Quanto confia no Turismo? Conheça as respostas

Por a 18 de Dezembro de 2020 as 15:00

O IPAM e a Faculdade de Turismo e Hospitalidade da Universidade Europeia, em conjunto com o jornal Publituris, desenvolveram um barómetro para avaliar o sentimento dos profissionais do setor do turismo face à situação de pandemia. A avaliação do sentimento foi realizada pela medição dos níveis de confiança no setor do turismo no curto, médio e longo prazo. Avaliámos também o nível de preparação das empresas face à pandemia e quais os mecanismos desenvolvidos de adequação ao corrente cenário. Avaliámos a perceção dos participantes relativamente à segurança do seu posto de trabalho. Finalmente, quisemos saber se as organizações estão de alguma forma a desenvolver ações de solidariedade para a mitigação do impacto da pandemia na sociedade.

Participaram no estudo todos aqueles que trabalham numa empresa ou organização do setor do turismo e que recebem as newsletters do Publituris. Foram, assim, enviados e-mails com o inquérito para a base de dados da Revista Publituris durante o mês de Novembro, obtiveram-se 181 respostas válidas.

1.      Características da amostra

A amostra é composta por profissionais que trabalham em diferentes regiões de Portugal. Os participantes da região de Lisboa representam 44% da amostra e os residentes do Porto e Norte de Portugal representam 22% da amostra. Os participantes da região Centro de Portugal representam 14% da amostra. Os participantes da região Alentejo e Ribatejo e do Algarve representam cada um deles 6% da amostra. A Madeira representa apenas 2% da amostra, sendo os participantes dos Açores os menos representados, apenas 1% da amostra.

Os participantes são maioritariamente mulheres (63%), com idades compreendidas entre os 35-54 anos (59%). Com formação superior (78%) ou pelo menos secundário (18%) os respondentes desempenham funções em micro (36%) ou grandes empresas (18%) ou em médias empresas (13%).

Perfil dos respondentes

1.      Resultados
Utilizaram-se quatro dimensões temporais para avaliar o sentimento dos profissionais do setor do turismo. Quisemos saber os níveis de confiança para os próximos meses, o próximo verão, daqui a um ano e daqui a três anos.

A maioria dos participantes apresenta uma perspetiva extremamente negativa relativamente à atividade do setor do turismo para os próximos meses. 66% da amostra tem uma perspetiva muito má e 31% tem uma perspetiva má para o setor do turismo para os próximos meses. Apenas 3% da amostra tem uma perspetiva boa ou muito boa para o setor do turismo para os próximos meses.

A perspetiva dos participantes relativamente ao verão apesar de ser mais positiva ainda assim, para a maior parte da amostra, a perspetiva é negativa. Relativamente ao verão 8% da amostra tem uma perspetiva muito má e 49% tem uma perspetiva má. Apenas 37% tem uma perspetiva boa e 5% tem uma perspetiva muito boa.

A perspetiva a um ano melhora também. Assim, apenas 5% dos participantes têm uma perspetiva muito má relativamente ao setor do turismo daqui a 1 ano e 34% têm uma perspetiva má. A maior parte dos participantes 53%, tem uma perspetiva boa e 9% tem uma perspetiva muito boa.

Quando os participantes foram questionados relativamente a um horizonte temporal a 3 anos, a maior parte tem uma perspetiva positiva. Apenas 5% tem uma perspetiva negativa enquanto 44% têm uma perspetiva boa e 51% muito boa.

Claramente os participantes do estudo antecipam uma evolução positiva no setor do turismo. A pandemia é vista como uma interrupção de curto prazo num setor com futuro. De facto, no curto prazo 98% da amostra tem uma perspetiva negativa, porém num horizonte de 3 anos mais de 95% da amostra tem uma perspetiva positiva. Ainda assim, a perspetiva para o verão ainda não é positiva, há mais participantes com um sentimento negativo do que positivo.

A maior parte dos participantes considera que as empresas para quais trabalham estão a dar uma respostas adequada às condições atuais do mercado. Face ao cenário atual 68% dos participantes consideram que as medidas adotadas são parcialmente ou extramente bem adequadas. Cerca de um quinto da amostra, 21% dos participantes considera que a empresa onde trabalham não está a dar uma resposta adequada.

Relativamente a mecanismo para lidar com a pandemia, metade dos participantes, 50%, afirmou que a sua empresa suspendeu parte do seu negócio e 11% afirma que suspendeu totalmente o seu negócio. Assim, mais de metade dos participantes viu a operação das suas organizações a serem parcialmente ou totalmente suspensas. Cerca, de um quinto dos participantes, 19% afirma que a sua empresa manteve a sua operação sem quaisquer alterações, e 20% dos participantes afirma que a sua organização está a procurar outras alternativas para os seus negócios.

Relativamente a ações desenvolvidas pelas empresas para mitigar a situação de crise, 16% dos participantes afirmam que a sua organização está a desenvolver ações de responsabilidade social para mitigar a crise.

Quando se perguntou aos respondentes os seus níveis de confiança relativamente à manutenção dos seus postos de trabalho, as suas respostas são coerentes com a perspetiva para o setor do turismo. De facto, no curto prazo os participantes estão bastante negativos e sem confiança na manutenção dos seus postos de trabalho. A confiança aumenta com os anos, porém a incerteza também aumenta. Perto de um quarto dos participantes não têm a certeza acerca do seu posto de trabalho daqui a 3 anos.

Os participantes do estudo têm uma visão bastante negativa para o setor do turismo no curto prazo. Porém, os participantes do estudo estão extremamente positivos relativamente ao futuro do setor. Contudo há uma incerteza relativamente ao futuro para um quarto da amostra. Mas pode-se assim concluir que a maior parte dos participantes acreditam no setor do turismo para um futuro profissional.

Por João Freire, Professor e Diretor da Licenciatura Marketing Global no IPAM
e
Marcelo Oliveira, Diretor da Faculdade de Turismo e Hospitalidade

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