Opinião| Acreditar no Turismo: uma boa aposta

Por a 16 de Julho de 2021 as 14:35

*Por Cristina Siza Vieira,  Vice-presidente executiva da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP)

Nunca foi tão urgente acreditar no Turismo como agora. Agora que os planos de vacinação estão a correr bem; que a mortalidade associada à COVID 19 estancou drasticamente; que o número de infectados em UCI baixou a pique (isto em todo o mundo ocidental, vejamos) e que a ânsia de viajar fez cunhar um novo termo ´revenge travel´.

Assiste-se a um frenesim de buscas por destinos diversos, de ânsia em recuperar o tempo perdido e compensar o trauma, as frustrações e tristeza que o confinamento deixou, em não deixar passar oportunidades e não guardar para o momento ideal ´a-viagem-da-minha-vida´. A ânsia de gozar a liberdade de viajar pressiona-nos, é quase orgânica, tangível, urgente.

Mas esta pulsão, que se acredita virá a marcar os próximos anos, tem algumas diferenças importantes relativamente à era pré-COVID, e por isso é importante que os destinos e operadores se adaptem e sejam sensíveis às novas tendências para poder estar no radar dos viajantes que vão fazer o Turismo girar nos próximos tempos.

E Portugal pode fazê-lo bem! Não vou falar em como a segurança e higiene vão estar na ordem do dia, porque são tão must have que já nem são novidade (mas atenção, não facilitemos! Os viajantes vão estar atentos a este tópico e ao que se diz nos sites de viagens e nas plataformas digitais de avaliação onde outros viajantes postam comentários). Escolhi uma meia dúzia de tendências mais luminosas, que apanhei aqui e ali, e estão a falar para nós.

1) As pessoas vão querer estar mais relaxadas e estar mais tempo ao ar livre. Portugal é um destino perfeito para tal, para lá das praias que bordejam toda a nossa costa, os parques naturais e a riqueza do nosso património natural, no continente e ilhas, é reconhecidamente razão para a visita.

2) Os grupos serão mais restritos e a procura por lugares e (hotéis) com menos pessoas confere um maior sentimento de segurança, a par de permitir um serviço mais personalizado e exclusivo. E, é claro, essas opções têm um custo e por isso estes turistas estão disponíveis a pagar mais para tal.

3) Turismo ativo, de aventura, que transmite mais liberdade e adrenalina… e as infraestruturas de que dispomos (a nova ponte de Arouca é o mais recente selo de novidade), estão à espera dos turistas mais aventureiros. E nas cidades, caminhar ou usar bicicleta serão o veículo para novas descobertas.

4) Os turistas procurarão que a sua viagem seja um compromisso com o ambiente, a sociedade e a comunidade local. Tempo para os selos e, sobretudo, para os que sabem vincular-se a uma política de sustentabilidade que faça sentido e que seja bem comunicada.

5) Estadas mais longas: por todas as razões que ficaram ditas, a opção por ficar mais tempo num destino virá próxima e provavelmente substituir a tendência oposta (shortbreaks frequentes).

6) Trabalhar viajando ou vice-versa. Tempo e espaço para os nómadas digitais, para os que partilham espaços de trabalhos, para os turistas residentes. Tendência que já se adivinhava nos últimos anos e que a pandemia acelerou. Novas oportunidades para cidades e para hotéis.

Sobra um desafio difícil para as cidades mais dependentes do turismo de negócios, que não vai acontecer no imediato e terá ajustes no futuro. Ainda assim temos a grande vantagem das nossas cidades terem a escala humana e natural que faz delas cidades de lazer e cultura, a par de nos posicionarmos cada vez mais abertos aos nómadas digitais.
De resto, estamos de portas abertas para receber quem nos visita, somamos recomendações e estamos na lista dos destinos preferidos em várias publicações em todo o mundo. Estamos na linha da frente para os espíritos ansiosos em (re)descobrir o prazer de viajar.

*Artigo publicado na edição de 11 de junho.

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