Lux Hotels: Segunda vaga da pandemia pode “obrigar” a fechar hotéis por falta de procura

Por a 21 de Outubro de 2020 as 10:15

Com oito hotéis espalhados por Fátima, Lisboa, Porto e Évora, o Grupo Lux Hotels deparou-se com diferentes realidades no verão. Se por um lado as unidades nos centros urbanos foram as mais afetadas pela falta de procura, por outro, o grupo registou bons resultados no único hotel que manteve aberto em Fátima, o Lux Fátima Park Hotel, e na sua unidade no Alentejo, o Évora Olive Hotel.
A temporada baixa que se inicia agora começa, no entanto, a preocupar António Gonçalves, administrador do grupo, que olha com “muita apreensão” para o atual momento. “Os países europeus já estão a tomar medidas preventivas mais restritivas pelo que as viagens aéreas estão a diminuir. Tememos, ainda, que venham a diminuir mais drasticamente à medida que caminhamos para o inverno. Dependemos de clientes de proximidade, como a Espanha, França entre outros, já que muitos estão a viajar de carro”, refere.

Como é que correu o verão para as unidades do Grupo Lux Hotels?
Este ano está a ser muito diferente daquele que tínhamos perspetivado. Os meses de janeiro, fevereiro e os primeiros 15 dias de março auguravam um ano melhor que o anterior.
O objetivo para este ano era manter os números de 2019 nomeadamente nos hotéis de Lisboa e Porto. Vínhamos de três anos de crescimento muito significativo nestas unidades e crescer significava crescer no preço pois na ocupação já era difícil fazê-lo.
O Évora Olive Hotel ainda tinha alguma margem de crescimento, em 2020 tínhamos projetado um crescimento na ordem dos 5%.
Nos hotéis de Fátima é sempre uma incógnita, nunca sabemos o que esperar de cada ano, pois há um desfasamento enorme entre a oferta e a procura. Apesar de sermos o destino turístico na zona centro com o maior número de turistas e o mais internacional de todos, também é verdade que o número de camas é muito superior à procura, o que não nos permite crescer nem em preço nem em ocupação. Há que trabalhar muito na comunicação de que “Fátima é Mais”. Ainda que o Santuário de Fátima seja a âncora, num raio até 50 km (cerca de 30 minutos de carro) temos muitos atrativos turísticos: a Serra D’Aire e Candeeiros onde se podem visitar várias grutas naturais, o parque sensorial da Pia do Urso, fazer passeios de bicicleta, a cavalo ou caminhadas; monumentos Património da Unesco (Convento de Cristo em Tomar, Mosteiro da Batalha e Mosteiro de Alcobaça) e as praias fluviais. Com alguns investimentos estratégicos (equipamentos para estágios desportivos de várias modalidades, um espaço para reuniões e eventos de dimensão média, um parque da cidade com várias diversões e onde houvesse um espaço “acqua” para o verão) tirando partido da centralidade geográfica no contexto nacional, atrairíamos outros segmentos de mercado aumentando a procura em especial na época baixa quando o turismo religioso abranda significativamente.

Quais as unidades que tiveram melhor desempenho?
A nível de desempenho, o Évora Olive Hotel, durante o verão, onde habitualmente já temos público nacional, teve um desempenho muito bom e correu com normalidade, com números muito próximos de 2019. Évora é sobejamente conhecida pela sua gastronomia, cultura e natureza envolvente.
Em Fátima correu razoavelmente bem. Muito embora das três unidades que possuímos em Fátima, optámos por abrir só o Lux Fátima Park – Hotel Apartamentos, pois é aquele que permite um maior “afastamento social” como também se adequa a qualquer segmento, mas em especial ao segmento famílias. É no destino Fátima o único hotel neste segmento, o que é uma vantagem competitiva significativa.
É verdade que a pandemia trouxe mais pessoas ao Centro de Portugal e o facto de termos apartamentos e piscina exterior é um atrativo.
Estamos a procurar parcerias com entidades que nos liguem aos amantes do turismo de natureza, que adorem caminhadas, fazer passeios de bicicleta e que gostem de experienciar lentamente os locais por onde passam e apreciar a cultura local. Temos trabalhado para dar a conhecer Fátima nesse sentido. Para quem seja religioso, Fátima tem uma paz viciante. Para quem não é católico, Fátima é espiritualidade, é paz interior, é bem-estar.
Os caminhos de Fátima tem tido divulgação por parte das entidades do turismo, mas temos, ainda, de continuar a trabalhar para que as pessoas vejam nos Caminhos de Fátima, aquilo que vêm nos Caminhos de Santiago. Os Caminhos de Fátima podem ter tantos objetivos quantos aspiramos: podemos ir sós, acompanhados com família ou amigos, apenas com família, e pelas mais variadíssimas razões: desde fé, à necessidade de reflexão e paz interior, à necessidade de uma mudança, à confraternização e ao lazer.
São caminhos belíssimos que deveriam ir para a ‘to do list’ de cada português e viajante internacional como uma das 10 ou 20 coisas a fazer ao longo da vida.
Além da natureza envolvente, existem variadíssimos atrativos culturais e gastronómicos por descobrir.
Os grandes centros urbanos foram os mais afetados. Em Lisboa, temos 3 unidades: Lux Lisboa Park, próximo do Parque Eduardo VII; Lisboa Pessoa Hotel e Lisboa Carmo Hotel, ambos no Largo do Carmo. No Porto, o Porto A.S. 1829 Hotel, situado no Largo de São Domingos ao final da Rua das Flores para quem desce.
Em termos de números, no acumulado dos meses de verão (Julho, Agosto e Setembro), o Évora Olive Hotel foi o que mais se aproximou da “normalidade” atingindo 65% das vendas comparando com o período homólogo. Tínhamos noção de que este ano Évora teria melhor desempenho que os restantes destinos pelo peso que o mercado nacional representa no hotel.
Nos hotéis de Fátima, Lisboa e Porto o mercado internacional tem um peso nas vendas superior a 90%, pelo que as expectativas de “termos verão” foram-se desvanecendo a partir do momento em que o número de contágios não parava de subir em importantes mercados emissores como EUA e Brasil e quando na europa alguns países como o Reino Unido impuseram quarentenas de 15 dias a quem regressava de Portugal.
Em Lisboa, o hotel que melhor desempenho teve este verão foi o Lux Lisboa Park, atingindo 40% das vendas comparativamente com o período homólogo. Este hotel tem no “rooftop” uma piscina instagramável e um bar, o que lhe confere uma vantagem competitiva nos meses de verão.
Por ordem decrescente, as vendas no verão comparativamente com o ano de 2019, representaram em média nos hotéis de Fátima 27%, nos hotéis de Lisboa 25% e 19% no hotel do Porto.

Estão a ter reservas para o restante período que falta para o final do ano?
Évora, ainda que esteja em decrescendo em relação ao Verão, prevemos atingir 50% das vendas comparando com os meses homólogos de 2019.
Fátima vai entrar em período de época baixa e se noutros anos as expectativas já não eram animadoras, este ano em princípio vamos encerrar todas as unidades. Abriremos pontualmente e quando se justificar, como é o caso dos fins-de-semana e períodos festivos, Natal e Fim de Ano.
Para Lisboa e Porto a expectativa é de conseguirmos atingir entre 20% a 25% da produção homóloga para se justificar mantermos os hotéis abertos. Vamos ver se esta segunda vaga da pandemia não nos obriga a fechar por falta de procura. Nestes dois destinos a falta de procura levou a que os preços baixassem consideravelmente, atraindo mercados que anteriormente não trabalhávamos como é o caso dos mercados de proximidade (Portugal e Espanha) e um segmento mais jovem, são maioritariamente “Millennials”.

Como é que encaram este período de época baixa? Quais os maiores receios nesta altura?
Com muita apreensão. Os países europeus já estão a tomar medidas preventivas mais restritivas pelo que as viagens aéreas estão a diminuir. Tememos, ainda, que venham a diminuir mais drasticamente `a medida que caminhamos para o inverno. Dependemos de clientes de proximidade, como a Espanha, França entre outros, já que muitos estão a viajar de carro.

Perspectivam encerrar unidades neste período? Se sim, quais?
As unidades de Fátima muito provavelmente, o que já é normal. Normalmente mantemos uma delas abertas, visto determos 3 unidades hoteleiras em Fátima.
Restantes unidades, para já ainda não temos previsão, a não ser que a “falta de procura” o justifique.

Como é que pensam gerir as equipas neste período de menor procura?
É um período difícil para todos. Como gestores, é muito complicado gerir por um lado as expectativas pessoais e profissionais e por outro as de foro empresarial, com todos os investimentos e obrigações que temos de cumprir. É avassalador o que a pandemia veio trazer para muitas famílias. Estamos focados no bem-estar dos nossos colaboradores, mas por vezes temos de tomar decisões difíceis, fruto do contexto em que vivemos.
Em todos os hotéis, as equipas foram sendo redimensionadas. Como uma grande maioria dos nossos hotéis abriu há poucos anos, houve contratos que não renovamos.

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