Opinião| Luz, câmara, ação! A indústria cinematográfica ao serviço do marketing territorial

Por a 5 de Março de 2021 as 12:59

Por Cristóvão Monteiro, (Presidente Executivo do CEIT – Centro Estratégico de Inovação Territorial e Coordenador da Pós Graduação em Branding Territorial da Coimbra Business School)

Quantas vezes não demos por nós a apaixonarmo-nos por uma paisagem através de um filme, série ou documentário? A verdade é que cada vez mais, a indústria cinematográfica tem-se revelado como uma ferramenta poderosíssima para a promoção dos territórios.

O ser humano está evolutivamente adaptado para responder rapidamente à combinação de imagem, som e movimento. Estudos demonstram que cerca de 90% da informação captada pelo nosso cérebro é visual e processamos imagens 60 mil vezes mais rápido do que processamos um texto. Este cenário leva-nos a evidenciar o papel do audiovisual na transmissão eficiente de mensagens.

A imagem de um território retratada em filme ou até em telenovelas, pode ajudar a criar percepções sobre os locais e fomentar o desejo de visita, muitas vezes em lugares que nem imaginaríamos que existissem. O poder das produções audiovisuais no aumento da atratividade turística dos territórios onde são produzidas, é efetivamente uma realidade inegável. Facilmente recordamos inúmeros casos de sucesso, como o célebre “Senhor dos Anéis”, ”Harry Potter”, “Braveheart” e muitos outros que confirmam esta premissa, ainda mais numa era marcada pelo crescimento exponencial das plataformas de streaming. Estas têm mudado radicalmente o rumo do entretenimento, nomeadamente devido à atual situação pandémica.

Embora já existam alguns passos firmados nesse sentido, é ainda deficitária a estratégia do país para a captação de produções cinematográficas, não só para a atração de produtores nacionais e internacionais, mas também para a criação de condições para a sua fixação em solo português. Quando discutimos a importância das políticas de descentralização e afirmação do apelidado “interior” ou da chamada ”baixa densidade”, é fulcral trabalhar  instrumentos que materializem esta visão e apoiem estes territórios na estruturação de produto e permitam demonstrar as potencialidades do país neste domínio. Portugal tem muitas estórias e histórias para contar e o próprio cinema português precisa desta diversidade.

Urge criar efetivas condições e instrumentos para a afirmação e promoção de Portugal, como destino de excelência para a produção e realização de filmagens nacionais e internacionais. Este caminho só se consegue através de uma visão unificada e estimulando o incontendível talento da comunidade criativa portuguesa.

Um comentário

  1. Pedro Castro

    5 de Março de 2021 at 22:48

    Este artigo fez-me recordar um episódio concreto. Dubrovnik foi um dos palcos da premiada série da HBO Game of Thrones.
    O resultado foi uma adesão mundial ao destino que levou à criação de uma frequencia diária sazonal sem escalas Philadelphia-Dubrovnik pela American Airlines e uma ligação tri-semanal sem escalas da Korean Air Seoul-Zagreb.
    Este excelente artigo relembra-nos as várias formas – mais ou menos subtis – de elaborar uma promoção profissional do destino com resultados mensuráveis.

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