Restrições económicas impostas devido à pandemia consideradas “excessivas”

Por a 22 de Julho de 2021 as 17:00

O Fórum para a Competitividade considera “excessivas” as restrições económicas impostas devido à pandemia, admite que o verão de 2021 seja ainda pior do que o de 2020 para o turismo e que a retoma seja muito parcial.

“Para 2021, tem surgido muita informação contraditória sobre a evolução do PIB português ao longo do ano. As restrições económicas, a pretexto da pandemia, parecem excessivas, mas do exterior também têm surgido orientações inconstantes, admitindo-se que o verão de 2021 venha a ser pior do que o 2020, para o turismo”, refere o Fórum para a Competitividade na sua edição n.º 14 das “Perspetivas empresariais” relativas ao segundo trimestre de 2021, analisado pela Lusa.

Considerando que as restrições à atividade que a subida de novos casos e “uma atitude excessivamente conservadora por parte do Governo” trouxeram a este segundo trimestre do ano, a estrutura presidida por Pedro Ferraz da Costa, considera existirem condições para se poder assegurar que a “retoma será muito parcial” em 2021, apontando ainda que a ajuda à retoma, por parte do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) português, “está muito atrasada” e que este, “apesar de muito focado na conjuntura, tem um calendário muito mais lento do que o congénere espanhol, o que é uma contradição”.

O Fórum refere também a demora, para a qual não encontra explicação, para o início pleno das atividades do Banco de Fomento, situação que “terá reflexos negativos na velocidade da retoma económica”.

O Fórum para a Competitividade ressalva também que, entre as restrições à atividade impostas, “algumas são difíceis de entender” devido à “forte diminuição” dos riscos sanitários.

Recorde-se que nestas últimas semanas, várias associações representativas de empresas de comércio e serviços têm reclamado um horário idêntico ao do retalho alimentar durante os fins de semana, nos concelhos de risco elevado e muito elevado, e têm também reclamado uma subida da taxa de ocupação no interior dos espaços comerciais.

Numa análise aos diversos setores da economia, o estudo indica, no caso do turismo, que perante o contexto atual, a recuperação excecional das perspetivas de procura para valores muito superiores a todo o histórico “só pode ser encarada como enviesada”.

“É natural que a expectativa de um retorno a algo semelhante à normalidade pareça muito bom, mas tem que se reconhecer que este sentimento está exagerado pela comparação com o passado imediato, que foi devastador”, é referido.

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