Eurodeputada portuguesa critica “pouca vontade política” da Europa no financiamento do turismo

Por a 25 de Fevereiro de 2021 as 17:25

A eurodeputada portuguesa Cláudia Monteiro de Aguiar veio esta quinta-feira, 25 de fevereiro, criticar a “pouca vontade política dos Estados-Membros e da Comissão Europeia”, em relação ao quadro financeiro 2021-2027, que não prevê qualquer linha de financiamento específico para o setor do turismo.

Num comunicado enviado à imprensa, a eurodeputada portuguesa, eleita pelo PSD, explica que esta medida estava “já aprovada pelo Parlamento Europeu, que não teve o apoio do Conselho, nem mesmo no que se refere aos montantes do Next Generation EU através de uma dotação específica”.

Cláudia Monteiro de Aguiar espera agora que “os Estados-Membros incluam o sector como um dos prioritários nos seus planos de recuperação e na iniciativa REACT-EU e que desta forma, ainda que indiretamente, haja um apoio real a todo o ecossistema do turismo”.

A posição da eurodeputada portuguesa surge depois da Comissão dos Transportes e Turismo do Parlamento Europeu, da qual Cláudia Monteiro de Aguiar faz parte, ter aprovado o relatório “Estabelecer uma estratégia da UE para o turismo sustentável”, da autoria da eurodeputada portuguesa e que traça a estratégia para o futuro das viagens e turismo na Europa.

Segundo a responsável, essa estratégia assenta em quatro R’s e pretende, nomeadamente, restabelecer planos de resposta à COVID19, recentrar a política de governação no quadro da União, reforçar a necessidade e os apoios para a transição para um turismo sustentável e repensar a indústria, posicionando-a e enquadrando os desafios do futuro.

Para Cláudia Monteiro de Aguiar, no imediato, o turismo “precisa urgentemente de medidas e protocolos sanitários e de higiene comuns em todos os modos de transporte, em particular formulários de localização comuns e digitais, a realização de testes à partida como regra, a quarentena deve ser exceção e o período de dias iguais em toda a União, a criação de um certificado de vacinação e um código de cores também com os países terceiros”.

A responsável defende ainda que Portugal, que detém a Presidência do Conselho da União Europeia até 30 de junho, “deve colocar a coordenação e medidas de apoio para o turismo e viagens como ponto principal da sua agenda, porque a retoma económica do país não se fará sem o Turismo”, ainda que, acusa, “até ao dia de hoje, a vontade do governo português apoiar o setor, até no plano de resiliência, tem sido paupérrima”.

A eurodeputada portuguesa entende que “existe espaço para alargar as competências da União em relação ao Turismo” e defende mesmo a criação de uma agência europeia para apoiar destinos e empresas na tomada de decisões.

“Os problemas comuns que o sector enfrenta, nomeadamente a resposta à pandemia ou o caminho para a transição digital e ambiental podem e devem ter soluções e apoios da União, por isso acredito haver espaço para uma agência europeia ou um departamento dentro de uma agência existente para o turismo, repositório de dados métricos e de análise, que apoiem os destinos e os privados na tomada de decisões”, defende.

Cláudia Monteira de Aguiar espera que a Comissão Europeia apresente “um plano de ação, ainda este ano, com medidas concretas e apoios financeiros para ultrapassar os efeitos da pandemia e um roteiro de apoios para a transição digital e ambiental” e explique “de que forma será implementado o mecanismo de gestão de crises”.

“A Comissão não pode ambicionar metas sem que esse caminho seja feito com apoios direcionados ao sector. Para futuro, espero que a Comissão Europeia desenvolva de que forma será implementado o mecanismo de gestão de crises, já apresentado pelo Parlamento Europeu, no orçamento da União para 2021”, refere.

 

Um comentário

  1. Goncalo Leandro

    26 de Fevereiro de 2021 at 8:33

    Relativamente ao governo português, adjetivar a vontade de apoio ao setor como paupérrima não é correto. Vão ser investidos 4 mil milhões de euros, o equivalente a 5% do OE, na TAP – com a justificação de se salvar assim o turismo e a bandeira. A vontade não é pauperrima, mas sim unidirecional para uma única empresa,privilegiando 7 mil empregados de uma empresa especifica de turismo e ignorando os restantes 343 mil.

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