Rota Vicentina defende “debate muito sério” sobre nova lei do caravanismo

Por a 27 de Maio de 2021 as 14:59

A Associação Rota Vicentina defende um “debate muito sério” sobre o Art.º 50-A do Código da Estrada, que  vai ser debatido esta sexta-feira, 28 de maio, na Assembleia da República, uma vez que, apesar dos protestos das associações de autocaravanistas, a nova legislação “vem trazer uma distinção clara entre a prática de caravanismo e o caravanismo selvagem, proibindo eficazmente o segundo conceito” que, diz a associação, tem tido “um exponencial crescimento” na Costa Alentejana e Vicentina.

“Depois de anos em que assistimos a um exponencial crescimento desta prática na Costa Alentejana e Vicentina, apenas em 2021 foi possível assistir à sua regulação de forma eficaz e objetiva”, aponta a Associação Rota Vicentina, num comunicado enviado à imprensa esta quinta-feira, 27 de maio.

A nova lei tem, no entanto, sido contestada pelos partidos da oposição e pelas associações de autocaravanistas, que acusam o artigo relativo a este tema de fazer uma “discriminação do autocaravanista” e reclamam a “liberdade de pernoita desde que não seja ocupada área superior à do veículo”.

Apesar de admitir que esta é uma “situação complexa”, que tem ainda “aspetos a ajustar”, a associação defende que esta lei “deve vigorar até que sejam encontradas medidas adicionais que permitam salvaguardar todos os interesses” , uma vez que “a situação tornou-se tão incomportável quanto é gigantesco o crescimento do mercado associado à promoção desta prática na Costa Alentejana e Vicentina, a nível nacional e internacional”.

“Depois de analisar as várias propostas, a Rota Vicentina entende que um retrocesso nesta lei terá como consequência inequívoca um passo atrás no ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), com a permanência de centenas de carrinhas e autocaravanas, que usam as falésias e estacionamentos das praias como local de férias, tendo sempre como argumento jurídico o “direito ao estacionamento” ou “pausa para descanso””, aponta a associação.

A associação defende, assim, que se promova um debate em torno do tema, que deve incluir as associações que “representam os caravanistas e o negócio de venda e aluguer de autocaravanas e carrinhas adaptadas (sem wc), mas também com as comunidades que são mais impactadas com esta prática”, pois a defesa das comunidades residentes deve “estar em primeiro lugar nesta forma de turismo como em qualquer outra”.

“Apelamos aos caravanistas responsáveis a sua compreensão para a necessidade de debater novas soluções que sirvam a todos com serenidade, sem alimentarmos uma situação que, sendo explosiva, não representa, no curto ou no médio prazo, qualquer vantagem para nenhuma das partes: comunidades anfitriãs e comunidades itinerantes”, conclui a associação.

5 comentários

  1. Fernando Vieira

    15 de Junho de 2021 at 21:22

    A autocaravana deveria ser o único veiculo permitido a frequentar os locais que sempre frequentaram, pois é o único veiculo que garante ao seu utilizador autonomia e higiene, os donos dos restantes veículos são os que deixam lixo por todo lado e os invejosos ignorantes culpam os autocaravanistas (observem os locais onde não existem autocaravanas…..é lixo por todo lado)

  2. ABOT jean claude

    30 de Maio de 2021 at 17:52

    Pendant mes randonnées sur la Via Vincentina et Rota des Pescadores j’ai constaté que les ” Amoureux de la Nature ” se comportent comme des Porcs !!Inadmissible et écoeurant dans …..un Parc ….Protégé !!!!??

  3. Mª Adelaide Neves

    28 de Maio de 2021 at 9:21

    Existem Autocaravanistas, como em todo lado, que podem não cumprir as regras de limpeza, mas a maior parte é civilizada e limpa, pois temos uma autocaravana com todas as condições, com duche,c/ sanita quimica e seu depósito e depósito p/aguas sujas de cozinha e casa de banho, não percebo este Artº 50, deveria é haver fiscalização para multar os que não cumprem com estes requisitos e não multar todos os que cumprem. Eu pessoalmente só preciso de ir a parque ou equivalente para fazer despejos e meter água de 4/5 dias e não tenho que pagar mais de 20€ por dia para ficar num parque de campismo de onde não preciso das infraestruturas deles e posso gastar esse dinheiro nocomércio local, que prefiro.

  4. Paulo Moz Barbosa

    27 de Maio de 2021 at 21:18

    Caros diretores da Associação Rota Vicentina,

    A Associação Autocaravanista de Portugal – CPA nunca se recusou a qualquer diálogo aberto e sério com vista a regular o autocaravanismo.
    Teremos todo o gosto em fazê-lo.

    Saudações Autocaravanistas

  5. Ana Paula Cabrita

    27 de Maio de 2021 at 21:12

    … e haverá parques devidamente apetrechados para estacionar uma caravana? O que tenho visto salvo raríssimas excepções, são autênticas espeluncas.

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