“O que estes participantes levam na bagagem é Portugal”

Por a 19 de Julho de 2021 as 15:41
Fotos: Tiago Martinho

É a terceira vez que Portugal recebe a final mundial do “International Pairs Series”, evento criado no Reino Unido, em 1998, e que, desde a sua criação já teve mais de 1,5 milhões de participantes de mais de 50 países. Especificamente direcionado e projetado para dar ao jogador de golfe amador uma oportunidade única de jogar num nível competitivo mais alto, quisemos saber que mais-valias traz este evento para o nosso país e como poderá ajudar a reforçar o posicionamento de Portugal enquanto destino de e para o golfe.

O licensee para Portugal deste torneio, Daniel di Pietro, admite a possibilidade de esta final se manter por cá, mas uma coisa parece certa: “O mais importante de todos estes jogadores de golfe nos visitarem, é, sem dúvida, a promoção de Portugal como destino turístico e de golfe”.

Não é responsável por trazer o “International Pairs World Final Series” para o nosso país, mas é o licenciado para Portugal deste torneio que coincidentemente tem a final mundial dentro das nossas fronteiras. Em que patamar coloca este torneio?
Como refere, Portugal será o palco da final mundial do “International Pairs” pela terceira vez, não consecutiva, dada a interrupção do ano passado provocada pela pandemia. Não posso, contudo, deixar de salientar, desde já o papel essencial do grupo JJW Hotels & Resorts que, desde 2017, se tornou parceiro e anfitrião deste grande torneio mundial. Nós somos os responsáveis por organizar a etapa portuguesa do “International Pairs” que levará uma dupla para representar Portugal nessa final.

Este torneio é um dos maiores torneios a nível mundial. Até hoje, mais de milhão e meio de golfistas de 50 países, já jogaram este torneio e não é por acaso que o slogan da marca é “The world’s largest golf tournament”.

Mas que importância tem o facto de, em 2021, a final ser organizada em Portugal?
Quem participa num evento desta natureza, fá-lo por mérito, ou seja, porque se classificou no seu próprio país para vir à grande Final Mundial.

O que estes participantes levam na bagagem é Portugal, a qualidade dos campos de golfe, dos hotéis, da gastronomia e a simpatia dos portugueses e, portanto, uma experiência para a vida.

O mais importante de todos estes jogadores de golfe nos visitarem é, sem dúvida, a promoção de Portugal como destino turístico e de golfe.

Portugal tem ou devia ter mais torneios ou eventos deste tipo, de modo a diversificar a oferta turística
Portugal tem, nos últimos anos, dinamizado este tipo de eventos, talvez devido ao facto de ter sido premiado internacionalmente em diversos setores do turismo, nomeadamente, no que diz respeito ao golfe.

Parece-me que é uma boa aposta por parte dos “players”, pois eventos desta natureza geram experiências únicas nos seus participantes e estes são o principal meio de promoção do destino, para além, claro, de toda a visibilidade que é dada pelos parceiros de media associados ao evento.

Golfe de norte a sul
De que forma é que se processará este torneio? Em que regiões do nosso país se realizarão as várias etapas do torneio?
A nossa ideia é de que os torneios decorram em todo o território nacional. O formato do torneio é de um torneio de pares, destinado a jogadores portugueses com handicap validado pela Federação Portuguesa de Golfe. A modalidade é four ball – better ball e decorrerá em vários campos e em cada um classificar-se-ão cinco equipas para a final nacional, de onde sairá a equipa que representará Portugal na final mundial que se realiza no campo de golfe dos Pinheiros Altos, no Algarve.

Neste ano de arranque teremos três torneios na zona de Lisboa, um na zona Oeste, outro no norte do país e a final nacional que se realizará no Algarve.

Para o futuro queremos expandir a mais regiões e tornar o evento mais abrangente e ter o maior número de participantes possível.

 

“Eventos desta natureza geram experiências únicas nos seus participantes e estes são o principal meio de promoção do destino”

 

Que logística está por trás deste tipo de eventos e com que apoio conta na sua realização?
Contamos com uma equipa liderada por mim, que organiza todo o processo desde a angariação de patrocínios e parceiros e toda a preparação de materiais de promoção no campo de golfe, inscrições, calendários, coordenação das ações de marca dos diferentes patrocinadores, etc..

Em termos de apoios, para além do apoio logístico nos campos onde se realizam as provas, temos o apoio dos parceiros de media e de diferentes patrocinadores que são, normalmente, marcas e empresas privadas.

Este tipo de torneios serve para dinamizar de alguma forma a prática do golfe em Portugal?
Indiretamente pode ajudar, embora o papel principal pertence à Federação Portuguesa de Golfe que tem feito algum trabalho nesse sentido.

Em qualquer desporto é importante apostar na formação, que leva à criação de campeões. O aparecimento de um campeão de nível mundial seria, sem dúvida, um grande trampolim para haver um salto em termos de número de praticantes.

Mas em que estado está a prática do golfe em Portugal?
Mais uma vez, não me quero meter em terrenos que não são os meus, mas na minha opinião acho que está estável, atendendo ao período que atravessamos, podendo até esta situação ter contribuído para um aumento de praticantes nacionais, devido ao facto de ser um desporto individual e “covid safe”.

No entanto, falar de golfe em Portugal, passa, sem dúvida, pelo setor do turismo que é a fonte da maior parte do número de voltas realizadas em Portugal e que nos dois anos anteriores sofreu um decréscimo substancial. Por isso, é urgente que se retome para o bem das empresas e de todo o negócio que o turismo de golfe gera.

Onde é que se realizarão as eliminatórias e a final e qual a agenda do torneio ao longo de 2021?
*Começaremos a 11 de setembro com uma eliminatória em Santo Estevão, segue-se uma eliminatória no dia 17 de setembro na Quinta do Peru e dia 26 de setembro fechamos os torneios na zona de Lisboa. Para 12 de setembro, está previsto a “Ladies Division”, um torneio solidário, também, em Santo Estevão. A 2 de outubro rumamos a Ponte de Lima para a última eliminatória.

A final nacional realizar-se-á no Castro Marim Golf & Country Club e os participantes ficarão hospedados no Hotel Vasco da Gama, em Monte Gordo.

Há a possibilidade de a final manter-se por terras lusas mais anos?
A realização da final mundial é, normalmente, um acordo a três anos. Este ano será o último do acordo com o grupo JJW Hotels & Resorts, que poderá ser renovado ou não. Neste momento, a organização mundial está em negociação e análise das opções existentes e Portugal é, sem dúvida, um destino a considerar para o próximo triénio.

Quantos participantes terá o torneio e que retorno poderá ser esperado para a nossa economia e para a região onde serão realizadas as eliminatórias/final?
Contamos ter a participar cerca de 320 participantes nacionais, dos quais 40 irão classificar-se para a final nacional. Para além disso, teremos um evento apenas para senhoras, de solidariedade, a favor da associação “Mama Help”, de apoio ao cancro da mama, englobado na “Ladies Division” do evento, e de onde sairá o par que representará Portugal na divisão de Senhoras da final mundial.

No final, o que seria ter tido um bom evento?
Um bom evento é sempre aquele que, em primeiro lugar, deixa os seus participantes satisfeitos e que a organização tenha sido do agrado deles.

Em segundo lugar, que o retorno para os parceiros e patrocinadores tenha sido o esperado e que as marcas possam sentir que valeu a pena.

Por último, e porque se trata de um negócio que o retorno financeiro seja positivo para a organização.

*Resposta atualizada em 19 de julho de 2021.

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