Opinião| Os “novos” desafios para 2021

Por a 20 de Janeiro de 2021 as 16:26
António Marques Vidal, presidente da APECATE

*Por António Marques Vidal, presidente da direção APECATE – Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos

Não podemos falar de 2021, sem refletir sobre o que se passou em 2020.  Foi um ano com a maior crise do turismo até hoje, em que uma terrível pandemia colocou um desafio global, que todas as economias sofreram graves reduções, impactando negativamente todo o sector, mas que na essência dos problemas mostrou nada de “novo”.

Vivemos num estado de guerra de saúde, em que temos de canalizar melhor e mais eficazmente os poucos recursos existentes. É nesta altura que os “novos/velhos problemas”, que sempre nos afetam, demorando a encontrar capacidade e vontade política para os resolver, nos assombram e mostram que é imperativo resolver. 2020 trouxe-nos uma mudança de ritmos sociais, culturais, económicos, dos modelos de negócio, das formas de viajar, de fazer congressos, eventos e programas de animação turística. A partir de 2021, as empresas e os seus clientes vão trabalhar segundo um potencial contexto de pandemia, nos nossos planos de gestão de risco estas vão figurar como mais um item a ter em conta. Vamos passar a ter mais eventos virtuais e híbridos, as empresas e os clientes vão ser mais exigentes, procurando uma componente de sustentabilidade mais visível, a aproximação à natureza e ao valor das dimensões sociais, culturais e ambientais vão ser maiores. Cada congresso, evento ou programa de animação turística presenciais vão ser encarados como excecionais, devendo por isso mesmo, ter mais qualidade e retorno para o cliente.

Em 2021, para além do lento retorno à vida social e às viagens, promovendo o arranque do sector, possibilitando voltar a fazer congressos, eventos e programas de animação turística, os grandes constrangimentos continuam e vão atrasar e dificultar a sobrevivência das empresas, muito para além dos impactos diretos da pandemia.
Por tudo isto, é muito importante que todo o sistema do turismo evolua e tenha a melhor resposta, sendo urgente que a mudança seja a todos os níveis, nomeadamente na parte mais frágil, a do ordenamento político administrativo. Continuamos a evoluir e progredir sem ter um contexto de base, pensado e estruturado, desperdiçando inúmeros recursos. Se há reflexão a fazer é que temos de resolver os “velhos” problemas, para conseguir que os “novos”
desafios o sejam efetivamente.

O sector tem de conviver com 11 tutelas e 308 autarquias com todos a criar leis e regras (que normalmente não têm em conta a globalidade, mas só uma visão corporativa e reduzida), além de criarem taxas e taxinhas (subvertendo a finalidade das taxas que é prestar um serviço essencial), se a tudo isto adicionarmos procedimentos burocráticos que nos fazem gastar muito tempo e recursos, com grandes demoras por decisões que deveriam ser tomadas em poucos dias, temos um cenário complicado.
É importante que o sector se una e exija ao governo e ao Estado que este cumpra a sua missão, que trabalhem para a mudança das mentalidades e simplificação do sistema, este é o desafio para o “novo” ano. É altura de ouvir as associações e criar uma base estruturada para o desenvolvimento social, onde se insere a atividade turística.
Bom 2021.

*Artigo publicado na edição de 08 de janeiro do Publituris.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *