disseminação da componente inovação nas suas vertentes de sustentabilidade, experiência fluida e utilização de Big Data na toma de decisões”, afirma Rita Marques.

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COVID-19 funcionou como “dia zero” para o digital no turismo

Numa altura em que o digital assume uma relevância cada vez maior, o turismo é um dos setores que tem vindo a beneficiar desta onde tecnológica de aproximação com o turista.

Victor Jorge

A relevância do digital para o setor do turismo é inquestionável e, segundo João Leite, diretor de Inovação e Business Intelligence do Pestana Hotel Group, há um pré e um pós-pandemia. Ou seja, segundo o responsável do maior grupo hoteleiro, existe um “dia zero” que teve repercussões em todo o universo do turismo.

A força e importância do digital foi, de resto, destacado por João Leite, durante a participação no Mastercard innovation Forum Portugal 2021, ao revelar que 70% das vendas do grupo hoteleiro já provêm dos canais digitais. Para tal, há, contudo, trabalhar em vários eixos, de modo a ir “ao encontro das necessidades e exigências dos nossos clientes e consumidores”.

Marketing digital, redes sociais, páginas do grupo, target advertisement, plataformas de reservas são alguns dos eixos apresentados pelo responsável do Pestana Hotel Group. “Personalizar a nossa oferta para um cliente cada vez mais exigente e conhecedor é fundamental”, admitiu João Leite, salientando ainda que além desta personalização, também, a monitorização de tudo o que acontece no digital é essencial.

Partindo da premissa de que não é o cliente que está cada vez mais digital, mas que é o digital que está a dar as respostas com a rapidez que o cliente e consumidor pretende, há que não descurar o contacto humano, embora “estejam a surgir constantes alterações no ‘customer journey’”.

“As pessoas procuram mais em cima da hora, efetuam o check-in online e não na receção, querem e sabem que serviços o hotel oferece antes mesmo de entrar no hotel, descobrem o que podem fazer no destino que vão visitar”, destaca João Leite. E além disso, refere o responsável do grupo hoteleiro, “recorrem aos comentários que valorizam para tomar uma decisão”. Ou seja, “qualquer cliente conhece cada vez mais e melhor os nosso produtos e serviços” e, por isso, “é preciso adequá-los”.

Isso não significa, no entanto, que, no caso das plataformas, “tudo seja indicado”, admitindo João Leite que “o ‘engagement’ com o cliente para criar esta fidelização é fundamental”. Daí o responsável pela Inovação e Business Intelligence do Pestana Hotel Group considerar que o “é essencial gerir bem o ’management response’”, já que pode ser “decisivo para futuras reservas”.

Fundamentalmente, diz João Leite, é perceber que “o cliente, atualmente, quer saber como o hotel funcionava hoje e no futuro e não como funcionava no passado”, até porque, “questões ao nível da segurança e sanitária adquiriram uma importância muito grande”.

Uma relevância crescente têm, igualmente, os diversos sistemas de pagamento e a integração dos mesmos, de modo a facilitar a tal “customer journey”, salientando João Leite a mais recente integração disponibilizada no CR7 Gran Via, a nova unidade inaugurada na capital espanhola, onde o cliente pode efetuar o check-in e check-out.

O papel do digital foi, também, destacado pelo presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, salientando o trabalho que tem vindo a ser feito pelo NEST em diversas áreas. “Coordenar a oferta de forma que se torne o mais fluída possível” é, de acordo com Luís Araújo, um dos desafios, já que, “quanto mais conhecermos o nosso universo, melhor oferta poderemos disponibilizar”.

Certo de que essa “aposta nos torna mais competitivos”, o presidente do Turismo de Portugal considera que “o mais importante não é só o turista voltar, mas o turista recomendar-nos”. Para tal, “parcerias e colaborações são fundamentais”, admitindo Luís Araújo que, “se o processo de vacinação continuar a bom ritmo, 2023 será o ano que regressaremos a nível pré-COVID”.

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‘Book&Go’ é o novo comparador de hotéis

A Airmet lançou um novo comparador de hotéis que permite a comparação direta e reserva direta na plataforma.

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A Airmet Portugal acaba de lançar um novo comparador de hotéis – ‘Book&Go’ – que permite aos agentes de viagens consultar e comparar os preços de diversas centrais de reservas de hotéis, bem como concluir a reserva diretamente na plataforma.

O ‘Book&Go’ integra já vários fornecedores, permitindo ao agente apresentar ao seu cliente as melhores tarifas disponíveis em cada pesquisa.

Não se tratando de uma ferramenta nova na Airmet, Susana Fonseca, diretora de operações, reforça que “temos a responsabilidade e o dever de encontrar soluções que sejam sempre melhores e mais eficazes para os nossos associados, ainda que seja para o mesmo tipo de serviço”.

O motor de busca, para além de permitir a comparação direta de vários hotéis, possibilita, também, realizar a reserva diretamente na plataforma, sem que o agente tenha de entrar no website da central para finalizar a sua reserva. Os associados da rede passam, assim, a poder utilizar uma única plataforma para a gestão de todas as suas compras de hotelaria, com a vantagem de que as suas condições comerciais com os fornecedores integrados na plataforma se mantêm.

“Esta ferramenta B2B vai permitir aos nossos associados rentabilizar e otimizar o seu tempo através de um motor de busca mais rápido e eficaz na pesquisa das melhores tarifas e reserva dos hotéis, sendo que terão ainda total autonomia na gestão dos seus mark-ups”, conclui a diretora de operações da rede.

A plataforma ‘Book&Go’ conta já com a integração de sete fornecedores e outros quatro serão integrados em breve.

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