Esperança do turismo europeu depositada na vacinação e no certificado digital

Por a 8 de Julho de 2021 as 14:36
Travel Stock photos by Vecteezy

No relatório trimestral, a European Travel Comission (ETC) admite que a atividade de turística e viagens na Europa deve “ganhar impulso” com a chegada dos meses de pico do verão devido à redução gradual das restrições, ao aumento das vacinações, entrada em vigor do certificado digital e à recente reabertura da UE para mais países terceiros e viajantes totalmente vacinados de no exterior.

A entidade presidida por Luís Araújo espera que a procura por viagens aumente “consideravelmente” na segunda metade de 2021, embora as chegadas internacionais ainda permaneçam 49% abaixo dos níveis pré-pandémicos.

No último relatório trimestral ‘European Tourism Trends & Prospects’ publicado esta quinta-feira, 8 de julho, pela ETC, admite-se que esta temporada de verão é “essencial para o setor”, já que a procura de viagens na Europa permaneceu “fraca no início de 2021”. Os números mostram que as chegadas de turistas internacionais caíram 83% no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período em 2020, indicando a entidade que “os riscos de quebra perduram” após o aumento de infeções causado pela variante COVID-19 Delta, mais transmissível, e que, admite a ETC “poderia forçar o regresso das restrições às viagens”.

Para o presidente da ETC, Luís Araújo, “face ao rápido avanço dos programas de vacinação, que reduzem a pressão sobre os sistemas de saúde nacionais e protegem os nossos mais vulneráveis, a Europa está agora a gerir bem os riscos COVID tanto para os habitantes locais como para os nossos tão esperados viajantes”.


Assim, Luís Araújo acredita que, este verão, será “possível uma viagem segura”, admitindo, ainda que, “a reabertura também é alimentada pelo forte desejo das pessoas em viajar novamente e garantida pela prontidão do nosso setor em proporcionar experiências de viagem seguras e responsáveis”.

Por isso, à medida que a Europa está a abrir, “é imperativo que mensagens claras e coerentes sejam comunicadas aos viajantes”, termina o presidente da ETC.

Portugal dos destinos mais penalizados
Certo é que as esperanças no alívio para este verão são altas após o início catastrófico de 2021 no turismo europeu, com os últimos dados disponíveis indicando que três em cada cinco destinos registaram quebras superiores a 80% nas chegadas de turistas internacionais.

Até agora, a Áustria foi o destino que maior queda percentual registou no número de visitantes, com as medidas de contenção rígidas da COVID-19 a acabarem com as expectativas de uma temporada de turismo de inverno, resultando numa queda de 97% nas chegadas de turistas ao país alpino.

Portugal aparece acima da média dos países analisados pela ETC, só ultrapassado pela já referida Áustria, Rep. Checa, Eslováquia, Islândia e Holanda. O único destino a superar significativamente outros destinos europeus, foi a Croácia, registando um aumento de 23% nas chegadas de visitantes. O país abriu o caminho ao dispensar a maioria das restrições da COVID-19 para a entrada de viajantes internacionais, desde que tenham sido vacinados, apresentem um teste negativo ou tenham recuperado do vírus.

Longa distância só lá para 2025
Dentro da Europa a ETC espera que se registe um aumento na procura de viagens no segundo semestre do presente ano, com a melhoria da situação epidemiológica no continente, permitindo que “os governos diminuam as restrições e satisfaçam o desejo entre as pessoas de viajar novamente”, refere a ETC.


A última previsão mostra que as viagens intra-europeias representarão 83% das chegadas na Europa, em 2021, em comparação com 77%, em 2019.

À medida que as vacinações aumentam em toda a Europa, com mais de 62% da população adulta da UE inoculada com, pelo menos, uma dose de vacina, projeta-se que “a procura por viagens europeias neste verão aumente”. Na realidade, os dados da ETC mostram que 54% dos europeus inquiridos pretendem reservar uma viagem depois de serem vacinados contra o COVID-19.

Com o certificado digital COVID da UE, ativo desde 1 de julho, a ETC espera um maior apoio na liberação da procura reprimida de viagens, embora reconheça que “as viagens de longa distância devem recuperar mais lentamente”, admitindo mesmo que as barreiras permaneçam “bem depois do final de 2021”. E

Assim, as estimativas apontam para que “as viagens domésticas e intra-europeias regressem aos volumes de 2019 em 2022 e 2023, respetivamente, enquanto as viagens de longa distância “não devam recuperar até 2025”.

O peso dos dois gigantes
Quanto aos mercados emissores, para além dos europeus Alemanha e Reino Unido, espera-se que a contribuição dos EUA seja “mais significativa” para o crescimento de viagens em toda a Europa nos próximos anos. Aliás, os levantamentos das restrições na receção aos viajantes americanos vacinados já impulsionaram as viagens transatlânticas para destinos como Islândia, Croácia e Grécia em maio de 2021. De acordo com dados da ForwardKeys, os bilhetes emitidos dos EUA para a Croácia (+ 0,5%) e Islândia (+ 22,7%) têm ultrapassou os níveis de 2019, enquanto a Grécia está apenas 10,9% atrás.


No que toca a Portugal, a ETC refere que, depois ter registado um aumento de 155% na procura para o verão, após os anunciados levantamentos de restrições, a verdade é que a passagem de Portugal da “lista verde” para a “lista âmbar” no Reino Unido, além das condicionantes da Alemanha e o recente aumento do número de casos, fizeram com que a procura pelo nosso país sofresse um revés.

Em termos de mercados emissores, destaque ainda para a China, que também deverá dar uma contribuição considerável para o crescimento do turismo na Europa na próxima década. Apesar de representar uma proporção menor de chegadas à região, uma taxa de crescimento anual média esperada de 12% veria as chegadas chinesas contribuir com 4,7% do crescimento geral das chegadas a destinos europeus durante o período de 2019-30.

No entanto, enquanto o tráfego doméstico na China continua uma mostrar notável recuperação para níveis pré-pandêmicos, as viagens internacionais chinesas permanecem, por enquanto, estagnadas.

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