Lufthansa nos Açores: Danke, decisores políticos!

Por a 16 de Junho de 2021 as 11:12
*Por Pedro Castro, consultor em aviação comercial

Sobre o recente reajustamento da operação da Azores Airlines para Frankfurt, alertei, no meu artigo de opinião de 26 de fevereiro, para o excesso de oferta no eixo Ponta Delgada-Frankfurt. Ainda que a chegada da Lufthansa aos Açores seja motivo de felicitação, o apoio regional a esta rota deveria ter sido condicionado à escolha do hub de Munique e da realização do voo num dia diferente do da operação da Azores Airlines. Ou, a ter de ser Frankfurt, então o destino da Lufthansa nos Açores ser a Terceira, por exemplo.

Menos de quatro meses depois, eis o resultado: a Azores Airlines vai reduzir a sua operação de duas para uma frequência semanal que coincide, aliás, com o dia de operação da Lufthansa. Em termos práticos: de 2ª a sábado não existirão voos diretos Ponta Delgada-Frankfurt. Aos domingos, serão dois. Uma perda dramática para o destino que fica prisioneiro das estadias de múltiplos de 7 dias, perdendo a flexibilidade anteriormente oferecida pela Azores Airlines (cujas duas frequências semanais permitiam também fins de semana prolongados ou estadias de 10 dias).

Isto ultrapassa toda a lógica de desenvolvimento da acessibilidade aérea, sobretudo quando se trata de uma rota inaugurada com a contrapartida de investimento de dinheiros públicos regionais através da Associação do Turismo dos Açores e do Turismo de Portugal (meio milhão de Euros!). Traduzido para Português: o contribuinte, através dos seus decisores políticos, pagou para ficar com o mesmo número de frequências semanais e capacidade, mas mais mal distribuídas e com limitações sérias nas opções do produto oferecidas ao mercado emissor. Levado ao extremo, e tendo em conta que o contribuinte já paga, em parte, a Azores Airlines, pagou simultaneamente para a subvencionar e para a prejudicar.

Uma vez mais continuamos com os olhos fixos na miragem dos mercados estrangeiros cuja imprevisibilidade das decisões políticas e dos consumidores não permitem antecipar o verdadeiro impacto na economia e turismo da região.

Uma vez mais se menospreza o alcance do mercado interno, aquele que tem dado mais provas concretas de responder positivamente.

Lanço, por isso, um derradeiro desafio aos decisores políticos para incentivarem e promoverem as seguintes ligações à partida dos Açores:

Horta ou Pico ao Porto

Ponta Delgada a Faro

Ficariam assim criados dois novos eixos e com eles o acesso a QUATRO novos mercados: o Sul do país e a Andaluzia vizinha não estão ligados aos Açores com voos diretos; o Porto e a Galiza vizinha não estão ligados a nenhuma ilha do chamado “triângulo”.

Se a Iberia lançou os seus primeiros voos Madrid-Ponta Delgada praticamente “em cima da hora”, estas novas rotas domésticas poderão ser lançadas com a confiança de terem tudo para dar certo este Verão. O contribuinte agradecerá duplamente: incentivo bem investido e clara melhoria no acesso aéreo para TODOS.

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