Dormidas e receitas turísticas com quebras de 80% no 1.º trimestre

Por a 14 de Maio de 2021 as 13:40

No primeiro trimestre de 2021, o setor do alojamento turístico registou uma quebra de 80% nas dormidas totais, resultante de variações de -59,3% nos residentes e de -90% nos não residentes.

Já no que diz respeito às receitas destes primeiros três meses de 2021, os dados divulgados esta sexta-feira, 14 de maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam uma quebra 83,5% face a igual período de 2020, totalizando o setor 77,6 milhões de euros.

No mês de março, o setor do alojamento turístico registou 283,7 mil hóspedes e 636,1 mil dormidas, correspondendo descidas de 59% e 66,5%, respetivamente (-87,1% e -87,8% em fevereiro, pela mesma ordem). O mercado interno continuou a representar a maior fatia (peso de 71,1%) das dormidas, com o INE indicar que os portugueses foram responsáveis por 452,1 mil dormidas, representando um decréscimo de 20,2% (-74,9% em fevereiro) face a igual período de 2020. Já as dormidas dos mercados externos diminuíram 86,2% (-94,5% no mês anterior) e atingiram 184 mil.

O INE salienta que, em março, 58,5% dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes (63,9% em fevereiro).

No que toca às dormidas na hotelaria (71,3% do total), estas diminuíram 71%, enquanto nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 23,3% do total) as dormidas decresceram 49,9% e as de turismo no espaço rural e de habitação (quota de 5,4%) recuaram 9,6%.


Menos foram as quebras nas dormidas em hostels, que caíram 61,3% em março, representando 18,3% das dormidas em alojamento local e 4,3% do total de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico.

Neste capítulo e numa análise trimestral, os números do INE mostram que as dormidas na hotelaria (72,6% do total) diminuíram 82,5%, o que representou uma diminuição superior às registadas pelo alojamento local (-68,9%) e pelo turismo no espaço rural e de habitação (-56,6%), enquanto os hostels registaram menos 74,8% nas dormidas de janeiro a março de 2021, face ao mesmo período do ano passado.

Por regiões, destaque para o facto de todas as regiões terem registado decréscimos nas dormidas. A melhor performance foi conseguida pelo Alentejo (-16,5%), Açores (-36,1%) e Centro (-39,3%), enquanto as restantes regiões registaram decréscimos superiores a 50%. A Área Metropolitana de Lisboa concentrou 25,6% das dormidas, seguindo-se o Norte (20,2%), o Centro (15,3%) e o Algarve (13,7%).

No conjunto dos primeiros três meses do ano, as regiões que apresentaram menores diminuições no número de dormidas foram o Alentejo (-59,4%), Açores (-67%), Centro (-71,3%) e Norte (-75,2%), enquanto as restantes regiões registaram decréscimos superiores a 80%.

Na análise mensal, todas as regiões apresentaram decréscimo no número de dormidas de residentes, em março, com exceção do Alentejo (+4,5%). As maiores reduções verificaram-se no Algarve (-37,9%) e Centro (-28,7%).

Neste mês, em termos de dormidas de não residentes, o Alentejo apresentou um decréscimo de 57,9% e o Centro registou uma redução de 60,5%, enquanto as restantes regiões apresentaram decréscimos superiores a 75%.


Por cidades, Lisboa registou, em março, 87,5 mil dormidas (13,8% do total), refletindo uma diminuição de 78%, com as dormidas de residentes a predominarem (peso de 56,2% no total das dormidas no município) e diminuíram 37,9%, enquanto as dormidas de não residentes decresceram 88%.

No Funchal, registaram-se 37 mil dormidas em março (5,8% do total), que se traduziram numa diminuição de 82,4%. Neste município, as dormidas dos residentes recuaram 12,4% e as de não residentes decresceram 89,7%.

Já o Porto (3,4% do total) teve menos 81,6% de dormidas (-43,6% nos residentes e -91,5% nos não residentes).

Analisando o trimestre de 2021, Lisboa registou 265,4 mil dormidas (14,7% do total), que se traduziram numa diminuição de 87,5% (residentes -64,9% e não residentes -92,9%), concentrando 20,2% do total das dormidas de não residentes no primeiro trimestre do ano.

Funchal -87,5% (-56,1% nos residentes e -90,8% nos não residentes) e Porto -90,2% (-72,3% nos residentes e -95,3% nos não residentes) foram, igualmente, impactadas.

No que toca às receitas, se no trimestre a quebra foi superior a 83%, no mês de março, o INE refere que os proveitos registados nos estabelecimentos de alojamento turístico atingiram 26,4 milhões de euros no total e 20,6 milhões de euros relativamente a aposento, correspondendo a variações de -73,5% e -71,4%, respetivamente (-90,5% e -89,7% em fevereiro, pela mesma ordem).

Todas as regiões registaram decréscimos nos proveitos totais e de aposento em março, com maior enfoque no Algarve (-87,9% e -85,1%, respetivamente), Madeira (-81,4% e -82,9%, respetivamente) e Lisboa (-79,7% e -78,2%, pela mesma ordem).

Quanto aos três segmentos de alojamento, coube à hotelaria a maior quebra, com os proveitos totais e de aposento a diminuíram 76,2% e 74,6%, respetivamente, enquanto o alojamento local desceu 62,3% e 59,9%, respetivamente. Finalmente, o turismo no espaço rural e de habitação observou evoluções negativas de 21,2% e 13,8%.

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