Turismo de Lisboa defende abertura de “todas as atividades sem restrições”

Por a 28 de Julho de 2021 as 10:09

A Associação de Turismo de Lisboa (ATL) veio esta terça-feira, 27 de julho, propor um conjunto de medidas que visam “criar condições para a sobrevivência do setor” do turismo, que se encontra em “risco de colapso” devido ao impacto da pandemia, defendendo, desde logo, a “abertura de todas as atividades, sem restrições de horários e lotações”.

“Tendo em conta o avanço do processo de vacinação, a massificação dos testes e o conhecimento adquirido, a estratégia de combate à pandemia deve passar a obedecer a um novo paradigma, que tenha por base o princípio de abertura de todas as atividades, sem restrições de horários e lotações, sendo que os estabelecimentos não poderão ser responsabilizados pela realização de qualquer tipo de testes, ou ato sanitário especializado”, defende a ATL, num comunicado enviado à imprensa.

As medidas propostas pela ATL resultam, segundo comunicado enviado à imprensa, de um grupo de trabalho da Direção da ATL, composto por Álvaro Covões, Bernardo Trindade, José Manuel Esteves e Vítor Costa, que considera que a “preservação do tecido económico do Turismo e dos requisitos estruturais para o seu exercício são condições essenciais para que o setor possa retomar o seu papel determinante para a recuperação e o desenvolvimento do País”.

No comunicado divulgado, a ATL sublinha “a necessidade de se entrar numa nova fase que permita criar condições para a sobrevivência do Turismo” , motivo pelo qual defende que o combate à pandemia deve entrar num “novo paradigma” e romper com “o princípio que ainda se verifica por inércia desde o primeiro confinamento, que é a ideia contrária do princípio da limitação de atividades e sua reabertura progressiva, permitindo assim manter a oferta a par dos destinos europeus que concorrem diretamente com Lisboa”.

Relativamente aos cafés e estabelecimentos de restauração, a ATL defende também que “a isenção de taxas às esplanadas deve prolongar-se até ao final da pandemia” e propõe que os cafés e restaurantes possam também “transformar as esplanadas provisórias em permanentes”.

Mas as medidas propostas pela ATL não visam apenas o funcionamento dos estabelecimentos, uma vez que a associação reclama também que “as medidas reclamadas pelas associações setoriais e pela CTP [Confederação do Turismo de Portugal], às quais o governo já se comprometeu a dar respostas, para preservar as empresas e o emprego devem ser rapidamente aprovadas e postas em prática, com vista a preservar o tecido económico do Turismo, a assegurar o emprego e a evitar que a força de trabalho se afaste da atividade turística, comprometendo a sua recuperação futura”.
Promover a manutenção do emprego, responder à questão das moratórias, apoiar os custos com rendas, garantir apoios de tesouraria e assegurar a recapitalização das empresas, “evitando o crescimento do endividamento que compromete o futuro”, são algumas das medidas em que a ATL insiste.

Além disso, acrescenta a associação, “deverá ainda manter-se o apoio à retoma até abril de 2022, a todas as empresas com quebras de vendas acentuadas como forma de ajudar o emprego ativo, os apoios à tesouraria e à capitalização das empresas, permitindo a recuperação económica das empresas e economia e oportunidade de formação profissional”, enquanto as medidas de capitalização e combate ao endividamento “devem ter uma forte componente a fundo perdido”.

A ATL fala ainda no programa “Lisboa Protege” , da Câmara Municipal de Lisboa, que considera ser “essencial para a resistência à atual crise”, defendendo que o mesmo “deve ser mantido e, se possível alargado, nomeadamente ao nível dos apoios concedidos”, bem como na questão aeroportuária, em relação à qual reafirma “a urgência em encontrar e iniciar a implementação de uma solução adequada para servir uma Cidade e Região capital europeia, moderna e competitiva”.

“Acresce que, durante o período de pandemia não só não foi feito qualquer avanço relativamente à resolução do principal problema estrutural do Turismo, que é a inexistência de uma oferta aeroportuária adequada e digna de uma moderna capital europeia, como se verificaram atrasos e novas ameaças em relação a esse problema, sem ter em conta que, ao contrário de outros destinos concorrentes, o acesso a Lisboa só pode ser feito por essa via por mais de 90% dos seus clientes, devido à localização geográfica”, lamenta a ATL.

A concluir o comunicado, a ATL lembra ainda que, nos anos anteriores à pandemia, Lisboa “tinha sido a região com maior crescimento dentro do núcleo de destinos equivalentes e, em termos nacionais, foi o destino que mais cresceu, ganhando quota de mercado”, numa situação que se inverteu com a COVID-19, que levou mesmo a que a capital tenha sido o “destino europeu que mais sofreu, sendo também o destino nacional mais afetado”, o que justifica a adoção das medidas propostas.

 

 

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