Governo reconhece que medidas previstas nos acordos com sindicatos da TAP “são muito duras”

Por a 8 de Fevereiro de 2021 as 17:23

O Ministério das Infraestruturas e da Habitação (MIH) reconhece que as medidas previstas nos seis acordos alcançados até domingo, 7 de fevereiro, com os sindicatos que representam a generalidade dos trabalhadores da TAP “são muito duras” e agradece a colaboração das estruturas sindicais em relação à “muitíssimo difícil situação que a empresa vive”.

“Existe a plena consciência de que as medidas previstas nos acordos são muito duras para os trabalhadores da TAP S.A., e que os acordos não poderiam ter sido alcançados sem a compreensão demonstrada pelos sindicatos em relação à muitíssimo difícil situação que a empresa vive e à necessidade de esta fazer um ajustamento significativo nos custos salariais o mais rapidamente possível”, admite o ministério, num comunicado divulgado esta segunda-feira, 8 de fevereiro.

Entre as medidas previstas nos acordos, está a redução do nível salarial, assim como a adoção de medidas voluntárias, tais como o trabalho a tempo parcial, a revogação de contratos de trabalho, reformas antecipadas e acordos de pré-reforma.

Na informação divulgada, o ministério liderado por Pedro Nuno Santos congratula-se com os seis acordos alcançados, considerando que os sindicatos e os trabalhadores “demonstraram estar à altura do momento histórico que a empresa atravessa”.

“O MIH deixa uma sincera palavra de reconhecimento pelo enorme esforço que mostraram estar disponíveis a fazer pelo presente e pelo futuro da TAP S.A. e pela preservação do maior número possível de postos de trabalho. Os sacrifícios serão feitos em nome da TAP S.A., dos seus trabalhadores, do país e da economia nacional, e cabe a todos nós – acionista, administração e trabalhadores – mostrarmos, ao longo dos próximos anos, que eles valeram a pena”, lê-se ainda na nota enviada à imprensa.

O ministério sublinha que “a TAP, S.A. vive um momento extremamente difícil do ponto de vista operacional e financeiro, consequência das medidas restritivas nacionais e internacionais de resposta à pandemia”, ao qual acrescem “os desafios futuros, que resultam da necessidade de a empresa implementar ao longo dos próximos quatro anos um exigente Plano de Reestruturação, cuja versão final está neste momento a ser negociada com a Comissão Europeia e que implicará um redimensionamento da empresa”.

Foi sob esse “enquadramento muito exigente” que decorreram as negociações com os sindicatos e que permitiram, segundo o ministério, “chegar a acordos de emergência para vigorarem até 2024, ou até à celebração e implementação de novos acordos de empresa entre as partes”.

Recorde-se que a TAP começou por alcançar, na quinta-feira, 4 de fevereiro, um acordo com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e, nos dias seguintes, conseguiu também o entendimento com 15 estruturas sindicais, que abrangem pilotos, tripulantes de cabine e o pessoal de terra, incluindo trabalhadores da aviação civil e aeroportos, manutenção de aeronaves, metalúrgicos, quadros da aviação comercial, economistas, técnicos de handling, entre outros.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *