Google traz novas soluções para o turismo em tempos de pandemia

Por a 30 de Outubro de 2020 as 15:33

Em entrevista ao Publituris, José Maria Júdice, Industry Manager – Travel and Government da Google, fala sobre as tendências e como a Google tem vindo a ajudar a indústria do Turismo a digitalizar-se e a adaptar-se ao novo ambiente de viagens.

Os consumidores desejam voltar a reservar viagens e é desta atividade que mais sentem falta desde o início da pandemia. A conclusão vem no relatório “Actions for Destination Marketers to Navigate in a COVID-19 World”, elaborado pela Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Google, que analisou o comportamento dos consumidores face à indústria das viagens e turismo.

Como suporte desta conclusão, José Maria Júdice, Industry Manager – Travel and Government da Google, revela ao Publituris que entre abril e agosto verificou-se uma evolução de 20p.p. nas pesquisas por voos, para -42% em comparação a agosto de 2019, “o que é um indicador positivo”.
Mas se a intenção de viagens parece estar a aumentar, há uma segunda conclusão que se pode retirar deste documento, relacionada com o tempo que antecede a reserva. “Os utilizadores parecem ter encurtado a sua janela de planeamento, o que coloca enormes desafios no planeamento operacional e de marketing das empresas. O ‘lookahead window’ – i.e o número de dias entre a pesquisa e a data de partida diminuiu de 48 dias em abril para 28 dias em agosto nas viagens domésticas e de 77 dias para 45 dias nas viagens internacionais”, refere José Maria Júdice.

Como terceira conclusão, o responsável da Google aponta para a transformação das preferências dos utilizadores: “Assistimos a um aumento do interesse por destinos rurais e de natureza em mercados domésticos ou de proximidade, e a uma maior procura por formas alternativas de mobilidade e alojamento, como autocaravanas e alojamento local. Estou convicto de que o turismo “convencional” de lazer voltará à medida que encontrarmos formas de gerir a pandemia e recuperar a confiança dos consumidores, e que estas novas tendências serão, não uma alternativa, mas um complemento para chegarmos a um turismo mais sustentável, diversificado e menos sazonal. A grande questão, que a meu ver continua por responder, é a velocidade e a forma de recuperação do turismo de negócios”, conclui.

Pandemia vai acelerar o processo de transição digital?
Se há algo que a pandemia trouxe foi um maior recurso à tecnologia, “tornando inevitável um caminho que muitas organizações já tinham começado a fazer na forma como olham para a sua infraestrutura, como colaboram interna e externamente, e como comunicam com o seu público-alvo”, considera José Maria Júdice.

Segundo o responsável, os dados disponibilizados no site Think with Google, ou através do Google Trends, podem ajudar as empresas de turismo a identificar novas tendências nas preferências dos consumidores. “Por exemplo, à medida que as pessoas procuram cada vez mais o turismo local e ao ar livre e fazem-no num ambiente de incerteza, as empresas podem reagir a essas necessidades elaborando campanhas de marketing específicas e preparando-se para um aumento de reservas de última hora”.

Para o responsável da Google, é “absolutamente crítico que as organizações do setor que ainda não o fizeram, aproveitem este momento para assegurar uma presença digital sólida e alinhada com a sua estratégia e objetivos de negócio”. José Maria Júdice dá alguns exemplos: “Há aspetos que são cada vez mais de verdadeira “higiene digital”, como um site mobile e transacional. É possível, por exemplo, criar um perfil gratuito no Google My Business para interagir facilmente com os clientes na Pesquisa Google e no Maps. E, para encontrar novos clientes, pode-se investir em anúncios com o Google Ads”.

Além do trabalho com as empresas e associações nacionais do setor, a Google está a desenvolver parcerias com vários ministérios, empresas e especialistas por toda a Europa, Médio Oriente e África de forma a promover as competências digitais na indústria das viagens. “Trabalhamos, por exemplo, com a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas (OMT) para formar funcionários e empresas de turismo numa vasta gama de ferramentas digitais para apelar e criar um envolvimento com os turistas que estão em casa e de forma a incentivar viagens futuras quando possível”.

As soluções tecnológicas mais procuradas
Neste cenário de transição digital acelerado pela pandemia, José Maria Júdice considera que as soluções tecnológicas que terão maior procura serão aquelas que permitam às organizações melhorar a sua presença digital, referidas pelo próprio anteriormente, bem como as que ajudem a navegar a incerteza do momento “da forma o mais eficiente possível”.
Esta navegação precisa de combinar três grupos de soluções: “Em primeiro lugar, soluções que permitam reagir rapidamente a variações na procura e beneficiem dos enormes avanços recentes no campo da inteligência artificial, como é o caso das estratégias de Automated Bidding em Google Ads”, refere.

Em segundo lugar, e esta é uma das recomendações do estudo realizado pela BCG e pela Google, as organizações do setor “devem redobrar esforços para agregar e tratar de forma inteligente e ágil, através de soluções como as que existem em Google Cloud, a informação de que dispõem, consolidando fontes de dados que, por estarem em áreas diferentes da organização, ou por serem parcialmente externas, nunca foram analisadas em conjunto nem estão disponíveis em tempo real para a maioria das pessoas numa organização”.

Em terceiro lugar, “num momento em que é mais desafiante identificar as preferências dos consumidores, tornam-se indispensáveis soluções, como Google Analytics, Google Optimize e Google Consumer Surveys, que permitam identificar, testar e analisar a reacção dos utilizadores à oferta e à comunicação de uma empresa”.
“As organizações mais avançadas a nível mundial já têm este tipo de soluções no seu DNA há algum tempo, e seria importante que o momento que atravessamos reforçasse, em Portugal, o sentido de urgência desta aceleração digital”, considera.

A Google tem vindo a adaptar as suas soluções para facilitar a vida e as decisões dos utilizadores e das organizações do setor, garante José Maria Júdice. “Um exemplo disso mesmo, na interação com os utilizadores, é a informação que passámos recentemente a disponibilizar quando é realizada uma pesquisa, sobre a capacidade aérea e hoteleira e a existência de restrições de viagens para um destino; já na interação com as organizações do setor, introduzimos o programa Pay Per Stay, em Hotel Ads, que permite que a comissão devida pela reserva seja paga apenas se a estadia se realizar, retirando o risco de cancelamento da equação”.
“Fizemo-lo porque continuamos otimistas sobre o futuro da indústria de viagens e sobre o papel que as nossas ferramentas podem desempenhar para ajudar a indústria a recuperar”, conclui.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *