Turismo registou quebra superior a 7,5MM€ na faturação até setembro

Por a 17 de Novembro de 2020 as 17:24

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, revelou esta terça-feira, 17 de novembro, que o setor do turismo registou, nos primeiros nove meses de 2020, uma quebra de faturação superior a 7,5 mil milhões de euros, valor que inclui todos os subsetores associados ao turismo.

“Nesta altura, temos uma situação muito difícil no setor. Estimamos, nos primeiros nove meses do ano, ter quebras de faturação em todo o setor do turismo na ordem dos 7,5 mil milhões de euros e aqui estou a contabilizar todos os subsetores associados ao turismo”, afirmou a governante, durante a IPDT Tourism Conference 2020, dedicada ao tema “Como retomar a atividade turística através de um novo paradigma?”.

De acordo com a Rita Marques, todo o setor do turismo está a “passar tempos difíceis, que resultam nestas quebras de faturação”, motivo pelo qual garante que o Governo vai continuar a trabalhar nos apoios para o setor, até porque, afirmou, os que já foram lançados “seguramente não são os suficientes” e correspondem apenas a 30% da quebra que o setor registou até setembro.

“Os apoios que até ao momento foram ventilados para o setor foram alguns, provavelmente não os suficientes, seguramente não os suficientes, porque conseguimos mobilizar, até ao momento, para fazer face a esta quebra de 7,5 mil milhões de euros, um pouco mais do que 2,2 mil milhões de euros, o que corresponde, de grosso modo, a 30% da quebra de faturação, sendo certo que, deste valor, cerca de 800 milhões de euros foram a fundo perdido”, acrescentou a secretária de Estado do Turismo, considerando, por isso, que estes apoios “terão de continuar a ser trabalhados”.

Mas Rita Marques quis também deixar uma mensagem para o futuro, sublinhando que as autoridades turísticas nacionais estão já a trabalhar “em cinco grandes pistas”, que visam justamente garantir um futuro para o turismo nacional.

A primeira dessas “cinco pistas”, acrescentou a governante, tem a ver com a conetividade, uma vez que 95% dos turistas que visitam Portugal chegam por via aérea, motivo pelo qual a “reposição de todas as ligações aéreas” é, de acordo com Rita Marques, uma das prioridades para o turismo nacional.

“Temos de garantir a reposição de todas as ligações aéreas, sendo certo que, a esta data, a situação é a seguinte: de acordo com os dados internacionais, nomeadamente da IATA, sabemos que ficaremos, no final do ano, a cerca de 44% do tráfego aéreo que tínhamos em 2019 e Portugal, provavelmente, vai ficar muito perto desses valores”, revelou, citando também os dados mais recentes da ANA, que dão conta que, até 30 de outubro, o total de passageiros desembarcados nos aeroporto nacionais rondava os 30 ou 35%.

Rita Marques defende, por isso, que Portugal deve garantir um Plano de Retoma Aérea, que defina “a estratégia para captar novas rotas e reforçar as existentes” e que deverá passar por uma colaboração com as companhias aéreas, ainda que a governante admita que só isso não seja suficiente, até “porque a conetividade não se esgota no tráfego aéreo”.

“É evidente que não basta, porque a conetividade não se esgota no tráfego aéreo e temos de trabalhar outros tipos de conetividade, como a rodovia e a ferrovia, assim como as infraestruturas marítimas têm que ser trabalhadas. Por isso, temos, naturalmente, uma agenda muito clara relativamente a garantir o aumento da conetividade, seja ela aérea, rodoviária, ferroviária ou marítima”, explicou.

Rita Marques considera que Portugal deve aposta também num reforço da captação e da confiança do investimento, nomeadamente através da redução dos custos fixos, bem como no território, tornando-o capaz de dar resposta às novas necessidades dos turistas, que procuram maior sustentabilidade e inovação.

Já o conhecimento e a promoção são as outras duas “pistas” em que a secretária de Estado do Turismo garante que Portugal está a trabalhar para o futuro, seja através de mais e melhores dados para conhecer que turistas visitam Portugal, seja através de uma aposta na promoção “coesa”, que alinhe Portugal naquilo que são as tendências mundiais.

 

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