Opinião| A conjuntura e os PULSE REPORT

Por a 6 de Abril de 2021 as 11:47

Evoluindo de um mês de fevereiro, em que um em cada três destinos turísticos no mundo estava completamente fechado ao turismo internacional devido à pandemia, o que representava mais de 30% dos destinos turísticos fechados, passou-se para uma situação de abertura gradual do mercado, com tendência para um crescente aumento de confiança e desconfinamento nalguns dos destinos turísticos mais importantes, fruto de campanhas de distribuição de vacinas, massivamente, como está a ser o caso do Reino Unido, o que veio dar alento a um súbito pico de reservas a níveis de 2019, no início do mês de março.

No Reino Unido, nesta segunda fase de desconfinamento, foram abertas as escolas dia 8 de março. A partir de dia 17 de maio, serão permitidas até 10.000 pessoas nos estádios de futebol, prevendo-se uma normalização da vida quotidiana, sem confinamentos de maior, a partir de 21 de junho. No dia 23 de fevereiro, a seguir ao anúncio do primeiro-ministro britânico, das sucessivas fases de reabertura do mercado, o índice de reservas atingiu um valor de 76% superior a idêntico período em 2020.
Por outro lado, face à campanha de  vacinação nos EUA, os níveis de reservas hoteleiras, naquele país, atingiram valores que superaram os 95%, apenas na segunda semana de março, relativamente a março de 2020.
Até aqui, tudo eram boas notícias face ao fraquíssimo desempenho da economia, índices de confiança e padrões de consumo observados.
Infelizmente, os últimos dias vieram demonstrar o quão voláteis são as previsões, com o aumento de casos de encerramento de fronteiras em alguns mercados, por motivos de prevenção, o que irá pôr em causa muitas  deslocações.

No nosso último PULSE REPORT,  foi abordado o tema da aviação e as perspectivas para este verão, tendo sido referido que, com o verão a três meses de distância e a atual “turbulência” no sector, as companhias aéreas e aeroportos terão que demonstrar grande flexibilidade e capacidade de resposta para responderem às rápidas e constantes alterações de mercado, face à situação que estamos a viver.
Segundo um inquérito efetuado por uma ‘low cost’ durante o mês de janeiro, em pleno confinamento, conclui que quase dois terços dos entrevistados, de entre 5000 europeus, tenciona viajar em 2021.
Por outro lado, tem vindo a assistir-se a um notável volume de reservas em determinadas rotas de verão, como seja o caso da Alemanha e da Suíça, com aumentos superiores a 400% relativamente ao passado ano, nalguns destinos de férias, claramente uma tendência que nos leva a um moderado optimismo a curto prazo.
A IATA, que representa 290 companhias aéreas que concentram 82% do tráfego aéreo mundial, anunciou os resultados de uma pesquisa recente aos passageiros frequentes das companhias suas associadas com mais tráfego, que revelou uma maior confiança no regresso às viagens aéreas; uma frustação pelas atuais restrições; e a aceitação de um passaporte sanitário ou uma aplicação de viagem com informação sobre resultados de testes ou certificações das vacinas.

Algumas das conclusões:
• 89% dos entrevistados gostaria que os governos pudessem adoptar medidas standard para os certificados
de exames e vacinas.
• 80% sente-se confortável com a perspetiva de aplicação do IATA Travel Pass e passaria a utilizar a mesma
se e quando estivesse disponível.
• 78% utilizaria um aplicativo com dados de viagem se tivesse absoluto controlo dos seus dados.
• 68% referiu que a sua qualidade de vida foi afectada pelas restrições de viagem.

Por outro lado, embora as companhias aéreas estejam preparadas para os índices de procura, estes continuam extremamente baixos em geral.
A maioria dos consumidores continua hesitante no momento da reserva de avião, sem saber se valerá a pena reservar já, ou aguardar mais tempo, em função dos voos disponíveis, o que poderá originar uma procura para o last-minute.
Mas, como observado no Reino Unido, depois do plano de abertura da economia, com algum optimismo e confiança iremos assistir a uma retoma na aviação.
Nos dias de hoje, e em condições adversas de mercado em que a procura praticamente não existe, se os índices de confiança aumentarem e com a vontade de viajar existente, estejam as condições de saúde melhoradas, certamente só podemos esperar um aumento nas reservas na hotelaria. Sem a retoma da aviação, a hotelaria irá continuar a sofrer.
Vale a pena relembrar que a aviação tem vindo a preparar, nos últimos meses, um conjunto de medidas de segurança, a nível de passageiros, que irá influenciar e fazer subir os níveis de confiança do setor e que muito ajudarão a restabelecer a atividade turística mundial.

*Por Armando Calvão Rocha, vice-presidente da Great Hotels of the World

*Opinião publicada na edição impressa de 19 de março

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