Opinião| 2020: a queda livre do Turismo

Por a 23 de Abril de 2021 as 9:55

Diz-nos a OMT que o Turismo mundial, em 2020, recuou aos níveis de 1990 (- 74% nas chegadas de turistas internacionais, em relação a 2019), menos mil milhões de chegadas. A perda estimada de receitas turísticas no Mundo foi de 1.3 milhões de milhões de dólares. E a previsão para a recuperação dos níveis de 2019 é apontada entre 2,5 anos e 4 anos.

A AHP – Associação da Hotelaria de Portugal foi monitorizando, desde o início, o impacto da COVID-19 na Hotelaria, que se foi agravando em razão do decurso do tempo.

Fechado 2020, o nosso habitual inquérito “Balanço & Perspetivas” confirmou brutais perdas de dormidas e receitas, só na Hotelaria (menos 65% e 73%, respetivamente).  A Taxa de Ocupação média anual nos nossos Hotéis fixou-se nos 26%; e o Preço Médio por Quarto (ARR), referente apenas aos períodos em que a hotelaria esteve aberta, foi de 86 euros.

Outros highlights: quanto a mercados, e sem surpresa, 2020 foi, se é possível dizê-lo, “o ano do mercado interno”, um pouco alargado, digamos. Portugal, Espanha e França foram os principais mercados a nível nacional e para a maioria das regiões. Quanto a cancelamentos de reservas, uma total mudança de paradigma. Reservas firmes são coisa do passado: em 2020 quase metade das reservas da Hotelaria foram canceladas, sobretudo no segundo trimestre.

2021: Não basta planear, sim executar. Na Europa e em Portugal

Para Portugal é fundamental haver três planos: (1) para já, um plano de desconfinamento, que vá sendo ajustado; (2) um plano de vacinação que corra por forma a conseguirmos ter o grosso da população vacinada e imunizada o mais rapidamente possível. e (3) um plano de promoção – sendo fundamental irmos buscar as viagens internacionais para relançar o turismo. Sabendo que as viagens de longo curso não vão ocorrer em 2021 e que o turismo se vai fazer a nível interno e regional (intra europeu), que Portugal tem uma fortíssima condicionante: 90% dos turistas que recebemos chegam-nos por ar e os aviões (e as companhias aéreas) estão ainda todos em terra, então  o plano de promoção, coordenado pelo Turismo de Portugal, tem de ser muito assertivo e orientado para os mercados que, quer pelo grau de vacinação, quer pelas próprias companhias aéreas,  este ano vão estar a viajar. Tem de ser um tiro certeiro.

Três planos em articulação, a par do apoio financeiro e da “bazuca”, que suporte empresas e emprego, vão determinar o ritmo da retoma do nosso Turismo.

Simultaneamente, a Europa,  primeiro destino turístico do Mundo, onde as chegadas de turistas internacionais caíram 70%, tem uma grande responsabilidade: pensar no Turismo europeu como um instrumento para devolver ao Mundo a esperança no futuro. E para que isso aconteça é fundamental que haja empenho e compromisso da UE e de cada país em cumprir e fazer cumprir regras comuns. Infelizmente a UE não fala a uma só voz, tem havido sinais contraditórios, as recomendações e orientações não passam de intenções. Parece que agora,  com a criação de um “certificado verde”, temporário e não limitativo, se pode vir a antever terreno comum para se trabalhar concertadamente. Não é tudo, longe disso, mas é um bom princípio.

 

*Por Cristina Siza Vieira, Vice-presidente executiva da AHP

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