Recuperação do turismo estimado para 2022, mas tem “riscos”

Por a 16 de Abril de 2021 as 11:10

Depois do Ministério das Finanças (MF), pela voz do ministro João Leão, ter traçado o cenário para o crescimento macroeconómico de Portugal para os próximos anos, o Conselho das Finanças Públicas (CFP), vem agora sugerir alguma contenção.

De acordo com o cenário macroeconómico subjacente ao Programa de Estabilidade/2021, o Produto Interno Bruto (PIB) em volume deverá apresentar um crescimento de 4% em 2021 (-7,6% em 2020). “Esta previsão situa-se dentro do limite superior do intervalo das projeções das restantes instituições, as quais variam entre os 1,7% da OCDE e os 4,1% da CE”, indica o CFP

As previsões do PE/2021 parecem, assim, “assentar numa hipótese favorável para o conteúdo importado da procura, o que beneficia o crescimento previsto para o PIB, sendo que tem subjacente uma redução da elasticidade das importações face à procura global em 2021 e uma redução adicional em 2022”. Segundo o Ministério das Finanças, esta realidade é justificada pelo “forte crescimento neste período ocorrer nas componentes da despesa com menor conteúdo importado”, indicando o MF o “consumo privado de bens e serviços, gastos, investimento em obras públicas e exportações de turismo”.

Ora, para o CFP, “esta premissa representa um risco descendente para o crescimento económico subjacente ao cenário, atendendo ao risco de esta redução poder não se concretizar”.

Para 2022, o MF prevê uma aceleração no ritmo de crescimento do PIB em volume para 4,9%, um valor que se encontra no intervalo das projeções das restantes instituições, compreendido entre os 1,9% da OCDE e os 5,2% projetados pelo Banco de Portugal (BdP).

O CFP considera que “esta dinâmica resulta exclusivamente da expectativa de um aumento no contributo da procura interna para 4,2 p.p., uma vez que o contributo das exportações líquidas deverá reduzir-se para 0,7 p.p..”

Assim, o Conselho das Finanças Públicas considera que “o contexto atual de elevada e invulgar incerteza não permite uma identificação segura do cenário mais provável, assim prejudicando a avaliação do princípio da prudência a que estas previsões se encontram sujeitas”.

Se para 2021 a previsão para o crescimento do PIB real se enquadra, segundo o CFP, “dentro do intervalo resultante das projeções das instituições de referência”, a entidade liderada por Nazaré Costa Cabral, salienta que o mesmo “não acontece no que respeita ao PIB nominal, agregado de referência importante para a determinação da evolução das variáveis orçamentais”.

Finalmente, para o período de 2022 a 2025, apesar de as previsões serem “ligeiramente mais favoráveis do que as elaboradas pelas instituições de referência”, essa diferença deve-se, segundo o CFP, “à incorporação dos efeitos na economia do Plano de Recuperação e Resiliência português, principalmente no investimento”.

 

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