Iberobus: “A procura interna é insuficiente para revitalizar o mercado”

Por a 16 de Fevereiro de 2021 as 14:40

Apesar da vacinação já estar em curso, a pandemia da COVID-19 continua a ser uma ameaça para o turismo e para os autocarros de turismo em particular, que não devem assistir a qualquer retoma em 2021.


Em entrevista ao Publituris, o diretor da Iberobus, Jorge Nogueira, fala do impacto “brutal” que a pandemia da COVID-19 teve na procura por autocarros de turismo e estima que 2021 seja mais um ano perdido, até porque o mercado doméstico não deverá ser suficiente para trazer alguma recuperação ao negócio. Mais apoios, é o que pede a empresa de aluguer de autocarros de turismo, que conta com sede na Maia.

Devido à pandemia da COVID-19, 2020 acabou por ser um ano difícil para o turismo nacional e, consequentemente, para os autocarros de turismo. Apesar de todos os desafios, que balanço é possível fazer em relação ao ano passado?

O ano de 2020 prometia bastante até fevereiro, mas a partir de meados de março tivemos um decréscimo enorme na procura. O balanço do ano é manifestamente mau, com reflexos ao nível contabilístico pois tivemos resultados líquidos negativos. Felizmente tínhamos uma almofada financeira que amorteceu este impacto.

Por parte de que mercados se registou maior procura e em que tipo de serviços? Houve mudanças em relação ao que se tinha verificado nos anos anteriores?

O decréscimo pela procura de autocarros de turismo foi brutal. O turista do mercado internacional deixou de vir e fazer circuitos, e o turismo interno foi muito incipiente. Para além disso, também as escolas deixaram de fazer visitas de estudo.

A pandemia continua a ser uma ameaça, apesar da vacinação já ter começado em vários países. Tendo em conta este cenário, qual é a expetativa para 2021, é possível que já exista recuperação este ano?

Creio que 2021 será um ano mau, muito idêntico, muito em linha com o ano passado. A procura interna é insuficiente para revitalizar o mercado. Enquanto os aviões não estiverem a voar como antes, não há retoma no turismo. Recuperação, a correr bem só a partir de 2022.

Quais são, para as empresas de autocarros de turismo, os principais desafios que se esperam para 2021?

O grande desafio para 2021 é a sobrevivência, é tentar aguentar sem despedir ninguém, adaptar a frota e redefinir processos. Fica bem falar de reinvenção, mas se a nossa paixão é o turismo, a nossa essência é o transporte de passageiros e a nossa ferramenta de trabalho são os autocarros, vamos fazer o quê?

Que medidas, na opinião da Iberobus, devem ser tomadas para apoiar a retoma e recuperação do setor dos autocarros de turismo?

As medidas a curto prazo de apoio à retoma têm de passar obrigatoriamente pela continuação do lay-off simplificado e pela prorrogação das moratórias dos créditos bancários. Só assim conseguiremos manter o emprego e as empresas.

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