Opinião| O Mundo real é vivido em Átomos, mas os Negócios, pelos Bits

Por a 4 de Dezembro de 2020 as 16:06

* Por Pedro Seabra, CEO e partner ViaTecla, KEYforTravel

“Transformação digital” é o termo que ouvimos diariamente na imprensa, nos múltiplos eventos on-line e nas reuniões estratégicas internas ou com parceiros. Também hoje dificilmente alguém refuta que a indústria das viagens e do turismo foi dos setores que maior impacto sofreu nos últimos 25 anos com a internet e a digitalização do negócio. Mas a pergunta a fazer é: está a minha empresa preparada e a funcionar nesta lógica do tão falado digital? E o que é isto da Transformação Digital do Negócio?

Não basta usar e-mail, ter um site, uma presença em redes sociais e umas pastas partilhadas de ficheiros para acreditar que o meu negócio está preparado para responder aos desafios e aproveitar as oportunidades que o fantástico novo mundo da tecnologia, das comunicações e dos dispositivos móveis nos oferece.
Nem é preciso falar de Blockchain, Inteligência Artificial, Sistemas Cognitivos, Realidade Virtual, Agentes  Inteligentes e mais um sem-número de novas tendências, que qualquer analista ou consultor certamente enumerará sobre a realidade de hoje e o futuro próximo do negócio das viagens e turismo. O que as empresas necessitam hoje é de suporte digital para agilizar da melhor forma o seu negócio.

Digitalizar a empresa — ou dito de forma mais correta, transformar o negócio digitalmente para o melhorar e o fazer crescer — exige estratégia, foco, recursos e equipa, acrescido de coragem e grande liderança. É muito mais fácil criar uma empresa nova já focada neste novo mundo, que transformar uma empresa já a funcionar, implementar mudança e quebrar velhos hábitos de trabalho.  É tarefa que não é para todos, mas só existe uma possibilidade. É o fazer sem esperar mais um dia, porque não o fazer irá matar-nos aos poucos, até deixarmos de ser relevantes.
O processo de transformação digital deve ser ambicioso e com uma estratégia completa do princípio ao fim, mas deve ser implementado faseadamente, permitindo à organização assimilar conceitos, ferramentas e processos de uma forma gradual.

Hoje, as empresas debatem-se com dois desafios fundamentais: vender mais e melhor, e ter uma operação ágil e muitas vezes remota, de custos controlados, eficiente e capaz de minimizar erros e problemas. Ou seja, ter uma boa oferta que responda às necessidades do mercado e prestar um bom serviço na relação com o cliente e na operação da empresa. Internamente, é preciso definir processos, regras de como se faz cada  tarefa, quais os passos a dar e como sistematizar cada dado em cada passo, para ter informação relevante em vez de um amontoado de bits de formulários ou ficheiros. Deve-se também garantir que qualquer pessoa formada para a tarefa seja capaz de dar continuidade a determinado processo. Sem isso, é impossível digitalizar o quer que seja. Além disso, é essencial ser capaz de ter de forma clara a definição de um pedido de um cliente, o registo das suas preferências, a forma como se processa uma reserva ou se responde a uma reclamação e por aí, em relação aos processos que estrategicamente consideramos que são chaves para o negócio e que permitem-nos diferenciar e prestar um bom serviço, respondendo ao que o cliente necessita e resolvendo os seus problemas.

Do ponto de vista da venda e da nossa oferta, é necessário identificar os parceiros certos que nos dão uma oferta competitiva e diferenciadora, que nos permitem ajustar essa oferta ao negócio, e fundamentalmente que nos dão instrumentos “digitais” para implementar soluções de automatização e self-service que são chaves para este setor de negócio.

O mundo das viagens e do turismo vive hoje de sistemas de oferta em tempo real, nos quais podemos encontrar a melhor tarifa e disponibilidade em função das necessidades do cliente, mas com as nossas regras de negócio, sendo depois capaz de efetuar a reserva, fechar a compra e gerir todos os processos seguintes, como emissão de  documentação, sincronismo de alterações, entre outros.

Digitalizar o negócio é redesenhar processos e implementar canais de comunicação e venda que envolvem os vários stakeholders do negócio, agilizando e automatizando passos para dar ao cliente o que ele necessita no momento que quer e pelo canal que mais lhe convém, de forma mais eficiente.
Pensar com ambição, mas atuar com bom senso e compromisso, é a forma certa para fazer o caminho da  transformação digital. Construir ou formar a equipa com competências de negócio e literacia digital é fundamental, bem como se unir aos parceiros certos que possuem soluções e visão para o ajudar a implementar a sua estratégia.

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