ANA nega que a pandemia tenha retirado argumentos à necessidade do novo aeroporto

Por a 21 de Julho de 2021 as 12:04

O presidente executivo da ANA – Aeroportos de Portugal, Therry Ligonnière, considerou esta terça-feira, 20 de julho, que a pandemia da COVID-19 não retirou argumentos à necessidade de Lisboa ter um novo aeroporto, “antes pelo contrário”, e defendeu que Portugal não pode “perder tempo”, uma vez que o tráfego vai voltar a subir e o aeroporto ficará novamente esgotado antes que seja possível construir a nova infraestrutura.

Therry Ligonnière, que interveio esta terça-feira, na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença COVID-19 e do processo de recuperação económica e social, lembrou que a IATA perspetiva que o setor da aviação recupere para os níveis pré-pandemia em 2024/2025, o que permite perceber que, mesmo que a construção da infraestrutura começasse já, nunca estaria concluída antes de  2026, “talvez 2027”.

Por isso, considerou o CEO da ANA, a pandemia não retirou argumentos à necessidade do novo aeroporto, “antes pelo contrário”, já que “os argumentos que já eram válidos antes da crise ainda são válidos”, afirmou, citado pela Lusa.

Therry Ligonnière afirmou também que, em alturas de maior pressão económica, dificilmente os passageiros e as companhias estarão dispostos a pagar mais taxas ou os contribuintes a pagar mais impostos para financiar o investimento necessário, defendendo, por isso, que, “mais do que nunca é preciso encontrar soluções bem dimensionadas, adaptadas ao contexto” que se vive atualmente.

De acordo com o responsável, a ANA não tem preferência por nenhuma das soluções que existem, mas defende em ambas terá de haver um reequilíbrio económico da concessão e “sendo com a solução A ou com a solução B, não deixa de ser um reequilíbrio”.

Durante a audição, os deputados questionaram ainda o CEO da ANA sobre o plano de redução de trabalhadores que se encontra em marcha, com  Therry Ligonnière a explicar que se trata de um programa de saídas “totalmente voluntário, sem pressões [sobre os trabalhadores]”, ao abrigo do qual já saíram 82 pessoas.  O objetivo acrescentou, é chegar às 170 pessoas, mas na base de rescisões voluntárias.

Recorde-se que a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) indeferiu, a 2 de março, o pedido de apreciação prévia de viabilidade da construção do aeroporto na base aérea do Montijo, devido ao parecer negativo das câmaras municipais do Seixal e da Moita e a não emissão de parecer por Alcochete.

Na sequência da decisão, o Governo anunciou que iria avançar com a realização de um processo de Avaliação Ambiental Estratégica a três soluções para reforço da capacidade aeroportuária em Lisboa, voltando a estar em cima da mesa a localização Alcochete. Entretanto, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, veio mesmo admitir que, com a queda do tráfego provocada pela pandemia, a construção do novo aeroporto tinha perdido urgência.

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