Açores: Empresários do turismo querem plano para promoção e retoma

Por a 21 de Outubro de 2020 as 17:31

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada veio esta quarta-feira, 21 de outubro, denunciar a “a situação dramática” que o turismo açoriano se encontra a viver e pede a adoção “com urgência” de um plano “devidamente dotado” com recursos financeiros para a promoção e retoma da atividade.

“Da análise dos últimos dados estatísticos disponíveis, foi constatada a quebra muito significativa das dormidas na região, apresentando uma diminuição de 74,4%, no período de janeiro a agosto, sendo a redução dos proveitos ainda mais acentuada, ou seja de 78,6%”, denuncia a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, num comunicado que é citado pela Lusa.

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada diz que os dados de setembro e de outubro “evidenciam a continuação da trajetória negativa, bem como as perspetivas para os próximos meses”, e destaca a ilha de São Miguel, a maior ilha do arquipélago, que “apresentou uma diminuição nas dormidas e nos proveitos mais elevada que a média regional, sendo apenas inferior à verificada no Faial”.

“Os Açores foram a região do país que apresentou a maior queda, quer a nível de dormidas de residentes e de não residentes e também ao nível dos proveitos nos estabelecimentos de alojamento turístico”, acrescenta a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, sublinhando “todas as ilhas, com exceção do Corvo, apresentaram quedas superiores a 50%”.

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considera que, “sem a adoção de medidas céleres e adequadas à dimensão da situação que as empresas estão a atravessar”, a região “estará a breve prazo perante uma situação de perda de capacidade instalada e de desemprego de recursos humanos especializados”.

Por isso, diz a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, o setor turístico açoriano necessita “com urgência” de “uma estratégia e de um plano devidamente dotado, que sejam consistentes” e que incluam “medidas e recursos financeiros adequados para a promoção e para a retoma”, à semelhança do que a associação empresarial já tinha proposto há uns meses.

Em relação ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que foi recentemente entregue em Bruxelas, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada diz que a parte que se refere aos Açores é uma “enorme desilusão”, devido às “parcas verbas direcionadas à recuperação no setor privado e, em particular, do setor do turismo”.

“A reduzida afetação de recursos direcionados para os setores produtivos, contrasta com a lógica de consumo largamente maioritário de recursos pelo setor público, não transacionável e não reprodutivo”, critica a associação empresarial.

O plano que a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada propôs em maio destinava cerca de 500 milhões de euros para o setor privado, o que leva a associação a dizer que este documento “continua a revelar-se mais próximo da realidade e das necessidades das empresas”.

“O plano agora proposto representa, para os setores mais afetados, menos de 35% dos valores necessários, com a administração pública e setores afins a consumirem grande parte das verbas disponibilizadas que são, mesmo assim, demasiado parcas para mitigar a o problema criado pela pandemia”, lê-se ainda no comunicado.

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