Turismo em alta só lá para 2023, diz CFP

Por a 31 de Março de 2021 as 17:59
Espaço Fotos de banco de imagens por Vecteezy

Segundo as projeções macroeconómicas e orçamentais para o período 2021-2025 do Conselho das Finanças Públicas (CFP), a indústria do turismo só recuperará em 2023.

Se globalmente, o CFP, num cenário de políticas inalteradas, aponta para um crescimento de 3,3% este ano, seguido de uma recuperação mais expressiva em 2022 (4,9%) e de crescimento em torno de 2% nos restantes anos de projeção (até 2025), as estimativas apontam para que o PIB deverá recuperar o nível pré-pandemia no decurso de 2022.

Contudo, o CFP avisa que “estas projeções apresentam um grau de incerteza ainda particularmente elevado, estando sujeitas a riscos, direta ou indiretamente relacionados com a evolução da situação pandémica, na sua maioria de natureza descendente, não se podendo excluir em definitivo a hipótese da COVID-19 persistente, nem as suas implicações económicas. Mesmo em cenários pandémicos menos extremos, de ressurgência de surtos ocasionais, o CFP admite que “não se pode afastar a possibilidade de alterações comportamentais a nível global por parte dos consumidores que continuem a afetar os sectores mais dependentes da interação pessoal, mesmo na ausência de confinamentos legalmente decretados”. E neste particular, o CFP destaca que o peso do sector do turismo na economia portuguesa “amplia a exposição da nossa economia a esse risco”.

Assim, a retoma da atividade económica no curto prazo reflete sobretudo a dinâmica do consumo privado e das exportações em volume, estimando as projeções macroeconómicas e orçamentais do CFP que “a recuperação das exportações acompanhe a recuperação da procura externa dirigida a Portugal, com ganhos de quota de mercado até 2023”.

Por isso mesmo, a entidade liderada por Nazaré da Costa Cabral antecipa uma dinâmica” mais modesta na recuperação das exportações de serviços, associada a uma conjuntura mais adversa no sector do turismo, na perspetiva de prevalência de restrições às viagens internacionais no curto prazo”. “Espera-se que a procura pelos serviços associados ao turismo seja normalizada apenas em 2023, ano em que as exportações totais em volume recuperam o nível de 2019”, conclui o CFP.

Também no mercado do trabalho, a recuperação lenta do emprego deverá refletir, por um lado, “o impacto negativo da crise sanitária sobre a evolução perspetivada para os sectores mais expostos aos contactos pessoais, como a hotelaria, restauração, turismo e atividades recreativas ligadas ao desporto e entretenimento” e, por outro lado, “o efeito mitigador das medidas de apoio à atividade económica, em particular o regime de lay-off simplificado, os apoios aos trabalhadores independentes e o recurso ao teletrabalho”, diz o documento revelado esta quarta-feira, pelo Conselho das Finanças Públicas.

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