TAP “cresceu demasiado depressa”, diz ministro

Por a 15 de Dezembro de 2020 as 17:37

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou esta terça-feira, 15 de dezembro, em audição parlamentar, que a TAP “cresceu demasiado depressa” e acusou a gestão privada de ter agravados alguns dos problemas que a companhia aérea já apresentava.

“Há problemas na TAP que são anteriores à gestão privada, que não foram resolvidos com a gestão privada e que, nalguns casos, foram até agravados pela gestão privada, e, na minha opinião, se me é permitida, a empresa cresceu demasiado depressa”, defendeu o governante, apontando o “número de contratações e de aviões”, que estava “acima do plano estratégico que estava acordado com o Estado”.

Para Pedro Nuno Santos, que segundo a Lusa foi ouvido na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Inovação, por requerimento do Bloco de Esquerda (BE), acusou ainda a anterior gestão privada da TAP de gerir a companhia “em prol dos seus interesses” e revelou que os privados não tinham dinheiro para investir na empresa.

“O privado não tinha nem dinheiro, nem disponibilidade para meter um cêntimo na TAP”, acrescentou o ministro, garantindo que a questão que se colocava quando o Estado decidiu ficar com 72,5% da companhia, “era se se mantinha pública, ou fechava”.

O governante garantiu ainda que o redimensionamento a que a companhia está a ser sujeita não se deve apenas ao plano de reestruturação exigido pela Comissão Europeia, uma vez que não existe procura que justifique uma maior dimensão.

“Uma empresa pública deve servir o país, servir o povo, mas deve ser sustentável financeiramente”, acrescentou.

Recorde-se que o Governo entregou na quinta-feira, 10 de dezembro o plano de reestruturação da TAP à Comissão Europeia, que, segundo detalhou o ministro na sexta-feira, prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine, 450 trabalhadores da manutenção e engenharia e 250 das restantes áreas.

O plano prevê, ainda, a redução de 25% da massa salarial do grupo e do número de aviões que compõem a frota da companhia, de 108 para 88 aviões.

 

 

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