IATA: Tráfego de passageiros cai mais em fevereiro que no arranque do ano

Por a 7 de Abril de 2021 as 16:53
IATA

No passado mês de fevereiro, o tráfego de passageiros global caiu 74,7% face a igual mês de 2019, descida que, segundo os dados revelados esta quarta-feira, 7 de abril, pela IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, foi ainda mais prenunciada do que tinha acontecido no primeiro mês do ano, quando o tráfego de passageiros tinha caído 72,2% face aos números de 2019.

Na nota divulgada esta quarta-feira, a IATA explica que os dados deste ano são comparados com os valores dos meses homólogos de 2019, uma vez que as “comparações entre os resultados mensais de 2021 e 2020 foram distorcidas pelo impacto extraordinário da COVID-19”.

“Fevereiro não mostrou nenhuma indicação de recuperação na procura por viagens aéreas internacionais. Na verdade, a maioria dos indicadores seguiu na direção errada à medida que as restrições de viagem aumentaram”, lamenta Willie Walsh, diretor geral da IATA.

Relativamente apenas à procura internacional, a queda foi ainda mais pronunciada, uma vez que, apontam os dados da IATA, se registou um decréscimo de 88.7% face a fevereiro de 2019, o que representa uma descida adicional face à redução de 85,7% que tinha sido registada em janeiro e se traduz no “pior resultado  desde julho de 2020”.

A quebra registada, acrescenta a IATA, foi comum a todas as regiões do globo, mas foi mais dramática na Ásia-Pacifico, onde a descida foi de 95,2% face a fevereiro de 2019, pouco diferente do que tinha sido apurado em janeiro, quando o tráfego de passageiros tinha caído 94,8%.

“A região continuou a sofrer as maiores quedas de tráfego pelo oitavo mês consecutivo. A capacidade caiu 87,5% e a taxa de ocupação desceu 50,0 pontos percentuais para 31,1%, a menor entre as regiões”, detalha a IATA, relativamente à Ásia-Pacífico.

No caso da Europa, a descida no tráfego de fevereiro chegou aos 89,0%, “substancialmente pior que os 83,4% de declínio em janeiro”, face a igual mês de 2019, enquanto a capacidade afundou 80,5% e o load factor caiu 36 pontos percentuais, para 46,4%.

No Médio Oriente, a descida do tráfego foi de 83,1%, piorando a queda que tinha sido apurada em janeiro e que tinha sido de 82,1% face a igual mês de 2019. Já a capacidade caiu 68,6% e o load factor apresentou uma descida de 33,4 pontos percentuais, para 39,0%.

No caso da América do Norte, a descida do tráfego de fevereiro foi de 83,1%, valor que agrava o decréscimo de 79.2% que já tinha sido registado em janeiro, enquanto a capacidade caiu 63.9% e o load factor41.9 pontos percentuais, para 36,7%.

Já na América Latina, a descida registada em fevereiro chegou aos 83.5%, valor que veio piorar ainda mais o desempenho negativo que já tinha sido registado em janeiro, quando o tráfego tinha caído 78.5% , e que foi acompanhado por uma descida de  75.4% na capacidade e de 26,7 pontos percentuais no load factor, que desceu para 54.6%, mantendo-se, ainda assim, como “o mais alto de todas as regiões pelo quinto mês consecutivo”.

Em África, houve ainda uma queda de 68.0% no tráfego de fevereiro, o  que faz da região a que melhor desempenho apresentou em fevereiro, com a IATA a sublinhar que o tráfego aéreo africano sofreu apenas um “contratempo” em fevereiro, uma vez que, em janeiro, este indicador já tinha descido 66.1%. Já a capacidade desceu 54.6% em fevereiro, enquanto o load factor caiu  20.5%, para 49,1%.

Já o mercado doméstico apresentou um desempenho pouco mais positivo, tendo a procura por viagens internas a nível mundial caído 51,0% em relação aos níveis pré-crise, depois de ter descido 47,8% em janeiro, o que a IATA atribui ao mercado chinês, que foi sofreu com as recomendações do Governo chinês para que não houvesse deslocações nas comemorações do Ano Novo Lunar.

Na informação divulgada, Willie Walsh aponta ainda a necessidade de se chegar a acordo quanto aos certificados digitais de vacinação e testes à COVID-19, que considera serem as peças fundamentais para a retoma das viagens internacionais, a exemplo do IATA Travel Pass, lançado pela associação e que está já a ser testado por várias companhias aéreas e pelo Governo de Singapura.

“A nossa experiência até ao momento demonstra que os sistemas baseados em papel não são uma opção sustentável. São vulneráveis ​​a fraudes e, mesmo com a quantidade limitada de voos que existe  hoje, o processo de check-in precisa de equipas em níveis  pré-COVID-19 apenas para lidar com a papelada. Os processos de papel não serão sustentáveis ​​quando as viagens aumentarem”, destaca Willie Walsh, instando os governos de todo o mundo a chegarem a acordo quanto às ferramentas digitais.

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