Opinião| Pensar Hoje o Turismo do Amanhã

Por a 24 de Fevereiro de 2021 as 9:40

Há muito que quero “virar a agulha” e diversificar a minha escrita para outros temas que não o COVID, até por uma questão de sanidade mental, mas a pandemia teima em continuar no topo da agenda. Sempre que abranda falamos em perspetivas de retoma, sempre que se agrava falamos nas dificuldades que isso acarreta, e daqui não saímos…mas precisamos de sair, precisamos de ver mais além e de pensar, já hoje, em pleno pico da pandemia, sobre o futuro do Turismo.

Desde logo, devemos fazê-lo internamente, pensando num Plano Estratégico para o Turismo, que seria mais um Plano de Salvamento do Turismo, já adaptado a esta nova realidade e aos desafios que se prefiguram. Sei que neste momento todos os esforços estão concentrados no combate à pandemia e na sobrevivência das empresas mas cabe-nos a nós, enquanto agentes de mudança, refletir já, e traçar um caminho para que não sejamos apanhados desprevenidos, situação que nos colocará em desvantagem relativamente aos nossos mais diretos concorrentes.

Desconheço se o Governo está a pensar em algum plano que corresponda ao que descrevo, com estas prioridades e não outras, mas se está, até à data, não o deu a conhecer.

Acredito que a procura, essa, está toda lá, tal como antes, ávida de poder regressar, de poder viajar e de poder voltar a consumir nos nossos estabelecimentos e a usufruir das experiências que o nosso país pode proporcionar. Quando a altura chegar, é preciso “atacar” o mercado. Por isso é tão importante que, quando tal acontecer, possamos dar uma resposta que esteja perto da excelência e da qualidade que vínhamos a dar, já há largos anos a esta parte. Este Plano deveria assim integrar medidas de recuperação da situação económica das empresas, robustecendo-as, para que então as empresas consigam retomar a sua normal atividade nos níveis em que antes o faziam, a par de regras claras para uma reabertura. Por outro lado, teria também como efeito gerar confiança nos agentes económicos, que saberiam com o que contar, saberiam em que condições previsivelmente poderiam operar, permitindo-lhes preparar-se adequadamente para a reabertura da economia, assim que a pandemia o permitisse. Defini-lo tardiamente será um erro estratégico, difícil de corrigir e que nos sairá muito caro, adiando qualquer esperança de uma retoma célere e eficaz.

Estou convencida da importância de que este plano se reveste, não só para os agentes do setor, mas ainda mais, para a nossa economia nacional, dado o efeito multiplicador que o Turismo tem, e para sociedade em geral que tem nesta atividade uma fonte de riqueza e prosperidade, que seria “criminoso” desperdiçar.

Nesse mesmo sentido, também a Hotrec (Federação Europeia que reúne as associações da restauração, similares e do alojamento turístico), já manifestou a necessidade de ser criada uma task force nas instituições europeias para debater o impacto da pandemia nos negócios e postos de trabalho, bem como desenhar um roadmap para a recuperação do setor da “hospitalidade”. Portugal deverá fazer o mesmo e constituir, rapidamente, uma frente de trabalho para planear o futuro.

Devemos hoje, sem mais delongas, pensar no futuro do Turismo, porque é isso que vai determinar que Turismo teremos amanhã.

*Por Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP

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