França admite novos apoios à Air France/KLM

Por a 11 de Novembro de 2020 as 10:29

Os mais de 10 mil milhões de euros que a Air France/KLM já recebeu em ajudas estatais não serão suficientes para fazer face à crise da COVID-19 e o Estado francês já admite vir a conceder novas ajudas para capitalizar o grupo de companhias aéreas franco-holandês, em troca de um aumento da sua participação no capital da empresa.

De acordo com o jornal espanhol Hosteltur, que cita uma entrevista do secretário de Estado dos Transportes de França, Jean-Baptiste Djebbari, ao canal BFM Bussines, o governo francês admite que “é muito possível que existe uma capitalização”, uma vez que o peso da divida da empresa face a fundos próprios é muito elevado.

Jean-Baptiste Djebbari considera, no entanto, que caso seja mesmo necessário proceder à capitalização da Air France/KLM, a operação deve ser realizada em concertação com o Estado holandês, que tal como o francês detém 14% do capital da empresa.

O governante francês admitiu também que o aumento da participação estatal “é possível tendo em conta a situação económica do grupo”, ainda que ressalve que essas ajudas ficarão condicionadas à estratégia do grupo para as companhias aéreas, que deverá “ser muito clara”, nomeadamente no que refere a aquisições, à consolidação do setor aéreo e ao ajuste do tráfego aéreo.

Jean-Baptiste Djebbari não foi, no entanto, o primeiro governante francês a admitir novos apoios estatais à Air France/KLM, uma vez que também o ministro da Economia, Bruno Le Maire, tinha já reconhecido que a ajuda concedida ao grupo de aviação não seria suficiente, garantindo que o estado francês vai continuar a apoiar a companhia aérea, caso seja necessário.

“Ter a nossa própria companhia aérea é uma questão de soberania nacional e, ainda por cima, há milhares de empregos afetados”, tinha dito Bruno Le Maire, em entrevista à BFMTV.

Recorde-se que a Air France/KLM apresentou recentemente os resultados dos grupo no terceiro trimestre de 2020, que se traduziram em perdas no valor de 1.665 milhões de euros, devido à crise provocada pela COVID-19, e, no final de outubro, anunciou que a Air France vai disponibilizar, este inverno, apenas 35% da capacidade oferecida em igual período do ano passado, enquanto a KLM vai contar com 45% da capacidade.

 

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