Opinião| Testei positivo no regresso das férias… e agora?

Por a 7 de Maio de 2021 as 15:10

*Por Pedro Castro, consultor em aviação comercial

Esta é uma pergunta que vale para todos: para os Portugueses que enviaremos para o estrangeiro passar férias e para os estrangeiros que no nosso país as irão passar.

Por todo o mundo se alinham unilateralmente políticas para lidar com as deslocações deste Verão. Alguns países já adotaram o sistema dos semáforos (que, leia-se, poderão ir mudando de cor – seja entre a data da reserva e a data da partida, seja durante a própria estadia); outros não hesitarão em adotar medidas específicas de última hora contra viagens ou viajantes de países ou regiões específicos e outros abrirão com maiores ou menores restrições…até ver. Contrariamente ao que gostariamos alcançar para a nossa indústria, as políticas serão muito distintas e mutáveis em poucas horas. Não bastará a UE abrir as fronteiras a todos os vacinados dos EUA e do Reino Unido; é preciso que esses países permitam também que os seus cidadãos viajem para a UE sem restrições. É neste clima de incerteza que observamos já algumas decisões com impacto para o mercado Português: a da companhia aérea inglesa Jet2 em adiar o re-início das suas atividades para Junho, o adiamento para Julho dos voos da TAP com destino aos resorts em Marrocos e Tunisia e o cancelamento dos charters de Lisboa e Porto para Hurghada no Egito.

Um coisa é certa: quem saír para férias quererá, independentemente do lugar, aproveitar ao máximo cada pedacinho de liberdade que nesse lugar puder ter e, com isso, aumentarão os riscos de infeção. Este será o risco subjacente a qualquer deslocação que façamos, em particular para o grupo dos não-vacinados, cuja faixa etária corresponde justamente àquela que mais gosta de viajar.  A pergunta “testei positivo no regresso a casa…e agora?” assume por isso particular relevância.

Sabemos que não conseguiremos embarcar no avião de regresso porque nem a companhia aérea nem o país para onde queremos regressar nos aceitará. Sabemos que essa circunstância pode tocar apenas um dos membros do grupo que connosco viaja. E sabemos que, perante esse teste positivo, teremos de estar preparados para tudo. Separar-se-ão famílias? Ir-se-à para isolamento obrigatório? E se, entretanto, for necessária hospitalização? Quantos testes serão necessários até se obter o tão desejado resultado negativo que nos permitirá regressar? Como, quem, onde, quanto tempo, em que condições e, sobretudo, a custo de quem será tudo isto feito?

A forma pouco elucidativa com que nos são explicados os cenários e as soluções para o caso de alguém positivar o seu teste no regresso a casa – seja de um Português no estrangeiro ou de um estrangeiro em Portugal – deixa antever dificuldades que poderão surgir para todos nós em diferentes lugares da indústria e para as quais teremos de estar minimamente preparados. Enquanto eu, pessoalmente, não souber como é que cada país ou região lidará comigo em caso de teste positivo no planeado regresso a casa, não me sentirei seguro para viajar além-fronteiras. Nem mesmo as newsletter da TAP promovendo as ilhas da Croácia a 99EUR ou as praias de Israel a 199EUR e com Porto Santo a uns vergonhosos 189EUR me convencerão do contrário.

No meio de tantos carimbos, selos e práticas “Covid-safe” vendidos e debatidos por todo lado e sobre todos os prismas, faz-me falta uma resposta cabal à seguinte questão: e quando o “Covid-safe” não bastar e nos ceifar os planos de regresso a casa?

Um comentário

  1. António Cardoso

    11 de Maio de 2021 at 23:58

    Caro Pedro. Contacte a sua agencia de viagens que lhe fornecerá todas as informações relacionadas com as coberturas dos seguros multiviagens/Covid19
    Milhares de Portugueses viajaram em negocios ou turismo entre Junho e Dezembro de 2020 e este ano as viagens de negocios continuaram a ser efetuadas. A compra de um seguro é um fator de confiança .

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