Verão de 2020 deverá repetir-se em 2021

Por a 26 de Fevereiro de 2021 as 11:54
Praia da Figueira da Foz

A realidade vivida no verão de 2020 nos países mediterrânicos, com o setor do turismo a “sobreviver” com base no turismo interno, deverá repetir-se neste verão de 2021. De acordo com as últimas estatísticas da Oxford Economics, o verão de 2021 será “semelhante ou ligeiramente superior ao do ano passado”, mas “continuará a ser apoiado por uma parcela doméstica mais forte do que o normal, já que as restrições internacionais serão as últimas a serem removidas e as pessoas permanecerão relutantes em viajar para o exterior”.

Os analistas da Oxford Economics admitem mesmo “não esperar uma recuperação total das exportações de serviços, incluindo turismo, aos níveis anteriores à crise até pelo menos o início de 2023”.

O mais recente briefing reforça que o setor do turismo foi um dos mais atingidos pela crise do coronavírus, com as chegadas de turistas aos países mediterrânicos a registar quebras entre os 60% e 80%, em 2020. Com a atividade a verificar uma recuperação parcial durante o verão de 2020 quando algumas restrições foram amenizadas, “o colapso do turismo contribuiu para quedas massivas do PIB de 8%-11% em Itália, Espanha, Portugal e Grécia em 2020, ficando acima da descida média de 6,8% da zona do euro.

Com os números a demonstrarem que a atividade turística representa uma parte considerável da economia na Itália, Espanha, Portugal e Grécia, o setor do turismo é responsável por entre 6% e 8% do PIB destes países diretamente e por mais 8% a 13% indiretamente, representando uma componente importante das exportações de serviços.

“Esperamos alguma recuperação na atividade turística do final do segundo trimestre e início do terceiro trimestre de 2021, como as restrições são gradualmente atenuadas, permitindo a retomada da mobilidade, mas a perspetiva de recuperação para o setor de turismo permanece turvo”, salientam os analistas. O serviço de turismo da Oxford Economics, antevê “um crescimento anual substancial nas chegadas internacionais à Europa durante 2021, que são muito relevantes para os países mediterrânicos, mas o total de noites na região continuará a permanecer mais de um terço abaixo dos níveis de 2019”.

Viagens domésticas recuperaram primeiro e dão suporte à recuperação do setor
Esta análise não é, contudo, uma novidade, já que recentemente a Oxford Economics já tinha destacado a importância da componente doméstica das viagens na recuperação do turismo em 2021. “Na verdade, os países com maior resiliência tendem a ser mais dinâmicos em 2021 e 2022”, admitem os analistas. Mas as preferências dos consumidores em relação a viagens, uma vez levantadas as restrições, também terão um grande papel na recuperação dos gastos com turismo, esperando a Oxford com “os padrões de consumo normalizem rapidamente”, embora reconheça que “para os países mediterrânicos as oportunidades de crescimento são limitadas este ano”.

Com a parcela doméstica de viagens a aumentar significativamente de janeiro a novembro de 2020, em comparação com os anos anteriores, “os países mediterrânicos são mais vulneráveis, pois enfrentam riscos maiores, já que suas indústrias de turismo seriam altamente impactadas por restrições prolongadas em viagens internacionais”, destaca a Oxford Economics.

A dependência da vacina par ao turismo internacional
Reconhecendo que os países mediterrânicos registem uma “recuperação significativa” da indústria do turismo durante 2021, as estimativas da Oxford Economics é que “os níveis permanecerão abaixo dos de 2019”, esperando “uma recuperação total das exportações de serviços aos níveis pré-pandêmicos no início de 2023”.

“A recuperação do setor de viagens pode ser muito mais lenta se a situação de saúde não melhorar significativamente nos próximos meses, o que significa que as taxas de infeção permanecem altas e o lançamento da vacina na Europa enfrenta mais atrasos e problemas logísticos”, destaca a análise. Nesse caso e com as perdas no setor das viagens a ser mais significativo, os países mediterrâneos, que dependem de uma grande parcela do turismo externo, provavelmente, teriam um desempenho muito pior do que o cenário base traçado para a recuperação. “Consideramos que a evolução do setor do turismo apresente o maior risco de queda nas nossas previsões para o sul da Europa”, conclui a análise da Oxford Economics.

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