TCP critica PRR português e diz que serve “pura e simplesmente para gerir o dinheiro”

Por a 24 de Fevereiro de 2021 as 16:25

O presidente do Turismo Centro de Portugal (TCP), Pedro Machado, criticou esta terça-feira, 23 de fevereiro, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português, considerando que acusa de apenas servir para “pura e simplesmente” gerir as verbas comunitárias pós-crise da COVID-19.

“Estamos perante um PRR de um Governo à defesa, quando devíamos ter um PRR de um Governo em contra-ataque”, disse pedro Machado à Lusa, considerando que o documento, que se encontra em consulta pública, será “pura e simplesmente para gerir o dinheiro que vem para fazer face à recuperação do aparelho do Estado nas suas mais diversas áreas”.

Pedro Machado critica o facto do PRR português não apostar na captação de investimento, nem na reconversão dos modelos de negócio, a exemplo da hotelaria e de outros equipamentos que, nos próximos dois anos, não vão ter procura.

“Não estamos a apostar na captação de novos investimentos e naquilo que deveria ser a reconversão de muitos modelos de negócio”, afirmou, questionando o que acontecerá “aos hotéis fantasma e ao conjunto de equipamentos que nos próximos dois anos vão estar sem movimento, praticamente sem negócio”.

“Já percebemos que estamos com taxas reduzidas. Temos taxas de ocupação até 10% em Fátima, por exemplo, e a questão que se coloca é o que é que vai acontecer a estes edifícios”, frisou.

Para o presidente do TCP, o PRR português “defende demasiado a estatização do programa, isto é, reforça em demasia o papel do Estado versus o que deveriam ser as dinâmicas da sociedade civil e da criação de riqueza e da captação de investimento” e está ainda “demasiado ancorado na resolução dos problemas das duas grandes áreas metropolitanas, Lisboa e Porto”.

Pedro Machado é especialmente critico quanto ao facto do documento possuir um “défice enorme de medidas concretas para marcar o arranque da economia, sobretudo ao nível das pequenas e médias empresas e das microempresas” e diz que seria fundamental ter em conta o que considera ser uma inevitabilidade: “a recuperação e reconversão de modelos de negócio, por força desta pandemia e de muitos processos de insolvência já anunciados”.

Pedro Machado criticou também o PRR no que respeita à coesão territorial, referindo que, a esse nível, o que aparece “é essencialmente a bacia hidrográfica do Algarve, a barragem do Pisão e o cadastro dos territórios”.

“Coesão é mais do que isto. Não fica claro que as empresas que vão poder resistir em territórios de baixa densidade e em territórios a necessitar da coesão possam ter mecanismos ou instrumentos financeiros que lhes permitam suprir esta crise”, considerou.

Já quanto à transição climática, o responsável lamenta que, por exemplo, não haja “uma palavra sobre a modernização e eletrificação da linha do Oeste, que devia ter começado a sua requalificação em 2018”.

“Nas energias renováveis, aparece mais uma vez o apoio à produção energética dos edifícios, à estratégia nacional para o hidrogénio. E o mar? E a economia azul?”, questionou.

 

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